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Nossa Senhora de Xexan, auxiliadora dos cristãos, Rogai por nós!
de Aloysius Jin Luxian
bispo de Xangai
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 | | O bispo Aloysius Jin Luxian | | |
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A Carta Pastoral do Papa dirigida à Igreja na
China, objeto de preocupação dos fiéis do mundo
inteiro, aguardada pelos fiéis de toda a China, finalmente foi
publicada em 30 de junho. Agradecemos pela graça do Senhor!
Depois da publicação, alguns amigos me
transmitiram o texto em chinês. Li duas vezes com muita
atenção e fiquei muito comovido. Depois de recebê-la,
fui até minha pequena capela e a meditei no coração.
Amém, aleluia! Em seguida, com os sacerdotes, estudei o documento.
Agora, gostaria de compartilhar com todos vocês minha primeira
compreensão.
Como pastor universal, com espírito de pai
espiritual e misericordioso, com serenidade e calma, baseando-se na Sagrada
Escritura, nos documentos do Concílio Vaticano II, no Código
de Direito Canônico e no ensinamento do falecido papa João
Paulo II a respeito da China, o Papa nos expõe de maneira clara e
simples a natureza, a missão, a tarefa e a organização
da Igreja de Cristo. Ele me faz sentir como se estivesse numa grande aula
de eclesiologia, me faz amar ainda mais a nossa Igreja, e me concede a
determinação para dar um passo a mais em minha tarefa como
bispo local, para que se realize logo a esperança e o empenho de
Jesus por “um só pastor e um só aprisco”.
A Carta Pastoral do Papa é dirigida à
Igreja Católica na República Popular da China. Essa Igreja
Católica que vive na República Popular da China é
apenas uma, não existem duas, não existe uma parte
clandestina e uma parte oficial. Toda a Igreja que vive na China crê
unanimemente na Igreja una, santa, católica e apostólica.
Temos juntos um só pastor, vivemos juntos num só aprisco. O
Papa exprime tudo isso de maneira clara e sem ambigüidades. Neste
ponto, gostaria de me dirigir aos amigos do exterior, que se preocupam com
nossa Igreja: peço-lhes que estejam unidos ao Papa, que não
falem mais da nossa Igreja como se fossem duas Igrejas, apoiando uma e
negando a outra, fixando em nossa cabeça etiquetas como
“fiéis” e “não fiéis”,
“oficiais” e “não oficiais”.
A Santa Sé compreende perfeitamente as
circunstâncias do passado e do presente da nossa Igreja, interessa-se
pelo que nos espera no futuro e pelas situações de hoje. Como
pastor universal, a visão do Papa é naturalmente dirigida
para o que está adiante, e não se detém no passado.
Para nós, as circunstâncias de ontem pertencem ao passado;
para o Pai Eterno, não é assim, todas as nossas palavras e
todas as nossas ações existem para sempre diante d’Ele.
Não podem ser apagadas. O prêmio de Deus supera infinitamente
nossos méritos e nossas esperanças.
A Igreja na China é apenas uma. Irmãos e
irmãs, juntos navegamos, juntos vivemos em harmonia e em alegria.
Essa é a esperança mais cara ao Papa.
Mas o Papa também escreve, com sobriedade, em
sua Carta Pastoral: “Estas indicações, que se referem
à própria natureza da Igreja universal, têm um
significado particular para a Igreja que está na China. Com efeito,
não vos passam despercebidos os problemas que ela está
enfrentando para superar – em seu interior e em suas
relações com a sociedade civil chinesa –
tensões, divisões e recriminações”.
Assim, o Papa sublinha a necessidade do perdão e da
reconciliação, e diz: “Este caminho não
poderá realizar-se de um dia para o outro”.
Nossa diocese de Xangai lutará com todo o
coração, com toda a energia e sem se cansar para realizar o
mais cedo possível a esperança do Papa.
A Igreja fora da China, em todos os países e em
alguns territórios, conta com organismos como as conferências
episcopais ou as assembléias dos bispos. A situação da
China é diferente do normal. Há vinte anos, a Igreja em
Taiwan organizava uma conferência episcopal denominando-a
Conferência Episcopal da Igreja na China. O Papa anterior indicou a
eles que esse nome não era correto, pois seus membros eram apenas os
poucos bispos ordinários da ilha de Taiwan. Era preciso retificar o
nome. O Papa indicou a eles que não podiam se chamar
Conferência Episcopal da Igreja na China, mas, sim, Conferência
Episcopal de Taiwan. Os bispos de Taiwan, com alegria, aceitaram a
indicação do Papa e mudaram o nome.
Certa vez, alguns bispos clandestinos da China
constituíram uma Conferência Episcopal Chinesa, enviando um
relatório a Roma para que fosse aprovada. Roma não a aprovou.
A razão era muito simples: essa organização não
incluía os bispos “públicos”.
A conferência episcopal
“pública” foi fundada há mais de dez anos.
Naturalmente, não se enviou um relatório a Roma. E, sem
relatório, como poderia ser aprovada? Uma conferência
episcopal nacional deve ter como membros todos os bispos do país, e,
só depois que seu nome for correspondente à realidade, ela se
torna uma conferência episcopal nacional. Faço votos de que
isso aconteça logo.
A Carta Pastoral adverte: “A pretensão de
alguns organismos, queridos pelo Estado e alheios à estrutura da
Igreja, de se colocarem acima dos próprios bispos e de dirigirem a
vida da comunidade eclesial não corresponde à doutrina
católica”. Evidentemente, o Papa faz alusão à
Associação Patriótica. A Associação
Patriótica foi fundada há cinqüenta anos. Esta é
a primeira vez em que a Santa Sé revela sua posição. A
seus olhos, a Associação Patriótica tem três
conotações: em primeiro lugar, é fundada pelo governo;
em segundo, é estranha à estrutura da Igreja; em terceiro,
põe-se acima dos bispos para guiar a Igreja. Eu fui bispo de Xangai
durante quase vinte anos. A Associação Patriótica em
Xangai nunca se pôs acima de mim; pelo contrário, aceitou
minhas diretrizes. No início do século XX, Xangai tinha uma
organização da Ação Católica. Entre seus
membros, havia personagens eminentes como Lu Baihong, Zhu Zhiyao e outros.
Por sua ajuda na evangelização, o Vaticano os homenageou com
condecorações. Eles escreveram uma página gloriosa na
história da diocese de Xangai. Serviram até como ponte entre
a diocese e o governo, solucionaram problemas que os missionários
estrangeiros não podiam resolver. Eu sempre espero que os
católicos da diocese de Xangai continuem no espírito da
Ação Católica, desenvolvendo o espírito que os
leigos devem ter. Eu digo freqüentemente: “O século
presente será o tempo dos leigos; eu alimento uma grande
esperança a respeito dos amigos maduros de Xangai”.
Gostaria de fazer uma observação sobre a
segunda parte da Carta do Papa, que indica as normas da vida pastoral.
Por mais que a diocese de Xangai venha há vinte
anos desenvolvendo sua Igreja segundo o espírito do Evangelho, do
Código de Direito Canônico e dos documentos do Concílio
Vaticano II, no momento presente devemos nos sentar para refletir e
encontrar o que falta, e para tomar as medidas necessárias para no
futuro poder cuidar ainda melhor da diocese e das paróquias.
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 | | As edições em língua chinesa e inglesa da Carta do Santo Padre Bento XVI aos bispos, aos presbíteros, às pessoas consagradas e aos fiéis leigos da Igreja Católica na República Popular da China, publicada em 30 de junho de 2007 | | |
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A Carta Pastoral sublinha o trabalho de
formação feito no seminário. Ele é realmente
muito importante. Penso que o Papa possa ser consolação o fato de
termos criado um seminário na diocese de Xangai, em Xexan. Era o primeiro
seminário a ser aberto depois da reforma e da abertura da China. A diocese
de Xangai superou todo tipo de dificuldade, como a falta de livros e de professores, a escassez de
recursos. Ao longo dos anos, foram formados mais de quatrocentos jovens
sacerdotes. Nesta ocasião, gostaria de expressar minha profunda
gratidão aos irmãos da Igreja na Alemanha, na Áustria
e em outros países, que apoiaram generosamente o seminário de
Xexan, e de modo especial à Sociedade de Maryknoll, à
Sociedade do Verbo Divino, à Congregação do
Coração Imaculado de Maria, à Ordem dos Dominicanos,
à Sociedade dos Salesianos, à Sociedade de São
Columbano, à Sociedade de Jesus. Peço a vocês que rezem
por eles e que roguem a Deus que lhes dê o cêntuplo como
recompensa.
O último parágrafo da Carta Pastoral me
faz experimentar uma grande alegria e consolação. O Papa
decide que a festa anual de Nossa Senhora de Xexan, a Auxiliadora dos
Cristãos, no dia 24 de maio, será uma festa de
oração de toda a Igreja do mundo pela Igreja na China. Penso
que os fiéis de Xangai ficarão muito contentes quando ouvirem
essa boa notícia. Obrigado, Santo Padre.
Para a diocese de Xangai, essa é uma honra muito
grande, e ao mesmo tempo uma obrigação muito importante. Em
primeiro lugar, devemos venerar Nossa Senhora com um fervor
extraordinário, devemos imitar Nossa Senhora, esforçando-nos
para ser seus filhos e filhas, e dando um exemplo aos outros
católicos. Em segundo lugar, uma vez que certamente muitos
fiéis irão em peregrinação a Xexan, nós,
católicos de Xangai, devemos nos preparar adequadamente, ser
hospedeiros acolhedores, para que os fiéis chineses e estrangeiros
possam ver em nós a glória do amor divino, chegando de boa
vontade e voltando cheios de contentamento.
Enfim, a Carta Pastoral do Papa sublinha a
função do bispo, falando das obrigações do
bispo como ponto essencial. Eu me sinto agitado e com medo. Já tenho
92 anos. O Papa nos lembra a palavra do apóstolo São Paulo: a
vida é Cristo e a morte, uma bênção. Peço
a todos que rezem a Deus por mim, a fim de que possa realmente viver Cristo
e obter finalmente a felicidade de uma morte em paz. Amém.
Aloysius Jin Luxian
O jesuíta Aloysius Jin Luxian nasceu 92 anos
atrás em um vilarejo cristão nos subúrbios de Xangai.
Em 8 de setembro de 1955 foi preso transcorrendo mais de vinte anos no
cárcere e depois em regime de liberdade condicional. Em 1985 aceitou
tornar-se bispo de Xangai com a aprovação do governo, mas sem
o reconhecimento por parte do Papa. Em 2005 foi o próprio Jin
o “articulador” da ordenação do seu sucessor in pectore José Xing
Wenzhi, nomeado pelo Papa, “eleito” pela diocese, aprovado pelo
governo. Uma operação cujos resultados chegaram também
para o seu episcopado com a legitimação canônica do
Papa, que mais tarde também convidou-o para vir a Roma – sem
sucesso – para participar do Sínodo da Eucaristia.

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