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Acabou a confusão
de Petrus Feng Xinmao
bispo coadjutor de Hengxui
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 | | O bispo Petrus Feng Xinmao administra um batismo | | |
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Estamos todos muito contentes por ter lido a Carta de
Sua Santidade Bento XVI aos católicos chineses. Em seu olhar para a
história recente da comunidade católica chinesa se vê o
quanto somos amados pelo Papa e por toda a Igreja universal. E isso nos
consola.
Na China, a Carta tem circulado livremente. Em minha
diocese, nós a publicamos na internet, tiramos cópias dela e
a distribuímos a todos os sacerdotes e comunidades religiosas, que
começaram a estudá-la juntos. Nós a lemos juntos
também no último encontro mensal que tive com os padres da
diocese. E cada pároco fez centenas de cópias para distribuir
em sua paróquia. Eu a leio e a comento nas homilias que faço
nas paróquias, durante as visitas pastorais.
Naturalmente, seus conteúdos tocam vários
aspectos. A parte mais importante é aquela que contém as
diretrizes para a vida cristã na China. Por muitos anos, houve uma
confusão quanto à atitude que se deveria ter perante o Estado
e perante as opções das chamadas comunidades clandestinas. No
passado, foram concedidas faculdades especiais à Igreja chinesa, em
particular às comunidades subterrâneas. Agora, a nova Carta as
revogou. Devemos seguir a partir de agora este novo documento, que é
de grande ajuda para a Igreja chinesa.
A Carta papal explica muito bem que a clandestinidade
não é a condição ordinária da comunidade
cristã. O normal é que as comunidades cristãs sejam
reconhecidas pelo Estado e que lhes seja permitido confessar e praticar sua
fé livremente.
Alguns cristãos clandestinos estão
confusos. Pensam que, se você é reconhecido ou registrado
pelos organismos do Estado, não está em comunhão com o
Papa. A Carta do Papa realmente esclareceu esse ponto. Os cristãos
seguem as leis. Se a lei do Estado pede aos cristãos alguma forma de
registro civil, nós nos registramos, e isso não vai contra a
fé ou a doutrina. O Papa disse aos cristãos ainda um pouco
confusos que eles podem freqüentar as missas celebradas nas igrejas
“abertas”. Veremos se serão obedientes ao Papa em
palavras ou com ações.
Em minha diocese, por exemplo, os chamados clandestinos
são muito poucos. E na verdade não haveria mais nenhuma
razão para escolher o caminho “subterrâneo” para
viver a própria fé. Poderiam ir à missa
tranqüilamente nas igrejas abertas: lá existem párocos
que eu mesmo nomeei; e eu, por minha vez, fui escolhido como bispo pelo
Papa. Eles sabem disso. Alguns líderes subterrâneos chegaram a
assistir a minha ordenação sacerdotal. Mas estão
acostumados há muitos anos a agir assim, e talvez não se
sintam à vontade para mudar de hábito.
Não sei se o governo ficará contente com
a Carta como nós estamos. Há algumas questões tocadas
na Carta, como o papel da Associação Patriótica, sobre
as quais o ponto de vista do governo é diferente do que é
expresso pelo Papa. Segundo ele, são os bispos que devem guiar a
Igreja.
Talvez seja possível encontrar uma nova
função para a Associação Patriótica. De
qualquer forma, é preciso levar em conta que já hoje o papel
e a influência exercidos pela Associação
Patriótica variam de diocese para diocese. Em nossa diocese
há apenas um cristão que recebe salário como
responsável local da Associação Patriótica. Mas
não se pode dizer que se mostre invasivo nas coisas da Igreja.
Quando a Associação Patriótica organiza os encontros
em nível estatal ou regional, ele às vezes nem participa. De
vez em quando me telefona; me dá algum conselho. E tudo termina por
aí.
Petrus Feng Xinmao
Petrus Feng Xinmao, 44 anos, bispo coadjutor de Hengxui, na
província de Hebei, foi o primeiro do grupo de novos bispos na casa
dos quarenta anos reconhecidos pelo governo e ordenados apenas depois que
sua nomeação papal se tornou de domínio
público. Em 6 de janeiro de 2004, dia de sua ordenação
episcopal, a liturgia foi iniciada na pequena igreja da cidadezinha, onde o
padre mais idoso da diocese leu os documentos que atestavam a
nomeação papal do novo bispo. Depois, para não
decepcionar os fiéis que não haviam conseguido um lugar na
igreja, o clero e os fiéis atravessaram a praça, e a liturgia
de consagração prosseguiu no salão da Caso do Povo
local.

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