Ab assuetis non fit passio, reza um antigo ditado: “Das coisas
costumeiras não nasce paixão”; e, para nós, é uma coisa costumei
Pomba eucarística, final do século XII, início do século XIII, Abadia de Frassinoro
Ab assuetis non fit passio, reza um antigo ditado: “Das coisas
costumeiras não nasce paixão”; e, para nós, é uma coisa costumeira, um hábito
consolidado ver o tabernáculo no centro do altar. Ele nem sempre esteve nessa
posição, e ainda hoje, depois do Concílio Vaticano II, voltamos às vezes a ver
o tabernáculo numa capela fora do salão principal da igreja ou, pelo menos,
fora do altar-mor. Parece-me útil voltar de
marcha a ré na história litúrgica, percorrendo as etapas de uma evolução que
sempre esteve ligada à história do altar. A existência de um único
altar nas igrejas é atestada até o século VI; em seguida, os altares aumentam
em número, mas continua a haver um respeito absoluto pela mensa dominica, que exclui tudo o que é estranho à
celebração do Santo Sacrifício. Perto do final do século IX, começa-se a pôr
sobre a mesa do altar, de maneira permanente, um novo elemento muito
significativo: as relíquias dos santos. Logo, logo, acrescentam-se outros
elementos, tanto que, no início do século X, um importante documento, de origem
galicana, conhecido pelo nome de Admonitio Synodalis, que se tornou lei geral para todas as
Igrejas do Ocidente, prescreve que sobre o altar “devem-se manter apenas as
urnas dos santos (capsae),
o evangeliário e a píxide com o Corpo do Senhor para os doentes; qualquer outra
coisa deve ser posta num lugar conveniente”. Teremos de esperar o século
XVI para encontrar o tabernáculo fixo sobre o altar-mor e, mais tempo ainda,
para vê-lo posto no centro da mesa, última fase do desenvolvimento histórico do
altar. Em consideração à recente encíclica e à conseqüente instrução sobre a
Eucaristia, proponho-me a traçar - mesmo que numa síntese rápida - a história
do receptáculo eucarístico, tanto no que diz respeito a sua posição quanto em
relação aos vasos sagrados usados para conservar a Eucaristia. Período das catacumbas Sabemos com certeza, pelo testemunho
unânime dos Padres dos primeiros séculos, que, durante as perseguições, os
cristãos conservavam com amor reverencial a Eucaristia em seus lares. Terminada
a celebração eucarística, distribuía-se o pão consagrado, que os fiéis
guardavam dentro de pequenos vasos, ou pequenas caixas, para depois comungar
quando sentiam necessidade. O arqueólogo G. B. de Rossi, referindo-se a um
texto de São Cipriano e aos Atos dos mártires de Nicomédia, sob Diocleciano, chama esses pequenos
vasos de arca ou arcula. O cardeal Bona, em seu Rerum
liturgicarum, no nº 17,
cita o texto das disposições emitidas por um bispo de Corinto, que permitem
conhecer o rito de uma comunhão doméstica. “Se vossa casa for dotada de um
oratório, depositareis sobre o altar o vaso que contém a Eucaristia. Se faltar
o oratório, sobre uma mesa decente. Estendereis um pequeno véu sobre a mesa e
lá depositareis as sagradas partículas; queimareis alguns grãos de incenso e
cantareis o trisagion
[o nosso Sanctus, ndr.] e o Símbolo; então, depois de terdes
feito as genuflexões, em sinal de adoração, absorvereis religiosamente o Corpo
de Jesus Cristo”. Santo Eusébio nos informa que os sacerdotes conservavam a
Eucaristia em seus lares para levar a comunhão aos doentes. Por testemunhos antigos,
sabemos também que a Eucaristia era levada dependurada ao pescoço, seja dentro
dos panos costurados de linho que Santo Ambrósio chama oraria, seja em vasos de ouro, prata, marfim,
madeira, e também de argila, ditos comumente encolpia. O encolpium era uma pequena caixa que continha as
relíquias e também o livro dos Evangelhos, que os fiéis carregavam ao pescoço
por devoção. Conhecemos alguns desses encolpia encontrados nos túmulos do cemitério do Vaticano, de
formato cúbico, munidos de suspensório e ornados, na parte da frente, pelo
monograma de Cristo ladeado pelas letras alfa e ômega. Época das basílicas Depois que, com a paz de Constantino, os
cristãos puderam celebrar com toda a liberdade os sagrados ritos e construir os
lugares de culto, sabemos que, pelo que nos testemunham os Padres, bem cedo se
estabeleceu a prática de conservar a Eucaristia nas próprias igrejas, ainda
que, segundo Barônio, o costume de conservar a Eucaristia nas casas
particulares só tenha cessado definitivamente no início do século VI. São João
Crisóstomo informa-nos que, algumas vezes, conservava-se a Eucaristia sob as
duas espécies; e por Santo Ambrósio sabemos que, em Milão, o preciosíssimo
Sangue se conservava num vaso de ouro em forma de pequeno barril, chamado dolium. A sacralidade e a preciosidade
constituem uma constante. É a lógica da fé e do amor. O receptáculo eucarístico,
nas primeiras basílicas, teve duas formas: a torre e a pomba. Discute-se, entre os eruditos, sobre qual das duas
formas veio primeiro, mas, com toda a probabilidade, a torre serviu de
recipiente para a pomba, que continha o pão eucarístico. A hipótese é
comprovada pelo material usado para sua fabricação: as torres eram de prata e
as pombas de ouro. O bibliotecário Anastácio escreve no De vita Pontificum que Constantino doou à Basílica de São
Pedro uma torre e uma pomba de ouro puríssimo, decorada com duzentas e
cinqüenta pérolas brancas; Inocêncio I mandou construir para a igreja dos
Santos Gervásio e Protásio uma torre de prata e uma pomba de ouro, e o papa
Hilário doou à Basílica do Latrão uma torre de prata e uma pomba de ouro.
Discute-se também qual era o lugar em que se punham as torres e as pombas. Citando
uma passagem das Constituições apostólicas, que remontam ao século IV, há quem considere que
fossem guardadas no pastophorium, ou seja, no lugar mais retirado e inacessível da
igreja: “Depois que todos comungaram, que os diáconos levem o que sobrar para o
pastofório”. Há quem identifique o lugar da conservação com o sacrarium. Uma passagem de São Jerônimo esclarece
que se trata do mesmo lugar: “Quare ‘sacrariu’, in quo iacet Christi corpus,
qui verus est Ecclesiae et animarum nostrarum sponsus, proprie thalamus seu
‘pastophorium’ appellatur”. Trata-se de um local nobremente reservado, fora do
salão da igreja. As espécies eucarísticas
eram introduzidas na pomba por uma pequena abertura em seu dorso, fechada com
cuidado por uma tampa com dobradiça. As torres e as pombas eram suspensas, por
pequenas correntes, até o centro do cibório que cobria o altar. Deve-se
destacar, nesse sentido, que por cibório (do latim ciborium, mais tardiamente tegurium e tiburium) deve-se entender o pavilhão de forma quadrada que,
desde os tempos de Constantino, eleva-se sobre o altar, partindo dos quatro
lados, para conferir ao mesmo elegância e suntuosidade. Algumas vezes, sobre o
cibório erguia-se um outro, de pequenas dimensões, que levava o nome de peristerium (pombal), na medida em que guardava a
pomba eucarística. As quatro cortinas que cingiam o cibório, chamadas por essa
característica tetravela,
continuaram a ser usadas até os últimos anos do século IX. O cibório, na arte
cristã, tem uma história particular da qual não podemos tratar neste momento.
Não podemos, porém, deixar de citar, exaltando a arte barroca, o cibório de
Lorenzo Bernini, que se lança majestosamente a vinte e nove metros de altura no
céu da cúpula de Michelangelo. A fé eucarística faz-se arte e a arte ilustra a
fé eucarística. Quanto temos de aprender! Mas essa lição não se aprende apenas
durante as indispensáveis aulas de arquitetura e das várias artes que a ela
estão ligadas. É indispensável a cátedra da grande teologia e a do
genuflexório, da oração, da vida da graça, da pietas, da apaixonada imersão na vitalidade
pascal do ano litúrgico, no grande sentido da perene traditio Ecclesiae. É preciso familiarizar-se com o
horizonte da eternidade, com o qual se mede tudo o que é passageiro. Período românico No período românico, às duas formas já em
uso - torre e pomba - acrescenta-se a píxide. Com esse nome, designa-se geralmente o vaso
sagrado, de qualquer forma ou tamanho, que contém a Eucaristia. O substantivo
grego, porém, tem o significado preciso de caixa, o que elimina qualquer ambigüidade do termo
genérico “receptáculo”, diferenciando claramente esse vaso da torre e da pomba.
As pombas românicas, diferentemente das antigas, são guarnecidas de um pedestal
que, algumas vezes, apresenta a borda ligeiramente realçada. Acerca do uso da
pomba como lugar de reserva da eucaristia, deve-se destacar que, se na Idade
Média isso era comum na França, não era igualmente na Itália, onde, do século
XI ao século XVI, preferiu-se fazer uso de armários fixados na parede ou do secretarium, uma digna sacristia. Não podemos dizer que o uso
da píxide tenha suplantado o da torre e da pomba; além do mais, a píxide nada
mais era que uma torre de tamanho médio. Normalmente, consistia numa caixa
redonda, algumas vezes quadrada, fechada por uma tampa na maioria das vezes
cônica, mas também achatada. Justamente por essas características, era de uso
muito prático e também de menor custo. A píxide, algumas vezes, era ligada ao
bico da pomba, como sinal evidente da presença das espécies eucarísticas em seu
interior. Há também exemplos de píxides sustentadas por um pedestal,
especialmente durante o século XII, donde o nome de pisside pediculata. Os receptáculos
eucarísticos - torres, pombas e píxides - no período românico eram suspensos
sobre o altar, mas, tendo desaparecido o antigo cibório, modificou-se também a
maneira de suspendê-los. Geralmente, fixava-se uma haste em forma de cruz no
retábulo, em cuja voluta se dependurava o receptáculo. Não faltam exemplos de
outras soluções, também de certo valor artístico, que demoraríamos muito para
descrever. No período românico, o ouro
e a prata foram os materiais costumeiros para a fabricação dos receptáculos
eucarísticos, qualquer que tenha sido sua forma. Para decorar as píxides,
utilizavam-se também pedras preciosas. Mas também se usava cobre dourado e
esmaltado, marfim e até madeira. Período gótico Durante este período, a maneira de
conservar o Santíssimo Sacramento apresenta diversas soluções. O receptáculo -
torre, pomba ou píxide - é suspenso acima do altar, envolvido por um véu.
Algumas vezes, o receptáculo era posto sobre o altar, como fica claro nos
Estatutos Sinodais de Liege, de 1287: “Corpus Domini in honesto loco, sub
altari vel in armariolo sub clave custodiant”. Normalmente, porém, o
receptáculo se preservava num armarinho ou edícula, escavada na parede, à
direita ou à esquerda do altar. Tinha-se o cuidado,
especialmente nas igrejas de certa importância, de enfeitar a porta do
armarinho com adornos elegantes e pinturas, emoldurando tudo com um arco agudo
sustentado por pequenos pilares revestidos de arcos e encimados por setas.
Procurava-se sempre decorar com pinturas tanto o interior quanto a porta do
armarinho. Uma abertura circular ou em forma de trevo de três ou quatro folhas,
fechada por grades, aberta na parede na altura do interior do armário,
permitia aos fiéis que, de fora, adorassem em qualquer tempo o Santíssimo
Sacramento. Uma lâmpada acesa diante da abertura indicava, de longe, o lugar em
que se conservava o pão transubstanciado. Com o advento do século XVI, já não
nos contentamos com esse ornamento, que, mesmo significativo e de certo
interesse artístico, é ainda assim um modesto armário. Começam a aparecer as
primeiras edículas do Sacramento, que, num primeiro momento - perto do final do
século XIV -, foram característica quase exclusiva das igrejas do norte da
Europa. A origem dessas edículas
revela-nos como o Espírito Santo guia os fiéis, e deve-se à difundida piedade
popular que, na Idade Média, tinha o desejo de contemplar a Hóstia consagrada,
tanto durante a santa missa, no momento da elevação, quanto fora da celebração.
O culto da Eucaristia se baseia nas chamadas mostranças, que multiplicavam as exposições
eucarísticas, quase por multiplicação de uma fé tão cordial e simples quanto
profunda e preciosa. A mostrança nada mais era que o culto público do
Corpo do Senhor, com a Hóstia exposta à adoração dentro de um ostensório. A
prática das mostranças
era tão arraigada no povo que medidas restritivas de alguns Sínodos não
conseguiram limitá-las. De qualquer forma, pode-se indicar que a primeira festa
do Corpus Christi foi celebrada pelos cônegos de Liege em 1247. Papa Urbano IV,
em 1264, estendeu-a a toda a Igreja, mas apenas em 1316 foi definitiva e
providencialmente aprovada pelo papa João XXII. As edículas eucarísticas foram o ponto de encontro entre a piedade
popular e as disposições sinodais, na medida em que realizaram uma espécie de
exposição permanente do Santíssimo Sacramento diante dos fiéis. Apresentavam-se
como construções monumentais, em forma de torre, cuja altura chega até quase a
abóbada da igreja, prevalecendo o estilo ogival, dentro das quais se guardava a
Hóstia consagrada num vaso transparente posto atrás de uma larga grade
metálica, de modo a permitir que os fiéis contemplassem, mesmo que
confusamente, o Sacramento.
Tabernáculo do altar-mor da Catedral de Sena, século XV
O tabernáculo sobre a mesa do altar A última fase histórica da evolução do
tabernáculo, como receptáculo eucarístico que passa a se localizar sobre a mesa
do altar, acontecerá no início do século XVI. O pioneiro dessa solução, na
Itália, foi o pio bispo de Verona dom Matteo Giberti, que desejou empregá-la
nas igrejas de sua diocese. Para sermos precisos com relação à história, já
encontramos essa disposição nas Ordinationes dos Ermitões de Santo Agostinho, redigidas sob
Alexandre IV (1254-1261): “Queremos que em todas as nossas igrejas o Corpo de
Cristo seja conservado num cibório posto acima do altar-mor, dentro de píxides
de marfim ou de outro material precioso, em quantidade módica, recoberto por um
véu limpíssimo”. A disposição de dom Matteo
Giberti teve ressonância particularmente na alta Itália, e bem cedo estendeu-se
também para outras dioceses, em primeiro lugar para Milão, por obra de São
Carlos Borromeu, que dispôs que se transferisse a localização do Santíssimo
Sacramento da sacristia para um altar do Domo. Em Roma, essa iniciativa foi
apoiada pelo papa Paulo IV. Em 1614, o Ritual de Paulo V a impunha às igrejas de sua diocese,
recomendando que fosse adotada também nas outras. Fora da Itália, vários
concílios deixaram à livre escolha o lugar de custódia do Santíssimo
Sacramento; preferiu-se, em geral, usar tabernáculos de parede e, onde
existiam, edículas eucarísticas. Como se sabe, aqueles eram
os anos da aplicação das normas do Concílio de Trento (1545-1563), que, nesse
caso, reagia à doutrina protestante que negava a permanência da presença real
de Cristo nas espécies eucarísticas. Deve-se à exigência de afirmar a doutrina
católica a difusão do posicionamento do tabernáculo, bem visível, sobre o altar
maior. A forma mais comum era a pequena casa, incorporada à parte elevada do
altar, ladeada por degraus (habitualmente dispostos em três níveis) sobre os
quais eram postos castiçais para a ascensão de sírios, às vezes numerosos, sobretudo
por ocasião das exposições eucarísticas solenes. Assim, a mesa se tornou,
visivelmente, quase uma parte menor do altar, cada vez mais monumental, no qual
foi dado grande desenvolvimento artístico a cruzes, castiçais,
bustos-relicários ou estátuas de santos e de anjos, grandes retábulos, etc. No
século XVIII, as obras mais apreciadas eram as portinholas dos tabernáculos, em
metais e pedras preciosas. Perto da metade do século
XVIII, o posicionamento do tabernáculo no altar já era prática comum em quase
todas as igrejas, tanto que Bento XIV, em sua constituição Accepimus (16 de julho de 1746), declarava-o
“disciplina vigente”. Foi acolhido universalmente depois do decreto da Sagrada
Congregação dos Ritos, de 16 de agosto de 1863, que vetava qualquer outra forma
de receptáculo. A disciplina atual A disciplina atual acerca do lugar em que
se deve conservar a Santíssima Eucaristia é fruto da renovação litúrgica
realizada pelo Concílio Ecumênico Vaticano II. Na maior parte das nossas
igrejas, por conhecidas razões históricas, o elemento central - dominante no
próprio altar - foi, por cerca de quatro séculos, o tabernáculo eucarístico. A
adequação litúrgica das igrejas existentes, com vistas a exaltar o primado da
celebração eucarística e, portanto, a centralidade do altar, deve reconhecer
também a função específica da reserva eucarística. Considera-se necessário,
portanto, que, por ocasião de eventuais reformas do edifício, seja dedicado
particular cuidado ao “lugar” e às características da reserva eucarística.
Nesse caso, o próprio fato de reservar um lugar para a conservação da
Eucaristia deve ser entendido de modo a permitir que se sublinhe ainda mais o
mistério da permanência da presença real e que se criem as condições para sua
adoração.
Tabernáculo atribuído a Arnolfo de Cambio, século XIV, Basílica de São Clemente, Roma
A localização e eventual
edificação de um novo receptáculo eucarístico deverão facilitar sua
identificação e o acesso direto a ele num ambiente de recolhimento que favoreça
a adoração pessoal. Quando a capela eucarística não puder ser vista
imediatamente da entrada, deve-se pensar em indicações oportunas que, de
maneira clara e com bom gosto, guiem até ela. Na capela, como também no espaço
para a celebração, nunca poderão faltar bancos adequados, com genuflexório,
para que seja natural a possibilidade de adorar de joelhos. Até mesmo isso deve
ser dito e realizado, na medida em que não param de se insinuar práticas que
têm como finalidade tornar bem árduo o gesto de rezar de joelhos. Até o sinal
vem sendo eliminado. Por trás de tudo isso há um atentado à fé na presença
real. Como não intuí-lo? Em todo caso, deve-se
lembrar que em toda igreja o tabernáculo para a reserva e para a adoração
eucarística deve ser único. O Santíssimo Sacramento
deve ser conservado num lugar arquitetônico realmente importante, normalmente
distinto da nave da igreja, apropriado à adoração e à oração, sobretudo
pessoal, nobremente ornado e iluminado adequadamente. O tabernáculo, além de ser único, deve ser
também irremovível, sólido e inviolável, não transparente. Não se descuide de
pôr a seu lado o lugar para a vela da chama perene, como sinal de adoração
prestada ao Senhor. O conopeu e o ornamento com flores também ajudam, sempre
que necessário, a fazer com que se perceba a vida que pulsa dentro desse
receptáculo. Como alternativa à capela eucarística, que
é a solução recomendada, pode-se considerar idônea uma solução que identifique
um espaço dentro da salão da igreja (por exemplo, uma capela lateral de tamanho
suficiente), que possa ser adaptado com dignidade, decoro e funcionalidade à
oração e à adoração, e seja evidenciado de maneira oportuna (cf. Ordenamento
geral do Missal Romano,
Roma, 2004, nº 314-317). Talvez não seja inadequado mencionar neste
momento os vasos sagrados destinados a acolher o corpo e o sangue do Senhor
durante a missa (cálice, pátena) e durante a adoração eucarística (ostensório).
Recentemente, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos
emitiu uma instrução “sobre algumas coisas que se devem observar e evitar
acerca da Santíssima Eucaristia”, na qual fala também dos vasos sagrados,
lembrando que devem ser forjados com materiais considerados nobres, de acordo
com as várias regiões, e evitar vasos de uso comum ou privados de qualquer
valor artístico (citando cestinhos, vasos de vidro, barro, argila ou outro material
frágil), e isso para que “com seu uso se preste homenagem ao Senhor e se evite
completamente o risco de diminuir aos olhos dos fiéis a doutrina da presença
real de Cristo nas espécies eucarísticas” (Redemptionis sacramentum, 24 de abril de 2004, nº 117).