BRASIL
As demissões dos cardeais de Aparecida, Belo Horizonte e Brasília
No dia 28 de janeiro, foram acolhidas contemporaneamente as demissões
dos três cardeais brasileiros que guiam as arquidioceses
No
dia 28 de janeiro, foram acolhidas contemporaneamente as demissões dos três
cardeais brasileiros que guiam as arquidioceses de Aparecida, Belo Horizonte e
Brasília. Contextualmente foram nomeados seus sucessores. Em Aparecida, Dom Raymundo Damasceno de Assis, 67 anos,
assume o lugar de Dom Aloísio Lorscheider, franciscano que completará 80 anos
em 8 de outubro deste ano. Dom Raymundo formado em estudos teológicos na
Gregoriana, em Roma, especializado em Catequese em Munique, sacerdote desde
1968, bispo auxiliar de Brasília desde 1986, foi secretário-geral do Celam
(1991-1995) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de 1995 até o
ano passado. Em Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, 50 anos,
substitui o cardeal Serafim Fernandes de Araújo, que completará 80 anos em 13
de agosto próximo. Dom Walmor, formado emestudos bíblicos na Gregoriana, sacerdote desde 1977 e desde 1998 bispo
auxiliar de São Salvador da Bahia (na época guiada pelo cardeal Lucas Moreira
Neves), desde o ano passado é o presidente da Comissão para a Doutrina da Fé da
CNBB. Em Brasília, Dom João Braz de Aviz, 57 anos, assumirá o
lugar do cardeal José Freire Falcão, que completará 79 anos em 23 de outubro.
Dom João Braz, formado em estudos teológicos na Gregoriana e na Lateranense em
Roma, sacerdote desde 1972, em 1994 foi nomeado auxiliar de Vitória, ainda no
mesmo ano bispo de Ponta Grossa e desde 2002 era arcebispo de Maringá. Uma curiosidade: com as demissões de Lorscheider, o cardeal
Joseph Ratzinger é o único cardeal criado por Paulo VI ainda “em serviço”.
LOURDES
Onde Bernadete foi surpresa por Nossa Senhora
No jornal La Stampa de 10 de fevereiro, Leonardo Zega assim escreveu
sobre Lourdes: “Aqui a pequena Bernadete Soubirous foi sur
No jornal La Stampa de 10 de fevereiro,
Leonardo Zega assim escreveu sobre Lourdes: “Aqui a pequena Bernadete Soubirous
foi surpreendida por Nossa Senhora com as suas aparições, aqui viu nascer da
lama a fonte da água milagrosa que fez da gruta de Massabielle o centro de
atração para milhões de peregrinos, e surpreendeu bispos e teólogos dizendo que
a Virgem tinha-lhe revelado, falando no seu humilde ‘patois’, ser a Imaculada
Conceição”. Depois de recordar que se comemoram os 150 anos da proclamação do
dogma (1854), Zega aludiu às aparições de Lourdes (1858) como “inesperada
confirmação dos céus do solene pronunciamento papal através de uma criança com
poucas noções de catecismo e com o rosário nas mãos. Como diz São Paulo, muitas
vezes Deus escolhe os pequenos e fracos para ‘confundir’ os sábios e os
fortes”.
Papa
Papa As audiências a
Aznar, Cheney, Uribe, Kharrazi e Ahmad Qurei vistas pelo L’Osservatore
Romano No dia 23 de janeiro o
Papa concedeu audiência ao primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar. Quatro
dias depois o Pontífice recebeu Richard B. Cheney, vice-presidente dos Estados
Unidos. As visitas de Aznar e Cheney foram
curiosamente apresentadas pelo L’Osservatore Romano. Em ambos os casos não foi apresentada nenhuma fotografia do encontro,
nem mesmo publicada a versão integral da breve saudação pontifícia. A audiência
do primeiro-ministro espanhol foi sintetizada em 17 linhas publicadas na página
cinco da edição de 24 de janeiro. A audiência ao vice-presidente americano foi
sintetizada em uma nota de 13 linhas na página cinco da edição de 28 de janeiro.
Em nenhum dos casos a notícia teve espaço, a não ser na seção oficial “Nossas
informações”.No dia 12 de
fevereiro o Papa recebeu em audiência o presidente colombiano, Álvaro Uribe
Vélez, o Ministro do Exterior do Irã, Kamal Kharrazi, e o primeiro-ministro da
Autoridade Palestina, Ahmad Qurei. Nesse caso, o L’Osservatore Romano (13 de fevereiro) dedicou uma página inteira às três audiências,
publicando as fotos e a versão integral – com tradução italiana – dos três
discursos de saudação pronunciados pelo Papa. Nesse caso todas as audiências
foram assinaladas em primeira página. A Paixão de
Cristo/1 “É exatamente
como aconteceu na realidade”. Ou não? “É exatamente como
aconteceu na realidade”. Esta frase do Papa, referindo-se ao filme A Paixão
de Cristo, do diretor Mel Gibson, foi o centro de um pequeno mistério
internacional. Sandro Magister, na revista italiana Espresso de 12 de fevereiro,
reconstrói os intrincados acontecimentos. Tudo começou no dia 8 de dezembro,
quando o secretário do Papa, Stanislaw Dziwisz, recebeu Steve McEveety, o
produtor americano do filme e sua esposa; Jan Michelini, diretor-assistente de
Gibson; e o pai de Jan, Alberto Michelini, deputado italiano do partido Forza
Italia. O objetivo do encontro era agradecer-lhes por terem proporcionado a
pré-estréia do filme ao Pontífice. O concorde comentário do Papa chegou depois
dos favoráveis comentários de outros prelados, entre os quais o cardeal Darío
Castrillón Hoyos e o braço direito do cardeal Joseph Ratzinger, monsenhor
Augustine di Noia, além de respeitáveis movimentos eclesiais, como o Opus Dei e
os Legionários de Cristo. E, em pouco tempo, a notícia deu a volta ao mundo.
Até que, em 19 de janeiro, Dziwisz desmentiu tudo. E o artigo de Magister no Espresso assim se conclui:
“Agora todos se agitaram, pois Jan Michelini reconfirma a sua versão, McEveety
passou uma mensagem e-mail de Navarro na qual este lhe comunica para não se
preocupar e ir adiante usando a fatal frase do Papa “mais e mais ainda”. Rod
Dreher, do Dallas Morning News, pede ulteriores confirmações a Navarro
recebendo deste resposta negativa, as suas mensagens a McEveety e a outros são
absolutamente falsas. Ainda que todas resultem provenientes do mesmo endereço
web vaticano, o mesmo de onde saiu a sua desmentida. Em 22 de janeiro, o
diretor da Sala de Imprensa Vaticana emitiu um comunicado oficial: ‘O Santo
Padre tem como hábito não manifestar julgamentos públicos sobre obras
artísticas’. Mesmo em privado? O que é certo é que em público foram
apresentadas grandes mentiras”. A Paixão de
Cristo/2 A paixão de Jesus
e o catecismo das crianças No jornal La
Repubblica de 11 de fevereiro, Vittorio Zucconi, comentando o filme A Paixão de
Cristo, escreveu que, para um cristão habitudinário e pouco evangelizador,
depois de ter visto tanto sangue, a seqüência em que Jesus ressuscitado sai do
sepulcro “faz com que nasça uma dilacerante nostalgia. Retorna a vontade do
Cristo afetivo, tranqüilizante e um pouco manso do nosso catecismo infantil,
com um coração na mão”. Colégio dos
Cardeais/1 A morte do
cardeal Rossi. Os 80 anos de Lourdusamy, Piovanelli, Deskur No dia 9 de fevereiro
faleceu o cardeal Opilio Rossi, 93 anos, núncio apostólico criado cardeal pelo
Papa Paulo VI em 1976, ex-presidente do Pontifício Conselho para os Leigos. Com
o falecimento de Rossi, os membros do Colégio dos Cardeais nomeados por Paulo
VI são 17, dos quais quatro eleitores. Em 5 de fevereiro completou 80 anos o
cardeal da Índia, Simon Lourdusamy, prefeito emérito da Congregação para as
Igrejas Orientais, no dia 21 de fevereiro foi a vez do italiano Silvano
Piovanelli, de 1983 a 2001 arcebispo de Florença, e no dia 29 o polonês Andrzej
Maria Deskur, presidente emérito do Pontifício Conselho para as Comunicações
Sociais.Portanto, no
final de fevereiro, o Colégio dos Cardeais resulta composto por 192 cardeais,
dos quais 127 eleitores. Em março, outros dois purpurados completarão 80 anos:
dia 11 o eslovaco Jozef Tomko, prefeito emérito de Propaganda Fide e presidente
do Pontifício Comitê para os Congressos Eucarísticos Internacionais, e no dia
18 o franciscano Alexandre José Maria dos Santos, arcebispo emérito de Maputo. Colégio dos
Cardeais/2 Um milhão de
euros para o Papa O valor da coleta
feita pelos cardeais por ocasião dos 25 anos de pontificado de João Paulo II
alcançou 1 milhão de euros. A iniciativa partiu do decano do Colégio dos
Cardeais, Joseph Ratzinger. A notícia foi dada no dia 9 de fevereiro na Rádio
Vaticano e, de acordo com as intenções do Papa, todo o dinheiro recolhido será
transferido para os cristãos da Terra Santa. Estados
Unidos/1 Kerry: apostar na
esperança “Eu penso que os
Estados Unidos devem voltar a ser justos, além de poderosos. Bush apostou no
medo para vencer as últimas eleições e agora tentará de novo esta carta.
Apostou nas divisões sociais ao invés da esperança de dar a todos a
possibilidade de se realizar”. Palavras de John Kerry, o provável concorrente
de George Bush nas próximas eleições para a Casa Branca, em uma entrevista
apresentada na Itália no jornal La Stampa de 27 de janeiro. Estados
Unidos/2 Eleições: o
centro e os radicais de direita e de esquerda No jornal La Stampa
de 26
de janeiro, foi apresentada uma interessante análise sobre a disputa pela Casa
Branca. Apresentamos algumas passagens: “Sintetizando, se para o desafio final
com Bush prevalecer um candidato democrata radical tipo Howard Dean, o atual
presidente terá uma vida fácil, e não é tudo, será também obrigado a se
“radicalizar” no sentido oposto, deixando amplo espaço aos belicosos que o
circundam, no caminho de uma política cada vez mais dura e unilateral. Mas o
discurso pode mudar, se prevalecer um dos candidatos moderados ou centristas
(tipo John Kerry, ou John Edwards, ou ainda o general Wesley Clark), ou seja,
um que não contesta completamente a estratégia de Bush, incluindo a guerra a
Saddam Hussein, mas critica severamente o modo como esta está sendo
administrada ou a ausência de um projeto sério para a reconstrução do Iraque
pós-Saddam e, nestas bases, admite a luta ao terrorismo internacional, aceitando
suas implicações políticas e não apenas as militares, envolvendo seriamente a
ONU e assim por diante. Nesse caso, Bush será obrigado a procurar o seu
consenso eleitoral no “centro” e não na “direita”, o que não pode não
influenciar a sua política no segundo mandato. Sem excluir que a própria
reeleição pode ser colocada novamente em discussão, uma vez que o eleitorado de
centro tornou-se decisivo”. Nomeações/1 Stankiewicz novo
decano da Rota Romana, Funghini arcebispo No dia 31 de janeiro o
Papa nomeou o novo decano do Tribunal da Rota Romana: trata-se de Dom Antoni
Stankiewicz, 69 anos, polonês, nomeado auditor da Rota por Paulo VI em
fevereiro de 1978. Contextualmente o Papa elevou à dignidade arquiepiscopal o
decano demissionário, Raffaello Funghini, 75 anos completados em 1º de janeiro,
que conserva o cargo de presidente da Corte de Apelo do Estado da Cidade do
Vaticano. Nomeações/2 O esloveno Rodé
prefeito da Congregação para os Religiosos, o croata Eterovic ao Sínodo dos
Bispos No dia 11 de fevereiro
o esloveno Franc Rodé, 69 anos, desde 1997 arcebispo de Liubliana, foi nomeado
prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades
de Vida Apostólica. Assume o lugar do cardeal espanhol Eduardo Martínez Somalo,
que completará 77 anos no final de março. Rodé emigrou com a família para a
Argentina em 1945. Entrou para a Congregação Lazarista em 1952, em 1960 foi
ordenado sacerdote em Paris. Estudou na Gregoriana e no Institut Catholique de
Paris, onde se formou em Teologia em 1968. No entanto, em 1965, a pedido dos
superiores tinha voltado à Eslovênia, onde fora vice-pároco, e provincial da
sua ordem para toda a Iugoslávia (1973-1981), além de professor na faculdade
Teológica de Liubliana. Em 1981 começou a trabalhar no Secretariado para os
Não-Crentes, do qual tornou-se subsecretário em 1982. De 1993 a 1997 foi
secretário do Pontifício Conselho para a Cultura. Também no dia 11 de
fevereiro, o croata Nikola Eterovic, 53 anos, foi nomeado secretário-geral do
Sínodo dos Bispos. Assume o lugar do cardeal belga Jan Schotte, dos
Missionários de Scheut, que completará 76 anos em abril. Eterovic, sacerdote
desde 1977, entrou para o serviço diplomático da Santa Sé em 1980 e realizou
suas atividades na Costa do Marfim, Espanha, Nicarágua e na Seção das Relações
com os Estados da Secretaria de Estado. Desde 1999 era arcebispo e núncio
apostólico na Ucrânia. No dia 12 de fevereiro
foi anunciado pela Sala de Imprensa Vaticana que a XI Assembléia Geral
Ordinária do Sínodo dos Bispos será realizada no Vaticano de 2 a 29 de outubro
de 2005 e terá como tema: “A Eucaristia, fonte e ápice da vida e da missão da
Igreja”. Nomeações/3 Itália O neocatecumenal
Cantafora bispo em Lamezia, Dettori em Ales-Terralba, Coccia em Pesaro.
Lambiasi confirmado na Ação Católica No dia 24 de janeiro
Dom Luigi Cantafora, 61 anos, da província de Crotone foi nomeado bispo de
Lamezia Terme. Assume o lugar de Vincenzo Rimedio, 76 anos completados em
dezembro passado. Cantafora, ordenado sacerdote em 1969 e desde 1975 pároco de
San Domenico em Crotone, é o primeiro sacerdote neocatecumenal a ser nomeado
bispo na Itália. Em 5 de fevereiro
Giovanni Dettori, 64 anos, de Sassari, na Sardenha, foi nomeado bispo de
Ales-Terralba no lugar de demissionário Antonino Orrù, que completará 76 anos
em abril. Dettori, sacerdote desde 1965, era vigário geral desde 1983 e desde
2002 também reitor do seminário diocesano de Ozieri. Em 23 de fevereiro
Francesco Lambiasi, 57 anos, bispo emérito de Anagni-Alatri, foi confirmado
para o próximo triênio como assistente eclesiástico geral da Ação Católica. No dia 28 de fevereiro
o sacerdote Pietro Coccia, 58 anos, de Ascoli Piceno, foi nomeado bispo de
Pesaro. Sacerdote desde 1972, formado em Teologia na Lateranense e em
sociologia na Universidade de Urbino, fundou e dirige o Instituto de Ciências
Religiosas “Mater Gratiae” de Ascoli Piceno. Também no dia 28 de
fevereiro, foram aceitas as demissões de Ricardo Ruotolo, 75 anos, bispo
auxiliar de Manfredonia-Vieste-San Giovanni Rotondo desde 1995. Diplomacia/1 Novos núncios na
Nigéria, Guatemala e Eritréia. Novo observador permanente em Estrasburgo No dia 27 de janeiro o
arcebispo Renzo Fratini, da região das Marcas na Itália, 60 anos, foi nomeado
núncio na Nigéria. Desde 1998 era núncio na Indonésia e de junho do ano
passado também em Timor Leste. Entrou para o serviço diplomático vaticano em
1974 e prestou sua missão nas nunciaturas do Japão, Nigéria, Etiópia, Grécia,
Equador, Jerusalém, França. Em 1993 foi promovido a arcebispo e núncio no
Paquistão. No dia 10 de fevereiro
o arcebispo Bruno Musarò, da região da Apúlia na Itália, 56 anos, foi
nomeado representante pontifício na Guatemala. Desde 1999 era núncio em
Madagascar, Maurício e Seychelles, e delegado apostólico nas Ilhas Comor e La
Réunion. Musarò, sacerdote desde 1971, faz parte do serviço diplomático desde
1977 e trabalhou na Coréia, Itália, República Centro-africana, Panamá,
Bangladesh, Espanha, Secretaria do Estado. Em 1994 foi nomeado arcebispo e
nomeado núncio no Panamá. Em 19 de fevereiro o
arcebispo proveniente da Córsega Dominique Mamberti, 52 anos, núncio
apostólico no Sudão e delegado apostólico na Somália desde 2002, foi nomeado
também representante pontifício na Eritréia. Até então a nunciatura na Eritréia
era associada a da Etiópia e de Djibuti. Mamberti, sacerdote desde 1981, entrou
para a diplomacia pontifícia em 1986 e trabalhou na Argélia, Chile, Onu-Nova
York, Líbano e, antes de ser promovido arcebispo e núncio no Sudão, na
Secretaria de Estado. No dia 27 de janeiro,
D. Vito Ralli, 51 anos, da Sicília, foi nomeado observador permanente
junto ao conselho da Europa de Estrasburgo. Ralli, sacerdote desde 1979, entrou
para o serviço diplomático em 1988 e prestou serviço nas nunciaturas da Coréia,
Senegal, México, Canadá, Líbano e por último na Espanha. Diplomacia/2 Novos
embaixadores da China (Taiwan), Turquia, México, Bósnia e Argentina No dia 30 de janeiro o
novo embaixador da China (Taiwan) junto à Santa Sé apresentou as suas cartas
credenciais. Trata-se de Chou-seng Tou, 62 anos, diplomata de carreira,
embaixador no Senegal de 1996 a 2002, vice-ministro das Relações Exteriores em
2002-2003. O Papa, ao dar-lhe as boas vindas, entre outras coisas, lembrou que
“o bem da sociedade comporta que o direito à liberdade religiosa seja garantido
pela lei e seja protegido de modo eficaz”. (Enquanto que o Embaixador disse:
“acreditamos sinceramente que com a vossa brilhante liderança e generoso
interesse, as relações entre o meu país e a Santa Sé serão duradouras”). No dia 21 de fevereiro
foi a vez do representante da Turquia: Osman Durak, 57 anos, diplomata
de carreira, ex-conselheiro da embaixada junto ao estado italiano (1991-1992) e
desde 2001 embaixador na Arábia Saudita. No seu discurso de saudação, João
Paulo II lembrou que “no momento em que a Turquia se está a preparar para
estabelecer novas relações com a Europa, uno-me à população católica, na
esperança de que as autoridades e as instituições turcas possam reconhecer o
estado jurídico da Igreja no seu País”. Em 24 de fevereiro foi
a vez de apresentar as suas cartas credenciais o embaixador do México, Javier Moctezuma
Barragán,51 anos, diplomata de
carreira, desde 2000 subsecretário para a população, a emigração e os assuntos
religiosos do Ministério do Interior. A ele o Papa recordou que “não se deve
ceder às pretensões daqueles que pretendem reduzir a religião à esfera
meramente particular do indivíduo”. Em 27 de fevereiro foi
a vez do novo representante da Bósnia-Herzegóvina, Miroslav Palameta, 55 anos, croata, professor
na Universidade de Mostar, ex-embaixador junto ao Estado italiano e à FAO de
1998-2000. Ao saudá-lo o Papa disse “penso, em primeiro lugar, na questão ainda
a resolver dos exilados e dos refugiados da região de Banja Luka, de Bosanska
Posavina e de outras regiões da Bósnia-Herzegovina, que esperam entrar nas suas
terras em plena segurança para ali levar uma vida digna”. No dia 28 de fevereiro
foi a vez do novo representante da Argentina, Carlos Luis Custer, 65 anos, conhecido
sindicalista católico, desde 1996 membro do Pontifício Conselho Justiça e Paz. Diplomacia/3 Os
50 anos de relações diplomáticas entre o Irã e a Santa Sé Na tarde de 12 de
fevereiro junto à Pontifícia Universidade Gregoriana foi celebrado o seminário
“Irã e Santa Sé: passado, presente e futuro”, promovido por
ocasião dos 50 anos do início das relações diplomáticas entre os dois Estados.
Estavam presentes ao encontro, o Ministro do Exterior do Irã, Kamal Kharrazi, e
o “Ministro do Exterior” do Vaticano, o arcebispo Giovanni Lajolo. Naquela
manhã, Kharrazi tinha sido recebido em audiência pelo Santo Padre e depois teve
um encontro com o cardeal Secretario de Estado, Angelo Sodano, e o
vice-ministro do exterior, D. Pietro Parolin. Em uma entrevista à Rádio
Vaticano D. Lajolo declarou: “A Santa Sé olha para o Irã de hoje, tanto pela
sua presença no contexto internacional – uma presença certamente muito
importante – quanto, em particular, pela pequena comunidade de católicos que
vive naquele país. Trata-se de 10 mil fiéis, em uma população de 80 milhões de
habitantes, quase todos de religião islâmica. Portanto, a Santa Sé preocupa-se
em defender e tutelar a sua liberdade de consciência, de fé, de religião vivida
tanto individualmente como em comunidade. Quanto aos iranianos, assegura-se que
exista plena liberdade de consciência dos católicos e também de culto. Temos
algumas questões a serem resolvidas – na realidade não se trata de grandes
problemas – refere-se principalmente à liberdade de culto, liberdade de
organização, a concessão de vistos para entrada de religiosos que chegam de
fora e cuja presença é necessária justamente pelo pequeno número de católicos
no Irã. Também temos alguns problemas referentes às escolas, que no início da
década de 80, foram expropriadas dos institutos católicos que as administravam.
As nossas relações com o Irã, são, todavia, relações animadas pela mútua e boa
vontade de entendimento e de uma concórdia cada vez maior”. Milão Em
2003 mais matrimônios civis do que religiosos No ano passado, na
cidade de Milão pela primeira vez o número de matrimônios na igreja foi
superado pelo de casamentos no rito civil: 2.081 contra 2.151. Trata-se de uma
ultrapassagem “histórica” para a cidade. O jornal La Repubblica de 5 de fevereiro
publicou os números de matrimônios religiosos e civis de outras importantes
cidades italianas. Descobre-se assim que em Bolonha (568 contra 665) há mais de
um ano o rito civil é superior ao religioso, enquanto que em Turim (1.976 a
1.867) e Gênova (970 a 922) o matrimônio na Igreja ainda é, com pequena margem
de diferença, o preferido. Em Nápoles (4.893 a 1.580) e Palermo (4.250 a 1.857)
o casamento religioso ainda supera o civil. Os dados de Roma são mais
equilibrados: os últimos números disponíveis, os de 2001, citam 6.346
matrimônios religiosos e 4.410 civis.