Curtas de 30Dias
CÚria
O arcebispo Levada é o novo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé

O Papa Bento XVI e o arcebispo William Joseph Levada
No dia 13 de maio Bento XVI nomeou o novo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Trata-se do arcebispo William Joseph Levada, 69 anos, desde 1995 arcebispo de São Francisco. Dom William J. Levada, californiano de quarta geração com origem portuguesa e irlandesa, sacerdote desde 1961, já trabalhou no ex-Santo Ofício, como simples oficial, de 1976 a 1982. Nomeado bispo auxiliar de Los Angeles em 1983, três anos depois foi promovido a arcebispo de Portland, no Oregon, onde ficou até 1995. De 1986 a 1993 foi o único bispo dos Estados Unidos a fazer parte da Comissão que redigiu o Catecismo da Igreja Católica. Desde 2000 era membro da Congregação da qual agora é prefeito.
Igreja
O cardeal Ruini e o Concílio

O cardeal Camillo Ruini
No dia 17 de junho foi apresentado em Roma, no Palácio do Capitólio, um livro do arcebispo Agostino Marchetto dedicado à história do Concílio Ecumênico Vaticano II. A apresentação foi presidida pelo cardeal Camillo Ruini, pelo senador Francesco Cossiga e por Andrea Riccardi. O jornal Il Giornale do dia seguinte sintetizou deste modo o discurso do cardeal Ruini, presidente dos bispos italianos: “O Concílio – recorda o Vigário de Roma – concluiu-se em 1965, portanto não foi criado e nem mesmo desenvolvido em longos três anos de trabalhos com o objetivo de defender a Igreja dos ataques da modernidade”. O ano de 1968, recorda Ruini, estava bem longe quando Paulo VI concluiu o Concílio. ‘Foi uma resposta, ao invés, às experiências abaladoras do século XX’. Pode até ser, que tenha se tratado de um vivo sinal de abertura ao mundo – recorda o cardeal - através do ‘retorno às fontes bíblicas e patrísticas’”.
Curtas
3ODIAS no mundo
João Paulo II
As últimas nomeações do Pontificado
Nos últimos dois dias de vida de João Paulo II, dias 1º e 2 de abril, foram publicadas 24 providências relacionadas a renúncias, nomeações episcopais e de novos núncios. Para quase todas essas providências - ao contrário do que acontece normalmente - foram publicadas também as datas das efetivas decisões pontifícias, referindo-se ao período de 14 de fevereiro a 23 de março. No entanto, algumas datas não foram especificadas como a da aceitação da renúncia do cardeal Miguel Obando Bravo e a das nomeações dos novos núncios no Japão, Nova Zelândia, El Salvador e Panamá e de algumas providências tomadas
sobre o ordinariato para os armênios da Europa Oriental.
Bento XVI As primeiras nomeações do pontificado
No dia 21 de abril, dois dias depois da sua eleição, Bento XVI confirmou a nomeação do cardeal Angelo Sodano como Secretário de Estado, pois, como todos os chefes de dicastérios - com exceção do penitenciário-mor -, tinha seu mandato encerrado com a morte de João Paulo II. Na mesma data Papa Ratzinger confirmou donec aliter provideatur todos os chefes de dicastérios da Cúria Romana e o presidente da Pontifícia Comissão da Cidade do Vaticano. Foram também confirmados os arcebispos Leonardo Sandri (substituto) e Giovanni Lajolo (secretário para as Relações com os Estados). Enquanto que os secretários dos dicastérios foram confirmados “para qüinqüênio em curso”.
No dia 25 de abril Bento XVI confirmou os membros dos dicastérios da Cúria Romana “até o final do qüinqüênio para o qual foram nomeados pelo falecido Sumo Pontífice João Paulo II”.
Também no dia 25 de abril o cardeal Francis Arinze, prefeito da Congregação para o Culto Divino, foi promovido à ordem dos bispos e foi-lhe designada a sede suburbicária de Velletri-Segni, que já pertenceu ao cardeal Joseph Ratzinger.
No dia 30 de abril Bento XVI aprovou a eleição do novo decano do Sacro Colégio na pessoa do cardeal Angelo Sodano, assim como a do novo vice-decano na pessoa do cardeal Roger Etchegaray.
SANTOS E BEATOS/1 Começa logo o processo de beatificação de Karol Wojtyla
No dia 13 de maio, durante a primeira audiência ao clero romano, Bento XVI leu o rescrito que aprova o início da causa de beatificação de Karol Wojtyla, concedendo a derrogação de cinco anos de espera depois da morte previstos pelas normas canônicas. O rescrito, assinado pelo cardeal prefeito e pelo arcebispo secretário da Congregação para as Causas dos Santos, com a data de 9 de maio, explica que a dispensa dos cinco anos foi concedida pelo Papa a pedido do cardeal vigário Camillo Ruini, feito por ocasião da audiência concedida em 28 de abril ao mesmo purpurado. Depois, no dia 28 de maio, o Vicariato de Roma emitiu o edito da causa de beatificação, cuja solene cerimônia de abertura foi estabelecida para o dia 28 de junho.
Santos e Beatos /2 Bento XVI não presidirá as cerimônias de beatificação
O Papa Bento XVI comunicou que, ao contrário de seus predecessores, João Paulo II e Paulo VI na última parte do seu pontificado, não participará pessoalmente às solenes liturgias de proclamação dos novos beatos. Deste modo, as primeiras cerimônias de beatificação do seu pontificado foram presididas em Roma, dia 14 de maio, pelo cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, e em Varsóvia, dia 19 de junho, pelo cardeal Józef Glemp, arcebispo da capital polonesa.
Santos e Beatos/3 Em Roma o coração do santo Cura d’Ars
Por ocasião do centenário da beatificação de João Maria Vianney, a relíquia do seu coração incorrupto foi levada a Roma, na Paróquia que lhe foi dedicada na Via Lentini 6 (no bairro Borghesiana, periferia sudeste de Roma), onde permaneceu por alguns dias. Domingo 22 de maio foi colocada na capela privada do Papa.
Igreja /1 Padre Giussani e seu cardeal
“Quer se trate da época de Cluny, quer se trate da época de Péguy, o povo cristão está no mundo como coeficiente de paz, fonte da paz, equilibrador que assegura a paz, fator da paz. Até parece que estou lendo vários textos do nosso cardeal, pois creio que este seja seu pensamento mais íntimo, secreto e apaixonante.” Essa passagem é de um texto inédito do padre Luigi Giussani publicado em Tracce, revista oficial de Comunhão e Libertação, do mês de maio (em português, na revista Passos do mesmo mês). O texto, intitulado “Eucaristia: a grande oração”, é uma palestra de padre Giussani num retiro de Quaresma realizado na paróquia de Corpo de São Vítor, em Milão, em 22 de março de 1996. O cardeal Martini é a única pessoa a quem padre Giussani dedicou um livro seu. Trata-se de O senso religioso (primeira edição, 1986). Esta é a dedicatória: “Ao meu bispo”. Um pequeno opúsculo organizado pela Gioventù studentesca em 1964 havia sido dedicado “ao Papa da Ecclesiam Suam como expressão da meditada e fiel tentativa dos seus estudantes de Milão”.
Igreja/2 O cardeal Scola e os funerais de que participou
“Os santos funerais de que participamos (a morte de padre Giussani e a de João Paulo II) expressaram uma dor já marcada pela glória. Bento XVI, ao falar-nos de ‘guilhotina’, testemunhou-nos a necessidade da ‘ferida de aceitação’. Para ser verdadeira, a alegria nos pede contrição e mudança”. Trecho de um telegrama enviado pelo cardeal Angelo Scola por ocasião dos exercícios espirituais da Fraternidade de Comunhão e Libertação, realizados em Rímini de 29 de abril a 1º de maio.
Igreja/3 Libero e os acontecimentos de 1978
Atenção às maldições de 1978. Treme o Cavaliere e o Papa. Este é o título de um curioso artigo publicado no jornal Libero de 14 de junho que, no subtítulo, explica: “Futebol e política vinculados por uma estranha cabala. Naquele ano venceram Liverpool, Juventus e Inter de Milão, Paulo VI faleceu e houve um referendo. Depois o presidente do Milan foi indagado e João Paulo I...”. Subentendido morreu. Coincidências ameaçadoras.
San Giovanni Rotondo/1 Giulio Andreotti e Padre Pio
Na semana anterior ao terceiro aniversário da canonização de Padre Pio (acontecida em 16 de junho de 2002), o senador Giulio Andreotti concedeu uma longa entrevista ao Settimanale di Padre Pio, da qual apresentamos um trecho: “Eu tinha sido convidado para ir a San Giovanni Rotondo por um dos colaboradores de Padre Pio. Estava muito entusiasmado com a reforma agrária, pois era uma das meninas-dos-olhos dos anos de ouro da Democracia Cristã. Mas Padre Pio fez uma declaração que foi publicada, na qual dizia: “Isso empobrecerá os ricos, mas não enriquecerá os pobres”. Então, respondendo ao convite, disse: “Não, não venho”. Assim não fui, portanto não conheci Padre Pio pessoalmente. Porém, desde que tive a oportunidade de aprofundar a sua fisionomia espiritual, fiquei realmente fascinado, e gostaria de dizer que tenho na minha cabeceira o livrinho de uma máxima ao dia de Padre Pio, que leio regularmente todas as noites”.
San Giovanni Rotondo/2 Cai um sino do santuário
“Há os que dizem ser um milagre do frade com as estigmas o que evitou uma tragédia de fiéis”. Esta é a conclusão de um artigo publicado no jornal La Stampa de 12 de junho, que noticiava a queda do sino maior do campanário da igreja de São Pio em San Giovanni Rotondo, ocorrida no dia anterior. Espatifando-se no chão em uma área pouco transitada, o sino pesando cerca de 2 toneladas feriu levemente um peregrino, atingido por um estilhaço.
SÍnodo sobre a Eucaristia Bento XVI confirma as nomeações, mas diminui uma semana
No dia 12 de maio Bento XVI confirmou a celebração da XI Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema: “A Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja”, estabelecendo que seja realizada no Vaticano de 2 a 23 de outubro de 2005. Portanto o Sínodo durará uma semana menos do que fora anunciado pela Santa Sé em 12 de março (2-29 de outubro). Enquanto que as nomeações dos presidentes delegados, ao invés, foram confirmadas (os cardeais Francis Arinze, Juan Sandoval Iñiguez e Telesphore Placidus Toppo), do relator geral (o cardeal Angelo Scola) e do secretário especial (o arcebispo Roland Minnerath), assim como as nomeações já ratificadas por João Paulo II dos delegados e substitutos no Sínodo.
Nomeações/1 As demissões dos cardeais de Wellington, Manágua, Cracóvia e Nitra. Nomeação
dos sucessores
No dia 21 de março João Paulo II acolheu as demissões do cardeal neozelandês Thomas Stafford Williams, 75 anos, que guiava a arquidiocese de Wellington. O seu sucessor é John Atcherley Dew, 57 anos, desde abril de 2004 coadjutor da mesma arquidiocese.
No dia 1º de abril foram acolhidas as demissões do cardeal de Manágua, o salesiano Miguel Obando Bravo, 79 anos. Seu sucessor será Leopoldo José Brenes Solórzano, 56 anos, sacerdote de Manágua desde 1974, ex-auxiliar de Obando Bravo e desde 1991 bispo de Matagalpa.
No dia 3 de junho Bento XVI acolheu as demissões do cardeal Franciszek Macharski, 78 anos. Seu sucessor será Stanislaw Dziwisz, 66 anos, prefeito adjunto da Casa Pontifícia e ex-secretário particular de João Paulo II. Sacerdote desde 1963, Dziwisz tornou-se secretário do então arcebispo Wojtyla em 1966. Bispo desde 1998, em 2003 fora elevado à dignidade arcebispal.
No dia 9 de junho Bento XVI acolheu a renúncia do bispo de Nitra, cardeal Ján Chryzostom Korec, 81 anos. Seu sucessor será Viliam Judák, 48 anos, sacerdote desde 1985, até hoje professor de História Eclesiástica na Faculdade de teologia da Universidade de Bratislava.
Nomeações/2 Cordero Lanza di Montezemolo arcipreste da Basílica de São Paulo fora
dos Muros
No dia 31 de maio foi assinado e publicado o motu proprio de Bento XVI com o qual é redefinida a configuração da Basílica Patriarcal de São Paulo fora dos Muros e é nomeado pela primeira vez um arcipreste da Basílica, que assume a responsabilidade da antiga Pontifícia Administração da Patriarcal Basílica de São Paulo. Para este encargo, na mesma data foi nomeado o arcebispo Andrea Cordero Lanza di Montezemolo, 79 anos, ex-núncio na Itália. Os beneditinos continuarão a oficiar na Basílica, mas o abade terá jurisdição somente intra septa monasterii, ou seja, dentro do próprio mosteiro. Com uma pequena nota publicada no Osservatore Romano de 13 de abril, foi comunicado que a abadia de São Paulo perdeu o caráter e o título de circunscrição territorial. Como novo abade da Basílica de São Paulo foi eleito o inglês Edmund Power, 52 anos, que assume o lugar do padre Paolo Lunardon, que completou 75 anos em 25 de maio.
Nomeações/3 Novos bispos em San Marino, Palestrina, Sant’Angelo dei Lombardi e Oria
No dia 17 de março João Paulo II nomeou dom Luigi Negri bispo de San Marino-Montefeltro. Negri, milanês, 64 anos em novembro, foi ordenado sacerdote em 1972, depois de ter freqüentado o Seminário de Venegono. Autor de numerosas publicações, foi professor de História da Filosofia e de Introdução à Teologia na Universidade Católica de Milão. Quando era estudante no Colégio Clássico Berchet fez parte do movimento Gioventù Studentesca tornando-se de 1965 a 1967 o primeiro presidente diocesano. Dentro do movimento Comunhão e Libertação teve vários encargos.
No dia 24 de março João Paulo II nomeou dom Domenico Sigalini, 63 anos, originário da diocese de Bréscia, novo bispo da diocese suburbicária de Palestrina. Sigalini, sacerdote desde 1966, graduado em Matemática, foi responsável nacional pela pastoral juvenil da Conferência Episcopal Italiana de 1991 a 2001, quando se tornou vice-assistente eclesiástico geral da Ação Católica. A nomeação de Palestrina foi a última da diocese italiana feita por João Paulo II.
No dia 14 de maio Bento XVI nomeou padre Francesco Alfano, 49 anos, originário da província de Salerno, arcebispo de Sant’Angelo dei Lombardi-Conza-Nusco-Bisaccia. Alfano, sacerdote desde 1982, depois de ter sido aluno do Almo Colégio Caprânica, desde 2001 era vigário episcopal para o clero da diocese de Nocera Inferiore-Sarno.
Também no dia 14 de maio Bento XVI nomeou padre Michele Castoro, 53 anos, originário da Apúlia, novo bispo de Oria. Castoro, sacerdote desde 1977, desde 1985 prestava serviço na Congregação para os Bispos, onde desde 1996 era o responsável.
Sagrado Colégio O falecimento do cardeal Sin
No dia 21 de junho, depois de uma longa doença, faleceu o cardeal filipino Jaime L. Sin, 76 anos, de 1974 a 2003 arcebispo de Manila, nomeado cardeal por Paulo VI em 1976. Jaime Sin, mesmo tendo direito, não chegou a participar do último conclave por motivo de doença. Com o seu falecimento o número de cardeais desce a 181 dos quais 115 com menos de 80 anos. Entre estes permanece apenas um nomeado por Paulo VI: o americano William W. Baum, 79 anos.
Diplomacia/1 Novos núncios no Japão, Nova Zelândia, El Salvador, Panamá e Tanzânia
No dia 1º de abril o arcebispo Alberto Bottari de Castello, 63 anos, vêneto, foi nomeado núncio no Japão. Era núncio desde 1999 em Gâmbia, Guiné, Libéria e Serra Leoa.
Também no dia 1º de abril monsenhor Charles Daniel Balvo, 54 anos, americano, foi nomeado arcebispo e novo núncio na Nova Zelândia e em outros nove pequenos países da Oceania, assim como delegado apostólico para o Oceano Pacífico. Balvo, sacerdote desde 1976, está no serviço diplomático da Santa Sé desde 1987 e prestou serviço em Gana, Equador, República Checa, Jordânia e por último Lituânia.
No dia 2 de abril o arcebispo Luigi Pezzuto, 59 anos, da região da Apúlia, foi nomeado novo núncio em El Salvador. Era núncio na Tanzânia desde 1999 e anteriormente no Congo e Gabão. Dom Luigi Pezzuto, no dia 7 de maio, foi nomeado também núncio em Belize.
Também no dia 2 de abril dom Giambattista Diquattro foi nomeado arcebispo e novo núncio no Panamá. Diquattro, 51 anos, nasceu em Bolonha e é sacerdote desde 1981 na diocese de Ragusa, está no serviço diplomático da Santa Sé desde 1985 e prestou serviço na República Centro-africana, na sede da ONU em Nova York, na Secretaria de Estado e foi o último eclesiástico italiano a ser elevado à dignidade episcopal no pontificado de João Paulo II. No dia 15 de junho Bento XVI nomeou o arcebispo Joseph Chennoth, 62 anos, indiano, novo núncio na Tanzânia. Era núncio desde 1999 na República Centro-africana e no Chade. Esta é a primeira transferência de nunciatura do novo pontificado.
Diplomacia/2
Novos Embaixadores do Panamá e Macedônia
No dia 17 de março o cardeal Angelo Sodano em nome de João Paulo II recebeu as cartas credenciais do novo embaixador do Panamá junto à Santa Sé. Trata-se de Lawrence Edward Chewning Fabrega, 64 anos, diplomata de carreira, nos últimos dois anos diretor geral da política exterior do Ministério das Relações Exteriores. O diplomata latino-americano foi o último a ser acreditado no decorrer do pontificado de João Paulo II.
No dia 19 de maio Bento XVI recebeu as cartas credenciais do novo embaixador da antiga República Iugoslava de Macedônia. Trata-se de Bartolomej Kajtazi, 39 anos, engenheiro eletrônico, que realizou atividade profissional no setor da comunicação. O diplomata macedônio católico de etnia albanesa é o primeiro a ser acreditado no novo pontificado.
Nos últimos dois dias de vida de João Paulo II, dias 1º e 2 de abril, foram publicadas 24 providências relacionadas a renúncias, nomeações episcopais e de novos núncios. Para quase todas essas providências - ao contrário do que acontece normalmente - foram publicadas também as datas das efetivas decisões pontifícias, referindo-se ao período de 14 de fevereiro a 23 de março. No entanto, algumas datas não foram especificadas como a da aceitação da renúncia do cardeal Miguel Obando Bravo e a das nomeações dos novos núncios no Japão, Nova Zelândia, El Salvador e Panamá e de algumas providências tomadas
sobre o ordinariato para os armênios da Europa Oriental.
Bento XVI As primeiras nomeações do pontificado
No dia 21 de abril, dois dias depois da sua eleição, Bento XVI confirmou a nomeação do cardeal Angelo Sodano como Secretário de Estado, pois, como todos os chefes de dicastérios - com exceção do penitenciário-mor -, tinha seu mandato encerrado com a morte de João Paulo II. Na mesma data Papa Ratzinger confirmou donec aliter provideatur todos os chefes de dicastérios da Cúria Romana e o presidente da Pontifícia Comissão da Cidade do Vaticano. Foram também confirmados os arcebispos Leonardo Sandri (substituto) e Giovanni Lajolo (secretário para as Relações com os Estados). Enquanto que os secretários dos dicastérios foram confirmados “para qüinqüênio em curso”.
No dia 25 de abril Bento XVI confirmou os membros dos dicastérios da Cúria Romana “até o final do qüinqüênio para o qual foram nomeados pelo falecido Sumo Pontífice João Paulo II”.
Também no dia 25 de abril o cardeal Francis Arinze, prefeito da Congregação para o Culto Divino, foi promovido à ordem dos bispos e foi-lhe designada a sede suburbicária de Velletri-Segni, que já pertenceu ao cardeal Joseph Ratzinger.
No dia 30 de abril Bento XVI aprovou a eleição do novo decano do Sacro Colégio na pessoa do cardeal Angelo Sodano, assim como a do novo vice-decano na pessoa do cardeal Roger Etchegaray.
SANTOS E BEATOS/1 Começa logo o processo de beatificação de Karol Wojtyla
No dia 13 de maio, durante a primeira audiência ao clero romano, Bento XVI leu o rescrito que aprova o início da causa de beatificação de Karol Wojtyla, concedendo a derrogação de cinco anos de espera depois da morte previstos pelas normas canônicas. O rescrito, assinado pelo cardeal prefeito e pelo arcebispo secretário da Congregação para as Causas dos Santos, com a data de 9 de maio, explica que a dispensa dos cinco anos foi concedida pelo Papa a pedido do cardeal vigário Camillo Ruini, feito por ocasião da audiência concedida em 28 de abril ao mesmo purpurado. Depois, no dia 28 de maio, o Vicariato de Roma emitiu o edito da causa de beatificação, cuja solene cerimônia de abertura foi estabelecida para o dia 28 de junho.
Santos e Beatos /2 Bento XVI não presidirá as cerimônias de beatificação
O Papa Bento XVI comunicou que, ao contrário de seus predecessores, João Paulo II e Paulo VI na última parte do seu pontificado, não participará pessoalmente às solenes liturgias de proclamação dos novos beatos. Deste modo, as primeiras cerimônias de beatificação do seu pontificado foram presididas em Roma, dia 14 de maio, pelo cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, e em Varsóvia, dia 19 de junho, pelo cardeal Józef Glemp, arcebispo da capital polonesa.
Santos e Beatos/3 Em Roma o coração do santo Cura d’Ars
Por ocasião do centenário da beatificação de João Maria Vianney, a relíquia do seu coração incorrupto foi levada a Roma, na Paróquia que lhe foi dedicada na Via Lentini 6 (no bairro Borghesiana, periferia sudeste de Roma), onde permaneceu por alguns dias. Domingo 22 de maio foi colocada na capela privada do Papa.
Igreja /1 Padre Giussani e seu cardeal
“Quer se trate da época de Cluny, quer se trate da época de Péguy, o povo cristão está no mundo como coeficiente de paz, fonte da paz, equilibrador que assegura a paz, fator da paz. Até parece que estou lendo vários textos do nosso cardeal, pois creio que este seja seu pensamento mais íntimo, secreto e apaixonante.” Essa passagem é de um texto inédito do padre Luigi Giussani publicado em Tracce, revista oficial de Comunhão e Libertação, do mês de maio (em português, na revista Passos do mesmo mês). O texto, intitulado “Eucaristia: a grande oração”, é uma palestra de padre Giussani num retiro de Quaresma realizado na paróquia de Corpo de São Vítor, em Milão, em 22 de março de 1996. O cardeal Martini é a única pessoa a quem padre Giussani dedicou um livro seu. Trata-se de O senso religioso (primeira edição, 1986). Esta é a dedicatória: “Ao meu bispo”. Um pequeno opúsculo organizado pela Gioventù studentesca em 1964 havia sido dedicado “ao Papa da Ecclesiam Suam como expressão da meditada e fiel tentativa dos seus estudantes de Milão”.
Igreja/2 O cardeal Scola e os funerais de que participou
“Os santos funerais de que participamos (a morte de padre Giussani e a de João Paulo II) expressaram uma dor já marcada pela glória. Bento XVI, ao falar-nos de ‘guilhotina’, testemunhou-nos a necessidade da ‘ferida de aceitação’. Para ser verdadeira, a alegria nos pede contrição e mudança”. Trecho de um telegrama enviado pelo cardeal Angelo Scola por ocasião dos exercícios espirituais da Fraternidade de Comunhão e Libertação, realizados em Rímini de 29 de abril a 1º de maio.
Igreja/3 Libero e os acontecimentos de 1978
Atenção às maldições de 1978. Treme o Cavaliere e o Papa. Este é o título de um curioso artigo publicado no jornal Libero de 14 de junho que, no subtítulo, explica: “Futebol e política vinculados por uma estranha cabala. Naquele ano venceram Liverpool, Juventus e Inter de Milão, Paulo VI faleceu e houve um referendo. Depois o presidente do Milan foi indagado e João Paulo I...”. Subentendido morreu. Coincidências ameaçadoras.
San Giovanni Rotondo/1 Giulio Andreotti e Padre Pio
Na semana anterior ao terceiro aniversário da canonização de Padre Pio (acontecida em 16 de junho de 2002), o senador Giulio Andreotti concedeu uma longa entrevista ao Settimanale di Padre Pio, da qual apresentamos um trecho: “Eu tinha sido convidado para ir a San Giovanni Rotondo por um dos colaboradores de Padre Pio. Estava muito entusiasmado com a reforma agrária, pois era uma das meninas-dos-olhos dos anos de ouro da Democracia Cristã. Mas Padre Pio fez uma declaração que foi publicada, na qual dizia: “Isso empobrecerá os ricos, mas não enriquecerá os pobres”. Então, respondendo ao convite, disse: “Não, não venho”. Assim não fui, portanto não conheci Padre Pio pessoalmente. Porém, desde que tive a oportunidade de aprofundar a sua fisionomia espiritual, fiquei realmente fascinado, e gostaria de dizer que tenho na minha cabeceira o livrinho de uma máxima ao dia de Padre Pio, que leio regularmente todas as noites”.
San Giovanni Rotondo/2 Cai um sino do santuário
“Há os que dizem ser um milagre do frade com as estigmas o que evitou uma tragédia de fiéis”. Esta é a conclusão de um artigo publicado no jornal La Stampa de 12 de junho, que noticiava a queda do sino maior do campanário da igreja de São Pio em San Giovanni Rotondo, ocorrida no dia anterior. Espatifando-se no chão em uma área pouco transitada, o sino pesando cerca de 2 toneladas feriu levemente um peregrino, atingido por um estilhaço.
SÍnodo sobre a Eucaristia Bento XVI confirma as nomeações, mas diminui uma semana
No dia 12 de maio Bento XVI confirmou a celebração da XI Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema: “A Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja”, estabelecendo que seja realizada no Vaticano de 2 a 23 de outubro de 2005. Portanto o Sínodo durará uma semana menos do que fora anunciado pela Santa Sé em 12 de março (2-29 de outubro). Enquanto que as nomeações dos presidentes delegados, ao invés, foram confirmadas (os cardeais Francis Arinze, Juan Sandoval Iñiguez e Telesphore Placidus Toppo), do relator geral (o cardeal Angelo Scola) e do secretário especial (o arcebispo Roland Minnerath), assim como as nomeações já ratificadas por João Paulo II dos delegados e substitutos no Sínodo.
Nomeações/1 As demissões dos cardeais de Wellington, Manágua, Cracóvia e Nitra. Nomeação
dos sucessores
No dia 21 de março João Paulo II acolheu as demissões do cardeal neozelandês Thomas Stafford Williams, 75 anos, que guiava a arquidiocese de Wellington. O seu sucessor é John Atcherley Dew, 57 anos, desde abril de 2004 coadjutor da mesma arquidiocese.
No dia 1º de abril foram acolhidas as demissões do cardeal de Manágua, o salesiano Miguel Obando Bravo, 79 anos. Seu sucessor será Leopoldo José Brenes Solórzano, 56 anos, sacerdote de Manágua desde 1974, ex-auxiliar de Obando Bravo e desde 1991 bispo de Matagalpa.
No dia 3 de junho Bento XVI acolheu as demissões do cardeal Franciszek Macharski, 78 anos. Seu sucessor será Stanislaw Dziwisz, 66 anos, prefeito adjunto da Casa Pontifícia e ex-secretário particular de João Paulo II. Sacerdote desde 1963, Dziwisz tornou-se secretário do então arcebispo Wojtyla em 1966. Bispo desde 1998, em 2003 fora elevado à dignidade arcebispal.
No dia 9 de junho Bento XVI acolheu a renúncia do bispo de Nitra, cardeal Ján Chryzostom Korec, 81 anos. Seu sucessor será Viliam Judák, 48 anos, sacerdote desde 1985, até hoje professor de História Eclesiástica na Faculdade de teologia da Universidade de Bratislava.
Nomeações/2 Cordero Lanza di Montezemolo arcipreste da Basílica de São Paulo fora
dos Muros
No dia 31 de maio foi assinado e publicado o motu proprio de Bento XVI com o qual é redefinida a configuração da Basílica Patriarcal de São Paulo fora dos Muros e é nomeado pela primeira vez um arcipreste da Basílica, que assume a responsabilidade da antiga Pontifícia Administração da Patriarcal Basílica de São Paulo. Para este encargo, na mesma data foi nomeado o arcebispo Andrea Cordero Lanza di Montezemolo, 79 anos, ex-núncio na Itália. Os beneditinos continuarão a oficiar na Basílica, mas o abade terá jurisdição somente intra septa monasterii, ou seja, dentro do próprio mosteiro. Com uma pequena nota publicada no Osservatore Romano de 13 de abril, foi comunicado que a abadia de São Paulo perdeu o caráter e o título de circunscrição territorial. Como novo abade da Basílica de São Paulo foi eleito o inglês Edmund Power, 52 anos, que assume o lugar do padre Paolo Lunardon, que completou 75 anos em 25 de maio.
Nomeações/3 Novos bispos em San Marino, Palestrina, Sant’Angelo dei Lombardi e Oria
No dia 17 de março João Paulo II nomeou dom Luigi Negri bispo de San Marino-Montefeltro. Negri, milanês, 64 anos em novembro, foi ordenado sacerdote em 1972, depois de ter freqüentado o Seminário de Venegono. Autor de numerosas publicações, foi professor de História da Filosofia e de Introdução à Teologia na Universidade Católica de Milão. Quando era estudante no Colégio Clássico Berchet fez parte do movimento Gioventù Studentesca tornando-se de 1965 a 1967 o primeiro presidente diocesano. Dentro do movimento Comunhão e Libertação teve vários encargos.
No dia 24 de março João Paulo II nomeou dom Domenico Sigalini, 63 anos, originário da diocese de Bréscia, novo bispo da diocese suburbicária de Palestrina. Sigalini, sacerdote desde 1966, graduado em Matemática, foi responsável nacional pela pastoral juvenil da Conferência Episcopal Italiana de 1991 a 2001, quando se tornou vice-assistente eclesiástico geral da Ação Católica. A nomeação de Palestrina foi a última da diocese italiana feita por João Paulo II.
No dia 14 de maio Bento XVI nomeou padre Francesco Alfano, 49 anos, originário da província de Salerno, arcebispo de Sant’Angelo dei Lombardi-Conza-Nusco-Bisaccia. Alfano, sacerdote desde 1982, depois de ter sido aluno do Almo Colégio Caprânica, desde 2001 era vigário episcopal para o clero da diocese de Nocera Inferiore-Sarno.
Também no dia 14 de maio Bento XVI nomeou padre Michele Castoro, 53 anos, originário da Apúlia, novo bispo de Oria. Castoro, sacerdote desde 1977, desde 1985 prestava serviço na Congregação para os Bispos, onde desde 1996 era o responsável.
Sagrado Colégio O falecimento do cardeal Sin
No dia 21 de junho, depois de uma longa doença, faleceu o cardeal filipino Jaime L. Sin, 76 anos, de 1974 a 2003 arcebispo de Manila, nomeado cardeal por Paulo VI em 1976. Jaime Sin, mesmo tendo direito, não chegou a participar do último conclave por motivo de doença. Com o seu falecimento o número de cardeais desce a 181 dos quais 115 com menos de 80 anos. Entre estes permanece apenas um nomeado por Paulo VI: o americano William W. Baum, 79 anos.
Diplomacia/1 Novos núncios no Japão, Nova Zelândia, El Salvador, Panamá e Tanzânia
No dia 1º de abril o arcebispo Alberto Bottari de Castello, 63 anos, vêneto, foi nomeado núncio no Japão. Era núncio desde 1999 em Gâmbia, Guiné, Libéria e Serra Leoa.
Também no dia 1º de abril monsenhor Charles Daniel Balvo, 54 anos, americano, foi nomeado arcebispo e novo núncio na Nova Zelândia e em outros nove pequenos países da Oceania, assim como delegado apostólico para o Oceano Pacífico. Balvo, sacerdote desde 1976, está no serviço diplomático da Santa Sé desde 1987 e prestou serviço em Gana, Equador, República Checa, Jordânia e por último Lituânia.
No dia 2 de abril o arcebispo Luigi Pezzuto, 59 anos, da região da Apúlia, foi nomeado novo núncio em El Salvador. Era núncio na Tanzânia desde 1999 e anteriormente no Congo e Gabão. Dom Luigi Pezzuto, no dia 7 de maio, foi nomeado também núncio em Belize.
Também no dia 2 de abril dom Giambattista Diquattro foi nomeado arcebispo e novo núncio no Panamá. Diquattro, 51 anos, nasceu em Bolonha e é sacerdote desde 1981 na diocese de Ragusa, está no serviço diplomático da Santa Sé desde 1985 e prestou serviço na República Centro-africana, na sede da ONU em Nova York, na Secretaria de Estado e foi o último eclesiástico italiano a ser elevado à dignidade episcopal no pontificado de João Paulo II. No dia 15 de junho Bento XVI nomeou o arcebispo Joseph Chennoth, 62 anos, indiano, novo núncio na Tanzânia. Era núncio desde 1999 na República Centro-africana e no Chade. Esta é a primeira transferência de nunciatura do novo pontificado.
Diplomacia/2
Novos Embaixadores do Panamá e Macedônia
No dia 17 de março o cardeal Angelo Sodano em nome de João Paulo II recebeu as cartas credenciais do novo embaixador do Panamá junto à Santa Sé. Trata-se de Lawrence Edward Chewning Fabrega, 64 anos, diplomata de carreira, nos últimos dois anos diretor geral da política exterior do Ministério das Relações Exteriores. O diplomata latino-americano foi o último a ser acreditado no decorrer do pontificado de João Paulo II.
No dia 19 de maio Bento XVI recebeu as cartas credenciais do novo embaixador da antiga República Iugoslava de Macedônia. Trata-se de Bartolomej Kajtazi, 39 anos, engenheiro eletrônico, que realizou atividade profissional no setor da comunicação. O diplomata macedônio católico de etnia albanesa é o primeiro a ser acreditado no novo pontificado.