Rubriche
Extraído do número10 - 2006


MASSIMO D'ALEMA

Afeganistão, o ópio e o terrorismo


Massimo D'Alema

Massimo D'Alema

“Se não combatermos não só os senhores da guerra também os senhores da droga, sairemos derrotados junto com o povo afegão. Com uma produção de ópio que representa o equivalente de 3 bilhões e meio de euros por ano, os talibãs têm recursos para financiar o terrorismo pelos próximos 5 mil anos”. Palavras do Ministro do exterior italiano Massimo D’Alema publicadas no Repubblica de 10 de novembro.




3ODIAS NO MUNDO


Daniel Ortega e Miguel Obando Bravo, arcebispo emérito de Manágua

Daniel Ortega e Miguel Obando Bravo, arcebispo emérito de Manágua

Cardeais/1
Os sandinistas e a reconciliação

“Foi uma belíssima jornada no caminho da paz e da reconciliação nacional”. Este foi o comentário do cardeal Miguel Obando Bravo sobre a vitória de Daniel Ortega nas eleições presidenciais realizadas na Nicarágua em 5 de novembro passado. Ortega, que já foi líder da guerrilha, triunfou graças à aliança entre a esquerda e parte da direita. A declaração do cardeal foi publicada no Corriere della Sera de 7 de novembro.


Cardeais/2
Um auspício para a China

“Espero que as relações entre a Santa Sé e a China cheguem aos mesmos resultados que foram alcançados entre a Santa Sé e a Rússia”. São as palavras do discurso improvisado do cardeal Secretário de Estado Tarcisio Bertone, realizado na conclusão da apresentação de dois volumes editados pela Libreria Editrice Vaticana, um, organizado por Massimiliano Valente, sobre as relações entre a Santa Sede, la Russia da Leone XIII a Pio XI e o outro, organizado por Giovanni Coco, sobre a Santa Sede e Manchukuò (1932-1945), que narra as relações entre o Vaticano e o efêmero Estado criado por imposição das armas nipônicas na Manchúria. Os dois livros foram apresentados no Colégio Teutônico no dia 13 de outubro passado com uma mesa redonda, moderada pelo secretário do Pontifício Comitê de Ciências Históricas, padre Cosimato Semeraro, do qual participaram o arcebispo Claudio Maria Celli, o embaixador russo junto à Santa Sé Nikolay Sadchikov, a professora Rita Tolomeo da Universidade La Sapienza de Roma e o professor Annibale Zambarbieri da Universidade de Pavia. Também estava presente o presidente do Pontifício Comitê, que organizou as duas publicações, dom Walter Brandmüller. O L’Osservatore Romano de 17 de novembro dedicou três páginas ao acontecimento, transcrevendo todas as comunicações do encontro inclusive a do cardeal Bertone, que, entre outras coisas, evidenciou a obra de Bento XV “homem... com capacidades de mediação e de relações e abertura internacional”, o qual “colocou-se nas relações com o mundo oriental com decisões históricas. Pensemos, por exemplo, na criação da Congregação para as Igrejas Orientais à fundação do Pontifício Instituto de Estudos Orientais e também concretamente para com a Rússia”.


Cardeais/3
Saddam e a liberdade da Igreja

O cardeal Renato Martino, em 7 de novembro, concedeu uma entrevista ao La Stampa de Turim, na qual criticou a sentença de morte determinada por um tribunal iraquiano a Saddam Hussein. Na entrevista o prelado lançou algumas palavras em favor do ditador: “Quando Saddam estava no poder, o Iraque era um Estado leigo e os cristãos podiam professar livremente a sua fé. Atualmente, por efeito da guerra, a situação está se tornando cada vez mais crítica e muitos são obrigados a emigrar. Com Saddam os cristãos estavam protegidos. Recordo-me, quando eu era observador permanente da Santa Sé na ONU, tive que pedir uma dispensa das sanções para que pudesse chegar no Iraque uma grande cruz que Saddam Hussein tinha presenteado à Igreja Armênio-católica. Certamente isso não é um exemplo de perseguição”.


Sagrado Colégio
O falecimento dos cardeais Vachon, Monduzzi e Pompedda

No dia 29 de setembro faleceu o cardeal canadense Louis-Albert Vachon, 94 anos, de 1981 a 1990 arcebispo de Quebéc. E no dia 13 de outubro faleceu o cardeal italiano Dino Monduzzi, 84 anos, prefeito emérito da Casa Pontifícia. Em 18 de outubro faleceu o cardeal italiano Mario Francesco Pompedda, 77 anos, prefeito emérito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica. No final de outubro o Sagrado Colégio resulta composto por 187 cardeais dos quais 115 eleitores.


Cúria/1
Cláudio Hummes prefeito do Clero, Angelo Comastri arcipreste vaticano

No dia 31 de outubro o cardeal brasileiro Cláudio Hummes foi nomeado prefeito da Congregação para o Clero. Assume o lugar do cardeal colombiano Darío Castrillón Hoyos, 77 anos completados em julho, que porém permanece presidente da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”. Hummes, 72 anos, franciscano, sacerdote desde 1958 e bispo desde 1975, era arcebispo de São Paulo desde 1998.
Também no dia 31 de outubro o arcebispo toscano Angelo Comastri, 63 anos, foi nomeado arcipreste da patriarcal Basílica Vaticana. Assume o lugar do cardeal Francesco Marchisano, 77 anos completados em junho, que conserva o cargo de presidente do Ofício do Trabalho da Sé Apostólica.


Cúria/2
Bertone nomeado membro da várias Congregações. Novo prelado ao IOR

Em 30 de setembro o cardeal secretário de Estado Tarcisio Bertone, membro da Congregação para a Doutrina da Fé, para o Culto Divino e para o Clero, foi nomeado também membro das Congregações para as Igrejas Orientais, para os Bispos e de Propaganda Fide. Em 4 de outubro o cardeal salesiano foi nomeado também membro da Comissão cardinalícia de vigilância do Instituto para as Obras de Religião (IOR), no lugar do cardeal eslovaco Jozef Tomko que em 2004 completou 80 anos. No boletim Variações no Anuário Pontifício 2006 de 1º de outubro foi também oficializada a nomeação, ocorrida nos meses anteriores, do novo prelado do Ior, cargo que estava vacante desde 1993. O cargo foi confiado a monsenhor Piero Pioppo, 45 anos, do clero de Acqui, oficial da Secretaria de Estado e secretário particular do cardeal Angelo Sodano quando este era Secretário de Estado.


Cúria/3
Nomeação episcopal para Girotti, Stankiewicz e Farina

No dia 15 de novembro foram elevados à dignidade episcopal três eclesiásticos que exercem suas atividades na Cúria Romana. Trata-se do conventual romano Gianfranco Girotti, 70 anos, desde fevereiro 2002 regente da Penitenciaria Apostólica; do polonês Antoni Stankiewicz, 71 anos, desde janeiro de 2004 decano da Rota Romana e do salesiano Raffaele Farina, 73 anos, desde 1997 prefeito da Biblioteca Apostólica Vaticana.


Itália
Novos bispos em Alghero, Ozieri, Pistoia, e novo ordinário militar

No dia 29 de setembro Giacomo Lanzetti, 64 anos, piemontês de Carmagnola, desde 2002 auxiliar de Turim, foi nomeado bispo de Alghero-Bosa na Sardenha. Também no dia 29 foi nomeado bispo de Ozieri, igualmente na Sardenha, dom Sergio Pintor, 70 anos, de Oristano, desde 1996 diretor do Ofício da Conferência Episcopal Italiana para a Pastoral da Saúde.
Em 14 de outubro Vincenzo Pelvi, 58 anos, desde dezembro de 1999 bispo auxiliar de Nápoles, foi nomeado novo ordinário militar para a Itália.
Em 4 de novembro Mansueto Bianchi, 57 anos, foi nomeado bispo de Pistoia. Originário da província de Lucca, sacerdote desde 1974, desde 2000 era bispo de Volterra.


Cultura
A tradição da Igreja e os teocon

No dia 26 de outubro o Corriere della Sera publicou um interessante editorial assinado por Claudio Magris, no qual o escritor e ensaísta originário de Trieste afirma: “O tradicionalismo que se detém no passado nega e ofende a Igreja e a sua catolicidade, ou seja universalidade, porque a considera de fato uma relíquia morta. Os chamados teocon não podem entender bem estas coisas porque em geral não têm nenhuma experiência do cristianismo e do catolicismo, não o freqüentaram […] A própria autodefinição de ‘ateus devotos’ não é a melhor premissa para se dedicar às coisas de fé”. E conclui: “Os reverendos (protestantes neste caso) que viram na tragédia do 11 de setembro a punição de Deus para as culpas dos Estados Unidos e os que saudaram a vitória eleitoral de Bush como a vontade de Deus são muito mais blasfemos do que os ébrios que sacramentam nos bares e que talvez estejam menos longe, mesmo sendo pecadores, da tradição”.


Livros/1
Quando João XXIII queria os delegados da Igreja Patriótica da China no Concílio

No jornal Repubblica de 21 de outubro, Marco Politi faz a recensão do livro Giovanni XXIII. Una vita nella storia de Marco Roncalli, sobrinho do Papa bom. No livro há um episódio inédito a respeito do Concílio Vaticano II. Assim, em síntese, Marco Politi escreveu: “João XXIII pretendia convidar tanto os bispos [chineses, ndr] ligados ao Vaticano como os ligados à Igreja Patriótica escolhidos pelas autoridades comunistas. E assim pôs-se a procurar – também com a ajuda de Giorgio La Pira – qual seria o canal diplomático útil para contatar o Governo chinês. Porém o projeto seria vantajoso para a Cúria vaticana. Capovilla recorda que na época foi convocada uma reunião da Congregação para os Assuntos Eclesiásticos Extraordinários (o ramo da secretaria de Estado competente para as relações externas). Estavam presentes cerca de doze cardeais, entre os quais o chefe do Santo Ofício, Ottaviani. Chegou-se ao voto explícito: procurar ou não um contato com a China Popular? Os opositores não queriam que isso fosse visto como reconhecimento para o regime de Pequim e no final os “Não” foram nove contra três “Sim”.


Livros/2
O Pontificalis Liber de Patrizi Piccolomini e Burcardo

A Libreria Editrice Vaticana, publicou na coletânea Monumenta Studia Instrumenta liturgica, a reimpressão anastática do Pontificalis Liber de Agostino Patrizi Piccolomini e de Giovanni Burcardo. A obra foi organizada pelo liturgista padre Manlio Sodi, professor na Pontifícia Universidade Salesiana e consultor do Ofício para as Cerimônias Litúrgicas do Sumo Pontífice. E reproduz o livro das celebrações litúrgicas presididas pelo bispo criado em 1485 pelo Papa Inocêncio VIII e escrito por dois responsáveis pelas cerimônias pontifícias da época: Agostino Patrizi Piccolomini, sobrinho adotivo do Papa Pio II, e Giovanni Burcardo.


Diplomacia/1
Girelli núncio também em Timor Leste

No dia 10 de outubro o arcebispo Leopoldo Girelli, 53 anos, desde abril passado núncio na Indonésia, foi nomeado representante pontifício também em Timor Leste.


Diplomacia/2
Novos embaixadores da Alemanha, Albânia, Bélgica e Japão

No dia 28 de setembro o novo embaixador da Alemanha junto à Santa Sé apresentou suas cartas credenciais. Trata-se de Hans-Henning Horstmann, 61 anos, diplomata de carreira, nos últimos quatro anos embaixador em Viena. No dia 29 de setembro foi a vez do novo embaixador da Albânia: Rrok Logu, 44 anos, professor universitário de engenharia, ex-consulente da arquidiocese de Tirana-Durres para as relações com as instituições estatais. Em 26 de outubro foi a vez do novo embaixador da Bélgica: Frank De Coninck, 61 anos, diplomata de carreira, nos últimos quatro anos grande marechal da Corte Real. Em 13 de novembro foi a vez do novo embaixador do Japão: Kagefumi Ueno, 58 anos, diplomata de carreira.




PAPA

A oração antes das refeições e a fome no mundo


Papa Paulo VI assina a Populorum progressio

Papa Paulo VI assina a Populorum progressio

“Nas nossas famílias cristãs ensina-se às crianças a agradecer sempre ao Senhor, antes de tomar o alimento, com uma breve oração e com o sinal da cruz. Este costume deve ser conservado e redescoberto, porque educa a não dar por certo o ‘pão quotidiano’, mas a reconhecer nele um dom da Providência”. Esta foi a sugestão do Papa no Angelus de domingo 12 de novembro. Depois o pontífice ampliou o assunto com uma breve reflexão sobre o desequilíbrio Norte-Sul: “É necessário eliminar as causas estruturais relacionadas com o sistema de governo da economia mundial, que destina a maior parte dos recursos do planeta a uma minoria da população. Esta injustiça foi estigmatizada em diversas ocasiões pelos meus venerados Predecessores, os Servos de Deus Paulo VI e João Paulo II. Para incidir em vasta escala é necessário ‘converter’ o modelo de desenvolvimento global; isto é exigido não só pelo escândalo da fome, mas também pelas emergências ambientais e energéticas”.




O “STUDIO TEOLOGICO LAURENTIANUM” DOS FRADES MENORES CAPUCHINOS DE VENEZA

A 20 anos do Dia de Oração pela Paz em Assis


João Paulo II durante o Dia de Oração em Assis de 1986

João Paulo II durante o Dia de Oração em Assis de 1986

No dia 12 de outubro, junto ao santuário de São Leopoldo Mandic em Pádua, foi realizada a solene inauguração do Ano Acadêmico 2006-2007 do Studio Teologico Laurentianum dos Frades Menores Capuchinhos de Veneza. O discurso inaugural, com a presença de autoridades políticas e acadêmicas do Vêneto, foi feito pelo senador Giulio Andreotti. O tema do seu discurso, ao qual seguiram perguntas dos presentes, foi o histórico Dia de Oração pela Paz em Assis determinado pelo Papa João Paulo II que neste ano completa o 20º aniversário.
O Studio Teologico Laurentianum é uma prestigiosa instituição cultural dos Capuchinhos: fundado em Veneza em 1584, teve entre seus alunos figuras ilustres da história da Igreja, entre os quais muitos bispos e santos como, por exemplo, São Lourenço de Brindisi, doutor da Igreja. Há 38 anos o Studio é filiado à Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Antonianum de Roma. É freqüentado por capuchinhos italianos, húngaros e angolanos, por seminaristas diocesanos e por monges beneditinos.
Justamente pela vocação francesa ao diálogo inter-religioso e à busca da paz entre os povos o discurso de abertura do ano acadêmico foi dedicado ao Dia de Oração em Assis de 1986. Também, não foi um caso confiar a Andreotti esta abertura, pois, na qualidade de Ministro do Exterior da época, exerceu a contraparte política necessária à Santa Sé para preparar e organizar do dia de Oração em Assis, ao qual participaram os representantes de todas as religiões mundiais: “Tratava-se de convidar 50 representantes das Igrejas cristãs, além dos católicos, e 60 representantes de outras religiões mundiais” recordou o prefeito do Studio, professor Gianluigi Pasquale, Ofm. “Era a primeira vez na história que se realizava um encontro como este e o apelo que se lançou da cidade de São Francisco foi ouvido pelo mundo todo: por um dia inteiro calaram as armas”.
No seu discurso Andreotti recordou o quanto Papa João Paulo II insistia e se dedicava para que acontecesse o encontro, apesar das objeções e observações críticas que chegavam de várias partes, também no âmbito católico: “Diante da recente estratégia do terror colocada em ato por grupos terroristas, hoje a intuição do Papa Wojtyla de um dia dedicado à oração com as outras religiões pode ser considerada por alguns como simplista e inadequada. Mas as intenções do Pontífice e dos organizadores do encontro eram, ao contrário, bem definidas”. E acrescentou: “Mesmo no plano teológico não se fez confusão. É suficiente ler os artigos que o L’Osservatore Romano dedicou à preparação do evento, entre os quais assinalo o do padre Angelo Scola, hoje patriarca de Veneza no qual se colocava em evidência que os representantes das várias religiões iam a Assis para rezar, mas que, todavia, jamais poderiam rezar tendo cada um a sua fé”. Justamente o Patriarca de Veneza mandou também as suas felicitações ao Instituto: “Parabenizo pelo tema escolhido para a apresentação. A sua dramática atualidade revela a bondade da escolha feita na época por João Paulo II e hoje confirmada por Bento XVI. Peço que enviem uma cordial saudação ao presidente Andreotti e o meu auspício de um bom trabalho a toda a comunidade acadêmica”.


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