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        <title>30giorni</title>
        <description></description>
        <link>http://www.30giorni.it/</link>
        <lastBuildDate>Tue, 29 Jan 2013 16:59:45 +0100</lastBuildDate>
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        <item>
            <title>
	Uma amizade florescida sob o sinal de Santo Agostinho
</title>
            <link>http://www.30giorni.it/articoli_id_78448_l6.htm</link>
            <description>&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Padre Giacomo Tantardini com Pietro Calogero&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/90-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 325px; height: 217px;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Padre Giacomo recebeu-me com uma t&amp;iacute;mida car&amp;iacute;cia dos olhos e um leve e infantil rubor quando, em 1&amp;ordm; de abril de 2003, fui-lhe apresentado no sal&amp;atilde;o nobre da Universidade de P&amp;aacute;dua, pouco antes de iniciar a terceira aula do ciclo de Congressos dedicados &amp;agrave; atualidade de Santo Agostinho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A sala estava cheia de jovens que esperavam a sua palavra. Jovem tamb&amp;eacute;m era o rosto de padre Giacomo, no qual formavam um m&amp;aacute;gico entrela&amp;ccedil;ar as cores aquareladas da pele, a p&amp;uacute;rpura e o &amp;acirc;mbar. At&amp;eacute; a sua voz harmonizava com as cores, male&amp;aacute;vel, refinado destilado de uma inesgot&amp;aacute;vel fonte de ideias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A leitura e o coment&amp;aacute;rio dos textos agostinianos sobre a gra&amp;ccedil;a e sobre a beleza da f&amp;eacute; crist&amp;atilde; ressoaram na sala por cerca de uma hora. No meu pensamento a figura de padre Giacomo cresceu sem medidas e quando, no final da confer&amp;ecirc;ncia, ele pediu-me para elaborar uma contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a palestra sucessiva n&amp;atilde;o tive coragem, mesmo consciente dos meus limites, de negar-lhe.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Foi assim que em 20 de maio de 2003, introduzindo na mesma sala a quarta aula que seria dada pelo padre Giacomo, tratei o tema da justi&amp;ccedil;a terrena em Santo Agostinho e ilustrei a sua atualidade especialmente nas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es com a pol&amp;iacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Antes de enfrentar os assuntos preparados para a confer&amp;ecirc;ncia, que se referiam a um objeto completamente diferente, padre Giacomo quis intervir sobre a concep&amp;ccedil;&amp;atilde;o agostiniana da justi&amp;ccedil;a.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Confesso que o ouvi com uma admirada surpresa pela sua capacidade de chegar em pouco tempo a uma s&amp;iacute;ntese alta e completa da tem&amp;aacute;tica rec&amp;eacute;m apresentada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Pensei que isso era sinal de um genu&amp;iacute;no talento especulativo e de profundo conhecimento do pensamento do bispo de Hipona, amadurecido no &amp;aacute;pice de um processo de identifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o com este &amp;uacute;ltimo, do qual &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio que recorde aqui nos pontos essenciais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;ldquo;Daquilo que nos disse o procurador&amp;rdquo;, observou padre Giacomo, &amp;ldquo;impressionaram-me principalmente tr&amp;ecirc;s coisas, que me parecem profundamente agostinianas e profundamente atuais. A primeira &amp;eacute; a alus&amp;atilde;o ao fato de que a justi&amp;ccedil;a no sentido humano, cuja tarefa &amp;eacute; a de dar a cada um o que lhe pertence, &amp;eacute; um &lt;em&gt;bonum&lt;/em&gt; da cidade terrena, &amp;eacute; uma coisa boa daquela cidade que Agostinho descreve com o realismo evidenciado pelo epis&amp;oacute;dio do encontro com o imperador Alexandre Magno com o pirata&amp;rdquo; (comentando isso ele pergunta-se &amp;ldquo;&lt;em&gt;Remota itaque iustitia quid sunt regna nisi magna latrocinia?&lt;/em&gt;&amp;rdquo;, se a justi&amp;ccedil;a for colocada de lado, a que se reduziriam os reinos sen&amp;atilde;o a grandes bandos de ladr&amp;otilde;es?).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;ldquo;A segunda coisa que me impressionou particularmente&amp;rdquo;, continuou padre Giacomo, &amp;ldquo;&amp;eacute; que esta justi&amp;ccedil;a tem como raiz a natureza humana, a pessoa humana. Agostinho sabe muito bem que o pecado original fere a natureza humana como tal. Mesmo assim ele defende a natureza humana afirmando que nenhum pecado &amp;eacute; grande a ponto de destruir &lt;em&gt;extrema vestigia naturae&lt;/em&gt;, aquele &amp;uacute;ltimo limiar da natureza humana criada boa e na qual &lt;em&gt;habitat veritas&lt;/em&gt;, n&amp;atilde;o no sentido de que cria a verdade mas no sentido de que na natureza humana h&amp;aacute; a possibilidade de reconhecer a verdade, h&amp;aacute; a possibilidade de reconhecer a beleza, h&amp;aacute; a possibilidade de reconhecer o bem. Uma natureza humana ferida por&amp;eacute;m, pelo pecado original, mas na qual a imagem do Criador n&amp;atilde;o &amp;eacute; por nada destru&amp;iacute;da. Uma natureza humana na qual permanece a abertura &amp;agrave; beleza, &amp;agrave; verdade, &amp;agrave; bondade, &amp;agrave; justi&amp;ccedil;a. Uma natureza humana ferida, e mesmo assim &lt;em&gt;capax Dei&amp;rdquo;&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;O batismo de Santo Agostinho em um afresco do século XIV conservado na igreja dos Eremitani em Pádua&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/91-04-012.jpg &quot; style=&quot;float: right; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 200px; height: 434px;&quot; /&gt;&amp;ldquo;A &amp;uacute;ltima coisa pela qual me sinto realmente agradecido ao procurador&amp;rdquo;, conclui padre Giacomo, &amp;ldquo;s&amp;atilde;o as alus&amp;otilde;es &amp;agrave; historicidade da justi&amp;ccedil;a humana e &amp;agrave; sua relatividade. Creio que este seja o ponto no qual Agostinho coloca mais evid&amp;ecirc;ncia, de maneira original, em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m a outras evidencia&amp;ccedil;&amp;otilde;es tamb&amp;eacute;m presentes na filosofia crist&amp;atilde;: a historicidade e a relatividade da justi&amp;ccedil;a da cidade terrena com rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;quela justi&amp;ccedil;a que &amp;eacute; dom gratuito de Deus. Mas esta historicidade e esta relatividade s&amp;atilde;o possibilidades de fecundidade, s&amp;atilde;o possibilidades de valorizar todos os modelos hist&amp;oacute;ricos sem impor nada aos outros, s&amp;atilde;o facilidades de di&amp;aacute;logo. Justamente por tal historicidade &lt;em&gt;De civitate Dei&lt;/em&gt; &amp;eacute; de uma tempestividade e de uma evid&amp;ecirc;ncia constante. Agostinho descreve com realismo as coisas assim como s&amp;atilde;o. Este realismo permite n&amp;atilde;o impor nada e valorizar toda a possibilidade positiva. Este ponto &amp;eacute; o que mais me impressionou de tudo o que ouvi, juntamente com as amplas cita&amp;ccedil;&amp;otilde;es de C&amp;iacute;cero no seu di&amp;aacute;logo sobre a &lt;em&gt;res publica&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;Eacute; muito interessante e atual que na concep&amp;ccedil;&amp;atilde;o do homem, na concep&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos &lt;em&gt;bona naturae&lt;/em&gt;, dos bens da natureza, Agostinho n&amp;atilde;o valoriza a tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o neoplat&amp;ocirc;nica, mas valoriza a tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Varrone e de C&amp;iacute;cero. Tamb&amp;eacute;m culturalmente, parece-me realmente uma das coisas mais interessantes e atuais. Agostinho, que normalmente &amp;eacute; visto como um crist&amp;atilde;o plat&amp;ocirc;nico, na concep&amp;ccedil;&amp;atilde;o da natureza humana e dos bens essenciais da natureza humana valoriza a tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o romana relativista (digo relativista no sentido em que primeiro o procurador Calogero falou de historicidade e de relatividade) e n&amp;atilde;o a tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do neoplatonismo&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Para concluir: um grande mestre, padre Giacomo, que soube despertar em mim com a for&amp;ccedil;a encantadora da sua cultura e com a envolvente arte da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o a antiga paix&amp;atilde;o pelas ideias, as experi&amp;ecirc;ncias de vida, o alt&amp;iacute;ssimo sentido do humano e do justo de Agostinho, figura mili&amp;aacute;ria do cristianismo militante dos primeiros s&amp;eacute;culos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	E ao mesmo tempo um amigo: um amigo muito sens&amp;iacute;vel, perenemente jovem, humilde, reservado, transparente como jamais foi a mais transparente das porcelanas fabricadas pelas m&amp;atilde;os do homem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Mestre e amigo que frequentei com ternura at&amp;eacute; poucas semanas antes do grande vazio deixado pela sua morte inesperada e que agora, com o olhar ao c&amp;eacute;u, compade&amp;ccedil;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Veneza, 31 de maio de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Pietro Calogero, quando era jovem substituto procurador de Treviso, fez uma investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre o atentado da Piazza Fontana em Mil&amp;atilde;o, descobrindo a chamada &amp;ldquo;pista nera&amp;rdquo; [organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es de extrema direita] e trazendo &amp;agrave; luz os despistamentos e as coberturas feitas pelos &amp;oacute;rg&amp;atilde;os dos servi&amp;ccedil;os secretos italianos, delineando o projeto eversivo conhecido como &amp;ldquo;estrat&amp;eacute;gia da tens&amp;atilde;o&amp;rdquo;. Em P&amp;aacute;dua, na d&amp;eacute;cada de Setenta, conduziu um inqu&amp;eacute;rito que levou &amp;agrave; pris&amp;atilde;o dos chefes da Autonomia Oper&amp;aacute;ria (Negri, Scalzone, Piperno), revelando as liga&amp;ccedil;&amp;otilde;es entre esta organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e as Brigadas Vermelhas. Atualmente &amp;eacute; procurador geral junto ao Tribunal de Apela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Veneza.&lt;/p&gt;
</description>
            <author>por Pietro Calogero</author>
        </item>
        <item>
            <title>
	No sulco das Beatitudes o testemunho de padre Giacomo Tantardini
</title>
            <link>http://www.30giorni.it/articoli_id_78449_l6.htm</link>
            <description>&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;O cardeal Angelo Sodano durante a homilia [© Massimo Quattrucci]&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/20-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 225px; height: 389px;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Caros irm&amp;atilde;os bispos e sacerdotes, distintas autoridades, parentes e amigos do saudoso padre Giacomo, irm&amp;atilde;os e irm&amp;atilde;s no Senhor!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Chegou a hora de dar o &amp;uacute;ltimo adeus ao nosso querido padre Giacomo Tantardini. Ele nos deixou silenciosamente durante as v&amp;eacute;speras, na quinta-feira passada, concluindo assim uma vida toda dedicada ao Cristo que o tinha &amp;ldquo;alcan&amp;ccedil;ado&amp;rdquo;, como ele mesmo dizia, recordando uma palavra usada por S&amp;atilde;o Paulo falando de si na Carta aos Filipenses (Fl 3, 12).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Hoje viemos aqui, numerosos, dentro desta bel&amp;iacute;ssima Bas&amp;iacute;lica que ele tanto amava, para dar-lhe o nosso adeus. Um adeus afetuoso, reconhecedor. Uno-me de boa vontade a todos voc&amp;ecirc;s que o amavam, e isso &amp;eacute; testemunhado pela grande multid&amp;atilde;o presente hoje neste templo. Juntos, caros amigos, agradeceremos ao Senhor por ter-nos dado a sua presen&amp;ccedil;a e depois o confiaremos &amp;agrave;s m&amp;atilde;os do Pai que est&amp;aacute; nos C&amp;eacute;us, um Pai &amp;ldquo;rico em miseric&amp;oacute;rdia&amp;rdquo; ou dizendo com as palavras latinas que eram t&amp;atilde;o caras a padre Giacomo, um Pai &amp;ldquo;&lt;em&gt;dives in misericordia&lt;/em&gt;&amp;rdquo; (cf. Ef 2, 4).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;O nosso &lt;em&gt;Te Deum&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Meus irm&amp;atilde;os, em cada missa agradecemos ao Senhor pelos dons que recebemos no decorrer da nossa exist&amp;ecirc;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Hoje, particularmente, queremos elevar a Deus um hino de gratitude pelo dom que fez &amp;agrave; sua santa Igreja com a vida e as obras deste grande sacerdote.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Um dia, muito longe, o Bom Pastor fez com que sua voz misteriosa fosse ouvida por ele, e dizia-lhe: &amp;ldquo;Vem e segue-me&amp;rdquo; (Mt 19, 21) e o jovem generoso de Barzio, nas terras de Lecco, respondeu generosamente &amp;agrave;quele convite. Aos vinte e quatro anos tornou-se ministro do Senhor e iniciou assim aquela miss&amp;atilde;o generosa que o levaria depois a Roma, nesta cidade crist&amp;atilde; que ele tanto amava, onde viveu com tanto ardor a maior parte dos seus 42 anos de sacerd&amp;oacute;cio. Todos voc&amp;ecirc;s s&amp;atilde;o testemunhas do seu afeto e do seu zelo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Os &lt;em&gt;Atos dos Ap&amp;oacute;stolos&lt;/em&gt; nos falam de Pedro e Jo&amp;atilde;o que depois de Pentecostes rezavam &amp;ldquo;com intrepidez&amp;rdquo; a palavra de Cristo. Parece-me que o termo grego usado por S&amp;atilde;o Lucas (cf. At 4, 29), o termo &lt;em&gt;parresia&lt;/em&gt; (&amp;pi;&amp;alpha;&amp;rho;&amp;rho;&amp;eta;&amp;sigma;ί&amp;alpha;), combina muito bem com o estilo seguido pelo padre Giacomo no seu apostolado. &lt;em&gt;Parresia&lt;/em&gt; &amp;eacute; traduzido pelos estudiosos com diferentes palavras: intrepidez, coragem, fortaleza, franqueza, mas s&amp;atilde;o todos termos que indicam o esp&amp;iacute;rito interior do nosso caro falecido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	At&amp;eacute; parecia que ele se inspirasse na mensagem deixada por Santo Agostinho aos crist&amp;atilde;os da &amp;Aacute;frica: &amp;ldquo;Sem soberba, estai orgulhosos da verdade&amp;rdquo;, ou com o belo latim ciceroniano que padre Giacomo amava &amp;ldquo;&lt;em&gt;Sine superbia de veritate praesumite&lt;/em&gt;&amp;rdquo; (&lt;em&gt;Contra litteras Petiliani&lt;/em&gt; I, 31: &lt;em&gt;PL&lt;/em&gt; 43, 259).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Pela vida de padre Giacomo, hoje queremos cantar o nosso &lt;em&gt;Te Deum&lt;/em&gt; de agradecimento ao Senhor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	No &lt;em&gt;C&amp;acirc;ntico das criaturas&lt;/em&gt;, S&amp;atilde;o Francisco agradecia ao Senhor pela &amp;ldquo;irm&amp;atilde; morte&amp;rdquo;. Hoje n&amp;oacute;s, em primeiro lugar, queremos agradecer ao Senhor pela &amp;ldquo;irm&amp;atilde; vida&amp;rdquo;, pela vida concedida a padre Giacomo, a vida da natureza e principalmente pela vida mais preciosa, que &amp;eacute; a da gra&amp;ccedil;a!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;O nosso sufr&amp;aacute;gio&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Em segundo lugar, meus irm&amp;atilde;os, hoje a nossa Eucaristia quer ser tamb&amp;eacute;m uma ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de sufr&amp;aacute;gio. A f&amp;eacute; crist&amp;atilde; nos ensina que nada menos que puro e nada menos que santo vai &amp;agrave; presen&amp;ccedil;a de Deus. Com efeito, o Livro dos Prov&amp;eacute;rbios na Sagrada Escritura nos diz que &amp;ldquo;Sete vezes cai o justo&amp;rdquo; (Pr 24, 16).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Por isso a Igreja, nossa M&amp;atilde;e e Mestra, sempre nos ensinou a oferecer ora&amp;ccedil;&amp;otilde;es, e especialmente o Sacrif&amp;iacute;cio eucar&amp;iacute;stico, para que os nossos defuntos, devidamente purificados, possam chegar &amp;agrave; vis&amp;atilde;o beat&amp;iacute;fica de Deus (&lt;em&gt;Catecismo da Igreja Cat&amp;oacute;lica&lt;/em&gt;, n. 1032).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Uma imagem da missa exequial para o padre Giacomo Tantardini [© Massimo Quattrucci]&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/21-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: right; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 325px; height: 237px;&quot; /&gt;&lt;strong&gt;A luz da f&amp;eacute;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Meus irm&amp;atilde;os, a nossa celebra&amp;ccedil;&amp;atilde;o eucar&amp;iacute;stica &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m toda iluminada pelo esplendor destas p&amp;aacute;ginas da Palavra de Deus que agora ouvimos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Na primeira leitura ouvimos algumas palavras de grande esperan&amp;ccedil;a: &amp;ldquo;As almas dos justos est&amp;atilde;o nas m&amp;atilde;os de Deus&amp;rdquo; (Sab 3, 1), e depois cantamos no Salmo responsorial: &amp;ldquo;Misericordioso e piedoso &amp;eacute; o Senhor&amp;rdquo; (Sal 102): uma vis&amp;atilde;o de esperan&amp;ccedil;a.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Na segunda leitura, o ap&amp;oacute;stolo Paulo escrevia j&amp;aacute; h&amp;aacute; dois mil anos aos Romanos que sofriam pelas persegui&amp;ccedil;&amp;otilde;es e pelo mart&amp;iacute;rio de tantos seus irm&amp;atilde;os: &amp;ldquo;Se estamos vivos, &amp;eacute; para o Senhor que vivemos, e se morremos, &amp;eacute; para o Senhor que morremos&amp;rdquo; (Rm 14, 7-9).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Enfim, o Evangelho, nos reprop&amp;ocirc;s novamente a mensagem das Beatitudes. &amp;Eacute; aquela mensagem grandiosa e exigente, &amp;agrave; qual inspirou-se o nosso saudoso padre Giacomo. Por isso confiamos que se realize tamb&amp;eacute;m para ele o que Cristo prometeu aos seus disc&amp;iacute;pulos: &amp;ldquo;Vosso ser&amp;aacute; o Reino dos C&amp;eacute;us!&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;A &lt;em&gt;Aleluia&lt;/em&gt; pascal&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Com esta vis&amp;atilde;o de f&amp;eacute;, hoje podemos nos despedir do nosso caro irm&amp;atilde;o padre Giacomo. No final da missa, a liturgia nos far&amp;aacute; cantar um comovente canto da tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o crist&amp;atilde; primitiva: &lt;em&gt;In Paradisum deducant te Angeli&lt;/em&gt;, que os Anjos te acompanhem ao Para&amp;iacute;so!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	E hoje, n&amp;oacute;s tamb&amp;eacute;m cantaremos esta doce melodia, conservando no cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o o esp&amp;iacute;rito da &lt;em&gt;Aleluia&lt;/em&gt; pascal. &amp;ldquo;Louvem o Senhor&amp;rdquo; &amp;eacute; este o significado origin&amp;aacute;rio da palavra &amp;ldquo;Aleluia&amp;rdquo; que h&amp;aacute; dois mil anos ressoa nas nossas igrejas. Sim, hoje tamb&amp;eacute;m n&amp;oacute;s queremos louvar o Senhor! Hoje e sempre, cantaremos &lt;em&gt;Aleluia&lt;/em&gt;!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Conclus&amp;atilde;o&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;Agrave; Maria Sant&amp;iacute;ssima, &amp;agrave; qual o nosso caro padre Giacomo tinha uma devo&amp;ccedil;&amp;atilde;o filial, confiamos a alma aben&amp;ccedil;oada de quem nos deixou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	As ladainhas lauretanas, assim chamadas porque surgiram em Loreto, invocam Maria como &lt;em&gt;Ianua Coeli&lt;/em&gt;, Porta do C&amp;eacute;u. Que ela receba em seus bra&amp;ccedil;os amorosos este filho dileto e leve-o amorosamente ao encontro definitivo com o Seu Filho Jesus, na p&amp;aacute;tria eterna do Para&amp;iacute;so. Assim seja!&lt;/p&gt;
</description>
            <author>do cardeal Angelo Sodano</author>
        </item>
        <item>
            <title>
	O cristianismo: uma hist&amp;oacute;ria simples
</title>
            <link>http://www.30giorni.it/articoli_id_78450_l6.htm</link>
            <description>&lt;p&gt;
	Gostaria de come&amp;ccedil;ar citando uma frase de uma poesia de Charles P&amp;eacute;guy que resume um pouco o que acabamos de ouvir. Diz P&amp;eacute;guy numa de suas poesias a Nossa Senhora de Chartres: &amp;ldquo;&lt;em&gt;Disseram-nos tanta coisa, &amp;oacute; Rainha dos Ap&amp;oacute;stolos / Perdemos o gosto pelos discursos / J&amp;aacute; n&amp;atilde;o temos altares, a n&amp;atilde;o ser os Vossos / Nada mais sabemos sen&amp;atilde;o uma ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o simples&lt;/em&gt;&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Creio que quando P&amp;eacute;guy, no in&amp;iacute;cio do s&amp;eacute;culo, ia em peregrina&amp;ccedil;&amp;atilde;o a Chartres para pedir a gra&amp;ccedil;a da cura para seus filhos... os filhos n&amp;atilde;o eram batizados: P&amp;eacute;guy convivia, digamos assim, com uma mulher judia que n&amp;atilde;o tinha aceitado batizar seus filhos. P&amp;eacute;guy nunca p&amp;ocirc;de casar-se de modo crist&amp;atilde;o e n&amp;atilde;o podia receber os sacramentos da Igreja, mas creio que P&amp;eacute;guy tenha sido o maior testemunho po&amp;eacute;tico destes &amp;uacute;ltimos s&amp;eacute;culos, o maior depois de Dante. A gra&amp;ccedil;a do Senhor &amp;eacute; dada segundo a medida do dom de Cristo, como Ele quer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;ldquo;&lt;em&gt;Disseram-nos tanta coisa, &amp;oacute; Rainha dos Ap&amp;oacute;stolos / Perdemos o gosto pelos discursos / J&amp;aacute; n&amp;atilde;o temos altares, a n&amp;atilde;o ser os Vossos / Nada mais sabemos sen&amp;atilde;o uma ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o simples&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Contudo, esta noite sou obrigado falar. Ent&amp;atilde;o gostaria de dizer simplesmente tr&amp;ecirc;s coisas que me parecem as que a Tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Igreja, a simplicidade da Tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o (&lt;em&gt;ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o simples&lt;/em&gt; leva a pensar na &lt;em&gt;simplicidade da Tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;), a simplicidade da Tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o crist&amp;atilde;, por ocasi&amp;atilde;o do Natal, volta a dizer, repete.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Deus chama Adão e Eva depois do pecado original. Capela Palatina, Palermo&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/07-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 300px; height: 356px;&quot; /&gt;1. H&amp;aacute; uma express&amp;atilde;o dogm&amp;aacute;tica que o mundo moderno, sobretudo nas &amp;uacute;ltimas d&amp;eacute;cadas, o mundo, este mundo que est&amp;aacute; dentro da Igreja, sobretudo este mundo que est&amp;aacute; dentro da Igreja, tentou como que censurar. No entanto, n&amp;atilde;o h&amp;aacute; como entender nada da vida dos homens e n&amp;atilde;o h&amp;aacute; como entender o cristianismo se n&amp;atilde;o partirmos daqui: o pecado original. O pecado original. Pois todos os homens, exceto Maria, nascem com o pecado original. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; como compreender nada da vida, n&amp;atilde;o h&amp;aacute; como compreender nada &amp;ndash; diz, usando uma express&amp;atilde;o bel&amp;iacute;ssima, o &amp;uacute;ltimo Conc&amp;iacute;lio Ecum&amp;ecirc;nico da Igreja &amp;ndash; da sociedade humana, se n&amp;atilde;o partirmos daqui: que os homens nascem maus. Como diz Jesus: &amp;ldquo;&lt;em&gt;V&amp;oacute;s, que sois maus&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. &amp;ldquo;&lt;em&gt;Por que me chamas bom? S&amp;oacute; Deus &amp;eacute; bom&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. &amp;ldquo;&lt;em&gt;Si homo non periisset, Filius hominis non venisset&lt;/em&gt;&amp;rdquo;, &amp;eacute; como Santo Agostinho resume a consci&amp;ecirc;ncia da Igreja: &lt;em&gt;se o homem n&amp;atilde;o tivesse pecado, o Filho do homem n&amp;atilde;o teria vindo&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Gostaria de me valer do in&amp;iacute;cio do hino &lt;em&gt;O Natal&lt;/em&gt;, de Alexandre Manzoni...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Alexandre Manzoni, de muitos pontos de vista, n&amp;atilde;o &amp;eacute;, por assim dizer, um autor atual, pois descreve em seu fant&amp;aacute;stico romance, &lt;em&gt;Os noivos&lt;/em&gt;, uma condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o crist&amp;atilde; como j&amp;aacute; dada e, portanto, n&amp;atilde;o fala de n&amp;oacute;s, uma vez que hoje essa condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o j&amp;aacute; n&amp;atilde;o existe. Talvez a p&amp;aacute;gina mais atual dos &lt;em&gt;Noivos&lt;/em&gt; seja aquela em que &amp;eacute; descrita a convers&amp;atilde;o do Inominado, quando este, depois daquela noite em que v&amp;ecirc; o povo contente que vai receber o cardeal Federico se pergunta: &amp;ldquo;&lt;em&gt;Mas o que tem toda essa gente para estar contente?&lt;/em&gt;&amp;rdquo; Essa, portanto, &amp;eacute; a p&amp;aacute;gina mais atual. &amp;ldquo;&lt;em&gt;O que tem toda essa gente para estar contente?&lt;/em&gt;&amp;rdquo; E nasce em seu cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o a &lt;em&gt;curiosidade&lt;/em&gt; de ver por que aquela gente est&amp;aacute; contente. &amp;Eacute; a p&amp;aacute;gina que descreve de que modo, hoje, uma pessoa pode se tornar crist&amp;atilde;... Os antepassados de Alexandre Manzoni s&amp;atilde;o da minha cidade, Barzio, um vilarejo perto de Lecco, e o av&amp;ocirc; de Alexandre Manzoni se chama Alexandre porque o padroeiro de Barzio, como de B&amp;eacute;rgamo, &amp;eacute; Santo Alexandre. Portanto, creio que tamb&amp;eacute;m o autor dos &lt;em&gt;Noivos&lt;/em&gt; se chame Alexandre por isso... Outros motivos o fazem pr&amp;oacute;ximo de mim, embora, repito, Manzoni, de muitos pontos de vista, n&amp;atilde;o seja atual, n&amp;atilde;o certamente como P&amp;eacute;guy.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	O hino &lt;em&gt;O Natal&lt;/em&gt; come&amp;ccedil;a com a imagem de uma rocha que caiu do alto da montanha e est&amp;aacute; no fundo do vale: &amp;ldquo;&lt;em&gt;L&amp;aacute; onde caiu, im&amp;oacute;vel / Jaz em sua lenta grandiosidade; / Nem que passem s&amp;eacute;culos / &amp;Eacute; poss&amp;iacute;vel que reveja o sol / De seu cume antigo, / Se uma virtude amiga / Para o alto n&amp;atilde;o a levar&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. A pedra que cai do alto da montanha no vale n&amp;atilde;o pode rever o sol do cume, se uma for&amp;ccedil;a amiga n&amp;atilde;o a tomar e a levar para cima. &amp;ldquo;&lt;em&gt;Assim jazia o m&amp;iacute;sero / Filho da queda primeira&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Assim jazia o homem, filho do primeiro pecado. Assim. &amp;ldquo;&lt;em&gt;Onde o soberbo cume / mais n&amp;atilde;o se podia elevar&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Creio que essa seja a defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o mais realista do pecado original.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	O que &amp;eacute; o pecado original? Dom Giussani, no &amp;uacute;ltimo livro da cole&amp;ccedil;&amp;atilde;o que re&amp;uacute;ne os di&amp;aacute;logos numa casa dos Memores Domine, diz: &amp;ldquo;O que &amp;eacute; o pecado original? O que &amp;eacute; o orgulho do pecado original? &lt;em&gt;&amp;Eacute; a afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de si antes da realidade&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. O homem n&amp;atilde;o v&amp;ecirc; nada al&amp;eacute;m de si mesmo. Ca&amp;iacute;do daquela altura, n&amp;atilde;o v&amp;ecirc; nada al&amp;eacute;m de si mesmo. A afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de si mesmo antes da realidade. Leio mais adiante uma estrofe inteira desse hino, porque &amp;eacute; extremamente realista: &amp;ldquo;&lt;em&gt;Quem entre os nascidos para o &amp;oacute;dio&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Nascidos para o &amp;oacute;dio. Assim. &amp;Eacute; essa a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o humana. H&amp;aacute; algumas semanas, fiquei impressionado quando um escritor n&amp;atilde;o crist&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o cat&amp;oacute;lico, Bobbio, ao receber um pr&amp;ecirc;mio na Universidade de Stuttgart, citou Hegel (Hegel, mestre de todos, infelizmente, nestas d&amp;eacute;cadas), citou Hegel, repetindo uma de suas poucas express&amp;otilde;es realistas, quando diz que &lt;em&gt;a hist&amp;oacute;ria humana nada mais &amp;eacute; que um grande matadouro&lt;/em&gt;. &amp;Eacute; verdade. A hist&amp;oacute;ria humana nada mais &amp;eacute; que um grande matadouro. A hist&amp;oacute;ria humana, diz Santo Agostinho, tomando Roma como exemplo, a hist&amp;oacute;ria de Roma, que nasce de um fratric&amp;iacute;dio, &lt;em&gt;caminha de homic&amp;iacute;dio em homic&amp;iacute;dio&lt;/em&gt;. &amp;ldquo;&lt;em&gt;Quem entre os nascidos para o &amp;oacute;dio&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Nascidos para o &amp;oacute;dio. N&amp;atilde;o pelo gesto criador. A cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; boa. Mas, de fato, pelo pecado original, nascemos para o &amp;oacute;dio. E mesmo as coisas boas, mesmo as coisas bonitas, imediatamente caem na estranheza. E todos podemos fazer experi&amp;ecirc;ncia dessa condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do pecado original; o homem faz experi&amp;ecirc;ncia dela. A grande poesia nada mais faz sen&amp;atilde;o falar disso. Para reconhecer os efeitos do pecado original, n&amp;atilde;o &amp;eacute; preciso ter f&amp;eacute;, basta a intelig&amp;ecirc;ncia humana. N&amp;atilde;o reconhecer os efeitos do pecado original &amp;eacute; quest&amp;atilde;o de falta de intelig&amp;ecirc;ncia, &amp;eacute; quest&amp;atilde;o de ilus&amp;atilde;o, &amp;eacute; quest&amp;atilde;o de idealismo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;ldquo;&lt;em&gt;Quem entre os nascidos para o &amp;oacute;dio, / Que pessoa havia / Que ao Santo inacess&amp;iacute;vel...&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Como Manzoni &amp;eacute; crist&amp;atilde;o nesse momento! &amp;ldquo;Inacess&amp;iacute;vel&amp;rdquo;: ao Santo a quem n&amp;atilde;o podemos alcan&amp;ccedil;ar, ao Santo desconhecido, ao Santo cujo rosto n&amp;atilde;o conhecemos. Se uma pessoa diz &lt;em&gt;Deus existe&lt;/em&gt; mas n&amp;atilde;o O v&amp;ecirc; (diz S&amp;atilde;o Bernardo numa carta que lemos no Brevi&amp;aacute;rio no tempo de Natal), como pode, depois de algum tempo, reconhecer que Ele existe, se n&amp;atilde;o pode chegar at&amp;eacute; Ele, se &amp;eacute; lan&amp;ccedil;ado no fundo do precip&amp;iacute;cio, e n&amp;atilde;o pode chegar &amp;agrave; luz do in&amp;iacute;cio, &amp;agrave; luz da aurora do primeiro in&amp;iacute;cio da cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o? Como pode dizer que existe? &amp;ldquo;&lt;em&gt;Que pessoa havia / Que ao Santo inacess&amp;iacute;vel/ Pudesse dizer: perdoa?&lt;/em&gt;&amp;rdquo; Perd&amp;atilde;o! &amp;ldquo;A quem agradecer, contra quem blasfemar?&amp;rdquo;, perguntava Cesare Pavese numa das &amp;uacute;ltimas frases de seu di&amp;aacute;rio. A quem agradecer, contra quem blasfemar, se o Mist&amp;eacute;rio existe mas &amp;eacute; inacess&amp;iacute;vel, existe mas n&amp;atilde;o tem rosto, existe mas &amp;eacute; incompreens&amp;iacute;vel, existe mas n&amp;atilde;o pode ser conhecido? &amp;ldquo;&lt;em&gt;Fazer novo pacto eterno? / Ao vencedor inferno / Sua presa arrancar?&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Quem poderia arrancar ao diabo a sua presa?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Esta &amp;eacute; a primeira sugest&amp;atilde;o: nascemos com o pecado original. E o dogma da Igreja diz que o pecado original fere o homem &lt;em&gt;in naturalibus, nas suas dimens&amp;otilde;es naturais&lt;/em&gt;. N&amp;atilde;o s&amp;oacute; torna imposs&amp;iacute;vel a coer&amp;ecirc;ncia. Por exemplo, a pessoa sabe que o aborto &amp;eacute; pecado, mas depois &amp;eacute; incoerente. N&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; isso. O pecado original impede &lt;em&gt;com o tempo&lt;/em&gt; tamb&amp;eacute;m que nos demos conta de que o aborto &amp;eacute; pecado, porque o pecado original fere os homens na intelig&amp;ecirc;ncia natural: pelo pecado original &amp;eacute; &lt;em&gt;ofuscada&lt;/em&gt; a intelig&amp;ecirc;ncia enquanto tal, n&amp;atilde;o apenas &amp;eacute; &lt;em&gt;enfraquecida&lt;/em&gt; a vontade. Por isso, o homem &amp;eacute; obnubilado ao reconhecer tamb&amp;eacute;m o que &amp;eacute; natural, o que &amp;eacute; criatural, o que &amp;eacute; contra o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, contra o gesto criatural. N&amp;atilde;o &amp;eacute; que n&amp;atilde;o o possa reconhecer, mas &amp;eacute; obnubilado por dentro. N&amp;atilde;o entendemos a realidade, n&amp;atilde;o entendemos o mundo, sem partir daqui. N&amp;atilde;o entendemos o mundo em que vivemos, n&amp;atilde;o entendemos as circunst&amp;acirc;ncias em que estamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Beato Angelico,&amp;lt;I&amp;gt; A Anunciação&amp;lt;/I&amp;gt;, com a cena da expulsão de Adão e Eva do paraíso terrestre depois do pecado original, Museu do Prado, Madri&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/10-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: right; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 325px; height: 258px;&quot; /&gt;2. O que resta, nessa condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o? O Mist&amp;eacute;rio inacess&amp;iacute;vel, que n&amp;atilde;o tem rosto, e o homem, ao qual a luz (a luz significa a surpresa da cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que &amp;eacute; boa), essa luz, j&amp;aacute; n&amp;atilde;o &amp;eacute; familiar. A cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o j&amp;aacute; n&amp;atilde;o &amp;eacute; &lt;em&gt;cara beleza&lt;/em&gt;, mas algo estranho, inimizade, a ponto de Caim matar Abel. O que resta? Resta o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; ferido, mas continua a ser cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Essa &amp;eacute; a outra grande coisa que o catolicismo nos diz. Ferido, &lt;em&gt;obnubilado&lt;/em&gt; no reconhecimento da verdade e &lt;em&gt;debilitado&lt;/em&gt; na possibilidade de ser coerente com a verdade, e mesmo assim o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o permanece. O cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do homem permanece. O cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o que nossa m&amp;atilde;e, nosso pai nos deram, que Deus por meio deles nos deu, continua a ser cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ou seja, o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o continua a ser espera, espera de encontrar alguma coisa. O cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o continua a ser pedido de estar contente, o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o continua a ser pedido de felicidade. O cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o ferido continua a ser cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Leio a voc&amp;ecirc;s dois trechos da poesia mais bela de Leopardi, &lt;em&gt;&amp;Agrave; sua dama&lt;/em&gt;, quando ele diz que o que buscava na beleza da mulher era uma beleza maior, uma beleza que finalmente pudesse satisfazer a espera do cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Mas acrescenta que isso era um sonho de quando era adolescente. Ao se tornar adulto, percebe que esse sonho j&amp;aacute; &amp;eacute; imposs&amp;iacute;vel. &amp;ldquo;&lt;em&gt;De viva contemplar-te eu j&amp;aacute; n&amp;atilde;o tenho / Esperan&amp;ccedil;a nenhuma&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. J&amp;aacute; n&amp;atilde;o tenho esperan&amp;ccedil;a nenhuma de ver-te viva, &amp;oacute; beleza. J&amp;aacute; n&amp;atilde;o tenho esperan&amp;ccedil;a nenhuma de encontrar, aqui nesta vida, essa coisa imprevista, essa coisa imprevis&amp;iacute;vel, que o meu cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o espera. &amp;ldquo;&lt;em&gt;No despontar da minha nova vida / Incerta e escura&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. A genialidade humana &amp;eacute; profecia de Cristo. N&amp;atilde;o no sentido de que antecipa Cristo, n&amp;atilde;o no sentido de que faz discursos crist&amp;atilde;os. Mas no sentido de que O espera, pedindo ou blasfemando, mas O espera. &amp;ldquo;&lt;em&gt;No despontar da minha nova vida / Incerta e escura&lt;/em&gt;.&amp;rdquo; &amp;ldquo;Incerta.&amp;rdquo; Se o Santo, se o Mist&amp;eacute;rio &amp;eacute; inacess&amp;iacute;vel, que pode fazer o homem, a n&amp;atilde;o ser estar incerto? Que pode fazer o homem? N&amp;atilde;o podemos condenar o homem, n&amp;atilde;o podemos conden&amp;aacute;-lo por seu niilismo, por sua &amp;ldquo;falta de f&amp;eacute;&amp;rdquo;. O que o homem pode fazer, se o Mist&amp;eacute;rio n&amp;atilde;o tem rosto? O que pode fazer? At&amp;eacute; porque o niilismo (Santo Agostinho nisso antecipa e responde a Nietzsche) nasce do fato de a pessoa se dar conta de que esse Deus que diz afirmar &amp;eacute; uma proje&amp;ccedil;&amp;atilde;o de si, ou seja, perceber que Deus n&amp;atilde;o existe. Se Deus &amp;eacute; uma &lt;em&gt;proje&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;, uma &lt;em&gt;imagem&lt;/em&gt; de si, a pessoa se d&amp;aacute; conta de que esse Deus n&amp;atilde;o existe, n&amp;atilde;o &amp;eacute; nada. &lt;em&gt;Nihil est&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;n&amp;atilde;o &amp;eacute; nada&lt;/em&gt;. &amp;ldquo;... &lt;em&gt;Incerta e escura, um dia imaginei-te / Por este &amp;aacute;rido solo viandante&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Eu pensei encontrar-te neste solo &amp;aacute;rido, encontrar o que o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o espera. &amp;ldquo;&lt;em&gt;Mas na terra n&amp;atilde;o h&amp;aacute; quem se te iguale&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Mas n&amp;atilde;o encontrei nada na terra, nada que merecesse at&amp;eacute; o fundo o meu cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Muitas coisas (o pr&amp;oacute;prio Leopardi teve muitas mulheres), mas nada, nenhuma realmente que merecesse at&amp;eacute; o fundo o meu cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &amp;ldquo;&lt;em&gt;Mas na terra n&amp;atilde;o h&amp;aacute; quem se te iguale, / E mesmo que no rosto, voz e gestos, / Alguma te evocasse, embora assim,/ Bem menos bela se apresentaria&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Aqui est&amp;aacute; a intui&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que pode ser apenas gra&amp;ccedil;a: mesmo se houvesse uma coisa que se assemelhasse a ti no rosto, nas palavras e nos gestos, &amp;ldquo;&lt;em&gt;embora assim, / Bem menos bela se apresentaria&lt;/em&gt;&amp;rdquo; do que aquilo que o meu cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o espera.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Essa poesia acaba com uma ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a mais fant&amp;aacute;stica ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um ateu, pois Giacomo Leopardi era ateu e materialista. Nenhum &lt;em&gt;devoto&lt;/em&gt; escreveu uma ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o assim ao Mist&amp;eacute;rio que se revelou: &amp;ldquo;&lt;em&gt;Se &amp;eacute;s uma das ideias imortais / A quem sens&amp;iacute;vel forma recusou/ A eterna sapi&amp;ecirc;ncia&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Se tu, &amp;oacute; beleza, se tu, &amp;oacute; &lt;em&gt;coisa&lt;/em&gt; que o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o espera, se tu, &amp;oacute; &lt;em&gt;coisa&lt;/em&gt; que o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o pede, se tu, felicidade, &amp;eacute;s uma das ideias imortais que se recusam a revestir-se de forma sens&amp;iacute;vel. &amp;ldquo;&lt;em&gt;E por entre / Caducas vestimentas, desta vida / Trevosa isentou de sofrimento&lt;/em&gt;&amp;rdquo;, e se recusa a experimentar aqui na terra os af&amp;atilde;s desta vida que corre para a morte, &amp;ldquo;&lt;em&gt;daqui de onde / T&amp;atilde;o ef&amp;ecirc;meros s&amp;atilde;o os infaustos dias,/ Recebe deste ignoto amante o hino&lt;/em&gt;&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;ldquo;&lt;em&gt;Daqui de onde / T&amp;atilde;o ef&amp;ecirc;meros s&amp;atilde;o os infaustos dias&lt;/em&gt;.&amp;rdquo; Isso &amp;eacute; realismo crist&amp;atilde;o. De um ateu, mas &amp;eacute; realismo crist&amp;atilde;o. &amp;Eacute; realismo humano e portanto profecia de Quem criou o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o assim. Daqui de onde as coisas passam logo. Passam logo tamb&amp;eacute;m as coisas boas, tamb&amp;eacute;m o sorriso da crian&amp;ccedil;a, do filho, tamb&amp;eacute;m o afeto pela mulher que amamos. &amp;ldquo;&lt;em&gt;Daqui de onde / T&amp;atilde;o ef&amp;ecirc;meros s&amp;atilde;o os infaustos dias,/ Recebe deste ignoto amante o hino&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Permanece o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o que espera uma &lt;em&gt;coisa&lt;/em&gt; assim. Mas o homem (e usamos agora uma express&amp;atilde;o de Agostinho, que foi na Igreja o testemunho talvez humanamente mais fascinante desse cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o), &lt;em&gt;o homem est&amp;aacute; longe desse cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;fugitivus cordis sui&lt;/em&gt;. O homem est&amp;aacute; longe dessa pergunta e o homem se contenta. Contenta-se. E com que se contenta? Com a usura, a lux&amp;uacute;ria e o poder. E n&amp;atilde;o h&amp;aacute; religi&amp;atilde;o que d&amp;ecirc; jeito. Contenta-se com essas tr&amp;ecirc;s coisas, o dinheiro, a lux&amp;uacute;ria e o poder. Quem cr&amp;ecirc; em Deus e quem n&amp;atilde;o cr&amp;ecirc;. E essa &amp;eacute; uma das coisas mais impressionantes do &lt;em&gt;De civitate Dei&lt;/em&gt; de Agostinho. A cren&amp;ccedil;a em Deus por si s&amp;oacute; n&amp;atilde;o muda a vida, &lt;em&gt;por si s&amp;oacute;&lt;/em&gt; n&amp;atilde;o muda a vida. Todos os livros do &lt;em&gt;De civitate Dei&lt;/em&gt; de Agostinho s&amp;atilde;o atuais. Nos livros oitavo, nono e d&amp;eacute;cimo, Agostinho fala dos fil&amp;oacute;sofos que conheceram a Deus, que reconheceram a exist&amp;ecirc;ncia de Deus. No entanto, no fim, &amp;ldquo;&lt;em&gt;pensaram ter de oferecer honras divinas de ritos e sacrif&amp;iacute;cios ao diabo&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. O satanismo pode ser a consequ&amp;ecirc;ncia tamb&amp;eacute;m de algu&amp;eacute;m proclamar-se crente em Deus, pois a cren&amp;ccedil;a em Deus n&amp;atilde;o muda &lt;em&gt;realmente&lt;/em&gt; a vida. &amp;Eacute; uma outra coisa que muda a vida. Se a cren&amp;ccedil;a em Deus mudasse a vida &lt;em&gt;n&amp;atilde;o teria sido necess&amp;aacute;rio que Maria desse &amp;agrave; luz&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Bartolomé Esteban Murillo, &amp;lt;I&amp;gt;Descanso na fuga para o Egito&amp;lt;/I&amp;gt;, Museu Puskin, Moscou [© Foto Scala Firenze]&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/11-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 300px; height: 341px;&quot; /&gt;3. Por isso festejamos o Natal. Entendem? Porque, se a cren&amp;ccedil;a em Deus mudasse a vida, n&amp;atilde;o teria sido necess&amp;aacute;rio o que aconteceu h&amp;aacute; dois mil anos. N&amp;atilde;o s&amp;oacute; isso: n&amp;atilde;o poder&amp;iacute;amos ser gratos como somos gratos. Quando h&amp;aacute; dois mil anos o anjo Gabriel foi enviado &amp;agrave;quela cidade, no limite da Palestina, &lt;em&gt;&amp;agrave; Galileia dos gentios&lt;/em&gt;, a uma jovem judia chamada Maria... Tudo come&amp;ccedil;ou ali. O Santo inacess&amp;iacute;vel, Aquele que criou o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o bom... (mas o pecado original levou a essa condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela qual o homem de fato se contenta, n&amp;atilde;o pode n&amp;atilde;o se contentar com a lux&amp;uacute;ria, o dinheiro e o poder), o Santo inacess&amp;iacute;vel tornou-se carne no ventre de uma mulher. Um fato. Aquela hist&amp;oacute;ria simples come&amp;ccedil;ou ali. E come&amp;ccedil;ou justamente como hist&amp;oacute;ria, como hist&amp;oacute;ria simples. Come&amp;ccedil;ou com &amp;ldquo;Eu te sa&amp;uacute;do, &amp;oacute; cheia de gra&amp;ccedil;a, o Senhor est&amp;aacute; contigo&amp;rdquo;. E essa pequena menina judia, que n&amp;atilde;o compreendeu imediatamente, ficou perturbada e se perguntou o que aquela sauda&amp;ccedil;&amp;atilde;o poderia significar. E o anjo lhe disse: &amp;ldquo;N&amp;atilde;o temas, Maria, encontraste gra&amp;ccedil;a junto de Deus&amp;rdquo;. E ent&amp;atilde;o aquela pequena menina exprime aquele &amp;ldquo;Sim&amp;rdquo;, aquele &amp;ldquo;Eis-me aqui&amp;rdquo;, gra&amp;ccedil;as ao qual o homem tem esperan&amp;ccedil;a de ser salvo. Sem aquele &amp;ldquo;Eis-me aqui&amp;rdquo;, toda a cren&amp;ccedil;a em Deus n&amp;atilde;o d&amp;aacute; esperan&amp;ccedil;a ao homem. Aquele &amp;ldquo;Eis-me aqui&amp;rdquo; come&amp;ccedil;a uma hist&amp;oacute;ria, uma hist&amp;oacute;ria simples. Uma hist&amp;oacute;ria significa que Aquele que come&amp;ccedil;ou assim com Maria (&amp;ldquo;Encontraste gra&amp;ccedil;a junto de Deus&amp;rdquo;) &amp;eacute; Ele, &amp;eacute; Ele que leva adiante esse in&amp;iacute;cio. De fato, pensem em Nossa Senhora. Pensem: ficou nesse &amp;ldquo;Eis-me aqui&amp;rdquo; mesmo quando o anjo a deixou. Pensem no conforto... (essa &amp;eacute; uma das coisas que mais me impressionam, que mais me comovem diante de Nossa Senhora), pensem no primeiro conforto que teve, na primeira confirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que o que ouvira era real, quando, como qualquer mulher, se deu conta de que estava gr&amp;aacute;vida. Deve ter sido uma coisa do outro mundo. Porque significava que aquela promessa era real, aquela promessa a que logo havia dito &amp;ldquo;Sim&amp;rdquo;, a que logo havia dito &amp;ldquo;Eis-me aqui&amp;rdquo;, aquela promessa era real, pois aquilo que um Outro havia iniciado estava para ser levado a cumprir-se. E assim o outro conforto que me impressiona e me comove &amp;eacute; quando a S&amp;atilde;o Jos&amp;eacute;, em sonho, o anjo diz: &amp;ldquo;Jos&amp;eacute;, filho de Davi, n&amp;atilde;o hesites em tomar contigo Maria, tua esposa, pois o que nasceu nela vem do Esp&amp;iacute;rito Santo&amp;rdquo;. E pensem, porque podemos imaginar... (&amp;eacute; outra coisa, se comparada a todas as religi&amp;otilde;es deste mundo, &amp;eacute; outra coisa. &amp;Eacute; uma hist&amp;oacute;ria de homens, de jovens, eram dois jovens), pensem o que foi para Maria quando Jos&amp;eacute; a tomou consigo. Foi uma outra confirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o, uma outra confirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que aquele encontro, aquele &amp;ldquo;Eu te sa&amp;uacute;do, &amp;oacute; cheia de gra&amp;ccedil;a&amp;rdquo; era real. E depois foram juntos visitar Isabel, pois o anjo lhe havia dito que Isabel tamb&amp;eacute;m esperava um filho e tamb&amp;eacute;m esse fato confirmou aquele &amp;ldquo;Eu te sa&amp;uacute;do, &amp;oacute; cheia de gra&amp;ccedil;a; n&amp;atilde;o temas, Maria&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Por que o cristianismo &amp;eacute; uma hist&amp;oacute;ria simples? &amp;Eacute; uma hist&amp;oacute;ria simples (usamos uma palavra que a Igreja usa h&amp;aacute; dois mil anos) porque &amp;eacute; gra&amp;ccedil;a, porque &amp;eacute; um acontecimento e portanto uma hist&amp;oacute;ria de gra&amp;ccedil;a. Se n&amp;atilde;o fosse gra&amp;ccedil;a, seria uma coisa complicada. Por que a religiosidade humana n&amp;atilde;o &amp;eacute; simples? Porque nasce do homem. Porque &amp;eacute; a tentativa &lt;em&gt;boa&lt;/em&gt; do homem, partindo das coisas criadas, de reconhecer o Criador. Mas essa n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma coisa simples, &amp;eacute; uma coisa dif&amp;iacute;cil. Diz o dogma de f&amp;eacute;: &amp;eacute; uma coisa &lt;em&gt;dif&amp;iacute;cil&lt;/em&gt;, uma coisa &lt;em&gt;para poucos&lt;/em&gt;, uma coisa que, mesmo quando a religiosidade chega a seu termo (o Mist&amp;eacute;rio existe), &amp;eacute; &lt;em&gt;mesclada a erros&lt;/em&gt;. S&amp;atilde;o as palavras do dogma da Igreja. N&amp;atilde;o s&amp;oacute; &amp;eacute; para poucos, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil, mas, mesmo quando a pessoa chega a dizer &amp;ldquo;Deus existe&amp;rdquo;, essa afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; mesclada a erros. No entanto, h&amp;aacute; dois mil anos come&amp;ccedil;ou uma coisa que &amp;eacute; extremamente simples. &amp;Agrave;quela menina foi prometido que conceberia e daria &amp;agrave; luz. E, naqueles nove meses, quantos fatos human&amp;iacute;ssimos... Em primeiro lugar ela se d&amp;aacute; conta de que est&amp;aacute; gr&amp;aacute;vida (e de que a barriga crescia como a barriga de qualquer mulher gr&amp;aacute;vida). E o testemunho de Jos&amp;eacute;, que obedecendo ao Mist&amp;eacute;rio maior do que ele a toma consigo. E o testemunho da prima Isabel: ela tamb&amp;eacute;m tem um filho. E aquele Natal, aquele primeiro Natal, quando pela primeira vez os olhos de dois jovens, de Maria e Jos&amp;eacute;, viram a Deus. Viram a Deus. Come&amp;ccedil;a assim o cristianismo. N&amp;atilde;o &amp;eacute; que acreditaram em que Deus existe, n&amp;atilde;o; nisso tamb&amp;eacute;m acreditam os mu&amp;ccedil;ulmanos, que talvez nessa religiosidade sejam mais religiosos que n&amp;oacute;s, mas n&amp;atilde;o viram. N&amp;atilde;o viram &amp;ndash; no entanto, veio &amp;ndash;, e na religiosidade e na moralidade podem ser mais morais e mais religiosos do que n&amp;oacute;s. Tamb&amp;eacute;m por isso Paulo VI foi grande quando n&amp;atilde;o fez nada para que n&amp;atilde;o constru&amp;iacute;ssem a mesquita em Roma; ali&amp;aacute;s, quando lhe diziam que deveria obter a reciprocidade, respondia que a Igreja n&amp;atilde;o se rebaixava a esse n&amp;iacute;vel. Mas &amp;eacute; uma outra coisa. O cristianismo &amp;eacute; uma outra coisa se comparado a todas as religi&amp;otilde;es do mundo, a todas as morais do mundo. O cristianismo &amp;eacute; que h&amp;aacute; dois mil anos um jovem e uma jovem, Jos&amp;eacute; e Maria, viram a Deus com seus olhos, n&amp;atilde;o numa vis&amp;atilde;o m&amp;iacute;stica. Maria deu &amp;agrave; luz aquela crian&amp;ccedil;a. E Jos&amp;eacute; e ela a olharam &lt;em&gt;maravilhados&lt;/em&gt;. Come&amp;ccedil;ou assim a hist&amp;oacute;ria crist&amp;atilde;. Ficaram ali a olhar para Deus. E depois naquela mesma noite os anjos anunciaram aos pastores que na cidade de Davi (pois Deus &amp;eacute; fiel &amp;agrave; suas promessas), &amp;ldquo;na cidade de Davi nasceu para v&amp;oacute;s o Salvador&amp;rdquo;. E os pastores foram, foram e viram um menino. Aquele menino era Deus. Assim, quando no &lt;em&gt;Credo&lt;/em&gt; dizemos &amp;ldquo;&lt;em&gt;Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro&lt;/em&gt; [aquele menino], &lt;em&gt;gerado, n&amp;atilde;o criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas, e por n&amp;oacute;s, homens, e para nossa salva&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt; [por n&amp;oacute;s, homens, para o homem que se contenta com a lux&amp;uacute;ria, a usura e o poder, para esse homem, n&amp;atilde;o para os homens de boa vontade (&amp;eacute; Sua a boa vontade), mas para esse homem concreto], &lt;em&gt;por n&amp;oacute;s, homens, e para nossa salva&amp;ccedil;&amp;atilde;o desceu dos c&amp;eacute;us e se encarnou pelo Esp&amp;iacute;rito Santo&lt;/em&gt;...&amp;rdquo;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Acrescento isto. Depois de Maria e Jos&amp;eacute;, depois daqueles trinta anos em que o Eterno, que come&amp;ccedil;ou a existir e a crescer no tempo (o Eterno, continuando a ser eterno, come&amp;ccedil;ou a existir e a crescer no tempo e a contar os dias, as horas, os meses e os anos, como qualquer crian&amp;ccedil;a), depois daqueles trinta anos em que viveu em Nazar&amp;eacute;, obedecendo a seu pai e a sua m&amp;atilde;e, come&amp;ccedil;a a miss&amp;atilde;o, quando os dois primeiros, naquela tarde, &amp;agrave;s margens do Jord&amp;atilde;o, o encontraram, quando Jo&amp;atilde;o e Andr&amp;eacute;, depois que Jo&amp;atilde;o Batista indicou &amp;ldquo;Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira os pecados do mundo&amp;rdquo;, foram atr&amp;aacute;s dele. Foram atr&amp;aacute;s dele atra&amp;iacute;dos por Ele. E ent&amp;atilde;o Jesus se volta e a esses dois rapazes &amp;ndash; Andr&amp;eacute; era casado, portanto devia ter alguns anos mais, mas Jo&amp;atilde;o era mesmo um rapazote &amp;ndash;, a esses dois jovens pergunta: &amp;ldquo;O que buscais?&amp;rdquo;. Isso sempre me impressiona. N&amp;atilde;o lhe responderam buscamos a verdade, buscamos a felicidade, n&amp;atilde;o lhe disseram nem mesmo buscamos o Messias. O que o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o buscava eles O tinham &amp;agrave; sua frente. Eles O tinham &amp;agrave; sua frente. O cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; infal&amp;iacute;vel, nisso o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; infal&amp;iacute;vel. H&amp;aacute; uma tese bel&amp;iacute;ssima da teologia cat&amp;oacute;lica que fala da infalibilidade da f&amp;eacute;. A infalibilidade do magist&amp;eacute;rio &amp;eacute; &lt;em&gt;secund&amp;aacute;ria&lt;/em&gt; em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; infalibilidade da f&amp;eacute;. A f&amp;eacute; &amp;eacute; infal&amp;iacute;vel. O que buscavam, o que o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o buscava, eles O tinham &amp;agrave; sua frente. Ent&amp;atilde;o &amp;agrave;quela pergunta, &amp;ldquo;O que buscais?&amp;rdquo;, respondem perguntando a &amp;uacute;nica coisa que algu&amp;eacute;m pode perguntar. Quando algu&amp;eacute;m encontra o que o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o deseja pode apenas pedir que essa coisa permane&amp;ccedil;a. &amp;ldquo;Mestre, onde moras?&amp;rdquo;, ou seja, &amp;ldquo;onde ficas?&amp;rdquo;. Onde ficas, para que eu fique contigo? Publicamente, aqui. Com Maria e Jos&amp;eacute;, digamos, ficava privadamente. Os trinta anos de vida privada, privada mas com muitos epis&amp;oacute;dios p&amp;uacute;blicos: os pastores, depois os Magos, depois quando aos doze anos no Templo... Mas, seja como for, uma hist&amp;oacute;ria particular. Aqui o in&amp;iacute;cio &amp;eacute; da hist&amp;oacute;ria p&amp;uacute;blica, da hist&amp;oacute;ria pela qual esta noite estamos aqui. Por isso existe no mundo essa hist&amp;oacute;ria simples de pessoas que se fascinaram porque O encontraram. &lt;em&gt;Hist&amp;oacute;ria simples&lt;/em&gt;: fascinaram-se porque O encontraram e depois, uma vez encontrado, depende dEle, n&amp;atilde;o depende em primeiro lugar de voc&amp;ecirc;, depende dEle que fique com voc&amp;ecirc;. &amp;Eacute; simples por isso. Caso contr&amp;aacute;rio &amp;ndash; posto que o in&amp;iacute;cio do cristianismo &amp;eacute; gra&amp;ccedil;a (se a pessoa &amp;eacute; crist&amp;atilde;, n&amp;atilde;o pode deixar de dizer isso) &amp;ndash;, se introduz uma outra din&amp;acirc;mica. N&amp;atilde;o! Uma vez encontrado, o que acontece? O que voc&amp;ecirc; fez para encontr&amp;aacute;-Lo? Nada. Ent&amp;atilde;o, veja, n&amp;atilde;o se agite, porque depende dEle. Depende dEle, que o encontrou e continua fiel. Depende dEle, que se mant&amp;eacute;m fiel a voc&amp;ecirc;; n&amp;atilde;o depende em primeiro lugar da sua fidelidade. Depende dEle. &amp;Eacute; simples por isso. &amp;Eacute; simples porque n&amp;atilde;o s&amp;oacute; Ele encontra voc&amp;ecirc;, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; foi Ele que foi ao encontro dos primeiros, mas depende dEle, que ficou com os primeiros, depende dEle, que no dia seguinte se deixou encontrar novamente pelos primeiros, depende dEle, que no dia seguinte mais uma vez...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Andr&amp;eacute; foi para casa naquela noite e disse a seu irm&amp;atilde;o Pedro: &amp;ldquo;Encontramos o Messias&amp;rdquo;. Uma outra coisa que me maravilha &amp;eacute; pensar que Pedro da primeira vez que vislumbrou humanamente o Mist&amp;eacute;rio feito carne foi olhando para o rosto de seu irm&amp;atilde;o. Nunca tinha visto o rosto de Andr&amp;eacute; assim, nunca tinha visto o rosto de seu irm&amp;atilde;o dessa forma, pois a gra&amp;ccedil;a tem um reflexo no humano. A gra&amp;ccedil;a &amp;eacute; vis&amp;iacute;vel. Tem uma fonte invis&amp;iacute;vel, mas tem um reflexo vis&amp;iacute;vel; o reflexo da gra&amp;ccedil;a pode ser visto, pode ser visto e &amp;eacute; inconfund&amp;iacute;vel. &amp;Eacute; infal&amp;iacute;vel o reflexo da gra&amp;ccedil;a, &amp;eacute; inconfund&amp;iacute;vel com qualquer outra beleza. &amp;Eacute; a beleza pela qual o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o foi criado. Ent&amp;atilde;o n&amp;atilde;o apenas &amp;eacute; Ele que se deixa encontrar, mas &amp;eacute; Ele que permanece, tanto assim que no dia seguinte, quando viu Pedro, lhe disse: &amp;ldquo;Tu &amp;eacute;s Sim&amp;atilde;o, filho de Jo&amp;atilde;o, tu te chamar&amp;aacute;s Pedro&amp;rdquo;. E assim, de dois, se tornaram tr&amp;ecirc;s e dessa forma foram adiante durante tr&amp;ecirc;s anos... Assim. Mas pensem naqueles tr&amp;ecirc;s anos, pensem de quem era a iniciativa. N&amp;atilde;o era daqueles que O seguiam, a iniciativa era sempre Sua. Como quando o jovem rico, convidado a segui-Lo, ou melhor, amado por Ele... Jesus o olhou e se enterneceu, quis o seu bem. No entanto o jovem n&amp;atilde;o O segue, e ent&amp;atilde;o Jesus diz que &amp;eacute; imposs&amp;iacute;vel para um rico entrar no Reino dos C&amp;eacute;us, e Pedro lhe pergunta: &amp;ldquo;Mas ent&amp;atilde;o quem se pode salvar?&amp;rdquo;. E aqui est&amp;aacute; uma das mais belas frases do Evangelho: &amp;ldquo;E Jesus, olhando para eles [olhando para eles, n&amp;atilde;o fazendo teologia, olhando para eles] disse: &amp;lsquo;A Deus nada &amp;eacute; imposs&amp;iacute;vel&amp;rsquo;&amp;rdquo;. &lt;em&gt;Olhando para eles&lt;/em&gt;: porque o que lhe era evidente, como Mist&amp;eacute;rio, como homem ele aprendia das coisas que aconteciam, tal como n&amp;oacute;s aprendemos daquilo que acontece. Se Pedro estava ali, se Jo&amp;atilde;o estava ali, se Mateus estava ali (pensava eu hoje, vendo os quadros de Caravaggio, pensava na &lt;em&gt;Voca&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Mateus&lt;/em&gt; de Caravaggio, em S&amp;atilde;o Lu&amp;iacute;s dos Franceses, em Roma), se Zaqueu tinha descido cheio de alegria, isso significa que a Deus nada &amp;eacute; imposs&amp;iacute;vel. Pois Mateus era rico, ali&amp;aacute;s, recolhia dinheiro para os invasores romanos, e Zaqueu, o mais rico de Jeric&amp;oacute;... se eles estavam ali, isso significa que a Deus nada &amp;eacute; imposs&amp;iacute;vel. Jesus tamb&amp;eacute;m, como homem, aprendeu a natureza do Mist&amp;eacute;rio a partir daquilo que acontecia. O que, como Deus, ele conhecia, aprendeu como homem pela experi&amp;ecirc;ncia. Diz S&amp;atilde;o Bernardo numa das frases mais estupendas sobre o mist&amp;eacute;rio de Jesus: o que por natureza conhecia desde a eternidade (que a Deus nada &amp;eacute; imposs&amp;iacute;vel), ele o aprendeu pela experi&amp;ecirc;ncia humana. Ele tamb&amp;eacute;m se surpreendeu quando viu Zaqueu descer correndo. Pensem no epis&amp;oacute;dio de Zaqueu. Esse pequeno homem que teve de subir na &amp;aacute;rvore para v&amp;ecirc;-lo passar. Esse pequeno homem que era o chefe das quadrilhas ilegais da cidade de Jeric&amp;oacute;, e Jesus, passando, olha para ele e lhe diz: &amp;ldquo;Zaqueu, vou a tua casa&amp;rdquo;. N&amp;atilde;o disse nada, n&amp;atilde;o lhe respondeu nada. Cheio de alegria desceu. E depois distribuiu quatro vezes o que havia roubado. Mas depois, depois! De imediato, cheio de alegria, desceu e correu a sua casa. Ent&amp;atilde;o &amp;eacute; simples, &amp;eacute; simples n&amp;atilde;o apenas porque o in&amp;iacute;cio &amp;eacute; gra&amp;ccedil;a, mas porque cada passo &amp;eacute; gra&amp;ccedil;a. Diz Santo Tom&amp;aacute;s numa de suas frases mais belas (a Igreja Cat&amp;oacute;lica, usando tamb&amp;eacute;m essa frase, no ano passado, assinou um documento com os luteranos em que dizia que sobre aspectos essenciais da doutrina da justifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o os cat&amp;oacute;licos e os protestantes reconhecem a mesma coisa): &amp;ldquo;&lt;em&gt;Gratia facit fidem&lt;/em&gt;&amp;rdquo;, a gra&amp;ccedil;a cria a f&amp;eacute;. A f&amp;eacute; &amp;eacute; o reconhecimento dessa atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a f&amp;eacute; &amp;eacute; o reconhecimento desse encontro, a f&amp;eacute; &amp;eacute; a surpresa reconhecida desse encontro. &amp;ldquo;&lt;em&gt;Gratia facit fidem non solum quando fides incipit esse in homine&lt;/em&gt;&amp;rdquo;, a gra&amp;ccedil;a cria a f&amp;eacute; n&amp;atilde;o apenas quando a f&amp;eacute; come&amp;ccedil;a a existir num homem, &amp;ldquo;&lt;em&gt;sed quamdiu fides durat&lt;/em&gt;&amp;rdquo;, mas a cada momento em que a f&amp;eacute; permanece. A cada momento, n&amp;atilde;o apenas no in&amp;iacute;cio, a cada momento a iniciativa &amp;eacute; Sua.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Esta tarde visitei a mostra de Caravaggio, aqui em B&amp;eacute;rgamo. Bel&amp;iacute;ssima. Fomos guiados por um sacerdote que muito humanamente, de maneira muito bela, descrevia as coisas. A certa altura, por&amp;eacute;m, ele disse que Caravaggio exprime a dificuldade da f&amp;eacute;. Eu n&amp;atilde;o diria isso. A f&amp;eacute;, quando acontece, nunca &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil. &amp;Eacute; f&amp;aacute;cil a &amp;ldquo;falta de f&amp;eacute;&amp;rdquo;. Isto sim, a &amp;ldquo;falta de f&amp;eacute;&amp;rdquo; &amp;eacute; fac&amp;iacute;lima. &amp;ldquo;Homens de pouca f&amp;eacute;, por que duvidais?&amp;rdquo; &amp;Eacute; fac&amp;iacute;lima, at&amp;eacute; para aqueles que O seguiam, &amp;eacute; fac&amp;iacute;lima a &amp;ldquo;falta de f&amp;eacute;&amp;rdquo;, &amp;eacute; fac&amp;iacute;lima a d&amp;uacute;vida, &amp;eacute; fac&amp;iacute;lima a blasf&amp;ecirc;mia, isto sim. Pois a gra&amp;ccedil;a do Batismo cancela o pecado original, mas n&amp;atilde;o as consequ&amp;ecirc;ncias do pecado original. &amp;Eacute; fac&amp;iacute;lima a &amp;ldquo;falta de f&amp;eacute;&amp;rdquo;, fac&amp;iacute;lima a d&amp;uacute;vida, &amp;eacute; fac&amp;iacute;lima a trai&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Pensem em Pedro: &amp;ldquo;Mesmo que todos te abandonassem, eu nunca te abandonaria&amp;rdquo;. Tr&amp;ecirc;s horas depois... Tr&amp;ecirc;s horas depois! Em primeiro lugar, meia hora depois, tinha adormecido. E depois, tr&amp;ecirc;s horas mais tarde, O traiu. &amp;Eacute; fac&amp;iacute;lima a trai&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Mas a f&amp;eacute; &amp;eacute; mais f&amp;aacute;cil. &amp;Eacute; mais f&amp;aacute;cil a f&amp;eacute;. Sen&amp;atilde;o, significa que n&amp;atilde;o sabemos o que &amp;eacute;. &amp;Eacute; mais f&amp;aacute;cil, pois quando Jesus, depois da trai&amp;ccedil;&amp;atilde;o, olhou para ele, era mais f&amp;aacute;cil explodir em pranto, mais f&amp;aacute;cil que qualquer outra coisa. A f&amp;eacute; &amp;eacute; mais f&amp;aacute;cil. N&amp;atilde;o existe uma f&amp;eacute; dif&amp;iacute;cil. &amp;Eacute; mais f&amp;aacute;cil. &amp;Eacute; uma imagem n&amp;atilde;o crist&amp;atilde; de f&amp;eacute; dizer que a f&amp;eacute; &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil. &amp;Eacute; mais f&amp;aacute;cil, &amp;eacute; ainda mais f&amp;aacute;cil que a trai&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Pensem naquele pobre homem que era Pedro, naquele pobre pecador que era Pedro: quando Jesus olhou para ele, foi a coisa mais f&amp;aacute;cil da vida estourar em l&amp;aacute;grimas, foi a coisa mais f&amp;aacute;cil da vida p&amp;ocirc;r-se a chorar. Foi a coisa mais f&amp;aacute;cil da vida dizer: &amp;ldquo;Como me queres bem, como me queres bem! No entanto, eu te tra&amp;iacute;&amp;rdquo;. &amp;Eacute; f&amp;aacute;cil a f&amp;eacute;, &amp;eacute; f&amp;aacute;cil. N&amp;atilde;o existe f&amp;eacute; (este &amp;eacute; um dogma de f&amp;eacute;), n&amp;atilde;o existe f&amp;eacute; se o Esp&amp;iacute;rito Santo n&amp;atilde;o doa a do&amp;ccedil;ura (fala de do&amp;ccedil;ura; a do&amp;ccedil;ura n&amp;atilde;o pode ser dif&amp;iacute;cil, seria uma coisa desumana), a do&amp;ccedil;ura de aderir. &amp;Eacute; o Esp&amp;iacute;rito, &amp;eacute; a gra&amp;ccedil;a que doa a do&amp;ccedil;ura de aderir. Usa a palavra do&amp;ccedil;ura: mais f&amp;aacute;cil que isso! &amp;Eacute; f&amp;aacute;cil a f&amp;eacute;. No instante seguinte, podemos n&amp;atilde;o crer. No instante seguinte, podemos blasfemar, no instante seguinte podemos correr atr&amp;aacute;s do dinheiro, da lux&amp;uacute;ria e do poder. Mas, se experimentamos essa do&amp;ccedil;ura, podemos correr atr&amp;aacute;s como todo o mundo, mas essa do&amp;ccedil;ura &amp;eacute; a coisa mais f&amp;aacute;cil, &amp;eacute; a coisa mais f&amp;aacute;cil. E p&amp;ocirc;r-se a chorar depois de ter corrido atr&amp;aacute;s da lux&amp;uacute;ria, do dinheiro, do poder, p&amp;ocirc;r-se a chorar, porque essa do&amp;ccedil;ura se reapresenta, porque esse olhar volta a olhar para voc&amp;ecirc;, p&amp;ocirc;r-se a chorar &amp;eacute; a coisa mais f&amp;aacute;cil. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; coisa mais f&amp;aacute;cil para a crian&amp;ccedil;a, que, depois de todos os caprichos deste mundo, se abandona nos bra&amp;ccedil;os do pai e da m&amp;atilde;e; n&amp;atilde;o h&amp;aacute; coisa mais f&amp;aacute;cil. Voc&amp;ecirc;s dizem que &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil para a crian&amp;ccedil;a? Seria uma coisa desumana se n&amp;atilde;o se abandonasse. &amp;Eacute; a coisa mais f&amp;aacute;cil deste mundo abandonar-se nos bra&amp;ccedil;os do pai e da m&amp;atilde;e.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Caravaggio, &amp;lt;I&amp;gt;A vocação de Pedro e André&amp;lt;/I&amp;gt;, Royal Gallery Collection, Hampton Court Palace, Londres&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/14-04-012.jpg &quot; style=&quot;float: right; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 325px; height: 231px;&quot; /&gt;Queria dizer uma &amp;uacute;ltima coisa. O que pede ao homem essa gra&amp;ccedil;a sem a qual o homem nada faz? &amp;ldquo;&lt;em&gt;Que a Tua gra&amp;ccedil;a sempre nos preceda e acompanhe&lt;/em&gt;&amp;rdquo;, diz uma das ora&amp;ccedil;&amp;otilde;es da Igreja. &lt;em&gt;Lex orandi legem statuat credendi&lt;/em&gt;, dizia a antiga f&amp;oacute;rmula que Pio XII citou, mas, talvez prevendo o que aconteceria, trocou depois por &lt;em&gt;Lex credendi legem statuat orandi&lt;/em&gt;, ou seja, que a lei da f&amp;eacute; estabele&amp;ccedil;a a lei da ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Por&amp;eacute;m, a antiga f&amp;oacute;rmula dizia que &amp;eacute; a lei da ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o que estabelece a lei da f&amp;eacute;. Santo Agostinho, para responder aos pelagianos, usa normalmente este argumento: voc&amp;ecirc;s dizem que a f&amp;eacute; n&amp;atilde;o &amp;eacute; gra&amp;ccedil;a, ent&amp;atilde;o por que a Igreja roga que um n&amp;atilde;o crente se converta? Ou essas ora&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o &lt;em&gt;por modo de dizer&lt;/em&gt; ou &amp;eacute; Deus que converte o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Voc&amp;ecirc;s dizem que permanecer na f&amp;eacute; n&amp;atilde;o &amp;eacute; gra&amp;ccedil;a, mas ent&amp;atilde;o por que pedimos na ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Senhor que n&amp;atilde;o nos deixe cair em tenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o? Se fosse capacidade nossa vencer a tenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o rezar&amp;iacute;amos pedindo n&amp;atilde;o cair em tenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Portanto, isso significa que n&amp;atilde;o deixar-se vencer pela tenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; gra&amp;ccedil;a. Ou a Igreja diz as suas ora&amp;ccedil;&amp;otilde;es &lt;em&gt;por modo de dizer&lt;/em&gt; ou voc&amp;ecirc;s t&amp;ecirc;m de aceitar, diz Agostinho aos hereges pelagianos, que cada passo da vida crist&amp;atilde; &amp;eacute; gra&amp;ccedil;a; do contr&amp;aacute;rio, teriam de eliminar as ora&amp;ccedil;&amp;otilde;es da Igreja. &amp;ldquo;&lt;em&gt;Que a Tua gra&amp;ccedil;a sempre nos preceda e acompanhe, &amp;oacute; Senhor&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Ent&amp;atilde;o, que cabe ao homem neste caminho em que a iniciativa &amp;eacute; Sua? &amp;ldquo;Se n&amp;atilde;o tomas a iniciativa, eu nada fa&amp;ccedil;o&amp;rdquo;, dizia na v&amp;eacute;spera da sua morte inesperada o papa Luciani. Na quinta-feira &amp;agrave; noite morreu e na quarta-feira tinha feito o gesto que toda quarta-feira o papa faz, falando da caridade. Gesto todo centrado nesta coisa: se Tu n&amp;atilde;o tomas a iniciativa, eu nada fa&amp;ccedil;o. E dizia: que significa tomar a iniciativa (e citava Santo Agostinho, uma das frases mais fant&amp;aacute;sticas de Agostinho)? N&amp;atilde;o significa apenas que atrai a minha liberdade, mas significa tamb&amp;eacute;m que me concede estar contente por ser atra&amp;iacute;do. N&amp;atilde;o s&amp;oacute; me atrai, mas me d&amp;aacute; o prazer (Agostinho diz realmente &lt;em&gt;voluptas&lt;/em&gt;, prazer) de ser atra&amp;iacute;do. Se n&amp;atilde;o me d&amp;aacute; o prazer de aderir, se n&amp;atilde;o me d&amp;aacute; o prazer de ir atr&amp;aacute;s dEle, n&amp;atilde;o posso ir atr&amp;aacute;s dEle. N&amp;atilde;o s&amp;oacute; atrai a vontade, mas doa o prazer de ser atra&amp;iacute;do. &amp;Eacute; uma das p&amp;aacute;ginas mais bonitas do magist&amp;eacute;rio ordin&amp;aacute;rio da Igreja, esse discurso sobre a caridade do papa Luciani h&amp;aacute; vinte e dois anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Mas ent&amp;atilde;o o que &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel ao homem? Digo-o com as palavras de Dom Giussani num artigo sobre o Santo Ros&amp;aacute;rio publicado em 30 de abril no jornal &lt;em&gt;Avvenire&lt;/em&gt; (na minha opini&amp;atilde;o, uma das coisas absolutamente mais belas, n&amp;atilde;o apenas de Dom Giussani, mas de toda a Igreja nestas d&amp;eacute;cadas): &amp;ldquo;A resposta a essa gra&amp;ccedil;a est&amp;aacute; toda na ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que somos capazes&amp;rdquo;. A resposta a essa gra&amp;ccedil;a (que n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; o in&amp;iacute;cio, mas est&amp;aacute; em cada passo) est&amp;aacute; toda na ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que somos capazes. A nossa resposta &amp;eacute; uma ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, &amp;eacute; um pedido. A nossa resposta &amp;eacute; a surpresa de um pedido, um pedido como o de Jo&amp;atilde;o e Andr&amp;eacute;: &amp;ldquo;Onde ficas?&amp;rdquo; Diante de uma coisa t&amp;atilde;o bela, a nossa resposta &amp;eacute;: &amp;ldquo;Fica!&amp;rdquo;. Diante de uma do&amp;ccedil;ura t&amp;atilde;o grande, a nossa resposta &amp;eacute;: &amp;ldquo;N&amp;atilde;o nos abandones, fica!&amp;rdquo;. Toda a nossa resposta &amp;eacute; essa, e &amp;eacute; toda a resposta da crian&amp;ccedil;a quando o pai e a m&amp;atilde;e lhe querem bem. &amp;ldquo;&lt;em&gt;A nossa resposta &amp;eacute; uma ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o &amp;eacute; uma capacidade particular, &amp;eacute; apenas o &amp;iacute;mpeto da ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Pode ser o choro da crian&amp;ccedil;a que pede ao pai e &amp;agrave; m&amp;atilde;e que lhe queiram bem. O choro. Na antiga liturgia havia uma missa para pedir o dom das l&amp;aacute;grimas. Pedimos muito mais com as l&amp;aacute;grimas que com as palavras. O &amp;iacute;mpeto, o &amp;iacute;mpeto de um pedido. &lt;em&gt;Habet et laetitia lacrimas suas&lt;/em&gt;. Santo Ambr&amp;oacute;sio diz isso. Quando a pessoa est&amp;aacute; contente com essa do&amp;ccedil;ura, essa let&amp;iacute;cia tamb&amp;eacute;m tem suas l&amp;aacute;grimas. No fundo a alegria se exprime somente chorando. Assim diz Giussani naquele artigo: &amp;ldquo;A nossa resposta &amp;eacute; uma ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma capacidade particular, &amp;eacute; apenas o &amp;iacute;mpeto da ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo;. Depois acrescenta Giussani (quero ler esta coisa porque retoma P&amp;eacute;guy, com quem iniciamos): &amp;ldquo;Entramos no m&amp;ecirc;s de maio [agora estamos na novena de Natal]. O povo crist&amp;atilde;o h&amp;aacute; s&amp;eacute;culos foi aben&amp;ccedil;oado [o in&amp;iacute;cio &amp;eacute; Seu: aben&amp;ccedil;oado] e confirmado no seu estar protendido para a salva&amp;ccedil;&amp;atilde;o [confirmado: porque, se Ele n&amp;atilde;o confirma, mesmo que O tenhamos encontrado, n&amp;atilde;o permanecemos no encontro. &amp;Eacute; isso que diz a simplicidade da Tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Por exemplo, um dogma do Conc&amp;iacute;lio de Trento diz: &amp;ldquo;Se algu&amp;eacute;m est&amp;aacute; em estado de gra&amp;ccedil;a, n&amp;atilde;o pode permanecer em estado de gra&amp;ccedil;a sem uma ajuda especial da gra&amp;ccedil;a&amp;rdquo;. Voc&amp;ecirc;s entendem como toda a vida crist&amp;atilde; &amp;eacute; sustentada pela iniciativa dEle? Se algu&amp;eacute;m est&amp;aacute; em estado de gra&amp;ccedil;a, n&amp;atilde;o pode pedir sem uma especial ajuda da gra&amp;ccedil;a; sem uma atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o que se renova, n&amp;atilde;o permanece nessa atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel viver de um amor passado, n&amp;atilde;o &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel viver da atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ontem, nem da atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um instante atr&amp;aacute;s. N&amp;atilde;o &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel. S&amp;oacute; vivemos do presente. Portanto, se algu&amp;eacute;m est&amp;aacute; em estado de gra&amp;ccedil;a, para permanecer em estado de gra&amp;ccedil;a &amp;eacute; preciso a renova&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessa ajuda especial]. O povo crist&amp;atilde;o por s&amp;eacute;culos foi aben&amp;ccedil;oado e confirmado no seu estar protendido para a salva&amp;ccedil;&amp;atilde;o, eu creio, especialmente por uma coisa: o Santo Ros&amp;aacute;rio&amp;rdquo;. &amp;Eacute; simples a vida crist&amp;atilde;, &amp;eacute; simples. Depois de d&amp;eacute;cadas de tantas palavras, de tantas lutas, de tantos desafios... Havia um &amp;acirc;ngelus do papa Luciani que dizia: &amp;ldquo;&lt;em&gt;Menos batalhas e mais ora&amp;ccedil;&amp;otilde;es&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. O povo crist&amp;atilde;o foi aben&amp;ccedil;oado e confirmado, eu creio, por uma coisa: a ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Santo Ros&amp;aacute;rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	E termino lendo alguns versos da poesia de P&amp;eacute;guy com que comecei. Descreve a perman&amp;ecirc;ncia dessa gra&amp;ccedil;a. &amp;ldquo;&lt;em&gt;Eis o lugar do mundo onde tudo se torna f&amp;aacute;cil&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. F&amp;aacute;cil tamb&amp;eacute;m o pecado, tamb&amp;eacute;m a trai&amp;ccedil;&amp;atilde;o, como em Pedro. F&amp;aacute;cil tamb&amp;eacute;m a tenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de correr atr&amp;aacute;s da lux&amp;uacute;ria, da usura e do poder. Mas f&amp;aacute;cil ser reabra&amp;ccedil;ados. E chorar de gratid&amp;atilde;o. Mais f&amp;aacute;cil. A diferen&amp;ccedil;a &amp;eacute; que quem n&amp;atilde;o faz experi&amp;ecirc;ncia disso n&amp;atilde;o sabe dessa coisa mais f&amp;aacute;cil. Sabe de todas as outras coisas, mas n&amp;atilde;o sabe dessa coisa mais f&amp;aacute;cil. Mais f&amp;aacute;cil, mais bela, mais simples. Tudo se torna f&amp;aacute;cil. &amp;ldquo;&lt;em&gt;O arrependimento, a partida e tamb&amp;eacute;m o acontecimento&lt;/em&gt;.&amp;rdquo; At&amp;eacute; o reacontecer dessa surpresa &amp;eacute; f&amp;aacute;cil: no Para&amp;iacute;so ser&amp;aacute; perene, aqui &amp;eacute; f&amp;aacute;cil, aqui &amp;eacute; f&amp;aacute;cil que reaconte&amp;ccedil;a, n&amp;atilde;o perene. E diz ainda Santo Agostinho: o Senhor tamb&amp;eacute;m aos Seus eleitos, aos Seus santos pode n&amp;atilde;o dar em alguns momentos a atra&amp;ccedil;&amp;atilde;o fascinante a Si, para que assim, experimentando serem pecadores, ponham nEle a esperan&amp;ccedil;a e n&amp;atilde;o neles mesmos. &amp;ldquo;&lt;em&gt;E o adeus tempor&amp;aacute;rio, a separa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, / O &amp;uacute;nico canto da terra em que tudo se faz d&amp;oacute;cil. &lt;/em&gt;[...] &lt;em&gt;O que por toda parte requer um exame / Aqui nada mais &amp;eacute; que o efeito de uma indefesa juventude&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. O que por toda parte requer um exame, pelo qual voc&amp;ecirc; deve demonstrar que &amp;eacute; bom... At&amp;eacute; em casa &amp;eacute; assim, muitas vezes. Voc&amp;ecirc; tem de demonstrar que &amp;eacute; bom. E n&amp;atilde;o pode ser um pobre pecador. Tem de demonstrar que &amp;eacute; bom. Assim, ao fato de ser pecador como todos, acrescenta tamb&amp;eacute;m a hipocrisia, que &amp;eacute; pecado mais grave, o dos fariseus. &amp;ldquo;&lt;em&gt;O que por toda parte requer um exame / Aqui nada mais &amp;eacute; que o efeito de uma indefesa juventude. / O que por toda parte pede um adiamento / Aqui nada mais &amp;eacute; que uma presente fragilidade. // O que por toda parte requer um atestado / Aqui nada mais &amp;eacute; que o fruto de uma pobre ternura. / O que por toda parte pede um toque de destreza/ Aqui nada mais &amp;eacute; que o fruto de uma humilde incapacidade&lt;/em&gt;[...]. &lt;em&gt;O que por toda parte &amp;eacute; obriga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de regra / Aqui nada mais &amp;eacute; que um &amp;iacute;mpeto e um abandono&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Como diz Giussani. S&amp;oacute; o &amp;iacute;mpeto da ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, s&amp;oacute; o &amp;iacute;mpeto do pedido. Como a crian&amp;ccedil;a que durante o dia pode quebrar muitos copos. Quebrasse ela mil copos e mil vezes diria &amp;ldquo;mam&amp;atilde;e, ajude-me a n&amp;atilde;o quebr&amp;aacute;-lo&amp;rdquo;; esse &amp;eacute; o homem crist&amp;atilde;o. &amp;ldquo;Mam&amp;atilde;e, ajuda-me a n&amp;atilde;o quebr&amp;aacute;-lo.&amp;rdquo; E &amp;eacute; mais f&amp;aacute;cil, mais f&amp;aacute;cil para a crian&amp;ccedil;a dizer nos bra&amp;ccedil;os da m&amp;atilde;e: &amp;ldquo;Mam&amp;atilde;e, ajuda-me a n&amp;atilde;o quebr&amp;aacute;-lo&amp;rdquo;, que quebrar o copo. &amp;ldquo;&lt;em&gt;O que por toda parte &amp;eacute; obriga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de regra / Aqui nada mais &amp;eacute; que um &amp;iacute;mpeto e um abandono; / O que por toda parte &amp;eacute; uma dura pena / Aqui nada mais &amp;eacute; que uma fraqueza que &amp;eacute; soerguida.&lt;/em&gt; [...] &lt;em&gt;O que por toda parte seria um duro esfor&amp;ccedil;o / Aqui nada mais &amp;eacute; que simplicidade e paz; / O que por toda parte &amp;eacute; a casca rugosa / Aqui nada mais &amp;eacute; que a seiva e as l&amp;aacute;grimas da trepadeira.&lt;/em&gt; [...] &lt;em&gt;O que por toda parte &amp;eacute; um bem perec&amp;iacute;vel / Aqui nada mais &amp;eacute; que paz e veloz desimpedimento; / O que por toda parte &amp;eacute; um empertigar-se / Aqui nada mais &amp;eacute; que uma rosa e uma pegada na areia.&lt;/em&gt; [...] &lt;em&gt;Disseram-nos tanta coisa, &amp;oacute; Rainha dos Ap&amp;oacute;stolos/ Perdemos o gosto pelos discursos / J&amp;aacute; n&amp;atilde;o temos altares, a n&amp;atilde;o ser os vossos / Nada mais sabemos sen&amp;atilde;o uma ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o simples&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. Bom Natal.&lt;/p&gt;
</description>
            <author>pelo Padre Giacomo Tantardini</author>
        </item>
        <item>
            <title>
	O Prefeito das Igrejas &amp;ldquo;jovens&amp;rdquo;
</title>
            <link>http://www.30giorni.it/articoli_id_78452_l6.htm</link>
            <description>&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Fernando Filoni&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/61-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 250px; height: 365px;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Fernando Filoni nasceu em 15 de abril de 1946 em Manduria, prov&amp;iacute;ncia de Taranto, em uma fam&amp;iacute;lia na qual o pai prestava servi&amp;ccedil;o na Pol&amp;iacute;cia da Guarda Fiscal. Completou seus estudos de segundo grau em Molfetta, no semin&amp;aacute;rio regional da Ap&amp;uacute;lia &amp;ldquo;Pio XI&amp;rdquo; e os de Teologia em Viterbo, no semin&amp;aacute;rio Santa Maria della Quercia. Foi ordenado sacerdote por Antonio Rosario Mennonna, bispo de Nard&amp;ograve;, em 3 de julho de 1970. Depois transferiu-se a Roma, onde frequentou a Pontif&amp;iacute;cia Universidade Lateranense, graduando-se em Direito Can&amp;ocirc;nico, e a Universidade estatal La Sapienza, onde graduou-se em Filosofia. Junto &amp;agrave; Pro Deo (hoje Libera Universit&amp;agrave; Internazionale degli Studi Sociali) obteve o diploma superior em Ci&amp;ecirc;ncias e T&amp;eacute;cnicas da Opini&amp;atilde;o P&amp;uacute;blica, especializando-se em jornalismo. No final de seus estudos, o cardeal vig&amp;aacute;rio de Roma, Ugo Poletti, fez-lhe a proposta de entrar na Pontif&amp;iacute;cia Academia Eclesi&amp;aacute;stica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Em 1981 iniciou a sua miss&amp;atilde;o diplom&amp;aacute;tica a servi&amp;ccedil;o da Santa S&amp;eacute; em Sri Lanka. Depois foi destinado ao Ir&amp;atilde; de 1983 at&amp;eacute; 1985. Depois de alguns anos de servi&amp;ccedil;os prestados na Secretaria de Estado, em 1989 foi transferido para o Brasil, onde permaneceu at&amp;eacute; 1992, quando come&amp;ccedil;ou a residir em Hong Kong. Na ent&amp;atilde;o col&amp;ocirc;nia brit&amp;acirc;nica a Santa S&amp;eacute; tinha aberto uma &amp;ldquo;Miss&amp;atilde;o de estudo&amp;rdquo; &amp;ndash; formalmente ligada com a nunciatura das Filipinas &amp;ndash; para seguir de perto a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Igreja na China. A sua perman&amp;ecirc;ncia em Hong Kong durou at&amp;eacute; janeiro de 2001, quando Jo&amp;atilde;o Paulo II nomeou-o arcebispo titular de Volturno e n&amp;uacute;ncio pontif&amp;iacute;cio na Jord&amp;acirc;nia e no Iraque. Estava em Bagd&amp;aacute; durante os &amp;uacute;ltimos dois anos do regime de Saddam Hussein, e depois durante a guerra e os tr&amp;ecirc;s anos seguintes, at&amp;eacute; mar&amp;ccedil;o de 2006, quando Bento XVI nomeou-o n&amp;uacute;ncio nas Filipinas. Em junho de 2007 foi nomeado substituto da Secretaria de Estado, cargo que teve at&amp;eacute; 10 de maio de 2011, dia da sua nomea&amp;ccedil;&amp;atilde;o a prefeito da Congrega&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a Evangeliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos Povos. Bento XVI criou-o cardeal no Consist&amp;oacute;rio ordin&amp;aacute;rio p&amp;uacute;blico de 18 de fevereiro de 2012.&lt;/p&gt;
</description>
            <author>por Gianni Valente</author>
        </item>
        <item>
            <title>
	Um patriarca para o povo
</title>
            <link>http://www.30giorni.it/articoli_id_78454_l6.htm</link>
            <description>&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Francesco Moraglia [© Cid/Gente Veneta]&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/80-04-9012.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 275px; height: 332px;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Francesco Moraglia, segundo filho de quatro irm&amp;atilde;os (duas mulheres e dois homens), nasceu em G&amp;ecirc;nova dia 25 de maio de 1953. Seu pai era advogado &amp;ndash; falecido em fevereiro passado &amp;ndash; e sua m&amp;atilde;e professora e depois dona de casa. Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1977.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Em 1979 foi nomeado vice-p&amp;aacute;roco de uma par&amp;oacute;quia do centro de G&amp;ecirc;nova, cargo que manteve at&amp;eacute; o final de 1988. Em 1981 obteve o doutorado em Teologia Dogm&amp;aacute;tica e em 1986 come&amp;ccedil;ou a dar aulas no Instituto Superior de Ci&amp;ecirc;ncias Religiosas da Lig&amp;uacute;ria, lecionando Teologia Dogm&amp;aacute;tica Fundamental e Teologia Sacrament&amp;aacute;ria. De 1994 e at&amp;eacute; 2007 foi tamb&amp;eacute;m diretor do mesmo Instituto. A partir do final da d&amp;eacute;cada de Oitenta deu aulas tamb&amp;eacute;m de Cristologia, Antropologia, Teologia Sacrament&amp;aacute;ria e Hist&amp;oacute;ria da Teologia na Faculdade Teol&amp;oacute;gica da It&amp;aacute;lia Setentrional, se&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Semin&amp;aacute;rio de G&amp;ecirc;nova.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	De 1990 at&amp;eacute; 2007 foi assistente diocesano do MEIC (Movimento eclesial de empenho cultural). A partir de 1995 foi nomeado diretor da Comiss&amp;atilde;o diocesana para os problemas pastorais dos movimentos religiosos alternativos e das seitas, e tamb&amp;eacute;m &amp;ndash; a partir de 1996 &amp;ndash; diretor do Departamento diocesano para a cultura e a universidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Em 6 de dezembro de 2007 foi nomeado bispo da sede principal de La Spezia &amp;ndash; Sarzana &amp;ndash; Brugnato. Foi ordenado bispo pelo cardeal Angelo Bagnasco em 3 de fevereiro de 2008.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Em abril de 2010 foi nomeado diretor do conselho de administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Cultura da Confer&amp;ecirc;ncia Episcopal Italiana, da qual depende TV2000.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Bento XVI nomeou-o patriarca de Veneza em 31 de janeiro de 2012. No dia 29 de maio de 2012 foi eleito presidente da Confer&amp;ecirc;ncia Episcopal do Triv&amp;ecirc;neto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Paralelamente &amp;agrave; entrada e aos primeiros meses de minist&amp;eacute;rio pastoral em Veneza, ao novo Patriarca j&amp;aacute; foram dedicados dois instant-bookeditados pela Cid/Gente Veneta: &lt;em&gt;Francesco, Patriarca dei due mari&lt;/em&gt; (com o pref&amp;aacute;cio de Dino Boffo) e &lt;em&gt;Con voi e per voi&lt;/em&gt; (com pref&amp;aacute;cio de padre Sandro Vigani). Destes livros foram extra&amp;iacute;das algumas fotos destas p&amp;aacute;ginas.&lt;/p&gt;
</description>
            <author>por Gianni Valente</author>
        </item>
        <item>
            <title>
	O que faz que sejamos um
</title>
            <link>http://www.30giorni.it/articoli_id_78456_l6.htm</link>
            <description>&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;A santa missa celebrada pelo cardeal Donald Wuerl, em 18 de abril de 2012 na Basílica romana de São Pedro in Vincoli por ocasião da peregrinação a Roma da Papal Foundation [© Paolo Galosi]&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/68-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 350px; height: 185px;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Viemos juntos &amp;agrave; esta antiga e hist&amp;oacute;rica igreja romana para que a nossa f&amp;eacute; seja renovada. O que nos faz vir aqui nessa manh&amp;atilde; &amp;eacute; um gesto de f&amp;eacute; pessoal, e estamos aqui porque precisamos. Precisamos ouvir mais uma vez a proclama&amp;ccedil;&amp;atilde;o que est&amp;aacute; no cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o da nossa f&amp;eacute;: Cristo ressuscitou!&lt;br /&gt;
	No domingo de P&amp;aacute;scoa, com alegria e exulta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a Igreja em todas as partes do mundo repetiu mais uma vez, como faz por vinte s&amp;eacute;culos: &amp;ldquo;Cristo ressuscitou!&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	Hoje n&amp;oacute;s continuamos a proclam&amp;aacute;-lo e vimos todos juntos para celebrar a ressurrei&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Jesus por duas raz&amp;otilde;es: reafirmar a nossa f&amp;eacute; pessoal na ressurrei&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Jesus e alegrarmo-nos pelo quanto ela significa para cada um de n&amp;oacute;s: uma vida nova em Cristo. N&amp;oacute;s n&amp;atilde;o est&amp;aacute;vamos ao lado do sepulcro vazio da Ressurrei&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por isso temos necessidade de ouvir novamente o testemunho dos que estavam presentes.&lt;br /&gt;
	A pedra angular para todas aquelas gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es e gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de testemunhas da ressurrei&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Jesus est&amp;aacute; aqui em Roma, a cidade de Pedro, ele, rocha sobre a qual o nosso testemunho se apoia.&lt;br /&gt;
	No contexto da celebra&amp;ccedil;&amp;atilde;o da P&amp;aacute;scoa celebramos essa missa tamb&amp;eacute;m em honra de S&amp;atilde;o Pedro, chefe dos ap&amp;oacute;stolos e vig&amp;aacute;rio de Cristo. A voz, a mensagem e o ensinamento de Pedro continuam ainda hoje a ressoar nos nossos cora&amp;ccedil;&amp;otilde;es, porque ressoam em todo o mundo. Pedro &amp;eacute; a pedra angular da proclama&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Ressurrei&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e todos n&amp;oacute;s temos uma liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o particular com Roma, porque Pedro continua a viver e a exercer o seu minist&amp;eacute;rio aqui. N&amp;oacute;s, que viemos de v&amp;aacute;rias partes dos Estados Unidos reconhecemos a miss&amp;atilde;o &amp;uacute;nica de Pedro.&lt;br /&gt;
	Esta missa evoca-nos a grande gratid&amp;atilde;o que deve preencher os nossos cora&amp;ccedil;&amp;otilde;es: agradecemos a Deus pelo dom da f&amp;eacute;. Na primeira leitura de hoje, da primeira Carta de Pedro, &amp;eacute;-nos dito como olhar aos presb&amp;iacute;teros, &amp;agrave;queles que s&amp;atilde;o o exemplo do rebanho tanto pela f&amp;eacute; quanto pelo minist&amp;eacute;rio.&lt;br /&gt;
	N&amp;oacute;s somos gente de f&amp;eacute;. Aquilo que nos identifica como comunidade &amp;eacute; exatamente o dom da f&amp;eacute;, pela qual cada um de n&amp;oacute;s deve ser profundamente agradecido. E como gente de f&amp;eacute; n&amp;oacute;s reconhecemos o grande dom que Jesus nos faz: a sua Igreja, o seu novo corpo. Quando agradecemos a Deus pelas suas t&amp;atilde;o numerosas b&amp;ecirc;n&amp;ccedil;&amp;atilde;os, inclu&amp;iacute;mos tamb&amp;eacute;m o dom da Igreja, presen&amp;ccedil;a de Cristo que continua no mundo ainda hoje. E damos gra&amp;ccedil;as tamb&amp;eacute;m pelo nosso Santo Padre, chefe vis&amp;iacute;vel da Igreja, pedra angular da nossa f&amp;eacute; e da nossa unidade.&lt;br /&gt;
	Dois anos atr&amp;aacute;s, em novembro, tive o privil&amp;eacute;gio de concelebrar com o Papa na Bas&amp;iacute;lica de S&amp;atilde;o Pedro. No dia anterior tinha recebido de suas m&amp;atilde;os a bula papal de nomea&amp;ccedil;&amp;atilde;o para esta antiga e hist&amp;oacute;rica igreja [S&amp;atilde;o Pedro in Vincoli em Roma, da qual o cardeal Wuerl &amp;eacute; o arcebispo titular, &lt;em&gt;ndr&lt;/em&gt;]. &amp;Eacute; uma das somente duas antigas igrejas de Roma que leva o nome de Pedro &amp;ndash; S&amp;atilde;o Pedro no Vaticano e S&amp;atilde;o Pedro in Vincoli. Aquela cerim&amp;ocirc;nia exaltava muito bem a liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o que cada um dos cardeais t&amp;ecirc;m com Roma &amp;ndash; como padre de uma das par&amp;oacute;quias romanas &amp;ndash; e como bispo de Roma, Pedro.&lt;br /&gt;
	Ao inv&amp;eacute;s, quatro anos atr&amp;aacute;s, foi o Santo Padre a ir aos Estados Unidos, e no National Park de Washington come&amp;ccedil;ou a celebra&amp;ccedil;&amp;atilde;o eucar&amp;iacute;stica dizendo-nos: &amp;ldquo;No exerc&amp;iacute;cio do meu minist&amp;eacute;rio de sucessor de Pedro, vim &amp;agrave; Am&amp;eacute;rica para vos confirmar, estimados irm&amp;atilde;os e irm&amp;atilde;s, na f&amp;eacute; dos Ap&amp;oacute;stolos (cf. Lc 22, 32)&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	Hoje viemos agradecer a visita. E viemos professar a nossa f&amp;eacute;, a nossa lealdade e o nosso amor ao Sucessor de Pedro.&lt;br /&gt;
	Hoje a nossa celebra&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; um sinal vis&amp;iacute;vel da comunh&amp;atilde;o de f&amp;eacute; difusa em todo o mundo e de como esteja ancorada em Roma, onde hoje Pedro vive e leva o nome de Bento XVI. Mas h&amp;aacute; muito mais que faz que sejamos um. Enquanto conclu&amp;iacute;mos estas reflex&amp;otilde;es sobre a Palavra de Deus e sobre a nossa visita a Roma, nos aproximamos ao Senhor ressuscitado que est&amp;aacute; presente junto a n&amp;oacute;s na Eucaristia. O Evangelho nos diz que Jesus sentou-se &amp;agrave; mesa com os disc&amp;iacute;pulos, depois &amp;ldquo;tomou o p&amp;atilde;o, pronunciou a b&amp;ecirc;n&amp;ccedil;&amp;atilde;o, partiu-o e deu a eles. Neste momento seus olhos se abriram e eles o reconheceram&amp;rdquo;. Depois que o celebrante mostra a h&amp;oacute;stia consagrada e o c&amp;aacute;lice do Precios&amp;iacute;ssimo Sangue aos fi&amp;eacute;is, ajoelha-se em adora&amp;ccedil;&amp;atilde;o e ent&amp;atilde;o une-se ao povo com uma das express&amp;otilde;es que exprimem o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o da nossa f&amp;eacute; cat&amp;oacute;lica: &amp;ldquo;Toda vez que comemos deste p&amp;atilde;o e bebemos deste c&amp;aacute;lice anunciamos a morte do Senhor, at&amp;eacute; que ele venha&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;
	A nossa f&amp;eacute; nos ensina que &amp;ldquo;quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurrei&amp;ccedil;&amp;atilde;o do seu Senhor, este acontecimento central de salva&amp;ccedil;&amp;atilde;o torna-se realmente presente e realiza-se tamb&amp;eacute;m a obra da nossa reden&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; (&lt;em&gt;Ecclesia de Eucharistia,&lt;/em&gt; 11). Por isso, n&amp;oacute;s podemos falar com raz&amp;atilde;o da missa como fonte e &amp;aacute;pice da nossa vida crist&amp;atilde;.&lt;br /&gt;
	Na missa de hoje reconhecemos e proclamamos que, como membros da Igreja em comunh&amp;atilde;o com Pedro e seus sucessores, n&amp;oacute;s n&amp;atilde;o s&amp;oacute; ouvimos a Boa Nova que Cristo ressuscitou, mas realmente O reconhecemos ao partir o p&amp;atilde;o e participamos do mist&amp;eacute;rio da Sua morte e ressurrei&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ndash; na Eucaristia.&lt;br /&gt;
	Agradecemos a Deus com simplicidade, porque voc&amp;ecirc;s e eu fomos convidados &amp;agrave; vida do Senhor ressuscitado e temos o privil&amp;eacute;gio de encontr&amp;aacute;-lo toda a vez que celebramos esta santa Eucaristia, esta santa missa.&lt;br /&gt;
	Ao mesmo tempo, pedimos a Deus para que continue a aben&amp;ccedil;oar a Igreja de Roma &amp;ndash; &amp;agrave; qual agora estamos ligados de modo particular gra&amp;ccedil;as a esta igreja de S&amp;atilde;o Pedro in Vincoli &amp;ndash; e a aben&amp;ccedil;oar os seus fi&amp;eacute;is e o seu supremo pastor, Bento XVI, Pedro hoje.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;(Organizado por Giovanni Cubeddu. O texto desta homilia pronunciada na igreja de S&amp;atilde;o Pedro in Vincoli em Roma, dia 18 de abril de 2012, foi revisto pelo autor para &lt;/em&gt; 30Dias&lt;em&gt;)&lt;br /&gt;
	&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description>
            <author>pelo cardeal Donald Wuerl</author>
        </item>
        <item>
            <title>
	CARTAS DO MUNDO TODO
</title>
            <link>http://www.30giorni.it/articoli_id_78457_l6.htm</link>
            <description>&lt;p&gt;
	&lt;u&gt;CUBA&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quien reza se salva e 30D&amp;iacute;as&lt;/em&gt; s&amp;atilde;o magn&amp;iacute;ficos para uma terra de miss&amp;atilde;o&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Havana, 1&amp;ordm; de mar&amp;ccedil;o de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;Agrave; Associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Piccola Via onlus&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Caros irm&amp;atilde;os,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	paz e sa&amp;uacute;de!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Escrevo-lhes da minha amada Cuba, pa&amp;iacute;s de miss&amp;atilde;o, para agradecer-lhes pelo catecismo (&lt;em&gt;Quien reza se salva&lt;/em&gt;); tamb&amp;eacute;m &lt;em&gt;30D&amp;iacute;as&lt;/em&gt; &amp;eacute; um dos seus maravilhosos presentes. Tanto o catecismo quanto a revista t&amp;ecirc;m um alto n&amp;iacute;vel de ensinamento e informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o cat&amp;oacute;lica; s&amp;atilde;o magn&amp;iacute;ficos para uma terra de miss&amp;atilde;o, em particular para as comunidades de camponeses como aquelas com as quais trabalhamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Temos tamb&amp;eacute;m um projeto &amp;ndash; ao qual demos o nome do beato cubano Jos&amp;eacute; Olallo Vald&amp;eacute;s &amp;ndash; por meio do qual levamos ajuda &amp;agrave;s fam&amp;iacute;lias com filhos com defici&amp;ecirc;ncias, tetrapl&amp;eacute;gicos, ou que sofrem de graves doen&amp;ccedil;as. Ningu&amp;eacute;m cuida destas fam&amp;iacute;lias. Somam doze fam&amp;iacute;lias para as quais pe&amp;ccedil;o somente a sua miseric&amp;oacute;rdia, juntamente com a de Jesus: precisamos principalmente de material de limpeza e de leite em p&amp;oacute;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	J&amp;aacute; convidei v&amp;aacute;rias vezes o senhor Andreotti e seus colaboradores para virem a Cuba. Convido voc&amp;ecirc;s tamb&amp;eacute;m. Em Cuba os italianos s&amp;atilde;o muito bem recebidos e temos tamb&amp;eacute;m muitos sacerdotes vindos da It&amp;aacute;lia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Obrigado por tudo,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Sergio Le&amp;oacute;n Mendiboure, mission&amp;aacute;rio&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;u&gt;M&amp;Eacute;XICO&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	ADORADORAS PERP&amp;Eacute;TUAS DO SANT&amp;Iacute;SSIMO SACRAMENTO MOSTEIRO DE NUESTRA SE&amp;Ntilde;ORA DE LA ESPERANZA&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Cem exemplares de &lt;em&gt;Quien reza se salva&lt;/em&gt; para as minhas &amp;ldquo;ovelhinhas&amp;rdquo;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Cotija, Michoac&amp;aacute;n de Ocampo, 9 de mar&amp;ccedil;o de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Seja louvado o Sant&amp;iacute;ssimo Sacramento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Estimada Associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Piccola Via onlus&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Sa&amp;uacute;do-os cordialmente desejando que a Paz de Cristo cubra o vosso apostolado e cada um dos membros da Associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Antes de tudo, minhas congratula&amp;ccedil;&amp;otilde;es pela bela revista &lt;em&gt;30Giorni&lt;/em&gt; que faz tanto bem &amp;agrave;s almas. Todos os seus temas nos refor&amp;ccedil;am na f&amp;eacute;, e s&amp;atilde;o muitas as almas contemplativas &amp;agrave;s quais fazem tanto bem. Pedirei que o vosso apostolado seja aben&amp;ccedil;oado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Pensei muito sobre este meu pedido, ainda tenho incertezas em faz&amp;ecirc;-lo. Gostaria que voc&amp;ecirc;s fizessem a caridade de me enviar cem exemplares de &lt;em&gt;Quien reza se salva&lt;/em&gt;, mas sou pobre, n&amp;atilde;o tenho dinheiro. Por&amp;eacute;m, como dizia a nossa madre fundadora, &amp;ldquo;tenho um Esposo muito rico...!&amp;rdquo;. Confiando n&amp;rsquo;Ele e na Sua divina Provid&amp;ecirc;ncia pe&amp;ccedil;o-lhes gratuitamente. &amp;ldquo;Ele que &amp;eacute; muito rico os recompensar&amp;aacute;, os recompensar&amp;aacute; como s&amp;oacute; Ele sabe fazer&amp;rdquo;. Digam a Jesus que a sua esposa quer estes livros porque tem muitas ovelhinhas que n&amp;atilde;o sabem rezar nem fazer o exame de consci&amp;ecirc;ncia para a confiss&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Eu posso oferecer-lhes somente as minhas pobres ora&amp;ccedil;&amp;otilde;es diante do Sant&amp;iacute;ssimo Sacramento dia e noite.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Que a nossa beata madre fundadora Mar&amp;iacute;a Magdalena de la Encarnaci&amp;oacute;n interceda pela Associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Que Deus os recompense! Contem com as minhas ora&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Irm&amp;atilde; Mar&amp;iacute;a Iolanda de Jes&amp;uacute;s, Adoradora Perp&amp;eacute;tua do Sant&amp;iacute;ssimo Sacramento&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;u&gt;FILIPINAS&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	CLARISSAS CAPUCHINAS DO MOSTEIRO DE SANTA CLARA&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Who prays is saved&lt;/em&gt; como presente para os fi&amp;eacute;is&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Laoag City, 13 de mar&amp;ccedil;o de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Prezado senador Andreotti,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	paz e bem!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Gostar&amp;iacute;amos de manifestar mais uma vez a nossa gratid&amp;atilde;o pela gentileza e a generosidade demonstradas para conosco com o envio regular de exemplares gratuitos de &lt;em&gt;30Days&lt;/em&gt;. A sua revista, t&amp;atilde;o rica de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, h&amp;aacute; muito tempo &amp;eacute; para n&amp;oacute;s fonte constante de not&amp;iacute;cias sobre a Igreja e sobre o mundo externo, e por esse maravilhoso presente somos realmente gratas ao senhor. J&amp;aacute; estamos no ponto culminante das festividades pelos 800 anos de funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Ordem de Santa Clara e temos o prazer de comunicar-lhe que, enquanto estamos escrevendo-lhe, as rel&amp;iacute;quias da nossa m&amp;atilde;e, Santa Clara, est&amp;atilde;o aqui nas Filipinas, trazidas pelo embaixador das Filipinas junto &amp;agrave; Santa S&amp;eacute;, e est&amp;atilde;o passando por v&amp;aacute;rias comunidades de clarissas do nosso arquip&amp;eacute;lago. Com refer&amp;ecirc;ncia a isso, pedimos com humildade ao senhor e seus colaboradores alguns exemplares gratuitos de &lt;em&gt;Who prays is saved&lt;/em&gt;. Seria um magn&amp;iacute;fico presente aos fi&amp;eacute;is que no dia 11 de agosto de 2012 se unir&amp;atilde;o a n&amp;oacute;s para as celebra&amp;ccedil;&amp;otilde;es por ocasi&amp;atilde;o da festividade da nossa m&amp;atilde;e. Gostar&amp;iacute;amos de pedir-lhe ao menos 500 exemplares, mas se n&amp;atilde;o for poss&amp;iacute;vel, ficaremos felizes com o que nos enviarem. Agradecemos infinitamente e que o Senhor continue a aben&amp;ccedil;oar-lhe e tamb&amp;eacute;m pelas suas inten&amp;ccedil;&amp;otilde;es, enquanto n&amp;oacute;s continuaremos a rezar pelo bom &amp;ecirc;xito da sua miss&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Respeitosamente,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	irm&amp;atilde; Mar&amp;iacute;a Lilia Javier, CCS e comunidade&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Laoag City, 25 de abril de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Prezado senhor senador,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	paz e bem!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Gostar&amp;iacute;amos de manifestar mais uma vez a nossa gratid&amp;atilde;o pela sua gentileza e generosidade ao responder prontamente ao nosso pedido de exemplares de &lt;em&gt;Who prays is saved&lt;/em&gt;. Agradecemos infinitamente por ter realizado o nosso desejo com tanta prontid&amp;atilde;o. O Senhor, insuper&amp;aacute;vel na sua generosidade, o recompense pelos seus esfor&amp;ccedil;os. Da nossa parte, prometemos recordar todas as suas inten&amp;ccedil;&amp;otilde;es nas nossas ora&amp;ccedil;&amp;otilde;es, principalmente quando estamos ajoelhadas diante do Sant&amp;iacute;ssimo Sacramento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Que Deus aben&amp;ccedil;oe todos n&amp;oacute;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Respeitosamente,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	pela irm&amp;atilde; Mar&amp;iacute;a Lilia Javier, CCS e comunidade Irm&amp;atilde; Mar&amp;iacute;a Ana de San Jos&amp;eacute;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;u&gt;REP&amp;Uacute;BLICA DEMOCR&amp;Aacute;TICA DO CONGO&lt;br /&gt;
	&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	PAR&amp;Oacute;QUIA NOTRE-DAME DE L&amp;rsquo;ASSOMPTION&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Qui prie sauve son &amp;acirc;me&lt;/em&gt; para as crian&amp;ccedil;as e as fam&amp;iacute;lias&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Boma, 19 de mar&amp;ccedil;o de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Senhor diretor&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Gostaria de agradecer-lhe pelos ros&amp;aacute;rios que recebemos: s&amp;atilde;o muito importantes para as crian&amp;ccedil;as. Mas precisar&amp;iacute;amos ainda dos livrinhos &lt;em&gt;Qui prie sauve son &amp;acirc;me&lt;/em&gt;, muito solicitados pelas crian&amp;ccedil;as e pelas fam&amp;iacute;lias crist&amp;atilde;s da nossa par&amp;oacute;quia e diocese.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Obrigado por tudo o que senhor fez at&amp;eacute; agora. Que Deus lhe aben&amp;ccedil;oe!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Roger Phanzu-Kumbu&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;u&gt;GUIN&amp;Eacute;-BISSAU&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	MISS&amp;Atilde;O CAT&amp;Oacute;LICA DE CANCHUNGO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quem reza se salva&lt;/em&gt; para distribuir aos jovens&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Canchungo, 27 de mar&amp;ccedil;o de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Prezada reda&amp;ccedil;&amp;atilde;o de &lt;em&gt;30Giorni&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Por causa da mudan&amp;ccedil;a do meu endere&amp;ccedil;o, somente agora recebi alguns n&amp;uacute;meros atrasados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Pelo mesmo motivo, n&amp;atilde;o recebi tamb&amp;eacute;m o CD de cantos gregorianos. E pensar que ainda tenho comigo o &lt;em&gt;Liber usualis&lt;/em&gt; que comprei na d&amp;eacute;cada de Cinquenta quando estava no semin&amp;aacute;rio menor!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Tamb&amp;eacute;m, gostaria de fazer uma proposta: voc&amp;ecirc;s poderiam me enviar a edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de &lt;em&gt;30Dias&lt;/em&gt; em portugu&amp;ecirc;s, para que meus coirm&amp;atilde;os possam aproveitar. Aqui em Guin&amp;eacute;-Bissau, o portugu&amp;ecirc;s &amp;eacute; a l&amp;iacute;ngua oficial, mesmo se o &lt;em&gt;kriol&lt;/em&gt; seja muito falado. Por isso, gostaria de aconselhar-lhes para que todos exemplares que enviam a Guin&amp;eacute;-Bissau sejam em portugu&amp;ecirc;s, mesmo se, naturalmente, esse assunto n&amp;atilde;o &amp;eacute; da minha compet&amp;ecirc;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Tamb&amp;eacute;m pe&amp;ccedil;o, para que me enviem alguns exemplares de &lt;em&gt;Quem reza se salva&lt;/em&gt;, em portugu&amp;ecirc;s, para distribuir aos que t&amp;ecirc;m uma ideia vocacional ou a algum jovem interessado. Para isso envio-lhes cem euros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Pe&amp;ccedil;o desculpas pelo inc&amp;ocirc;modo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Padre Rino Furlato, OFM&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;u&gt;PANAM&amp;Aacute;&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	PAR&amp;Oacute;QUIA DE S&amp;Atilde;O PEDRO AP&amp;Oacute;STOLO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Os fi&amp;eacute;is continuam a pedir &lt;em&gt;Quien reza se salva&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Santa F&amp;eacute;, 23 de abril de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Estimados irm&amp;atilde;os,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	o meu nome &amp;eacute; Arcelio Castro e trabalho h&amp;aacute; nove meses na par&amp;oacute;quia de S&amp;atilde;o Pedro Ap&amp;oacute;stolo de Santa F&amp;eacute;, no norte da regi&amp;atilde;o de Veraguas, no Panam&amp;aacute;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Inicialmente gostaria de agradecer de cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o a todos os que trabalharam na elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do livrinho &lt;em&gt;Quien reza se salva&lt;/em&gt;, em particular aos diretores Giulio Andreotti e Roberto Rotondo. Alguns meses atr&amp;aacute;s eu recebi quinhentos exemplares atrav&amp;eacute;s do Mosteiro de la Visitaci&amp;oacute;n no Panam&amp;aacute;: j&amp;aacute; foram distribu&amp;iacute;dos um para cada fam&amp;iacute;lia e todos ficaram muito satisfeitos mesmo os que tinham se afastado da pr&amp;aacute;tica religiosa. Muitos pediram emprestado para poder l&amp;ecirc;-lo em casa, com calma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Os fi&amp;eacute;is continuam a pedir o livrinho. Escrevo por este motivo, ou seja, fazer o pedido de mais quinhentos exemplares. Se for poss&amp;iacute;vel, podem envi&amp;aacute;-los ao mesmo endere&amp;ccedil;o: Mosteiro de la Visitaci&amp;oacute;n do Panam&amp;aacute;. Caso seja necess&amp;aacute;ria uma contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pe&amp;ccedil;o-lhes que nos comuniquem. N&amp;oacute;s continuaremos a pedir aos que receberam o livrinho, ora&amp;ccedil;&amp;otilde;es para os benfeitores, e eu mesmo ofere&amp;ccedil;o algumas missas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Que Deus os aben&amp;ccedil;oe com abund&amp;acirc;ncia para o sustento &amp;agrave; nossa par&amp;oacute;quia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Fraternalmente,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	padre Arcelio Castro&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;u&gt;M&amp;Eacute;XICO&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	ADORADORAS PERP&amp;Eacute;TUAS DO SANT&amp;Iacute;SSIMO SACRAMENTO DO MOSTEIRO DE S&amp;Atilde;O JO&amp;Atilde;O BATISTA&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Recebemos com imensa gratid&amp;atilde;o &lt;em&gt;Quien reza se salva&lt;/em&gt; e as outras publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Coscomatepec, Veracruz, 25 de abril de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Estimado senador Andreotti,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Seja louvado o Sant&amp;iacute;ssimo Sacramento!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Receba uma fraterna sauda&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Jesus ressuscitado: desejamos de cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o que o Senhor o aben&amp;ccedil;oe com abund&amp;acirc;ncia e recompense a sua generosidade para com a nossa comunidade monacal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Somos as irm&amp;atilde;s adoradoras perp&amp;eacute;tuas do Sant&amp;iacute;ssimo Sacramento do mosteiro S&amp;atilde;o Jo&amp;atilde;o Batista de Coscomatepec. A nossa miss&amp;atilde;o &amp;eacute; testemunhar a presen&amp;ccedil;a de nosso Senhor Jesus na Eucaristia, ajoelhadas aos seus p&amp;eacute;s dia e noite, oferecendo a nossa incessante ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o e adora&amp;ccedil;&amp;atilde;o por toda a humanidade. Por isso, com imensa gratid&amp;atilde;o, dirigimo-nos ao senhor, ao receber por sua grande generosidade a revista &lt;em&gt;30D&amp;iacute;as&lt;/em&gt;, o livrinho &lt;em&gt;Quien reza se salva&lt;/em&gt;, &amp;ldquo;&lt;em&gt;El Hijo no puede hacer nada por su cuenta&lt;/em&gt;&amp;rdquo; e &lt;em&gt;Los cantos de la Tradici&amp;oacute;n&lt;/em&gt;. N&amp;atilde;o tendo condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de pagar por todo o bem que nos faz, pedimos a Deus nas nossas ora&amp;ccedil;&amp;otilde;es e colocamos na m&amp;atilde;os de Maria Sant&amp;iacute;ssima de Guadalupe as suas necessidades e as de todas as pessoas que colaboram para a publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste material enriquecedor que nos informa e nos forma para a nossa vida espiritual. A &amp;uacute;ltima vez que recebemos a revista foi em dezembro passado, os n&amp;uacute;meros mais recentes ainda n&amp;atilde;o chegaram; temos a esperan&amp;ccedil;a de poder continuar a beneficiar mensalmente da revista e das outras publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es dirigidas pelo senhor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Certas de que Jesus Eucaristia ser&amp;aacute; a sua recompensa e a dos seus caros e colaboradores, saudamos cordialmente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Afei&amp;ccedil;oadas em Cristo,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	madre Esperanza del Coraz&amp;oacute;n de Jes&amp;uacute;s e comunidade&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;u&gt;COL&amp;Ocirc;MBIA&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	VICARIATO APOST&amp;Oacute;LICO DE SAN VICENTE &amp;ndash; PUERTO LEGU&amp;Iacute;ZAMO&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quien reza se salva&lt;/em&gt; para os catequistas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;San Vicente, 1&amp;ordm; de maio de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Estimado senador Giulio Andreotti&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Sou um sacerdote diocesano do vicariato apost&amp;oacute;lico de San Vicente &amp;ndash; Puerto Legu&amp;iacute;zamo, uma grande regi&amp;atilde;o (noventa e seis mil quil&amp;ocirc;metros quadrados) da Amaz&amp;ocirc;nia colombiana; o meu trabalho, h&amp;aacute; mais de dez anos, &amp;eacute; o de vig&amp;aacute;rio da pastoral e respons&amp;aacute;vel pelos setores de Catequese, Anima&amp;ccedil;&amp;atilde;o b&amp;iacute;blica e Pontif&amp;iacute;cias Obras Mission&amp;aacute;rias. Somos poucos e temos mais de uma responsabilidade. Dirijo-me ao senhor para pedir-lhe, se poss&amp;iacute;vel, que nos envie um bom n&amp;uacute;mero de exemplares do livro &lt;em&gt;Quien reza se salva&lt;/em&gt; porque gostaria de dar aos catequistas e aos animadores da Palavra um bom instrumento como este, para que continuem no seu minist&amp;eacute;rio de catequese.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Esta &amp;eacute; uma Igreja local com muitas necessidades e muitos desafios, pois muitas vezes se verificam conflitos entre os soldados do ex&amp;eacute;rcito nacional, guerrilheiros das Farc (For&amp;ccedil;as armadas revolucion&amp;aacute;rias da Col&amp;ocirc;mbia), narcotraficantes e grupos paramilitares, que criam um clima de apreens&amp;atilde;o constante na nossa popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o e comunidade. A op&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelos pobres e a nossa voca&amp;ccedil;&amp;atilde;o mission&amp;aacute;ria nos pedem para estarmos sempre com a nossa gente e para sermos a voz prof&amp;eacute;tica para denunciar abusos e irregularidades que, de todas as partes, violam os direitos humanos e o direito internacional humanit&amp;aacute;rio. Somos uma Igreja confi&amp;aacute;vel e bem aceita pelos nossos fi&amp;eacute;is. Os desafios s&amp;atilde;o muitos, mas a f&amp;eacute; e a esperan&amp;ccedil;a no Ressuscitado nos confortam e nos encorajam a continuar na miss&amp;atilde;o que nos foi confiada. Muito obrigado pela aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o que o senhor dar&amp;aacute; a esta missiva.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Padre Ricardo Tovar S&amp;aacute;nchez&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;u&gt;LIBANO&lt;br /&gt;
	&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	ORDEM DOS PADRES CARMELITAS&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Qui prie sauve son &amp;acirc;me&lt;/em&gt;, instrumento simples e pr&amp;aacute;tico para a ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Hazmieh, 11 de maio de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Car&amp;iacute;ssimo diretor,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	a paz do senhor esteja consigo!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Agrade&amp;ccedil;o pela revista &lt;em&gt;30Jours&lt;/em&gt; que recebo todos os meses. Li muita coisa sobre o livro &lt;em&gt;Qui prie sauve son &amp;acirc;me&lt;/em&gt; que fez tanto bem a todas as pessoas que foram beneficiadas. Por isso, por meio desta, pe&amp;ccedil;o-lhe, se poss&amp;iacute;vel, que nos envie uma centena de exemplares, pois muitos dos nossos jovens (grupos de ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o) gostariam de poder utilizar este instrumento t&amp;atilde;o simples e pr&amp;aacute;tico para a ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Que o bom Deus continue a mant&amp;ecirc;-lo em boa sa&amp;uacute;de e aben&amp;ccedil;oe a sua miss&amp;atilde;o na Igreja.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Padre Makhoul Farha, OCD, Superior provincial dos Carmelitas no L&amp;iacute;bano&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;u&gt;BENIM&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	MOSTEIRO ETOILE NOTRE-DAME&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Qui prie sauve son &amp;acirc;me&lt;/em&gt; ajuda a rezar bem&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Parakou, 29 de maio de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Senhor diretor,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	escrevo para agradecer-lhe pelo envio de &lt;em&gt;30Jours&lt;/em&gt;, uma revista muito bem documentada e com uma gr&amp;aacute;fica muito bonita. Mas n&amp;atilde;o &amp;eacute; tudo. Alguns anos atr&amp;aacute;s t&amp;iacute;nhamos pedido alguns exemplares do livrinho &lt;em&gt;Qui prie sauve son &amp;acirc;me&lt;/em&gt;. Todos os exemplares foram distribu&amp;iacute;dos em pouqu&amp;iacute;ssimo tempo para o bem espiritual de todos os beneficiados. Agora, s&amp;atilde;o muitos os que pedem estes livrinhos que os ajudam a rezar bem. Isso evitaria tamb&amp;eacute;m que encontrassem ref&amp;uacute;gio nas seitas, muito numerosas no Benim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Portanto se o senhor pudesse renovar o seu gesto generoso, lhe saremos profundamente gratas. Um agradecimento antecipado de todas as pessoas que, gra&amp;ccedil;as ao senhor, se aproximar&amp;atilde;o a Deus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Respeitosamente,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	madre Bibiane Igbaro&lt;/p&gt;
</description>
        </item>
        <item>
            <title>
	Aviso aos Leitores
</title>
            <link>http://www.30giorni.it/articoli_id_78503_l6.htm</link>
            <description>&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Caros Leitores&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;br /&gt;
	Com grande tristeza anunciamos que &lt;em&gt;30Dias na Igreja e no Mundo&lt;/em&gt; suspende as suas publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es com o n&amp;uacute;mero 5 de 2012.&lt;br /&gt;
	Infelizmente, alguns acontecimentos dos &amp;uacute;ltimos meses, em particular a morte de padre Giacomo Tantardini, impossibilitam a continua&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sua realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O diretor Giulio Andreotti compartilha a nossa amargura tamb&amp;eacute;m pelo valor que &lt;em&gt;30Dias&lt;/em&gt; teve para a Igreja nesses anos.&lt;br /&gt;
	Queremos agradecer de cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o a todos os que acompanharam com sua estima e seu afeto. De modo especial, deu-nos grande conforto as cartas que chegaram e que continuam a chegar na reda&amp;ccedil;&amp;atilde;o de todas as partes do mundo.&lt;br /&gt;
	As palavras dos leigos, mission&amp;aacute;rios, irm&amp;atilde;s, sacerdotes, bispos e cardeais que nos escreveram foram um bel&amp;iacute;ssimo e encorajador consolo ao nosso trabalho, que sempre procuramos interpretar como um pequeno servi&amp;ccedil;o de servos unidos &amp;agrave; Igreja do Senhor. Agradecemos de cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o a todos.&lt;br /&gt;
	Tamb&amp;eacute;m gostar&amp;iacute;amos de comunicar que continuam ativos o nosso endere&amp;ccedil;o email &lt;em&gt;abbonati30g@30giorni.it&lt;/em&gt; assim como a central telef&amp;ocirc;nica +39 067264041, para o recebimento de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre assinaturas e publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es de &lt;em&gt;30Dias&lt;/em&gt;, como o pequeno livro &lt;em&gt;Quem reza se salva&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	A Cooperativa 30Giorni&lt;/p&gt;
</description>
        </item>
        <item>
            <title>
	O meu amigo padre Giacomo
</title>
            <link>http://www.30giorni.it/articoli_id_78447_l6.htm</link>
            <description>&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;O cardeal Bergoglio com padre Giacomo em uma foto de março de 2009 [© Paolo Galosi]&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/04-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 350px; height: 214px;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;ldquo;Lembrai-vos dos vossos dirigentes, que vos anunciaram a palavra de Deus. Considerai como terminou a vida deles, e imitai-lhes a f&amp;eacute;&amp;rdquo; (Hb 13, 7). Deste modo o autor da Carta aos Hebreus chama a estar atentos aos que anunciaram o Evangelho e que j&amp;aacute; se foram. Pede-nos para lembr&amp;aacute;-los, mas n&amp;atilde;o daquele modo formal e, &amp;agrave;s vezes, comiserador, que nos faz dizer &amp;ldquo;quanto era bom!&amp;rdquo;, uma frase que que ouvimos com frequ&amp;ecirc;ncia nos cemit&amp;eacute;rios. Este tipo de mem&amp;oacute;ria &amp;eacute; uma simples recorda&amp;ccedil;&amp;atilde;o de formalidade social. Ao inv&amp;eacute;s, pede-nos para que recordemos a partir da fecundidade da semeadura entre n&amp;oacute;s. Pede-nos para que recordemos com a mem&amp;oacute;ria do cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a mem&amp;oacute;ria deuteron&amp;ocirc;mica que constr&amp;oacute;i sobre a rocha, que plasma vidas e marca cora&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Sim, o nosso cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o se edifica sobre a mem&amp;oacute;ria daqueles homens e daquelas mulheres que nos aproximaram das fontes de vida e de esperan&amp;ccedil;a &amp;agrave; qual poder&amp;atilde;o chegar tamb&amp;eacute;m os que nos seguirem. &amp;Eacute; a mem&amp;oacute;ria da heran&amp;ccedil;a recebida, que por nossa vez, devemos transmitir aos nossos filhos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Ent&amp;atilde;o, com essa mem&amp;oacute;ria, recordamos padre Giacomo e perguntamo-nos: o que nos deixou? Quais s&amp;atilde;o suas marcas que encontramos no caminho da nossa vida? Ouso dizer simplesmente que deixou as marcas de um homem-crian&amp;ccedil;a que nunca deixou de nos surpreender. Padre Giacomo, o homem do maravilhamento; o homem que se deixou maravilhar por Deus e soube desbravar o caminho para que este maravilhamento nascesse nos outros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Padre Giacomo, um homem surpreso que, enquanto olhava ao Senhor que o chamava, perguntava-se continuamente, como se n&amp;atilde;o pudesse acreditar, como o Mateus de Caravaggio: eu, Senhor? Um homem surpreso diante desta indescrit&amp;iacute;vel &amp;ldquo;profusa abund&amp;acirc;ncia&amp;rdquo; da gra&amp;ccedil;a que vence sobre a abund&amp;acirc;ncia mesquinha do pecado que nos reduz, sempre; um homem surpreso que se sentiu procurado, esperado e amado pelo Senhor muito antes de ele procur&amp;aacute;-lo, esper&amp;aacute;-lo am&amp;aacute;-lo; um homem surpreso que, como os do Lago de Tiber&amp;iacute;ades, n&amp;atilde;o ousava perguntar quem era ele, porque sabia muito bem que era o Senhor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	E este homem surpreso mais de uma vez, deixou-se interrogar: &amp;ldquo;Me amas?&amp;rdquo;, para responder com a simplicidade ardente do amor: &amp;ldquo;Senhor, tu sabes que te amo&amp;rdquo;. E era assim porque este homem-crian&amp;ccedil;a alimentava o seu amor com a simples mas s&amp;aacute;bia prontid&amp;atilde;o da contempla&amp;ccedil;&amp;atilde;o de toda aquela Gra&amp;ccedil;a que o superava.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Padre Giacomo era assim. N&amp;atilde;o tinha perdido a capacidade de se surpreender; refletia a partir do maravilhamento que recebia e alimentava na ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &amp;Agrave;s vezes dava impress&amp;atilde;o que esta sensibilidade o fatigasse e o deixasse inquieto, e isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; raro em um homem de temperamento humano forte, no qual a Gra&amp;ccedil;a n&amp;atilde;o cessou de trabalhar na sua convers&amp;atilde;o &amp;agrave; mansuetude.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A &amp;uacute;ltima imagem que tenho dele me comove: foi durante a cerim&amp;ocirc;nia de crismas na Bas&amp;iacute;lica S&amp;atilde;o Louren&amp;ccedil;o fora dos Muros, com suas m&amp;atilde;os juntas, os olhos abertos e surpresos, sorridente e s&amp;eacute;rio ao mesmo tempo. Ali rezamos pela sua sa&amp;uacute;de... e ele agradeceu com um gesto que era de esperan&amp;ccedil;a de cura e ao mesmo tempo, de confian&amp;ccedil;a. Assim, pela gra&amp;ccedil;a, pode-se perseverar no caminho at&amp;eacute; o fim: o homem-crian&amp;ccedil;a abandona-se nos bra&amp;ccedil;os de Jesus enquanto pede que passe este c&amp;aacute;lice, e &amp;eacute; tomado e levado nos bra&amp;ccedil;os, com as m&amp;atilde;os juntas e os olhos abertos. Deixando-se surpreender mais uma vez, pelo dom maior.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Agrade&amp;ccedil;o a Deus nosso Senhor por t&amp;ecirc;-lo conhecido. S&amp;atilde;o dirigidas tamb&amp;eacute;m a mim as palavras &amp;ldquo;considerai como terminou a vida deles, e imitai-lhes a f&amp;eacute;&amp;rdquo; da Carta aos Hebreus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;Buenos Aires, 6 de maio de 2012&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description>
            <author>do cardeal Jorge Mario Bergoglio, SJ</author>
        </item>
        <item>
            <title>
	Um ros&amp;aacute;rio para o mundo todo
</title>
            <link>http://www.30giorni.it/articoli_id_78451_l6.htm</link>
            <description>&lt;p&gt;
	No dia 19 de fevereiro passado, coube ao cardeal Filoni a tarefa de dirigir a Bento XVI o discurso de homenagem em nome dos novos cardeais criados no Consist&amp;oacute;rio do dia anterior. Na ocasi&amp;atilde;o, sua emin&amp;ecirc;ncia Filoni colocou o servi&amp;ccedil;o cardinal&amp;iacute;cio dos novos purpurados &amp;ldquo;sob a prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Maria, M&amp;atilde;e da Gra&amp;ccedil;a&amp;rdquo;. Agora, a sua &amp;ldquo;estrat&amp;eacute;gia&amp;rdquo; para viver o iminente Ano da F&amp;eacute; &amp;eacute; um simples ros&amp;aacute;rio. Um ter&amp;ccedil;o de ora&amp;ccedil;&amp;otilde;es a ser oferecido pelo an&amp;uacute;ncio do Evangelho em cada continente. O modo mais simples para &amp;ldquo;pedir ao Senhor o dom da f&amp;eacute;&amp;rdquo;, para si e para os outros. Trata-se de uma Campanha de ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o mundial para a evangeliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o que deve acompanhar o Ano da F&amp;eacute;, &amp;agrave; qual o Papa Bento XVI deu a pr&amp;oacute;pria b&amp;ecirc;n&amp;ccedil;&amp;atilde;o em 11 de maio passado, por ocasi&amp;atilde;o da audi&amp;ecirc;ncia concedida aos Diretores Nacionais das Pontif&amp;iacute;cias Obras Mission&amp;aacute;rias, que ser&amp;atilde;o os animadores da iniciativa em seus pr&amp;oacute;prios pa&amp;iacute;ses.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Fernando Filoni, prefeito da Congrega&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a Evangeliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos Povos, j&amp;aacute; viveu em v&amp;aacute;rias partes do mundo e sabe como funciona. Sabe-se que &amp;eacute; uma pessoa reservada, que despreza fofocas, de grande efici&amp;ecirc;ncia no trabalho, prontid&amp;atilde;o em chegar logo ao cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos problemas, procurando solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es com muito realismo. E que estes dotes n&amp;atilde;o descrevem o perfil de um &amp;ldquo;burocrata&amp;rdquo; vaticano, mas deixam transparecer uma sabedoria espiritual e um olhar sobre as coisas da Igreja e do mundo que &amp;eacute; simples e concreto. Como o ter&amp;ccedil;o de um ros&amp;aacute;rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;30Dias&lt;/em&gt; foi entrevist&amp;aacute;-lo em seu escrit&amp;oacute;rio, no hist&amp;oacute;rico Palacete romano de Propaganda Fide, situado na Pra&amp;ccedil;a de Espanha. A Congrega&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a Evangeliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos Povos conta com mais de mil circunscri&amp;ccedil;&amp;otilde;es eclesi&amp;aacute;sticas, entre as quais a grande maioria das dioceses africanas, asi&amp;aacute;ticas e da Oceania, al&amp;eacute;m de universidades, semin&amp;aacute;rios, hospitais, escolas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Cardeal Filoni por ocasião da tomada de posse da diaconia de Nossa Senhora de Coromoto na igreja de São João de Deus, dia 23 de fevereiro de 2012&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/58-04-012.jpg &quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 325px; height: 260px;&quot; /&gt;&lt;strong&gt;Quando o senhor se tornou cardeal, na sua nota biogr&amp;aacute;fica publicada no &lt;em&gt;L&amp;rsquo;Osservatore Romano&lt;/em&gt; lia-se que quando crian&amp;ccedil;a &amp;ldquo;a sua casa estava bem em frente &amp;agrave; igreja da sua cidade&amp;rdquo;. Evidentemente, trata-se de um detalhe importante na sua vida...&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	FERNANDO FILONI: Deus oferece muitas possibilidades e constr&amp;oacute;i a nossa hist&amp;oacute;ria baseado naquilo que somos. Eu frequentava a par&amp;oacute;quia, ajudava os sacerdotes durante a missa e estando com eles no altar intu&amp;iacute;a o sentido da grande dedica&amp;ccedil;&amp;atilde;o deles. At&amp;eacute; que um dia o p&amp;aacute;roco perguntou a todos n&amp;oacute;s coroinhas: mas nenhum de voc&amp;ecirc;s entra no semin&amp;aacute;rio este ano? Levantei a m&amp;atilde;o e disse: eu! Havia muita espontaneidade infantil naquele gesto. Mas tamb&amp;eacute;m contava muito o fato de ter crescido tendo diante dos olhos a f&amp;eacute; de meu pai e de minha m&amp;atilde;e, nas coisas do dia-a-dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Os anos da sua prepara&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao sacerd&amp;oacute;cio foram os do Conc&amp;iacute;lio Vaticano II.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Os nossos superiores, durante as refei&amp;ccedil;&amp;otilde;es, faziam-nos ler as cr&amp;ocirc;nicas do que acontecia no Conc&amp;iacute;lio. A televis&amp;atilde;o, mesmo se em preto e branco, dava-nos a imagem visiva da universalidade e da multiplicidade da diversidade humana da Igreja: o Papa, os patriarcas do Oriente e os bispos que entravam em prociss&amp;atilde;o na Bas&amp;iacute;lica de S&amp;atilde;o Pedro. Brancos, negros com a barba, ocidentais, orientais... Quando iniciei Teologia no semin&amp;aacute;rio de Viterbo, o Conc&amp;iacute;lio tinha terminado. As cadeiras que tinham sido usadas para as congrega&amp;ccedil;&amp;otilde;es gerais dos padres conciliares foram mandadas para v&amp;aacute;rios semin&amp;aacute;rios. Com as que chegaram a Viterbo foi montada uma aula de teologia. Ent&amp;atilde;o assist&amp;iacute;amos &amp;agrave;s aulas sentando nas cadeiras dos padres conciliares. E tent&amp;aacute;vamos imaginar quem teria sentado naqueles assentos que agora eram ocupados por n&amp;oacute;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;O seu lema episcopal &amp;eacute; &amp;ldquo;Lumen gentium Christus&amp;rdquo;. Recorda as primeiras palavras da constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o dogm&amp;aacute;tica sobre a Igreja, o documento mais importante criado pelo Conc&amp;iacute;lio.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	T&amp;iacute;nhamos ficado muito impressionados pelo grande debate sobre a Igreja que constitu&amp;iacute;ra o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Conc&amp;iacute;lio: &amp;ldquo;Lumen gentium Christus&amp;rdquo;, tudo em apenas tr&amp;ecirc;s palavras. O in&amp;iacute;cio da constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o conciliar retomava o mist&amp;eacute;rio e a miss&amp;atilde;o da Igreja. Se a Igreja n&amp;atilde;o reflete a luz de Cristo, n&amp;atilde;o tem motivo de existir. Tamb&amp;eacute;m a n&amp;oacute;s era solicitado anunciar e testemunhar Cristo. Esta &amp;eacute; a miss&amp;atilde;o que a Igreja confiou tamb&amp;eacute;m a mim. Como sacerdote, e depois como bispo e tamb&amp;eacute;m como n&amp;uacute;ncio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Depois da ordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o sacerdotal, o senhor veio a Roma para continuar seus estudos. Residia e fazia seu servi&amp;ccedil;o pastoral em uma par&amp;oacute;quia, e dava aulas em um col&amp;eacute;gio secund&amp;aacute;rio romano. O que o senhor recorda daquele per&amp;iacute;odo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	O meu bispo deu-me a permiss&amp;atilde;o para vir a Roma para completar meus estudos. Decidi ficar em uma par&amp;oacute;quia e n&amp;atilde;o em um col&amp;eacute;gio. Foram anos &amp;oacute;timos. Eu estava na par&amp;oacute;quia de S&amp;atilde;o Tito, que agora &amp;eacute; intitulada a S&amp;atilde;o Leonardo Murialdo. Lecionava religi&amp;atilde;o na Col&amp;eacute;gio Vivona, funcionante em outra sede e que mais tarde tornou-se o Col&amp;eacute;gio S&amp;oacute;crates. Conheci centenas de mo&amp;ccedil;as e rapazes. Era a d&amp;eacute;cada de Setenta, o tempo da contesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Para mim, que estudava teologia, o cont&amp;iacute;nuo di&amp;aacute;logo com eles era uma ajuda para fazer o confronto entre o que estud&amp;aacute;vamos e a vida real. Creio que para os jovens tamb&amp;eacute;m era uma experi&amp;ecirc;ncia interessante ouvir falar de teologia e de hist&amp;oacute;ria da Igreja al&amp;eacute;m da banaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o que se encontrava em muitos jornais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Como o senhor chegou ao servi&amp;ccedil;o diplom&amp;aacute;tico da Santa S&amp;eacute;?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Quando o meu bispo pediu para que eu voltasse &amp;agrave; diocese &amp;ndash; j&amp;aacute; fazia oito anos que eu estava fora &amp;ndash; o cardeal vig&amp;aacute;rio Ugo Poletti, com o seu modo bondoso e simp&amp;aacute;tico, disse-me: &amp;ldquo;A tua diocese j&amp;aacute; tem muitos sacerdotes! A Secretaria de Estado pediu-me para ver se h&amp;aacute; disponibilidade...&amp;rdquo;. Pode parecer uma circunst&amp;acirc;ncia acidental. Mas para mim, ali passou tamb&amp;eacute;m o &amp;ldquo;fio vermelho&amp;rdquo; que Deus tra&amp;ccedil;a na vida de cada um de n&amp;oacute;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Depois de um per&amp;iacute;odo em Sri Lanka, o senhor foi mandado para o Ir&amp;atilde;. Como era aquele pa&amp;iacute;s naqueles anos?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Era o per&amp;iacute;odo dur&amp;iacute;ssimo da guerra entre o Ir&amp;atilde; e o Iraque. Os bombardeios chegavam at&amp;eacute; Teer&amp;atilde;. Era uma guerra muito cruenta com centenas de milhares de mortes. A Santa S&amp;eacute; tinha ali uma antiga miss&amp;atilde;o, iniciada com uma representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Papa Urbano VIII que tinha se estabelecido em Isfahan em 1629 a pedido do x&amp;aacute; Abbas o Grande, o art&amp;iacute;fice de um renascimento cultural e pol&amp;iacute;tico persa. Uma presen&amp;ccedil;a que sempre teve altos e baixos, at&amp;eacute; o estabelecimento das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es diplom&amp;aacute;ticas plenas entre o Ir&amp;atilde; e a Santa S&amp;eacute;, ocorrida em 1953. Ali eu pude partilhar a vida da comunidade crist&amp;atilde; local, formada por arm&amp;ecirc;nios cat&amp;oacute;licos e ortodoxos, cat&amp;oacute;licos latinos e caldeus. Para eles a vida n&amp;atilde;o era sempre f&amp;aacute;cil. Mas &amp;eacute;ramos muito respeitados. Houve o caso dos funcion&amp;aacute;rios da Embaixada dos Estados Unidos que ficaram ref&amp;eacute;ns. Mas aquele acontecimento fez nascer tamb&amp;eacute;m uma verdadeira estima para com a nunciatura que tinha enfrentado a dif&amp;iacute;cil quest&amp;atilde;o de um ponto de vista humanit&amp;aacute;rio, sem entrar no terreno pol&amp;iacute;tico. E isso foi muito apreciado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Depois de outras etapas diplom&amp;aacute;ticas (Secretaria de Estado, Brasil), o senhor foi mandado para Hong Kong, ponto de observa&amp;ccedil;&amp;atilde;o privilegiado sobre a China Popular. Na &amp;eacute;poca, ainda era difusa a ideia de que uma ampla parte da catolicidade chinesa, sob press&amp;atilde;o das autoridades civis, fosse levada a dar vida a uma Igreja nacional independente. Qual foi a sua experi&amp;ecirc;ncia em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a isso?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Quando eu era seminarista tinha ficado muito impressionado pelos testemunhos de fidelidade ao Evangelho que vinham da China. Na &amp;eacute;poca, li as mem&amp;oacute;rias de Gaetano Pollio, o arcebispo de Kaifeng que fora preso e depois expulso nos primeiros anos do regime mao&amp;iacute;sta, tornando-se mais tarde arcebispo de Otranto e depois de Salerno. Fiquei admirado como, no sofrimento, tinha servido a Igreja e amado o povo chin&amp;ecirc;s. Aqueles acontecimentos vinham-me &amp;agrave; mente, depois de ter recebido o encargo em Hong Kong. Eram os anos da abertura declarada por Deng Xiaoping. Agora damo-nos conta do quanto tinha sido previdente a vis&amp;atilde;o de Deng. A Santa S&amp;eacute; queria que a pr&amp;oacute;pria posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional n&amp;atilde;o fosse identificada com Taiwan, onde h&amp;aacute; uma sede diplom&amp;aacute;tica vaticana. Portanto em Hong Kong tinha sido aberta uma &amp;ldquo;Miss&amp;atilde;o de estudo&amp;rdquo;, que devia se dedicar &amp;agrave; China Popular, al&amp;eacute;m da ent&amp;atilde;o col&amp;ocirc;nia brit&amp;acirc;nica e de Macau. Era o momento em que tamb&amp;eacute;m a Igreja na China estava se reorganizando. A Santa S&amp;eacute; queria compreender como progredia a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. E manifestar a pr&amp;oacute;pria proximidade aos cat&amp;oacute;licos chineses que mostravam o grande desejo de viver a sua f&amp;eacute; em comunh&amp;atilde;o com o Bispo de Roma. Um v&amp;iacute;nculo de comunh&amp;atilde;o que os bispos chineses continuavam a confessar mesmo nas persegui&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Fernando Filoni recebe o barrete cardinalício do Papa Bento XVI no Consistório de 18 de fevereiro de 2012 [© Paolo Galosi]&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/56-04-012.jpg &quot; style=&quot;float: right; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 350px; height: 239px;&quot; /&gt;&lt;strong&gt;Como o senhor considerava as divis&amp;otilde;es existentes na Igreja chinesa entre os chamados &amp;ldquo;oficiais&amp;rdquo; e os &amp;ldquo;clandestinos&amp;rdquo;?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A divis&amp;atilde;o n&amp;atilde;o era o &amp;ecirc;xito de din&amp;acirc;micas eclesiais, mas de circunst&amp;acirc;ncias hist&amp;oacute;ricas e pol&amp;iacute;ticas. Era uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de sofrimento e de provas. E precisava ajudar a Igreja na China, tanto a chamada &amp;ldquo;&lt;em&gt;underground&lt;/em&gt;&amp;rdquo; quanto a n&amp;atilde;o corretamente chamada &amp;ldquo;patri&amp;oacute;tica&amp;rdquo;, a olhar a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em uma perspectiva futura. Esclarecendo, na &amp;eacute;poca, eu dizia que a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do catolicismo chin&amp;ecirc;s era compar&amp;aacute;vel a uma fonte em que a &amp;aacute;gua, a um certo ponto do seu escorrimento, ficava impedida, e dividia-se em duas diferentes dire&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Uma parte tentava encontrar um modo de continuar escorrendo ao ar livre. A outra tinha encontrado o modo de escorrer sob a superf&amp;iacute;cie da terra. As duas correntes, nascidas na mesma fonte, eram de qualquer modo destinadas e se encontrarem na unidade do mar. E o mar, &amp;ndash; dizia na &amp;eacute;poca &amp;ndash; &amp;eacute; o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Deus. As duas comunidades eclesiais, se tivessem continuado na f&amp;eacute; dos ap&amp;oacute;stolos, mais tarde teriam se reencontrado unidas em Cristo. Claro, desde que as duas correntes se separaram, houve muitas complica&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Mas creio que mais cedo ou mais tarde se chegar&amp;aacute; a uma solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Depois, como n&amp;uacute;ncio, o senhor viveu a crucial experi&amp;ecirc;ncia no Iraque. O senhor estava l&amp;aacute; na &amp;eacute;poca dos bombardeios&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Eu estava l&amp;aacute; no per&amp;iacute;odo terminal do regime de Saddam Hussein, enquanto pesavam de modo inacredit&amp;aacute;vel as san&amp;ccedil;&amp;otilde;es impostas pela ONU para derrubar o regime. A voz da Igreja era prof&amp;eacute;tica. Repet&amp;iacute;amos em todos os lugares apenas o que v&amp;iacute;amos: que na realidade as san&amp;ccedil;&amp;otilde;es atingiam o povo e n&amp;atilde;o o regime.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Hoje, qual &amp;eacute; a sua opini&amp;atilde;o sobre as interven&amp;ccedil;&amp;otilde;es militares no Iraque e suas consequ&amp;ecirc;ncias para aquela parte do mundo e principalmente para as comunidades crist&amp;atilde;s?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A guerra foi um erro em si. N&amp;atilde;o se pode pensar em impor a democracia com a guerra. Na &amp;eacute;poca havia condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para uma negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Saddam tinha manifestado tamb&amp;eacute;m para mim que este era o seu pedido. Mas como todo l&amp;iacute;der, em particular no mundo &amp;aacute;rabe, se se quer tratar com ele n&amp;atilde;o se pode humilh&amp;aacute;-lo. Faltou compreens&amp;atilde;o da situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Sob o regime os crist&amp;atilde;os sofriam injusti&amp;ccedil;as como toda a sociedade. Mas o regime, para manter a paz interna, tutelava pelo menos a liberdade de culto. N&amp;atilde;o se pode justificar a guerra de um ponto de vista pol&amp;iacute;tico e de justi&amp;ccedil;a internacional. Porque o Ir&amp;atilde; que n&amp;atilde;o tinha intervindo nos atentados de 11 de setembro. E a quest&amp;atilde;o das armas de destrui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de massa era um pretexto. Um m&amp;ecirc;s antes do in&amp;iacute;cio dos bombardeios, Saddam tinha obtido da assembleia dos chefes das tribos a aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o da lei com a qual o Iraque se comprometia a n&amp;atilde;o possuir armas de destrui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de massa. Todos diziam que era importante que isso acontecesse, que era um sinal da sua disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o para colaborar. Mas n&amp;atilde;o serviu para nada. Evidentemente a guerra j&amp;aacute; tinha sido decidida. E desde ent&amp;atilde;o entendeu-se que depois de tudo chegaria o caos, e a guerra desestabilizou n&amp;atilde;o apenas a pequena comunidade crist&amp;atilde;, mas todos os aspectos da vida do pa&amp;iacute;s, causando dezenas de milhares de mortes. Isso &amp;eacute; o que hoje temos sob nossos olhos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Depois de um breve intervalo de tempo nas Filipinas, o senhor foi chamado a Roma como substituto na Secretaria de Estado. Como era o ritmo e o tipo de trabalho?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	O substituto &amp;eacute; um dos primeiros colaboradores do Papa. Responde diretamente a ele e ao Secret&amp;aacute;rio de Estado. Para mim foi um per&amp;iacute;odo muito belo, principalmente porque me deu a possibilidade de conhecer Bento XVI de perto e de ter um contato muito frequente com ele, que &amp;eacute; um pai, um mestre, e &amp;eacute; extremamente am&amp;aacute;vel. S&amp;atilde;o aquelas riquezas e aqueles dons de gra&amp;ccedil;a que quem os recebe carrega-os sempre consigo. E dos quais pode-se somente agradecer a Deus. Os ritmos e o tipo de trabalho, mesmo se intensos, faziam parte do dia-a-dia do escrit&amp;oacute;rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Agora o senhor &amp;eacute; prefeito da Congrega&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a Evangeliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos Povos. Quais s&amp;atilde;o os crit&amp;eacute;rios que o orientam na tarefa que lhe foi designada?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A Congrega&amp;ccedil;&amp;atilde;o de &lt;em&gt;Propaganda Fide&lt;/em&gt; tem uma grande hist&amp;oacute;ria. Os que trabalham aqui sentem o grande patrim&amp;ocirc;nio deste dicast&amp;eacute;rio que foi, e continua a ser, t&amp;atilde;o importante para ajudar a vida das Igrejas em todo o mundo. A sua primeira raz&amp;atilde;o de ser &amp;eacute; o an&amp;uacute;ncio do Evangelho em todos os cantos da terra. E dado que hoje a Igreja &amp;eacute; arraigada tamb&amp;eacute;m em muitos dos lugares que antigamente eram territ&amp;oacute;rio de miss&amp;atilde;o, Propaganda Fide continua e oferecer o seu servi&amp;ccedil;o aos bispos, aos sacerdotes, aos religiosos e aos leigos daquelas Igrejas particulares. Assim, esta contribui para exprimir a &amp;ldquo;solicitude do Papa para com todas as Igrejas&amp;rdquo;: uma forma evocativa que me impressiona sempre. Com o tempo, as Igrejas mais jovens tamb&amp;eacute;m adquirem uma sua consist&amp;ecirc;ncia em termos de semin&amp;aacute;rios, sedes, escolas, universidades, assist&amp;ecirc;ncia &amp;agrave; sa&amp;uacute;de nas cidades e nos vilarejos. O an&amp;uacute;ncio do Evangelho se exprime tamb&amp;eacute;m em procurar ajudar &amp;agrave;s necessidades das popula&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Vejo uma antiga sabedoria na decis&amp;atilde;o de ter confiado &amp;agrave; Propaganda Fide o servi&amp;ccedil;o e o cuidado em favor das novas Igrejas, n&amp;atilde;o apenas no que se refere aos aspectos exclusivamente eclesiais, mas tamb&amp;eacute;m em apoiar as obras materiais gra&amp;ccedil;as &amp;agrave;s Pontif&amp;iacute;cias Obras Mission&amp;aacute;rias, a rede nascida pela intui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Paolina Jaricot, a vener&amp;aacute;vel morta na pobreza pelas ruas de Lyon exatamente cento e cinquenta anos atr&amp;aacute;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;A propaga&amp;ccedil;&amp;atilde;o da f&amp;eacute; &amp;eacute; assimil&amp;aacute;vel a uma estrat&amp;eacute;gia de expans&amp;atilde;o cultural e religiosa?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A din&amp;acirc;mica pr&amp;oacute;pria da evangeliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o vem do pr&amp;oacute;prio Cristo. &amp;Eacute; Ele, o enviado do Pai, que mandou seus disc&amp;iacute;pulos a anunciar o Evangelho inicialmente de dois em dois, e depois dando-lhes este mandato com plenitude e de modo definitivo antes da Ascens&amp;atilde;o. As estrat&amp;eacute;gias de expansionismos respondem a uma l&amp;oacute;gica comercial ou pol&amp;iacute;tica. O dinamismo interior da f&amp;eacute;, na verdade, n&amp;atilde;o &amp;eacute; compar&amp;aacute;vel a tudo isso. Isso pode ser visto nos Evangelhos: quando os primeiros disc&amp;iacute;pulos encontraram Jesus pediram apenas para ficar com ele, conhec&amp;ecirc;-lo, ouvi-lo: &amp;ldquo;Mestre, onde moras?&amp;rdquo;. &amp;ldquo;Vinde e vereis&amp;rdquo;. E ficaram com ele. N&amp;atilde;o havia estrat&amp;eacute;gia, n&amp;atilde;o havia ideia de expans&amp;atilde;o, havia o desejo de conhec&amp;ecirc;-lo, porque ningu&amp;eacute;m falava de Deus como ele. Evangelizar &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil. S&amp;atilde;o Paulo sabia disso muito bem e tamb&amp;eacute;m o sabem os nossos mission&amp;aacute;rios. Todos os anos a evangeliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o paga um grande tributo, tamb&amp;eacute;m de sangue, mas os nossos mission&amp;aacute;rios, como o Ap&amp;oacute;stolo das Gentes, t&amp;ecirc;m o consolo de Deus, como para S&amp;atilde;o Paulo, o qual, depois de in&amp;uacute;meras persegui&amp;ccedil;&amp;otilde;es, teve o sonho em que o Senhor lhe dizia: &amp;ldquo;Coragem! Tem confian&amp;ccedil;a. Assim como deste testemunho de mim em Jerusal&amp;eacute;m, &amp;eacute; preciso que sejas minha testemunha tamb&amp;eacute;m em Roma&amp;rdquo; (At 23,11).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Como prefeito de Propaganda Fide, o senhor est&amp;aacute; tratando novamente de quest&amp;otilde;es referentes &amp;agrave; Igreja na China. As organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es governamentais continuam a querer exercer formas de controle sobre a nomea&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos bispos. Como se pode enfrentar este problema?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Antes de tudo &amp;eacute; preciso acabar com a ideia err&amp;ocirc;nea de que o bispo seja um funcion&amp;aacute;rio. Se n&amp;atilde;o sairmos dessa l&amp;oacute;gica, tudo permanece condicionado com uma vis&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica. Para se tornar funcion&amp;aacute;rio de um partido ou de um governo h&amp;aacute; determinados crit&amp;eacute;rios. Os crit&amp;eacute;rios usados para a nomea&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um bispo s&amp;atilde;o outros. E essa peculiaridade deve ser respeitada. O que n&amp;oacute;s pedimos em todos os lugares, n&amp;atilde;o somente na China, &amp;eacute; que os bispos sejam bons bispos, dignos da tarefa que lhes &amp;eacute; confiada. Isto &amp;eacute;, que sejam homens de Deus e tamb&amp;eacute;m sejam capazes de uma vis&amp;atilde;o total da vida da sua Igreja particular, para confirmar os irm&amp;atilde;os, ordenar os sacerdotes na f&amp;eacute; e na gra&amp;ccedil;a de Deus. &amp;Eacute; preciso uma idoneidade particular, espiritual, e uma maturidade psicol&amp;oacute;gica, que implica tamb&amp;eacute;m equil&amp;iacute;brio e prud&amp;ecirc;ncia. Na escolha dos bispos que se faz, tamb&amp;eacute;m na China, estes s&amp;atilde;o os crit&amp;eacute;rios mais importantes para a da Santa S&amp;eacute;. Sabendo muito bem, naturalmente, que os bispos tamb&amp;eacute;m s&amp;atilde;o cidad&amp;atilde;os do pr&amp;oacute;prio pa&amp;iacute;s, e que, como tal, devem ser leais para com a pr&amp;oacute;pria p&amp;aacute;tria, dando a C&amp;eacute;sar o que &amp;eacute; de C&amp;eacute;sar, mas sem danificar o dar a Deus o que &amp;eacute; de Deus. Como sucessores dos ap&amp;oacute;stolos, &amp;eacute;-lhes pedido para que sejam totalmente fi&amp;eacute;is &amp;agrave; doutrina da Igreja. Isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma &amp;ldquo;ordem&amp;rdquo; do Papa. Isso &amp;eacute;, antes de tudo, um pedido dos fi&amp;eacute;is. S&amp;atilde;o os fi&amp;eacute;is que depois concretamente julgam a idoneidade e a dignidade dos pr&amp;oacute;prios bispos: amam-nos ou os marginalizam. O precioso bem que deseja o Papa e os pastores na China, e que nos &amp;eacute; solicitado pelo Senhor, &amp;eacute; o cuidado pastoral do povo de Deus, o qual, na China tem um extraordin&amp;aacute;rio &lt;em&gt;sensus fidei&lt;/em&gt;, purificado por anos de sofrimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Bento XVI com o cardeal Filoni por ocasião da audiência aos diretores nacionais das Pontifícias Obras Missionárias na Sala Clementina, dia 11 de maio de 2012 [© Osservatore Romano]&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/64-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 325px; height: 250px;&quot; /&gt;&lt;strong&gt;Qual &amp;eacute; o compromisso da Santa S&amp;eacute; para com a Igreja na China?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A Igreja &amp;eacute; uma realidade de comunh&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o &amp;eacute; uma estrutura verticalista, em que o &amp;uacute;nico problema seja o de fazer passar as ordens que chegam de cima. O magist&amp;eacute;rio n&amp;atilde;o tem a tarefa de afirmar certas ideias ou convic&amp;ccedil;&amp;otilde;es do Papa ou dos bispos. A sua fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o pr&amp;oacute;pria &amp;eacute; a &lt;em&gt;salus animarum&lt;/em&gt;, &amp;eacute; a de confirmar o povo de Deus na f&amp;eacute; e na fidelidade a Cristo, &amp;eacute; de viver, na comunh&amp;atilde;o com toda a Igreja, na fidelidade ao Papa. Na China, como em outros lugares, onde h&amp;aacute; dificuldade, &amp;eacute; preciso intervir e talvez corrigir, se necess&amp;aacute;rio. Mas mesmo neste processo ningu&amp;eacute;m decide sozinho. Conta a interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos fi&amp;eacute;is, o consenso dos sacerdotes e dos bispos. A Igreja vive neste mundo e caminha na hist&amp;oacute;ria. &amp;Eacute; essencial que tamb&amp;eacute;m na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a realidade civil e pol&amp;iacute;tica os bispos, os sacerdotes, os religiosos e os fi&amp;eacute;is ajudem a S&amp;eacute; Apost&amp;oacute;lica dando elementos de avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A &amp;uacute;nica coisa que n&amp;atilde;o se pode fazer &amp;eacute; separar e contrapor o sucessor de Pedro aos bispos, ou ent&amp;atilde;o os sacerdotes aos bispos, e manter a unidade do povo de Deus. Aqui voltam as palavras da &lt;em&gt;Lumen gentium&lt;/em&gt;: se a Igreja &amp;eacute; Povo de Deus e Corpo de Cristo, n&amp;atilde;o se podem colocar em contraste os elementos que pertencem tanto &amp;agrave; sua tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o quanto &amp;agrave; sua realidade viva.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Bento XVI proclamou um Ano da F&amp;eacute;. De que modo o senhor e o seu dicast&amp;eacute;rio ser&amp;atilde;o solicitados pela perspectiva sugerida pelo Papa a toda a Igreja?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	N&amp;oacute;s, como Congrega&amp;ccedil;&amp;atilde;o, olhamos para o Ano da F&amp;eacute; na perspectiva do primeiro an&amp;uacute;ncio. E cremos que o Ano da F&amp;eacute; seja antes de tudo um ano em que devemos rezar pela f&amp;eacute;, ou seja, pedir ao Senhor o dom de t&amp;ecirc;-la. Sem isso, todas as nossas obras e a rede de ajuda que abrange o mundo todo, em particular o mission&amp;aacute;rio, perderiam a sua verdadeira raz&amp;atilde;o de ser. Por isso tivemos a ideia de dar um pequeno sinal concreto: difundiremos um simples ros&amp;aacute;rio no qual as contas intermedi&amp;aacute;rias entre uma dezena e outra ser&amp;atilde;o de uma cor diferente, representando os cinco continentes, significando que aquela dezena &amp;eacute; particularmente dedicada &amp;agrave;s exig&amp;ecirc;ncias da evangeliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e da f&amp;eacute; daquele continente (as cores s&amp;atilde;o: branca para a Europa, vermelha para a Am&amp;eacute;rica, amarela para a &amp;Aacute;sia, azul para a Oceania e verde para a &amp;Aacute;frica). Ser&amp;atilde;o difundidos em todo o mundo, recolhendo os pedidos de ades&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m atrav&amp;eacute;s da internet. Assim todos os que quiserem, poder&amp;atilde;o rezar pela M&amp;atilde;e de Jesus para o an&amp;uacute;ncio do Evangelho em todos os continentes. Agrada-me pensar no convite que, em Can&amp;aacute; da Galileia, Maria fazia aos ajudantes: &amp;ldquo;Fa&amp;ccedil;am o que ele disser&amp;rdquo;. Se ouvirmos este convite, estaremos certos de que o Senhor n&amp;atilde;o deixar&amp;aacute; faltar &amp;agrave; Sua Igreja o melhor vinho da f&amp;eacute; para todo o mundo.&lt;/p&gt;
</description>
            <author>Entrevista com o cardeal Fernando Filoni por Gianni Valente</author>
        </item>
        <item>
            <title>
	Voltemos a Santo Agostinho
</title>
            <link>http://www.30giorni.it/articoli_id_78453_l6.htm</link>
            <description>&lt;p&gt;
	&amp;ldquo;N&amp;atilde;o seremos capazes de oferecer respostas adequadas, sem um acolhimento renovado do dom da Gra&amp;ccedil;a; n&amp;atilde;o saberemos conquistar os homens para o Evangelho, se n&amp;oacute;s mesmos n&amp;atilde;o formos os primeiros a viver uma profunda experi&amp;ecirc;ncia de Deus&amp;rdquo;. S&amp;atilde;o palavras de Bento XVI aos bispos italianos reunidos em assembleia plen&amp;aacute;ria, dia 24 de maio passado. Enquanto se aproxima o Ano da F&amp;eacute;, o sucessor de Pedro n&amp;atilde;o perde ocasi&amp;atilde;o para sugerir a &amp;uacute;nica coisa que realmente considera muito. S&amp;atilde;o tempos confusos, a serem vistos, todavia, com &amp;ldquo;um olhar reconhecido pelo crescimento do trigo bom tamb&amp;eacute;m num terreno que se apresenta muitas vezes &amp;aacute;rido&amp;rdquo;. Tempos em que a atualidade eclesi&amp;aacute;stica parece tornar mais evidentes e luminosas as palavras de Jesus &amp;ldquo;Sem mim nada podeis fazer&amp;rdquo; (Jo 15,5). &amp;ldquo;Eis que estou convosco todos os dias, at&amp;eacute; o fim dos tempos&amp;rdquo; (Mt 28,20).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Neste contexto monsenhor Francesco Moraglia viveu os primeiros passos do seu minist&amp;eacute;rio como novo patriarca de Veneza. As suas respostas, na entrevista que segue, s&amp;atilde;o uma ajuda simples para viver como tempo prop&amp;iacute;cio o iminente Ano da F&amp;eacute;. Livrando o campo de todo risco de &amp;ldquo;auto-ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; eclesial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;O novo patriarca de Veneza Francesco Moraglia durante a cerimônia de posse em 25 de março de 2012 [© Federico Roiter]&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/48-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 325px; height: 270px;&quot; /&gt;&lt;strong&gt;Bento XVI, durante a sua viagem a Portugal, disse: &amp;ldquo;Muitas vezes preocupamo-nos afanosamente com as consequ&amp;ecirc;ncias sociais, culturais e pol&amp;iacute;ticas da f&amp;eacute;, dando por certo que esta f&amp;eacute; exista, o que infelizmente, &amp;eacute; cada vez menos realista&amp;rdquo;. Depois convocou um Ano da F&amp;eacute;. O que o Papa quis sugerir deste modo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	FRANCESCO MORAGLIA: Convocando o Ano da F&amp;eacute;, o Santo Padre quis indicar aquela que desde sempre &amp;ndash; portanto hoje tamb&amp;eacute;m &amp;ndash; &amp;eacute; a realidade que fundamenta a vida do crente e da Igreja, ou seja, a f&amp;eacute;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;Eacute; justamente a concep&amp;ccedil;&amp;atilde;o que se tem da f&amp;eacute; que determina o consequente modo de entender o cristianismo, e sendo a f&amp;eacute; o in&amp;iacute;cio da vida crist&amp;atilde;, ent&amp;atilde;o para a f&amp;eacute; vale o que o evangelista Marcos diz a prop&amp;oacute;sito da par&amp;aacute;bola do semeador: se n&amp;atilde;o compreendeis esta como podeis entender todas as outras par&amp;aacute;bolas? Enfim: segundo a ideia que temos da f&amp;eacute;, origina-se e desenvolve-se um tipo de cristianismo ou um outro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Os jornais escrevem: esse Ano da F&amp;eacute; serve para &amp;ldquo;revitalizar&amp;rdquo; a f&amp;eacute;. Mas n&amp;oacute;s temos poder para isso? Somos n&amp;oacute;s &amp;ndash; a Igreja, o Papa, ou os fi&amp;eacute;is &amp;ndash; os art&amp;iacute;fices da nossa f&amp;eacute;?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A Igreja, o Papa, os fi&amp;eacute;is, assim como os te&amp;oacute;logos, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o a origem do ato de f&amp;eacute; e da vida do crente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Por isso devemos prestar aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de como falamos. No &amp;acirc;mbito humano e eclesial a linguagem reveste uma import&amp;acirc;ncia fundamental; ora, falar da Igreja apenas ou principalmente em termos de programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, assim como reduzir a evangeliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o a uma quest&amp;atilde;o de linguagem, leva inevitavelmente a pensar que, tudo somado, o ato de f&amp;eacute; parte dos homens. Desse modo tudo &amp;eacute; reduzido a uma opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o humana. Mas esta &amp;ndash; considerando muito bem &amp;ndash; &amp;eacute; a transposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, em termos pastorais, do pensamento de Pel&amp;aacute;gio; no meu modo de ver, hoje, mais do que nunca, devemos recordar o nome de Agostinho, a cuja escola todos, pastores e fi&amp;eacute;is, devemos retornar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Voltando &amp;agrave; sua pergunta: a Igreja, o Papa e os fi&amp;eacute;is podem &amp;ndash; propriamente falando &amp;ndash; revitalizar a f&amp;eacute;, principalmente, colocando-a com renovada for&amp;ccedil;a ao centro da vida eclesial e propondo-a como m&amp;eacute;todo de vida, melhor, como o caso s&amp;eacute;rio do crist&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Como inicia a f&amp;eacute;? Pode ser o resultado de um plano educativo que fa&amp;ccedil;a transparecer o sentido religioso do homem?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Limito-me a dizer que a f&amp;eacute;, sendo o termo da gra&amp;ccedil;a, &amp;eacute; puro dom! De fato, n&amp;atilde;o gostaria que, principalmente no contexto atual, diminuindo o vigor de tal afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o se acabasse &amp;ndash; como j&amp;aacute; disse &amp;ndash; por qualificar a f&amp;eacute; em termos demasiadamente humanos. Certamente a express&amp;atilde;o: a f&amp;eacute; &amp;eacute; pura gra&amp;ccedil;a, deve ser entendida no sentido de que a f&amp;eacute; sempre nos &amp;eacute; oferecida de modo humano, ou seja, interpelando a nossa liberdade e jamais prescindindo desta como da nossa responsabilidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Como se mant&amp;eacute;m, se alimenta e cresce a f&amp;eacute;? Como fazer para n&amp;atilde;o perd&amp;ecirc;-la? &amp;Eacute; quest&amp;atilde;o de tenacidade?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A f&amp;eacute; se mant&amp;eacute;m simplesmente vivendo-a cotidianamente na companhia da Igreja; dia ap&amp;oacute;s dia, portanto, ela se alimenta e cresce se pertencermos ao mundo da f&amp;eacute; e renovarmos todos os dias a escolha da f&amp;eacute;; em outros termos, deixando-se levar pela f&amp;eacute; e recordando que &amp;ndash; na realidade da vida &amp;ndash; para o crist&amp;atilde;o tudo &amp;eacute; dom. Certamente, descobrir-se criaturas e alegrar-se em s&amp;ecirc;-lo, sentir-se na pr&amp;oacute;pria pessoa e na pr&amp;oacute;pria hist&amp;oacute;ria como parte de um todo, de um projeto que sempre nos precede e acompanha, &amp;eacute; esta, podemos dizer, a gra&amp;ccedil;a da obra. Considero particularmente eficaz a express&amp;atilde;o usada por Bento XVI em &lt;em&gt;Porta fidei&lt;/em&gt;: &amp;ldquo;A f&amp;eacute; cresce quando &amp;eacute; vivida como experi&amp;ecirc;ncia de um amor recebido e &amp;eacute; comunicada como experi&amp;ecirc;ncia de gra&amp;ccedil;a e de alegria....&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Quando se fala da f&amp;eacute;, as chamadas ao Esp&amp;iacute;rito, &amp;agrave; Gra&amp;ccedil;a, a Jesus, &amp;agrave;s vezes parecem formul&amp;aacute;rios rituais, premissas obrigadas pelo &amp;ldquo;jarg&amp;atilde;o&amp;rdquo; eclesial, para depois passar ao &amp;ldquo;assunto verdadeiro&amp;rdquo; em que a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; dada &amp;agrave; estrat&amp;eacute;gia, &amp;agrave; f&amp;oacute;rmula a ser adotada, ao plano educacional que nos &amp;eacute; confiado.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Algumas vezes acontece que estas chamadas estejam quase ausentes da linguagem mesmo dos que se confessam crist&amp;atilde;os! Deste modo enfraquecem os fundamentos da vida batismal. E isso &amp;eacute; ainda mais grave se pensarmos que a linguagem &amp;eacute; a m&amp;aacute;xima for&amp;ccedil;a expressiva da cultura de uma pessoa; em algumas catequeses, por exemplo, passou-se da confiss&amp;atilde;o de Jesus Salvador, a Jesus entendido como mestre, depois amigo, e enfim como for&amp;ccedil;a espiritual.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Mas se a f&amp;eacute;, que na vida da pessoa e da Igreja &amp;eacute; essencialmente dom e cumprimento, &amp;eacute; desvalorizada nessa sua dimens&amp;atilde;o, e tudo leva a se tornar programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pastoral e constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o humana, ofuscando o Esp&amp;iacute;rito em escolhas organizativas, ent&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m a salva&amp;ccedil;&amp;atilde;o se torna um fato de pura programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o teol&amp;oacute;gica e organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o pastoral. Os exemplos n&amp;atilde;o faltam portanto limito-me a indicar um deles em &amp;acirc;mbito celebrativo lit&amp;uacute;rgico: o hiperativismo criativo e um certo protagonismo diante da assembleia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Em muitos discursos, a f&amp;eacute; &amp;eacute; identificada &lt;em&gt;e contrario&lt;/em&gt;, como se a sua afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o fosse antes de tudo uma resposta a tend&amp;ecirc;ncias e fil&amp;otilde;es culturais da modernidade em que vivemos. O que o senhor pensa desse tipo de abordagem? A f&amp;eacute; tem como primeiro andamento expressivo a confuta&amp;ccedil;&amp;atilde;o cultural da n&amp;atilde;o-f&amp;eacute;? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Sim &amp;eacute; verdade, o risco indicado existe mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A f&amp;eacute;, antes de tudo, deve ser a fiel a si mesma, ou seja, deve dizer Jesus Cristo, diz&amp;ecirc;-lo bem, diz&amp;ecirc;-lo a todos, diz&amp;ecirc;-lo de modo compreens&amp;iacute;vel e a partir &amp;ndash; como ensina a &lt;em&gt;Dei Verbum&lt;/em&gt; &amp;ndash; da Palavra de Deus transmitida pela Igreja.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A cr&amp;iacute;tica que era dirigida a uma certa manual&amp;iacute;stica coincidia justamente pelo deixar-se levar por determinadas &amp;ldquo;quest&amp;otilde;es&amp;rdquo; que se queria confutar, terminando por reduzir e at&amp;eacute; mesmo desvirtuar, de maneira inaceit&amp;aacute;vel, as verdades de f&amp;eacute; que, por si, queria-se anunciar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Concretamente, para aproveitar da ocasi&amp;atilde;o do Ano da F&amp;eacute;, o que &amp;eacute; preciso fazer? Tomar iniciativas? Fazer discursos?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A f&amp;eacute; &amp;eacute; resposta a uma pessoa &amp;ndash; &amp;agrave; pessoa de Jesus Cristo &amp;ndash;; ent&amp;atilde;o os discursos, as confer&amp;ecirc;ncias, os congressos por si s&amp;atilde;o ainda insuficientes diante da realidade humano-divina da f&amp;eacute;; seria suficiente se a f&amp;eacute; se colocasse unicamente no plano humano, se fosse uma pura escolha &amp;eacute;tica ou uma tese filos&amp;oacute;fica. Por&amp;eacute;m a f&amp;eacute;, ao inv&amp;eacute;s, pede para ser colhida e vivida na sua realidade &lt;em&gt;sacramental&lt;/em&gt;, ou seja, realidade humana e divina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Tenho certeza, para fazer um exemplo, que uma mais intensa participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e cuidadosa educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; celebra&amp;ccedil;&amp;atilde;o lit&amp;uacute;rgica, por parte do povo de Deus &amp;ndash; pastores e fi&amp;eacute;is &amp;ndash;, em vista de uma renovada vida de caridade para com Deus e o pr&amp;oacute;ximo, seja uma proposta congruente, um ponto certo de partida, em vista do Ano da F&amp;eacute;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Trata-se, repito, de envolver toda a comunidade eclesial no evento da P&amp;aacute;scoa &amp;ndash; morte/ressurrei&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ndash; de Cristo; deste modo somos logo levados ao centro do evento salv&amp;iacute;fico que se pode colher somente na f&amp;eacute;; o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do ato eucar&amp;iacute;stico se caracteriza, justamente como &lt;em&gt;mysterium fidei&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Jesus e a Samaritana, detalhe dos mosaicos da Basílica de São Marcos em Veneza&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/50-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: right; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 325px; height: 235px;&quot; /&gt;&lt;strong&gt;Se a f&amp;eacute; &amp;eacute; um dom de gra&amp;ccedil;a, no in&amp;iacute;cio e em cada passo do caminho, o que isso comporta para a Igreja, para a sua forma e para as suas din&amp;acirc;micas?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Comporta in&amp;uacute;meras coisas. Indico uma que me parece ajudar a compreender: aludo ao uso do adjetivo possessivo &amp;ldquo;nossa&amp;rdquo;, colocado diante do substantivo Igreja; esse &amp;eacute; um modo de se exprimir que comunica proximidade, afeto, simpatia para com a Igreja, por&amp;eacute;m se n&amp;atilde;o se tem a prontid&amp;atilde;o de mant&amp;ecirc;-lo unido &amp;agrave; outra express&amp;atilde;o: &amp;ldquo;Sua&amp;rdquo; Igreja, o risco &amp;eacute; de considerarmos a Esposa de Cristo como uma nossa criatura, um nosso produto, uma realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o humana que, resumindo, justamente porque &amp;eacute; &amp;ldquo;nossa&amp;rdquo; podemos sempre e de novo reconstruir ou destruir como quisermos. Ao inv&amp;eacute;s, a Igreja antes de tudo, &amp;eacute; &lt;em&gt;Sua&lt;/em&gt;, ou seja &amp;eacute; de Cristo que, segundo a bela simbologia patr&amp;iacute;stica dos primeiros s&amp;eacute;culos, depois retomada na Idade M&amp;eacute;dia, &amp;eacute; o sol, enquanto a Igreja se coloca como &lt;em&gt;mysterium lunae&lt;/em&gt; e &amp;eacute; totalmente iluminada pelo sol.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;&amp;Agrave;s vezes, tamb&amp;eacute;m na nossa recente atualidade eclesial, esta percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o do ponto de origem da Igreja parece se ofuscar para muitos crist&amp;atilde;os, com uma esp&amp;eacute;cie de invers&amp;atilde;o: de reflexo da presen&amp;ccedil;a de Cristo, passa-se a sentir a estrutura eclesial como uma realidade empenhada em atestar &lt;em&gt;a si mesma&lt;/em&gt; a pr&amp;oacute;pria presen&amp;ccedil;a relevante na hist&amp;oacute;ria. E esta atesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de si mesma &amp;eacute; apresentada como um modo para &amp;ldquo;demonstrar&amp;rdquo; a credibilidade do cristianismo. A que podem levar estas din&amp;acirc;micas?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Se perdermos de vista que o evento crist&amp;atilde;o &amp;eacute; algo real e hist&amp;oacute;rico, que se refere &amp;agrave; carne e ao sangue, ent&amp;atilde;o este fato nos leva a uma vis&amp;atilde;o &amp;ldquo;espiritualista&amp;rdquo; que n&amp;atilde;o consegue mais interceptar o homem concreto feito de carne e sangue.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Assim, se perdermos de vista que a Igreja &amp;eacute; corpo de Cristo, ent&amp;atilde;o, em cada circunst&amp;acirc;ncia, a Igreja estar&amp;aacute; em busca da sua legitima&amp;ccedil;&amp;atilde;o e afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o, tornando-se auto-referencial. Pensemos aos dois disc&amp;iacute;pulos de Ema&amp;uacute;s que n&amp;atilde;o percebem o Ressuscitado, continuam a falar dos seus problemas, das suas tristezas e n&amp;atilde;o conseguem abrir os olhos para Ele e v&amp;ecirc;-lo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;Eacute; o drama, sempre poss&amp;iacute;vel, da auto-referencialidade da Igreja, que quer dizer: perda da sua identidade sacramental; a Igreja, de fato, nos recorda ainda o Vaticano II, na &lt;em&gt;Lumen gentium&lt;/em&gt;, &amp;eacute; sacramento de Cristo e, assim, o ofuscamento desta realidade n&amp;atilde;o &amp;eacute; pouca coisa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;De modo an&amp;aacute;logo, &amp;agrave;s vezes parece que a inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de atestar a f&amp;eacute; no mundo seja confi&amp;aacute;vel a iniciativas extraordin&amp;aacute;rias ou mesmo espetaculares.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Mas encaminhar-se nesta dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o quer dizer contrastar o que Jesus disse e fez no Evangelho, e com a pr&amp;oacute;pria realidade do viver humano, feito de gestos cotidianos. Fazendo assim, a Igreja se autodestruiria, n&amp;atilde;o se pode viver, com efeito, de coisas extraordin&amp;aacute;rias, mas ordin&amp;aacute;rias: as coisas de todos os dias; o Evangelho n&amp;atilde;o &amp;eacute; para poucos eleitos e n&amp;atilde;o &amp;eacute; feito de coisas vividas &lt;em&gt;una tantum&lt;/em&gt;. Ao contr&amp;aacute;rio, &amp;eacute; quest&amp;atilde;o de salva&amp;ccedil;&amp;atilde;o todos os dias e para cada homem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;O in&amp;iacute;cio do Ano da F&amp;eacute; coincide com os cinquenta anos do in&amp;iacute;cio do Conc&amp;iacute;lio Vaticano II. Alguns atribuem a crise de f&amp;eacute; diretamente &amp;agrave;quele evento, chegando a interpret&amp;aacute;-lo como a origem do retrocesso do cristianismo ou at&amp;eacute; mesmo como o instrumento de penetra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um pensamento n&amp;atilde;o cat&amp;oacute;lico na Igreja. Qual &amp;eacute; a sua opini&amp;atilde;o sobre isso?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A minha ordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o sacerdotal ocorreu em 1977, portanto posso dizer que nasci teologicamente e como sacerdote depois do grande evento eclesial do Conc&amp;iacute;lio Ecum&amp;ecirc;nico Vaticano II. Se relermos os textos conciliares, se interpretarmos o esp&amp;iacute;rito a partir da letra e n&amp;atilde;o contra a letra, se n&amp;atilde;o nos jogarmos em afirma&amp;ccedil;&amp;otilde;es do tipo: &amp;ldquo;por fidelidade ao Conc&amp;iacute;lio &amp;eacute; preciso ir al&amp;eacute;m do Conc&amp;iacute;lio&amp;rdquo; (frase na qual cada um pode encontrar o que, a cada vez, mais lhe agrada), ent&amp;atilde;o n&amp;atilde;o podemos deixar de considerar o Conc&amp;iacute;lio como uma verdadeira gra&amp;ccedil;a para a Igreja do nosso tempo. Aqui tamb&amp;eacute;m, mais uma vez, Bento XVI nos indica a estrada principal falando da hermen&amp;ecirc;utica da reforma na continuidade e tomando dist&amp;acirc;ncia de toda a hermen&amp;ecirc;utica de ruptura.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;O Ano da F&amp;eacute; teve o seu precedente no ano de 1967 com Paulo VI, que culminou na proclama&amp;ccedil;&amp;atilde;o do &lt;em&gt;Credo do povo de Deus&lt;/em&gt;. Como o senhor viveu pessoalmente aquele per&amp;iacute;odo, como o recorda?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Na &amp;eacute;poca eu era um adolescente, tinha quatorze anos, recordo bem que se sentia nos meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de consequ&amp;ecirc;ncia na sociedade, o crescimento de um clima suspeito e todavia hostil ao magist&amp;eacute;rio da Igreja. Via-se com clareza a tentativa de dividir as estruturas eclesiais, contrapondo o magist&amp;eacute;rio &amp;ndash; principalmente o do Papa &amp;ndash; aos fi&amp;eacute;is, considerados o verdadeiro povo de Deus. Esquecia-se, ou talvez n&amp;atilde;o se quisesse recordar, que a &lt;em&gt;Lumen gentium&lt;/em&gt;, falando do povo de Deus como do deposit&amp;aacute;rio do poder prof&amp;eacute;tico e carism&amp;aacute;tico, afirma, citando Agostinho: &amp;ldquo;A universalidade dos fi&amp;eacute;is n&amp;atilde;o pode enganar-se na f&amp;eacute;...&amp;rsquo;quando desde os bispos at&amp;eacute; o &amp;uacute;ltimo dos fi&amp;eacute;is leigos&amp;rsquo; (cf. Santo Agostinho, &lt;em&gt;De praedestinatione Sanctorum&lt;/em&gt; 14, 27: PL 44, 980) manifesta consenso universal em mat&amp;eacute;ria de f&amp;eacute; e de costumes&amp;rdquo;. Eram anos em que, com uma oportuna catequese, se deveria mais do nunca sustentar e acompanhar a f&amp;eacute; dos simples diante do excessivo poder dos especialistas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;O Ano da F&amp;eacute; coincide com uma crise econ&amp;ocirc;mica que est&amp;aacute; abalando at&amp;eacute; as sociedades mais desenvolvidas. Alguns dir&amp;atilde;o que se busca ref&amp;uacute;gio no espiritual para suportar os problemas materiais. Que rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o tem a f&amp;eacute;, por exemplo, com a perda de emprego que est&amp;aacute; angustiando milh&amp;otilde;es de pessoas tamb&amp;eacute;m na It&amp;aacute;lia?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Refugiar-se na f&amp;eacute; apenas para n&amp;atilde;o sofrer pelos problemas materiais corresponde a uma ideia errada de f&amp;eacute;; aquele que cr&amp;ecirc;, com efeito, &amp;eacute; aquele que est&amp;aacute; ao lado do Senhor Jesus independentemente do fato de que as coisas, humanamente, v&amp;atilde;o bem ou mal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A f&amp;eacute;, &amp;ldquo;sobretudo&amp;rdquo;, n&amp;atilde;o se refere a alguma coisa que seja secund&amp;aacute;ria ao homem. O homem n&amp;atilde;o est&amp;aacute; j&amp;aacute; realizado em si prescindindo da sua rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com Jesus Cristo. Ao contr&amp;aacute;rio, a f&amp;eacute; &amp;eacute; aquilo que leva &amp;agrave; realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do humano respeitando-o na sua especificidade e autonomia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Dito isso, certamente a f&amp;eacute; sustenta de modo particular os que atravessam momentos dif&amp;iacute;ceis, ajudando-os a viv&amp;ecirc;-los e coloc&amp;aacute;-los em um horizonte mais amplo; por&amp;eacute;m com isso a f&amp;eacute; n&amp;atilde;o exime o crente da realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de todos os passos que humanamente deve cumprir e daquilo que tem a possiblidade de fazer .&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Em uma historieta, que circulava em &amp;acirc;mbito teol&amp;oacute;gico, alguns anos atr&amp;aacute;s, contava-se que um navio estava afundando e, ent&amp;atilde;o o comandante ordenou: &amp;ldquo;Os ateus &amp;agrave;s bombas e os crentes a rezar!&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;O senhor nasceu e cresceu em G&amp;ecirc;nova e agora &amp;eacute; patriarca de Veneza. H&amp;aacute; alguma coisa particular que caracteriza e aproxima a f&amp;eacute; das gentes do mar?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	O amor &amp;agrave; pr&amp;oacute;pria hist&amp;oacute;ria e a liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s pr&amp;oacute;prias ra&amp;iacute;zes, o manter vivas as recorda&amp;ccedil;&amp;otilde;es e as tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, o valor dado &amp;agrave; religiosidade popular e, ainda, entender o sentido da vida como viagem, e ir na dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma meta. Enfim, tamb&amp;eacute;m, uma grande abertura ao futuro e aos outros. Por outro lado, o mar une margens de pa&amp;iacute;ses e continentes diferentes, o mar torna poss&amp;iacute;vel a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os homens atrav&amp;eacute;s de encontros e trocas comerciais mas principalmente culturais; enfim, o mar, justamente na sua imensidade, torna-se s&amp;iacute;mbolo de Deus e da sua infinidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;O novo patriarca de Veneza Francesco Moraglia durante a cerimônia de posse em 25 de março de 2012 [© Federico Roiter]&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/83-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 325px; height: 256px;&quot; /&gt;&lt;strong&gt;E o que o senhor diria da sua f&amp;eacute;? Como nasceu? Quais acontecimentos e encontros a alimentaram?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A minha f&amp;eacute;, como assenso &amp;agrave;s realidades cridas, &amp;eacute;, agora, a mesma de muitos anos atr&amp;aacute;s enquanto eu me preparava &amp;agrave; primeira comunh&amp;atilde;o e de quando eu era coroinha; considero isso algo muito belo porque reflete mais uma vez a verdade do Evangelho. Aludo ao convite de Jesus: deixai vir a mim as criancinhas; assim &amp;eacute; que a f&amp;eacute; aparece &amp;ndash; como &amp;eacute; realmente &amp;ndash; para todos: crian&amp;ccedil;as e adultos, simples e doutos, ricos e pobres; aqui aparece, em um sentido verdadeiro, toda a &amp;ldquo;democraticidade&amp;rdquo; da f&amp;eacute;. A modalidade de ades&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o toca a subst&amp;acirc;ncia do ato de f&amp;eacute; que est&amp;aacute;, justamente, na gra&amp;ccedil;a, ades&amp;atilde;o ao mist&amp;eacute;rio e n&amp;atilde;o elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o cultural. Justamente por isso, os diferentes e m&amp;uacute;ltiplos modos de ades&amp;atilde;o, mais ou menos cultos, n&amp;atilde;o tocam a pr&amp;oacute;pria f&amp;eacute;, ou seja, o sim que salva.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;E quais indica&amp;ccedil;&amp;otilde;es o senhor dar&amp;aacute; para viver o Ano da F&amp;eacute;?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	A indica&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; redescobrir a f&amp;eacute; nas suas caracter&amp;iacute;sticas pr&amp;oacute;prias, superando qualquer prov&amp;aacute;vel redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o e desvirtualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O risco &amp;eacute; fazer disso uma realidade intelectual ou sentimental, n&amp;atilde;o colhendo-a mais como evento salv&amp;iacute;fico que leva a completar a humanidade; o homem, sozinho, n&amp;atilde;o consegue e a f&amp;eacute; permite-lhe de completar a sua humanidade, a f&amp;eacute; completa aquilo que a minha criaturalidade somente entrev&amp;ecirc; e preanuncia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Por isso, a indica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de m&amp;eacute;todo que Jesus d&amp;aacute; aos seus, quando os chama ao apostolado, &amp;eacute; fundamental. &amp;Agrave; pergunta: mestre, onde moras? Jesus responde convidando-os a segui-lo. N&amp;oacute;s tamb&amp;eacute;m no in&amp;iacute;cio deste Ano da F&amp;eacute;, como primeira coisa, devemos redescobrir a vida eclesial como &lt;em&gt;sequela Christi&lt;/em&gt;. Trata-se de viver n&amp;atilde;o somente &lt;em&gt;na&lt;/em&gt; Igreja mas, como dizia quase um s&amp;eacute;culo atr&amp;aacute;s Romano Guardini, &lt;em&gt;a&lt;/em&gt; Igreja. E para fazer isso &amp;eacute; fundamental reconcentra-se em uma ora&amp;ccedil;&amp;atilde;o mais aut&amp;ecirc;ntica &amp;ndash; especialmente a lit&amp;uacute;rgica &amp;ndash; e tamb&amp;eacute;m descobrir o gesto humilde da peregrina&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sinal de um caminho comum rumo a meta, que &amp;eacute; o Senhor Jesus, in&amp;iacute;cio e cumprimento da nossa f&amp;eacute;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;strong&gt;Papa Luciani, que tamb&amp;eacute;m foi patriarca de Veneza, como Papa fez as suas primeiras catequeses sobre f&amp;eacute;, esperan&amp;ccedil;a e caridade. De que modo a figura deste Papa pode oferecer temas de edifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o na atividade pastoral? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Este ano se comemora o centen&amp;aacute;rio do seu nascimento e procuraremos celebr&amp;aacute;-lo de modo digno. Para alguns foi at&amp;eacute; mesmo repreendido por ser fiel demais ao Papa e ao seu magist&amp;eacute;rio. Na realidade ele tentou at&amp;eacute; o fim harmonizar as coisas e encontrar solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es aos problemas. E hoje, h&amp;aacute; mais de trinta anos da morte, este patriarca permanece uma recorda&amp;ccedil;&amp;atilde;o muito viva no povo e nas par&amp;oacute;quias. Os venezianos, tanto da terra quanto do mar, conservam uma lembran&amp;ccedil;a gratificante e afetuosa da passagem deste patriarca. &amp;Eacute; recordado como um homem de Deus, um pastor que deixou uma marca entre o povo, pela concretitude dos seus serm&amp;otilde;es e pela sua capacidade de di&amp;aacute;logo e de ouvir.&lt;/p&gt;
</description>
            <author>Entrevista com o patriarca de Veneza Francesco Moraglia por Gianni Valente</author>
        </item>
        <item>
            <title>
	Ter visto o Papa rezar
</title>
            <link>http://www.30giorni.it/articoli_id_78455_l6.htm</link>
            <description>&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;O cardeal Jean-Louis Tauran entre os estudantes do Centro de Formação Profissional Inter-Faith, em Bokkos, na Nigéria [© Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso]&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/53-04-012.jpg&quot; style=&quot;float: left; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 325px; height: 225px;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Recentemente um professor da Universidade de T&amp;uacute;nis dirigiu-se aos seus estudantes assim: &amp;ldquo;Estejam atentos a n&amp;atilde;o deixar cair as canetas de suas m&amp;atilde;os, porque sen&amp;atilde;o nas suas m&amp;atilde;os ficar&amp;atilde;o as facas&amp;rdquo;. &amp;Eacute; um aviso muito s&amp;aacute;bio. Quanto mais a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; prec&amp;aacute;ria, mais o di&amp;aacute;logo &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio, porque n&amp;atilde;o h&amp;aacute; alternativa. Certamente para n&amp;oacute;s crist&amp;atilde;os &amp;ndash; nas escolas, nas universidades e nos hospitais que mantemos nos pa&amp;iacute;ses com maioria mu&amp;ccedil;ulmana &amp;ndash; temos o cuidado de testemunhar o nosso amor para com todos e sem condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es ou distin&amp;ccedil;&amp;otilde;es, e os nossos amigos mu&amp;ccedil;ulmanos apreciam sinceramente este comportamento. Dia ap&amp;oacute;s dia, trabalhando neste Pontif&amp;iacute;cio Conselho, redescubro uma dimens&amp;atilde;o algumas vezes deixada de lado: os nossos amigos mu&amp;ccedil;ulmanos respeitam as pessoas que rezam. Uma liturgia ou uma Eucaristia bem preparadas e bem celebradas constituem um v&amp;aacute;lido testemunho crist&amp;atilde;o. Jamais esquecerei, quando estava na Secretaria de Estado, o que me disse um embaixador de religi&amp;atilde;o mu&amp;ccedil;ulmana, vindo para a tradicional visita de despedida: &amp;ldquo;Depois de tr&amp;ecirc;s anos de miss&amp;atilde;o junto &amp;agrave; Santa S&amp;eacute;, o que mais me impressionou n&amp;atilde;o foi a sua posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica sobre o Oriente M&amp;eacute;dio ou o prest&amp;iacute;gio da diplomacia pontif&amp;iacute;cia, mas o fato de ter visto o Papa rezar&amp;rdquo;. Creio que isso seja para n&amp;oacute;s um tipo de convite para sermos sempre pessoas de f&amp;eacute;, a n&amp;atilde;o ter medo de manifest&amp;aacute;-la. Obviamente podem existir obst&amp;aacute;culos externos (a discrimina&amp;ccedil;&amp;atilde;o por motivos religiosos) ou tamb&amp;eacute;m internos (ignor&amp;acirc;ncia, pecado) que fazem com que o nosso testemunho n&amp;atilde;o seja sempre luminoso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;Eacute; importante que os que fazem o di&amp;aacute;logo tenham uma ideia clara do conte&amp;uacute;do da pr&amp;oacute;pria f&amp;eacute; e um perfil espiritual bem determinado: n&amp;atilde;o pode existir um di&amp;aacute;logo fundamentado na ambiguidade. Infelizmente, muitos jovens crist&amp;atilde;os t&amp;ecirc;m uma ideia superficial do conte&amp;uacute;do da sua f&amp;eacute;, por isso &amp;eacute; uma grande gra&amp;ccedil;a ter um papa como Bento XVI, que sabe testemunhar e ensinar que a nossa f&amp;eacute; n&amp;atilde;o &amp;eacute; um sentimento ou uma emo&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ndash; talvez tamb&amp;eacute;m o seja em alguns momentos &amp;ndash; e certamente n&amp;atilde;o &amp;eacute; um mito. Jesus Cristo existiu, foi homem entre os homens, viveu em um per&amp;iacute;odo e em um lugar historicamente determinado pela hist&amp;oacute;ria, foi morto e ressuscitou. Papa Bento fala-nos tamb&amp;eacute;m do equil&amp;iacute;brio entre raz&amp;atilde;o e f&amp;eacute;. Em uma homilia na Alemanha, dizia: &amp;ldquo;A f&amp;eacute; &amp;eacute; simples. Cremos em Deus, princ&amp;iacute;pio e fim da vida humana. Naquele Deus que entra em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o conosco, seres humanos&amp;rdquo;. Mas se perguntava: &amp;ldquo;&amp;Eacute; uma coisa razo&amp;aacute;vel?&amp;rdquo;. E especificava: &amp;ldquo;N&amp;oacute;s cremos que na origem est&amp;aacute; o Verbo eterno, a Raz&amp;atilde;o e n&amp;atilde;o a Irracionalidade&amp;rdquo; (santa missa em Regensburg, 12 de setembro de 2006).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Ao lado da f&amp;eacute; e da raz&amp;atilde;o, &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m importante a amizade. O di&amp;aacute;logo inter-religioso n&amp;atilde;o &amp;eacute; um di&amp;aacute;logo entre as religi&amp;otilde;es, mas entre os crentes chamados a testemunhar no mundo de hoje que n&amp;atilde;o s&amp;oacute; de p&amp;atilde;o vive o homem. Tudo come&amp;ccedil;a com o respeito para terminar com uma respeitosa amizade. Quando estamos diante de algu&amp;eacute;m que cr&amp;ecirc; e reza de modo diferente do nosso, &amp;eacute; preciso, antes de tudo, tomar tempo para olh&amp;aacute;-lo, entender as suas aspira&amp;ccedil;&amp;otilde;es espirituais; mais tarde faremos o exame do que nos distingue e do que, ao inv&amp;eacute;s, nos une. E se existe um patrim&amp;ocirc;nio comum, ent&amp;atilde;o cabe a todos n&amp;oacute;s oferec&amp;ecirc;-lo &amp;agrave; sociedade circunstante, porque o di&amp;aacute;logo religioso n&amp;atilde;o &amp;eacute; destinado &amp;agrave; minha comunidade, mas &amp;agrave; outra, &amp;agrave; do meu interlocutor. O di&amp;aacute;logo &amp;eacute; uma abertura que nos chama a aproximarmo-nos com delicadeza &amp;agrave; religi&amp;atilde;o e &amp;agrave; cultura dos outros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	O que mais me ajuda no meu trabalho? O testemunho admir&amp;aacute;vel dos crist&amp;atilde;os que tive a gra&amp;ccedil;a de encontrar nos pa&amp;iacute;ses do M&amp;eacute;dio e Extremo Oriente e recentemente na &amp;Aacute;frica. Sua ades&amp;atilde;o convicta &amp;agrave; f&amp;eacute;, sua fidelidade &amp;agrave; Igreja, o afeto filial que t&amp;ecirc;m pelo Papa, tudo isso &amp;eacute; de grande ajuda para todos. Jesus est&amp;aacute; ali, nestas pequenas comunidades. &amp;Eacute; a f&amp;eacute; dos simples, dispon&amp;iacute;veis em acolher o bispo que os visita, a pedir a b&amp;ecirc;n&amp;ccedil;&amp;atilde;o porque sabem atrav&amp;eacute;s de uma f&amp;eacute; intuitiva que a Igreja &amp;eacute; uma fam&amp;iacute;lia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Claro, depois da minha ordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o sacerdotal n&amp;atilde;o imaginava que devia viver o meu sacerd&amp;oacute;cio praticando o di&amp;aacute;logo, primeiro &amp;ldquo;diplom&amp;aacute;tico&amp;rdquo;, depois &amp;ldquo;inter-religioso&amp;rdquo;, ainda que, sobre as imagens da minha ordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o sacerdotal, eu tivesse mandado imprimir as palavras de Paulo aos Cor&amp;iacute;ntios: &amp;ldquo;Somos, pois, embaixadores de Cristo; &amp;eacute; como se Deus mesmo fizesse seu apelo atrav&amp;eacute;s de n&amp;oacute;s. Em nome de Cristo, vos suplicamos: reconciliai-vos com Deus&amp;rdquo; (2Cor5, 20).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	O di&amp;aacute;logo inter-religioso permitiu-me, devo confessar, aprofundar a minha f&amp;eacute;, porque quando pe&amp;ccedil;o a algu&amp;eacute;m como vive a pr&amp;oacute;pria f&amp;eacute;, sei que depois ser&amp;aacute; colocada a mim a mesma pergunta. No mundo pluralista de hoje, &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio como nunca que se diga claramente a raz&amp;atilde;o &amp;ldquo;da sua esperan&amp;ccedil;a a todo aquele que a pedir ... por&amp;eacute;m, com mansid&amp;atilde;o e respeito&amp;rdquo;, como recomendava Pedro (cf. 1 Pd3, 15-16).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;img alt=&quot;Bento XVI durante a recitação do rosário [© Associated Press/LaPresse]&quot; src=&quot;http://www.30giorni.it/upload/articoli_immagini_interne/103-11-010.jpg&quot; style=&quot;float: right; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; width: 225px; height: 389px;&quot; /&gt;Recentemente eu estava na Nig&amp;eacute;ria e fui convidado para visitar uma escola profissional fundada por um sacerdote, onde os jovens s&amp;atilde;o acolhidos por dois anos, tanto mu&amp;ccedil;ulmanos como crist&amp;atilde;os. Fiquei admirado pelo m&amp;uacute;tuo respeito que demonstravam, a alegria de estarem juntos e tamb&amp;eacute;m a dimens&amp;atilde;o religiosa que aquele sacerdote soube incutir-lhes, sem relativismo ou sincretismo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Tenho convic&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel viver juntos nas sociedades humanas dilaceradas pela viol&amp;ecirc;ncia e ser, como crentes, fermentos de perd&amp;atilde;o, de reconcilia&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de paz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Enfim, mais de uma vez foi-me perguntado se &amp;ldquo;padre Tauran&amp;rdquo; consegue dar testemunho no contexto de seus compromissos institucionais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	N&amp;atilde;o sei se a minha vida tenha sido um testemunho cr&amp;iacute;vel, por&amp;eacute;m depois da minha ordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o sempre tive a firma convic&amp;ccedil;&amp;atilde;o: devo ser antes de tudo sacerdote, quaisquer que sejam as circunst&amp;acirc;ncias. A coisa mais importante para um sacerdote mas tamb&amp;eacute;m para os fi&amp;eacute;is &amp;eacute; que, atrav&amp;eacute;s da nossa vida de cada dia, quem n&amp;atilde;o conhece Jesus, possa &amp;ldquo;descobrir&amp;rdquo; a sua presen&amp;ccedil;a no meio de n&amp;oacute;s. Por isso a import&amp;acirc;ncia de uma Igreja unida e mission&amp;aacute;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	Daqui a alguns dias pronunciarei em Rouen o paneg&amp;iacute;rico de Joana D&amp;rsquo;Arc e meditarei sobre algumas frases que ela pronunciou antes de morrer. Gostaria de citar uma que aprendi desde os tempos do Semin&amp;aacute;rio: &amp;ldquo;Dieu fait ma route / Deus faz o meu caminho&amp;rdquo;. A coisa importante na vida de todo crist&amp;atilde;o, e com maior raz&amp;atilde;o para um sacerdote ou um bispo, &amp;eacute; cultivar a liberdade interior para poder permitir a Deus realizar, apesar de nossos limites, o seu projeto: reunir todos os homens em uma &amp;uacute;nica fam&amp;iacute;lia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
	&lt;em&gt;(Texto reunido por Giovanni Cubeddu)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
</description>
            <author>pelo cardeal Jean-Louis Tauran</author>
        </item>
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