Rubriche
Extraído do número09 - 2009


PAPA

Os apóstolos não começaram a organizar, esperaram a ação de Deus, esperaram o Espírito Santo


Pentecostes

Pentecostes

No dia 5 de outubro, na abertura dos trabalhos do Sínodo dos Bispos para a África, Papa Bento XVI fez uma breve meditação depois da oração da Hora Tertia. Este é o incipit: “Demos início agora ao nosso encontro sinodal, invocando o Espírito Santo e sabendo bem que neste momento não podemos realizar tudo aquilo que temos a fazer pela Igreja e pelo mundo: só na força do Espírito Santo podemos encontrar o que é reto e depois atuá-lo. E todos os dias começaremos o nosso trabalho invocando o Espírito Santo com a oração da Hora Tertia ‘Nunc sancte nobis Spiritus’. Portanto, neste momento, juntamente convosco, gostaria de meditar um pouco sobre este hino, que abre o trabalho cada dia, agora no Sínodo, mas também depois na nossa vida quotidiana. ‘Nunc sancte nobis Spiritus’. Peçamos para que o Pentecostes não seja só um acontecimento do passado, o primeiro início da Igreja, mas seja hoje, aliás agora: ‘Nunc sancte nobis Spiritus’. Peçamos que o Senhor realize agora a efusão do seu Espírito e crie novamente a sua Igreja e o mundo. Recordemos que os apóstolos depois da Ascensão não iniciaram – como talvez teria sido normal – a organizar, a criar a Igreja futura. Esperaram a ação de Deus, esperaram o Espírito Santo. Compreenderam que a Igreja não pode ser feita, que não é o produto da nossa organização: a Igreja deve nascer do Espírito Santo. Como o próprio Senhor foi concebido e nasceu do Espírito Santo, assim também a Igreja deve ser sempre concebida e nascer do Espírito Santo. Só com este ato criativo de Deus podemos entrar na atividade de Deus, na ação divina e colaborar com Ele”.
Em uma outra passagem o Papa deteve-se sobre o significado, para os cristãos, da palavra confessio: “No capítulo 10 da Carta aos Romanos São Paulo interpreta a confissão do capítulo 30 do Deuteronômio. Neste último texto parece que os judeus, entrando na forma definitiva da aliança, na Terra Santa, tenham medo e não possam realmente responder a Deus como deveriam. O Senhor diz-lhes: não tenhais medo, Deus não está longe. Para alcançar Deus não é necessário atravessar um oceano desconhecido, não são necessárias viagens espaciais no céu, coisas complicadas ou impossíveis. Deus não está distante, não está do outro lado do oceano, nesses espaços imensos do universo. Deus está próximo. Está no teu coração e nos teus lábios, com a palavra da Torah, que entra no teu coração e se anuncia nos teus lábios. Deus está em ti e contigo, está próximo. Na sua interpretação, São Paulo substitui a palavra Torah pelas palavras confissão e fé. Diz: realmente Deus está próximo, não são necessárias expedições complicadas para chegar até Ele, nem aventuras espirituais ou materiais. Deus está próximo, com a fé está no teu coração, e com a confissão está nos teus lábios. Está em ti e contigo. Realmente Jesus Cristo com a sua presença dá-nos a palavra da vida. Assim entra, na fé, no nosso coração. Habita no nosso coração e na confissão levamos a realidade do Senhor ao mundo, a este nosso tempo. Este elemento parece-me muito importante: o Deus próximo. As coisas da ciência, da técnica incluem grandes investimentos: as aventuras espirituais e materiais são custosas e difíceis. Mas Deus doa-se gratuitamente. As maiores coisas desta vida – Deus, amor, verdade – são gratuitas. Deus doa-se no nosso coração. Diria que deveríamos meditar com frequência sobre esta gratuidade de Deus: não há necessidade de grandes dons materiais ou intelectuais para estar próximo de Deus. Deus doa-se gratuitamente no seu amor, está em mim no coração e nos lábios. Esta é a coragem, a alegria da nossa vida”.




PAPA

“O homem procura melhor e encontra mais facilmente Deus ‘com a oração do que com o debate’”


A abadia de Claraval em Milão

A abadia de Claraval em Milão

Na audiência geral de quarta-feira, 21 de outubro, Papa Bento XVI falou sobre São Bernardo de Claraval. Essa foi a conclusão: “Por vezes pretende-se resolver as questões fundamentais sobre Deus, sobre o homem e sobre o mundo unicamente com as forças da razão. São Bernardo, ao contrário, solidamente fundado na Bíblia e nos Padres da Igreja, recorda-nos que sem uma fé profunda em Deus, alimentada pela oração e pela contemplação, por uma relação íntima com o Senhor, as nossas reflexões sobre os mistérios divinos correm o risco de se tornarem uma vã prática intelectual, e perdem a sua credibilidade. A teologia remete para a ‘ciência dos santos’, para a sua intuição dos mistérios do Deus vivo, para a sua sabedoria, dom do Espírito Santo, que se tornam ponto de referência do pensamento teológico. Juntamente com Bernardo de Claraval, também nós devemos reconhecer que o homem procura melhor e encontra mais facilmente Deus ‘com a oração do que com o debate’. No final, a figura mais verdadeira do teólogo e de cada evangelizador permanece a do Apóstolo João, que apoiou a sua cabeça no coração do Mestre. Gostaria de concluir estas reflexões sobre São Bernardo com as invocações a Maria, que lemos numa sua bonita homilia. ‘Nos perigos, nas angústias, nas incertezas’ – diz ele – ‘pensa em Maria, invoca Maria. Que ela nunca abandone os teus lábios, nem o teu coração; e para obteres a ajuda da sua oração, nunca esqueças o exemplo da sua vida. Se a segues, não te podes desviar; se lhe rezas, não te podes desesperar; se pensas nela não podes errar. Se ela te ampara, não cais; se ela te protege, nada temes; se ela te guia, não te cansas; se ela te é propícia, alcançarás a meta’”.




MUNDO

O Nobel a Obama, a humildade de Niebuhr e o messianismo político


Obama com a família [© Associated Press/LaPresse]

Obama com a família [© Associated Press/LaPresse]

“Obama diz com frequência que a sua ascensão é fruto de americanos como Reinhold Niebuhr, um autor que aprecia muito por ter recomendado ao país não o messianismo político, mas a humilde consciência dos próprios limites [...]. Os gestos e as palavras podem fazer muito. Criam novas histórias e caminhos. Quando Willy Brandt, em 7 de dezembro de 1970, ficou de joelhos diante do memorial do gueto destruído de Varsóvia ainda não tinha reconhecido a linha Oder-Neisse entre a Alemanha e a Polônia. Aquele gesto mudou tudo, antes que o difícil itinerário começasse. Assim fez Obama na Filadélfia, no Cairo, na University of Notre Dame, na ONU”. É a conclusão do editorial do La Stampa de 11 de outubro, escrito por Barbara Spinelli, comentando o prêmio Nobel para a paz designado, dois dias antes, ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.




ALEMANHA

Westerwelle: emancipar-se a partir de 11 de setembro


Guido Westerwelle, ministro do Exterior do novo governo Merkel [© Associated Press/LaPresse]

Guido Westerwelle, ministro do Exterior do novo governo Merkel [© Associated Press/LaPresse]

“Depois da reunificação, a Alemanha encontrou sua primeira prioridade de política exterior na Europa, mas no final da antiga ordem não nasceu automaticamente uma nova ordem. Vejamos o debate na época nos Estados Unidos: a única coisa certa era que os EUA teriam indicado o caminho. Isolacionismo, “policiais de fronteira”, cooperação ou comportamento unilateral, todos os modelos estavam em jogo. Depois aconteceu o 11 de setembro de 2001, e a questão logo encontrou uma resposta. Por oito anos aquela data foi a mais importante da agenda internacional. Hoje chegamos em um momento em que devemos nos emancipar daquele 11 de setembro como momento de virada e de ancoragem da política internacional”. É a passagem de um discurso do líder do Partido liberal-democrata alemão, e novo ministro do Exterior da Alemanha Guido Westerwelle, publicado no la Repubblica de 30 de setembro.





Bento XVI com Riccardo Di Segni [© Associated Press/LaPresse]

Bento XVI com Riccardo Di Segni [© Associated Press/LaPresse]

Encontros/1
Riccardo Di Segni e Bento XVI

“É o prosseguimento de um caminho de encontro”. Palavras do rabino chefe de Roma, Riccardo Di Segni, publicadas no Corriere della Sera de 14 de outubro, comentando o anúncio da visita do Papa à Sinagoga de Roma, em programa para o próximo 17 de janeiro.


Encontros/2
Bagnasco, os rabinos e a polêmica sobre a oração pelos judeus

“‘A Conferência Episcopal Italiana confirma que Igreja Católica não tem intenção de operar ativamente pela conversão dos judeus’. Eis, preto no branco, a frase que recompõe a fratura criada depois da reintrodução da oração em latim da Sexta-feira Santa, Oremus et pro Judaeis, com a invocação para que os judeus ‘reconheçam Jesus’”. Assim foi sintetizada em um artigo publicado no Corriere della Sera de 23 de setembro, uma nota da CEI relativa aos encontro entre o presidente da Conferência Episcopal Italiana, o cardeal Angelo Bagnasco, o rabino Giuseppe Laras, presidente da Assembleia Rabínica Italiana, e Riccardo Di Segni, rabino chefe de Roma. No artigo registra-se também a satisfação dos interlocutores do cardeal pela positiva conclusão da polêmica.


Santos/1
Obama contente pela canonização de padre De Veuster

“‘Jozef De Veuster é um exemplo válido também hoje para combater a Aids’. Assim escreveu o presidente dos Estados Unidos Obama em uma mensagem ao Papa Bento XVI por ocasião da canonização do santo de origem belga que cuidou dos leprosos nas Ilhas do Havaí”. A notícia foi publicada no la Repubblica de 12 de outubro. Jozef Damiaan De Veuster (1840-1889), sacerdote da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e da Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento do Altar, foi canonizado a 11 de outubro, junto com os beatos Zygmunt Szczesny Felinski, bispo, Francisco Coll y Guitart, dominicano, Rafael Arnáiz Barón, cisterciense, e Marie de la Croix Jugan, fundadora da Congregação das Irmãnzinhas dos Pobres.


Santos/2
Vittorio Messori, o bem-aventurado Faà di Bruno e a pequena Bernadete

No Corriere della Sera de 12 de outubro Vittorio Messori escreveu um artigo sobre a importância dos santos na história humana e na vida cristã de todos os dias. E falou dos seus santos, aos quais foi confiado no ato batismal (os vários Vítor, Vitorino, Vitório e Jorge, seu segundo nome), e outros aos quais nutre uma particular devoção. A propósito destes últimos, depois de ter falado de Francisco Faà di Bruno, santo contemporâneo de dom Bosco, escreve: “Bernadete Soubirous, a analfabeta miserável que Maria escolheu para confiar-lhe a mensagem de Lourdes. O dies natalis desta santa corresponde ao meu aniversário: uma coincidência que contribuiu para uma minha grande devoção de amor e confiança a esta santa. Joseph Ratzinger nasceu no mesmo dia e não por acaso confirmou várias vezes que ele também considera aquela menina uma das padroeiras mais influentes no céu e, graças a ela, considera Lourdes um dos seus lugares mais amados. Os muitos santos Vitório e o Jorge rebaixado, embora ainda seja padroeiro de Gênova e da Grã-Bretanha, não ficarão sentidos: a riqueza cristã concede semelhantes liberdades”.


Cúria/1
Turkson presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz

No dia 24 de outubro Bento XVI nomeou o cardeal africano Peter Kodwo Appiah Turkson novo presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz. O cardeal africano assume o lugar do cardeal italiano Renato Raffaele Martino, que completa 77 anos em novembro. Turkson, 61 anos, sacerdote desde 1975, tinha sido eleito arcebispo de Cape Coast em Gana em outubro de 1992. Foi criado cardeal por João Paulo II no consistório de 21 de outubro de 2003. A nomeação de Tukson foi anunciada na conclusão do segundo Sínodo africano no qual Turkson teve o encargo de Relator Geral.


Cúria/2
Monteiro de Castro secretário do Sagrado Colégio

No dia 21 de outubro o Papa nomeou secretário do Colégio Cardinalício o arcebispo português Manuel Monteiro de Castro. O cargo está associado ao de secretário da Congregação para os Bispos, para o qual Monteiro de Castro tinha sido nomeado em 3 de julho.


Cúria/3
Suriani delegado para as representações pontifícias

No dia 24 de setembro Bento XVI nomeou o arcebispo italiano Luciano Suriani delegado para as representações pontifícias na Secretaria de Estado. Nascido na cidade italiana de Atessa, província de Chieti e arquidiocese de Chieti-Vasto, Suriani e foi ordenado sacerdote em 1981.
Diplomata da Santa Sé, prestou serviço nas representações pontifícias da Costa do Marfim, na Suíça, na Segunda Sessão da Secretaria de Estado (como secretário particular por oito anos do arcebispo, hoje cardeal Jean-Louis Tauran quando era “ministro do Exterior” vaticano), na nunciatura apostólica na Itália. Em fevereiro de 2008 chegou a sua nomeação a arcebispo e núncio apostólico na Bolívia. Consagrado em abril do mesmo ano, assumiu o posto em La Paz onde permaneceu poucos meses. Por problemas de saúde, agora superados, teve de voltar ao Vaticano como núncio a disposição da primeira sessão.


Cúria/4
Novos secretários para o Pontifício Conselho da Família e Justiça e Paz

No dia 22 de outubro o Papa nomeou secretário do Pontifício Conselho para a Família o francês Jean Laffitte, 57 anos, até agora vice-presidente da Pontifícia Academia para a Vida, elevando-o ao mesmo tempo à sede episcopal titular de Entrevaux. Ordenado sacerdote em 1989 pela diocese de Autun, Laffitte é membro da Comunidade de Emmanuel. A partir de 1994 foi professor e por um triênio (1999-2001), vice-presidente do Pontifício Instituto “João Paulo II” para estudos sobre o matrimônio e família. Em 2003 foi nomeado consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e em 2006 vice-presidente da Pontifícia Academia para a Vida. E em 2005 foi por alguns meses subsecretário do mesmo Pontifício Conselho para a Família.
Ainda no dia 22 de outubro o Papa nomeou secretário do Pontifício Conselho Justiça e Paz o vêneto padre Mario Toso, salesiano, 59 anos, elevando-o ao mesmo tempo à sede episcopal titular de Bisarcio. Padre Toso entrou na ordem dos salesianos em 1967, e foi ordenado sacerdote em 1978. Formou-se em Filosofia junto à Universidade Católica do Sagrado Coração de Milão (1978); obteve licenciatura em Filosofia na Universidade Pontifícia Salesiana (1981); e licenciatura em Teologia na Universidade Pontifícia Lateranense (1982). Desde 1980 era professor junto à Universidade Pontifícia Salesiana, em 1991 tornou-se professor catedrático de Filosofia Teorética; de 1994 a 2000 foi decano da faculdade de Filosofia da mesma Universidade e de 2003 a 2009 foi seu reitor magnífico.


Itália
Aldo Moro, o resgate preparado pela Igreja e os símbolos

As negociações pela liberdade de Aldo Moro por parte das Brigadas Vermelhas? “Quando se pode usar o dinheiro tudo é mais simples. Para Moro a Igreja tinha se empenhado e tinha sido encontrado o dinheiro, mas prevaleceram questões de outra natureza, mesmo simbólicas...”. É a conclusão de uma entrevista concedida pelo histórico expoente do Partido Socialista Italiano Rino Formica ao Corriere della Sera de 21 de outubro.


Diplomacia/1
Ventura novo núncio na França

No dia 23 de setembro o Papa Bento XVI nomeou o arcebispo italiano, Luigi Ventura, 65 anos em dezembro, núncio apostólico na França. O bispo, originário de Borgosatollo, província e diocese de Bréscia, foi ordenado sacerdote em 1969. Em 1978 entrou para o serviço diplomático da Santa Sé. Realizou a própria missão nas nunciaturas do Brasil, Bolívia, e Grã-Bretanha. Em 1984 foi chamado para trabalhar na Segunda Sessão da Secretaria de Estado, responsável pelas relações com os Estados. Colaborou também na secretaria particular do cardeal Agostino Casaroli, secretário de Estado até 1990. Em 1995 foi nomeado arcebispo e núncio apostólico na Costa do Marfim, Burkina Faso e Níger. Nomeado representante pontifício no Chile em 1999, desde 2001 era núncio no Canadá.


Diplomacia/2
Novos embaixadores das Filipinas, Holanda e Estados Unidos junto à Santa Sé

No dia 2 de outubro o Papa recebeu, em audiências separadas, as cartas credenciais dos novos embaixadores das Filipinas, dos Países Baixos e dos Estados Unidos junto à Santa Sé. Para as Filipinas apresentou-se a senhora Mercedes Arrastia Tuason, 79 anos, membro da pro-Life Foundation Inc. e também vice-presidente do conselho de administração da Cruzada para o Rosário das Famílias.
A nova embaixadora da Holanda é a baronesa H.J.C. Maria van Lynden-Leijten, 59 anos, já foi embaixadora na Bulgária e desde 2005 diretora do Departamento para a África do Norte e o Oriente Médio junto ao Ministério das Relações Exteriores.
De Washington chegou enfim Miguel Humberto Díaz, 46 anos, professor de teologia, presidente da Academy of Catholic Hispanic Theologians of the United States e membro da Karl Rahner Society e da Catholic Theological Society of America.


Diplomacia/3
Novo delegado da Comunidade Europeia junto à Santa Sé

No dia 19 de outubro o Papa recebeu o novo chefe da delegação da Comissão das Comunidades Europeias junto à Santa Sé. Trata-se de Yves Gazzo, 63 anos, nascido na Argélia, de nacionalidade francesa. Desde 2003 era chefe da representação da Comissão Europeia na França.


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