Um interessante congresso
O caminho já feito não é realmente marginal, mas é preciso intensificar os esforços para convencer de modo particular os jovens que nesta direção está o segredo para um futuro muito positivo do Velho Continente e – conseqüentemente – do mundo inteiro
Giulio Andreotti

Robert Schuman, então Ministro do Exterior francês, discursa durante a cerimônia de assinatura do Tratado para a Comunidade Européia de Defesa (CED), Paris, 27 de maio de 1952
Professores universitários e dirigentes de instituições comunitárias apresentaram de modo eficaz cada um dos aspectos do fascinante objetivo que desde o início os pais fundadores intuíram. O caminho já feito não é realmente marginal, mas é preciso intensificar os esforços para convencer de modo particular os jovens que nesta direção está o segredo para um futuro muito positivo do Velho Continente e – conseqüentemente – do mundo inteiro.
Os pais fundadores colocaram sabiamente o objetivo – e conseqüentemente os programas – em uma perspectiva de associada defesa militar. Era uma novidade que embatia contra uma tradição muito resistente em cada um dos países (começando pela França, que, com efeito, não aprovou o primeiro projeto).
A clara configuração destinada a realizar um modelo válido para evitar que pela terceira vez os contrastes entre França e Alemanha provocassem uma guerra mundial fora o importante ponto de partida da nova perspectiva histórica.
Nos últimos dias de sua vida, De Gasperi sofreu muito pelas notícias francesas sobre a hostilidade à ratificação do Tratado da Comunidade Européia de Defesa. Faleceu nove dias antes que o próprio Tratado fosse, de fato, recusado pela Assembléia Nacional.
São inesquecíveis para mim as recordações dos apaixonados encontros que se deram entre De Gasperi, Schuman e Adenauer sobre este tema. Como falavam em alemão, não tínhamos condições de acompanhar os raciocínios, mas era comunicativo o entusiasmo sobre esta autêntica revolução política da Europa.
Depois de sessenta anos, em que ponto estamos?
Através de várias etapas, muita estrada foi percorrida, criando ao mesmo tempo a convicção de que esta é a direção certa a ser seguida.
A minha geração cresceu com um objetivo completamente oposto, segundo o qual conferiam honra não as convergências mas os “muitos inimigos”. Segundo o costume do “vinteno” (período fascista) era uma das máximas escritas até nos muros das cidades. Este total isolamento realizado por Mussolini distinguiu a política exterior da Itália por um período, infelizmente, não breve.
No decorrer do citado congresso, tive a oportunidade de repetir uma minha antiga idéia de crítica à configuração dos textos escolares de história, que são quase todos baseados nas seqüências de guerras: sejam grandes ou pequenas em sua catalogação. Felizmente muitos professores corrigem oralmente este monopólio temático.
Fiz esta observação quando era estudante, mostrando que apenas poucas linhas eram destinadas à invenção da imprensa e a outras datas relevantes: tudo discorria na sucessão de grandes e pequenos conflitos (guerra dos cem anos, da secessão, e assim por diante).
Em tema de programas escolares, não quero deixar de aproveitar a ocasião para renovar a minha dissensão pelo espaço quase irrelevante que é reservado à História da Arte. Nos programas de alguns países no exterior é reservada uma maior atenção do que no nosso. Chega-se ao absurdo. Uma só hora semanal dedicada ao ensino desta relevante matéria.