Os cento e cinquenta anos da fundação do Colégio Pio Latino Americano
O “Continente da Esperança” na Cidade Eterna
Um dos sinais da predileção dos papas pela Igreja da América Latina (o “Continente da Esperança”, como o definiu Paulo VI) é o Pontifício Colégio Pio Latino-Americano, criado há cento e cinquenta anos por Pio IX e sempre sob a responsabilidade dos jesuítas. Ali viveram e se formaram gerações de sacerdotes e bispos. Percorremos sua história
de Pina Baglioni

Alunos do Colégio Pio Latino-Americano com o retrato de seu fundador, na foto mais antiga conservada no arquivo
O padre jesuíta José Adolfo González Prados, colombiano, há quatro anos reitor do Pontifício Colégio Pio Latino-Americano, tira, com certa contrariedade, a preciosa coleção de velhas fotos de um armário de metal. Mostra-nos outros retratos, outros rostos de seminaristas que se revezaram ao longo das décadas. Os da década de 1970 chamam a atenção, quase todos com seus cabelos longos, jeans e tênis. “Em 1973, estive no Pio Latino como vice-reitor”, explica padre González. “Já então tínhamos mais sacerdotes que seminaristas. Lembro-me de que naquele período não queriam saber da túnica, gostavam de se vestir como a maior parte das pessoas de sua idade. Diferentemente daqueles anos, digamos ‘tumultuosos’, hoje os sacerdotes do Colégio não escondem quem são e vestem o clergyman de boa vontade”, diz, indicando, enquanto isso, quais dos jovens daquelas velhas fotos se tornaram bispos, cardeais, ilustres teólogos, e os que voltaram para sua pátria, os que morreram para testemunhar o Evangelho. “Tivemos nossos mártires, e continuamos a ter: por exemplo, o colombiano Isaia Duarte Cancino, bispo de Cáli, assassinado pelos narcotraficantes. O arcebispo salvadorenho Óscar Amulfo Romero também morou aqui, entre 1937 e 1942, quando estudava teologia na Gregoriana”, lembra-se. “Estão em processo algumas causas de beatificação de ex-seminaristas nossos que morreram no exercício de seu ministério sacerdotal.”
O reitor é pessoa de poucas palavras. Leciona Teologia Espiritual na Gregoriana. “Mas não é um dos cursos mais importantes”, se esquiva. E, para nos contar um século e meio de vida do prestigioso Pio Latino-Americano, entrega-nos algumas anotações breves numa folha de papel: de 21 de novembro de 1858, data da fundação, até outubro deste ano, o Colégio educou 32 futuros cardeais, 438 futuros bispos e 3.971 seminaristas e sacerdotes. “Desde 1975, só damos hospedagem a sacerdotes, de preferência que não tenham mais de 35 anos. Tivemos seminaristas até 1974: hoje, na realidade, somos um internato sacerdotal, mas queremos continuar a nos definir colégio, não apenas por tradição, mas porque esperamos que um dia a Providência nos mande novos seminaristas”.
Hoje, no Colégio Pontifício, que desde 1973 estabeleceu sua residência na via Aurelia antiga, às costas da Cidade do Vaticano, vivem setenta sacerdotes. Eles vêm de Cuba, Santo Domingo, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Haiti, Venezuela, Peru e, sobretudo, da Colômbia. Estudam quase todos na Universidade Gregoriana, para obter a graduação ou o doutorado, principalmente em Teologia. Mas também em Filosofia, Direito Canônico, História Eclesiástica, Sagrada Escritura, Missiologia e Ciências Sociais. “Já adultos”, quando voltam para casa, mais da metade deles vai lecionar nos seminários de suas cidades, respondendo à solicitação de seus bispos.
Os festejos pelos cento e cinquenta anos da fundação dessa instituição de grande prestígio ocorrerão também de maneira muito sóbria, no próximo mês de fevereiro. “Será uma celebração doméstica: virão quatro bispos da América Latina para retomarmos, juntos, uma história maravilhosa. O momento mais importante será o de 19 de fevereiro, quando seremos recebidos por Bento XVI. Estamos muito felizes por isso.”
Basta dar uma olhada pelas paredes dos longos corredores, pelas salas e salinhas do Colégio para entender quem foram os protagonistas do início dessa história maravilhosa. Os retratos, os bustos em mármore, as inscrições: tudo remete às figuras do papa Pio IX e do sacerdote chileno Ignacio Victor Eyzaguirre, considerados co-fundadores do Pio Latino-Americano. Passeando pelo esplêndido complexo, é comovente deparar com a planeta com a qual foi ordenado sacerdote Giovanni Maria Mastai Ferretti, o futuro Pio IX, confeccionada com o tecido do manto nupcial de sua mãe. Nela está costurado um fragmento de tecido no qual aparece a inscrição “Pio IX”, em latim e árabe. “É um verdadeiro mistério essa inscrição em árabe. Ninguém sabe quem a escreveu, quando e por que”, acrescenta o reitor. Bem na entrada, vemos a foto de um sorridente João Paulo II em visita ao Colégio, a 17 de janeiro de 1982, para festejar os cento e vinte e cinco anos da fundação.
Ao lado da memória constante de Pio IX e de Eyzaguirre, há a presença de Nossa Senhora. Uma grande imagem de Nuestra Señora del Colegio, proveniente da antiga sede do bairro Prati, com vários anjinhos esvoaçando ao redor, monta guarda na frente da capela. E vemos ainda a Virgen Morenita de Guadalupe, padroeira e rainha da América Latina. As imagens que a representam, feitas com todas as técnicas possíveis e imagináveis, estão por toda parte. Entre elas, encontramos também a do mosaico da esplêndida capela projetada pelo padre catalão Luigi Palomera para as celebrações litúrgicas feitas no Colégio, com o altar no centro. “É aqui que acontece o momento mais esperado da semana: toda quinta-feira, às 19, celebramos a missa todos juntos. Durante a Eucaristia, os cantos litúrgicos são acompanhados pelos instrumentos de sopro típicos de nossos países. Afinal, somos um fragmento da América Latina no coração de Roma”.

Numa foto da década de 1930, seminaristas passeiam lendo o breviário no terraço do Colégio, na sede de via Gioachino Belli, no bairro Prati, em Roma
O crédito pela ideia de costurar um fragmento da América Latina no coração de Roma para a formação do clero latino-americano deve ser dado ao tenaz sacerdote Ignacio Victor Eyzaguirre. “Se um continente do mundo precisa estreitar mais e mais seus laços de união com o centro da unidade católica, é, sem dúvida alguma, a América”, escrevia Eyzaguirre em janeiro de 1856, num memorial destinado ao papa Pio IX. “Portanto, se a Santa Sé patrocinou e promoveu na capital do mundo cristão seminários eclesiásticos para diversos países da Europa e da Ásia, erguer um para a América espanhola e portuguesa não parece menos meritório da pia consideração de Sua Santidade”.
A Igreja latino-americana era afligida por uma grave crise desde os tempos de José I de Portugal e Carlos III da Espanha, rdotes se retiraram então dos territórios dominados pelos revoltosos, retornando, em sua maioria, para a Espanha, enquanto outros, entre os membros do clero e do próprio episcopado, foram afastados de suas sedes pelos novos governos.
Assim, houve nas primeiras décadas do século XIX o chamado “interregno trágico” no governo das dioceses: em 1830, nada menos que 8 das 10 sedes episcopais do México, por exemplo, estavam vacantes.
Por uma curiosa combinação do destino, eis que o paladino de um projeto que se revelaria decisivo para a história da Igreja latino-americana veio a encontrar justamente o primeiro papa que havia posto os pés nesse continente. Em julho de 1823, de fato, o sacerdote Giovanni Maria Mastai Ferretti, então com pouco mais de trinta anos, viajara para o Chile e a Argentina, participando de uma missão pontifícia dirigida por dom Giovanni Muzi. A missão era uma resposta ao desejo do governo chileno, que em 1822 pedira à Santa Sé o reconhecimento da República e a nomeação de um representante pontifício. No entanto, entre a data do convite e a da chegada da delegação pontifícia, o governo havia mudado, e o novo não queria um representante pontifício. Mastai Ferretti não desanimou, e aproveitou a oportunidade para reunir todas as informações que pudessem ser úteis para despertar uma maior proximidade do país com a Santa Sé, como fica claro nos muitos testemunhos e cartas que ele escreveu ao secretário de Estado, o cardeal Giulio della Somaglia (De Marchi, G. Lezioni di storia della diplomazia pontificia, pró-manuscrito).
Em 1856, quando o chileno Eyzaguirre pediu uma audiência, o papa Pio IX parecia não esperar outra coisa: acolheu-o de braços abertos, deu-lhe imediatamente sua total aprovação à fundação de um colégio latino-americano, prometendo, ainda, todo tipo de ajuda.

Missa celebrada na capela do Colégio, presidida pelo superior-geral da Companhia de Jesus, padre Adolfo Nicolás, por ocasião dos cento e cinquenta anos de fundação, a 21 de novembro de 2008
Eyzaguirre viajou para a América Latina carregado de cartas do Papa destinadas aos bispos sul-americanos: nelas, Pio IX pedia seminaristas e dinheiro para iniciar o projeto. Em janeiro de 1858, depois de percorrer todo o continente, Eyzaguirre voltou para Roma com 58.700 pesos no bolso, levando consigo os primeiros alunos: dez argentinos, seis colombianos e um peruano, escolhidos entre os mais capacitados de sete dioceses diferentes. Uma parte do dinheiro foi empregada no aluguel de um espaço provisório, anexado à igreja de Santo André do Vale, e a inauguração ocorreu em 21 de novembro desse mesmo ano, na capela do edifício; durante a cerimônia, aqueles primeiros dezessete estudantes se consagraram solenemente a Nossa Senhora. Nesse meio tempo, o Papa deliberou entregar a direção da nova instituição aos padres da Companhia de Jesus, de modo que a formação daqueles jovens fosse alimentada pelo livro dos Exercícios espirituais de Santo Inácio. Os melhores estudantes foram enviados para o Colégio Romano, para estudar Teologia Dogmática e Moral e Filosofia, e foram ajudados por professores particulares em todas as matérias. Os menos instruídos, que não conheciam uma única palavra em latim, foram enviados para um colégio público. Apenas três anos depois os seminaristas se mudaram para um prédio dos beneditinos em Santa Maria de Minerva. Aquela foi uma temporada terrível: os jovens mal se adaptavam à férrea disciplina do Colégio. Assim, foi necessário instituir, em fevereiro de 1863, uma comissão “para o bom governo e a conservação do Colégio”. Mas, mais que a comissão, o que pareceu resolver o problema foi a iniciativa do reitor Francisco Vannutelli, que decidiu fundar uma congregação mariana, graças à qual os seminaristas foram convidados a rezar o rosário e a entoar o canto Ave maris Stella todos os dias. Os frutos logo foram vistos: uma vida espiritual mais intensa, a observância das regras, visitas aos enfermos nos hospitais, disposição para servir na missa e nos trabalhos domésticos. Mas os pobres seminaristas começaram a adoecer, em razão da precariedade daquelas primeiras moradias no centro de Roma, asfixiantes no verão e pouco aquecidas no inverno. Alguns morreram de febre amarela, outros de tuberculose. Justamente por isso, em 1867, os administradores do colégio decidiram que era hora de ir para Santo André do Quirinal, ao lado da residência do Papa, onde os ares eram outros. Naquele mesmo ano era celebrado o décimo oitavo centenário do martírio de São Pedro e São Paulo e, entre os quinhentos bispos que tinham ido a Roma de todas as partes do mundo, os latino-americanos trouxeram consigo novos estudantes para o colégio, que, assim, passou a ter 59 seminaristas no total (cf. Ascencio, S.J., Luis Medina, Historia del Colegio Pio Latino-Americano. Roma: 1858-1978, Editorial Jus, 1979, pp. 45-53). Mas aquele ano de 1867 deve ser lembrado também porque o Papa demonstrou mais uma vez todo o seu afeto: além de doar dinheiro, quadros e livros, permitiu também que, em sua homenagem, o colégio se chamasse “Pio” Latino-Americano.
O primeiro Concílio Plenário da América Latina
Enquanto isso, aumentava o número de hóspedes do colégio: em julho de 1870, durante o Concílio Ecumênico Vaticano I, os bispos latino-americanos que foram a Roma levaram mais estudantes consigo, ampliando o número para 82.
Com o fim do poder temporal e tendo-se Roma tornado capital do Reino da Itália, foi necessária até mesmo a intervenção do imperador do Brasil junto ao governo italiano para impedir que os estudantes fossem expulsos de Santo André do Quirinal. Eles receberam permissão para continuar na colina até encontrar uma nova residência. Graças à ajuda de Pio IX, primeiro, e depois de Leão XIII, a nova morada foi identificada e efetivada em 1887, na via Gioachino Belli, no bairro Prati. Assim, o nomadismo do Pio Latino, ao menos nos 75 anos seguintes, finalmente se interrompeu.
Nesse meio tempo, o número de seminaristas chegara a 120, e o prestígio do colégio cresceu a tal ponto que, em 1899, as instalações de via Belli hospedaram o primeiro Concílio Plenário da América Latina, com a presença de 53 bispos e arcebispos do continente. Durante o Concílio, Leão XIII decidiu estender também às Filipinas o convite a que enviassem seus seminaristas ao Pio Latino.
Um elemento constante aparece em toda essa história: o afeto profundo do papa, não apenas de Pio IX, mas de todos os seus sucessores. Em 19 de março de 1905, Pio X pediu abertamente aos bispos latino-americanos que “enviassem a Roma pelo menos um aluno por ano, sem ligar para as despesas. [...] Pois, entre as obras que mostram o cuidado dos Sumos Pontífices com a América Latina, o primeiro lugar sem dúvida pertence ao colégio fundado em Roma por nosso predecessor Pio IX”. E não foi só isso: Pio X foi quem concedeu ao colégio, com a carta Sedis Apostolicae, o título de “Pontifício”, e quem o entregou definitivamente à direção da Companhia de Jesus. Depois dele, Bento XV, Pio XI e Pio XII insistiram na utilidade de um número cada vez maior de latino-americanos aspirantes ao sacerdócio ir formar-se em Roma. “Os alunos do Pio Latino, não menos que os de outros colégios, encontram em Roma mestres de virtude e ciência”, chegou a sublinhar o papa Pacelli, “mestres que, por sua vez, cada um em seu ramo, foram igualmente objeto de cuidadosa seleção” (Discursi e Radiomessaggi di Sua Santità Pio XII, Cidade do Vaticano, Tipografia Poliglota Vaticana, 1956, X, p. 456).

Paulo VI em visita ao Colégio para a inauguração da sede de via Aurelia, em 30 de novembro de 1963
A predileção dos pontífices por esse colégio era mais que justificada: fundado em 1858, com 17 seminaristas, no biênio 1928-29 acolhia em sua casa 300. Era demais, até para a residência de via Belli, mais espaçosa. Os administradores do colégio decidiram então “separar” uma parte dos seminaristas, os brasileiros, que, em razão da língua e da vontade de seus bispos, seguiram por conta própria, fundando o Pontifício Colégio Pio Brasileiro, em 3 de abril de 1934. O endereço escolhido foi Villa Maffei, na via Aurelia, um espaço na pradaria romana, doado por Pio IX em 1859 ao recém-nascido Pio Latino-Americano para as férias de fim de semana dos estudantes. Com o tempo, outras partes se destacaram, iniciando novos colégios: em 1961, saíram os filipinos e, em 1967, os mexicanos.
Enquanto isso, o Pio Latino continuava seu caminho: em 1958, durante os festejos por seus primeiros cem anos de vida, que o papa Pio XII considerava “visivelmente abençoados por Deus e fecundos em toda espécie de bem”, o colégio acolheu o primeiro congresso de reitores dos seminários maiores do continente latino-americano. Nesse mesmo ano, a Conferência Episcopal da América Latina (Celam) recebeu seu batismo em via Belli, 3. Mas havia chegado a hora de deixar também o bairro Prati e de pensar numa residência ainda mais espaçosa: crescia o número de alunos enviados pelas dioceses latino-americanas todos os anos, e o colégio vinha sendo obrigado a recusar vários pedidos de admissão. Os administradores decidiram construir um novo edifício nos terrenos de Villa Maffei, para onde já se mudara o Pio Brasileiro. Em dezembro de 1960, o papa João XXIII, na presença dos superiores, dos alunos e de todo o corpo diplomático da América Latina, foi abençoar a deposição da primeira pedra do futuro Colégio. Era uma pedra tirada das Grutas Vaticanas, mais precisamente de antigas construções limítrofes ao sepulcro de Pedro. Esse fato seria lembrado por Paulo VI em 30 de novembro de 1963, por ocasião de sua visita ao colégio para a inauguração da sede de via Aurelia: “Esta pedra angular foi retirada com a intuição de sua finalidade, [...] quase como se simbolizasse os fundamentos mais profundos sobre os quais se sustenta o colégio: a fidelidade, o apego e a afeição sincera pela Sé Apostólica”. E acrescentou: “Sede dignos da hora solene que vive hoje a Igreja inteira, a hora do Concílio Ecumênico: sabei viver seu espírito e penetrar suas profundidades ocultas. Da Roma eterna e sagrada, sabei captar e conservar o perfume cristão, que conduzireis a vossas almas e sabereis difundir por vossas terras”.
O período do Concílio foi de grande euforia. A onda de otimismo atravessou também o novo Pio Latino de via Aurelia, quinta “etapa” da peregrinação que o colégio havia vivido desde suas origens: o edifício possuía nada menos que trezentos quartos. Havia até um andar destinado aos padres jesuítas, outro aos cardeais e aos bispos em visita a Roma e outro, ainda, às religiosas. “No entanto, dali a pouco nos demos conta de termos sido otimistas demais”, conta o atual reitor, padre González: “O número de seminaristas começou a diminuir aos poucos. Estávamos atravessando anos de grande desorientação. Basta pensar que, para encher aquele edifício gigantesco, chegamos a ser sede também do Colégio Lombardo. Depois de alguns anos, nos demos conta de que havia chegado o momento de vender a sede e encontrar uma menor, mais adequada à realidade. Foi assim que, em 1973, o Pio Latino mudou de endereço mais uma vez, estabelecendo sua residência definitiva aqui, na via Aurelia antiga”. Um lugar muito bonito, encravado num parque setecentista limítrofe ao Instituto Don Guanella. Às costas do edifício, uma casinha de 1660 hospeda uma biblioteca com obras preciosas de Direito Canônico dos séculos passados, doadas pelos bispos latino-americanos.
“Hoje, os sacerdotes que aperfeiçoam seus estudos conosco, em Roma, têm um ‘frescor’ maior que os de 1968. São mais livres de um ponto de vista ideológico”, acrescenta o reitor. “Sabem que quando voltarem para sua pátria encontrarão pobreza, muita pobreza. Sobretudo nas paróquias rurais. E, em alguns países, como a Colômbia, a guerrilha e massacres de padres e religiosas. Mas eles estão aprendendo as respostas a tudo isso aqui em Roma, ao lado do Papa e dos sepulcros dos primeiros mártires. Sabem que terão de responder a tudo isso da ‘maneira da Igreja’: testemunhando o Evangelho com confiança e simplicidade. Levando em conta que nosso povo, mesmo fascinado pelas seitas protestantes que penetram nas casas e nas famílias graças a sua, digamos assim, maior ‘afetuosidade’, confiam ainda muito na Igreja, em seu grande coração, sempre próximo dos oprimidos”, acrescenta. “Mas há uma outra coisa que os aguarda, e que é a mais urgente: a perda da fé. É preciso ensinar de novo o catecismo, o á-bê-cê do cristianismo. É isso que o povo espera deles. E eles precisarão fazer isso”.