O túmulo dos apóstolos
Santo André
O primeiro dos apóstolos a ser chamado
de Lorenzo Bianchi

Santo André
A Paixão de André, antigo relato do início do século VI, narra a morte de André em Patras, martirizado por volta do ano 60 (o martírio, na realidade, talvez tenha acontecido alguns anos mais tarde), sob o procônsul romano Egeias, que o condena ao suplício da crucificação. Analogamente ao irmão Pedro, André, segundo o relato, pede a crucificação numa cruz diferente da de Jesus: uma cruz decussada, em forma de “X”, que será a partir de então a característica principal na iconografia do apóstolo. Também nesse caso, como no de Pedro, a tradição traz muito provavelmente um dado histórico real: essa era realmente uma forma de suplício conhecida no mundo romano.
A tradição antiga é unânime também em indicar Patras como local da sepultura de André. De lá, como sabemos primeiro por Jerônimo (Os homens ilustres, III, 7, 6) e depois pelo Chronicon Paschale da primeira metade do século VII, no ano de 357 o corpo de André foi trasladado pelo imperador Constâncio II para Constantinopla, com o do evangelista Lucas, e posto no Apostoleion, a basílica dedicada aos apóstolos, para onde, no ano anterior, tinha sido trasladado também o corpo de Timóteo. Por fontes posteriores, podemos deduzir que talvez não tenha sido todo o corpo de André que chegou a Constantinopla, pois quase toda a cabeça pode ter ficado em Patras. A esse momento cronológico está ligada a notícia legendária da trasladação de parte das relíquias de André para a Escócia (nação que fez dele seu padroeiro e adotou a cruz de seu martírio como emblema em sua bandeira). As relíquias teriam sido levadas para a cidade de Kilrymont (hoje Saint Andrews), por obra de São Régulo, segundo uma tradição que provavelmente nasceu depois da evangelização iniciada em 597, por impulso do papa Gregório Magno e obra do monge Agostinho (Santo Agostinho de Canterbury). Preservadas, segundo a tradição, na Catedral de Santo André, em Edimburgo, essas relíquias desapareceram depois da destruição do interior do edifício, por obra dos protestantes, em 14 de junho de 1559.

Catedral de Santo André Apóstolo, Amálfi
Já a parte da cabeça preservada em Patras, correndo o risco de acabar nas mãos dos turcos, que avançavam na conquista de Acaia, foi transportada com solene cerimônia para Roma, em 1462, levada para lá a pedido do papa Pio II por Tomás Paleólogo, déspota de Moreia em fuga, e preservada em São Pedro (no chamado pilar de Santo André) até junho de 1964, quando, por vontade de Paulo VI, foi restituída, em sinal de amizade pela Igreja Ortodoxa, ao bispo metropolita de Patras, onde hoje repousa na igreja dedicada a André, erigida no lugar que a tradição indica como o de seu martírio. O mesmo Paulo VI doou, em 1969, uma relíquia de André à Catedral de Santa Maria, em Edimburgo, onde é venerada com uma outra doada pelo arcebispo de Amálfi em 1879, depois do restabelecimento da hierarquia católica na Escócia.