Editorial
Entre os trabalhos aos quais me dediquei, assume um papel importante a leitura dos documentos pontifícios para participar do livro As Encíclicas Sociais dos Papas
Giulio Andreotti

Giotto, A Crucificação, Capela degli Scrovegni, Pádua
A máxima do “infeliz aquele que está só” não pode aparecer em contradição com o elogio da solidão definida “sola beatitudo”.
De resto, o cristianismo nasce na colegialidade do collegio dos apóstolos no qual, porém, há também a figura do traidor (Judas).
O último documento papal intitula-se eficazmente Caritas in veritate. As encíclicas não são apenas textos de cultura e de meditação, mas representam uma precisa indicação de vida.
Jesus disse que o reconheceremos no amor dos próprios homens; infelizmente é uma experiência rara e contrastada e não por acaso o amor desinteressado é definido como atributo da divindade. Deus mesmo é definido amor (Deus caritas est) em uma síntese de rara e tocante eficácia na qual está resumida toda a teologia cristã fundamentada no amor.
Porém, ao longo dos séculos, a relação entre os homens inspirou-se sempre menos na compreensão recíproca e nas convergências e infelizmente pesam de maneira muito forte os contrastes e as divisões. A uma concepção superficial das relações que vê no contraste a regra de vida devemos substituir a consciência do Deus-Amor que resume eficazmente todo o Novo Testamento.
O humanismo cristão está certamente no antípoda da realidade conflituosa que marca a filosofia do homo homini lupus, e que infelizmente ainda caracteriza muito os homens.
Amor e morte. Do Calvário Jesus ensina.