“É belo ser amigo de Jesus”
Alguns trechos dos discursos de Bento XVI durante a Viagem Apostólica a Portugal
de Papa Bento XVI
![Bento XVI durante a Viagem Apostólica a Portugal [© Osservatore Romano]](/upload/articoli_immagini_interne/1279548267275.jpg)
Bento XVI durante a Viagem Apostólica a Portugal [© Osservatore Romano]
“Queridos peregrinos,
todos juntos, com a vela acesa na mão, lembrais um mar de luz à volta desta singela capelinha, amorosamente erguida em honra da Mãe de Deus e nossa Mãe, cujo caminho da terra ao céu foi visto pelos pastorinhos como um rasto de luz. Contudo nem Ela nem nós gozamos de luz própria: recebemo-la de Jesus. A sua presença em nós renova o mistério e o apelo da sarça ardente, o mesmo que outrora atraiu Moisés no monte Sinai e não cessa de fascinar a quantos se dão conta duma luz particular em nós que arde sem nos consumir (cf. Ex 3, 2-5). Por nós, não passamos de mísero silvado, sobre o qual pousou a glória de Deus. A Ele toda a glória, a nós a humilde confissão do próprio nada e a submissa adoração dos desígnios divinos que estarão cumpridos quando ‘Deus for tudo em todos’ (cf. 1Cor 15, 28). Serva incomparável de tais desígnios é a Virgem cheia de graça: ‘Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1, 38)”
Recitação do Santo Rosário, esplanada do Santuário de Fátima, 12 de maio
A fé em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento
“No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Queridos irmãos e irmãs, adorai Cristo Senhor em vossos corações (cf. 1Ped 3, 15)!”
Recitação do Santo Rosário, esplanada do Santuário de Fátima, 12 de maio
Os ataques ao Papa e à Igreja vêm não só de fora, mas os sofrimentos da Igreja vêm justamente do interior da Igreja, do pecado que existe na Igreja
[Respondendo a uma pergunta de padre Lombardi sobre o terceiro segredo de Fátima]
“Deste modo, diria também aqui que, além desta grande visão do sofrimento do Papa, que podemos referir ao Papa João Paulo II em primeira instância, indicam-se realidades do futuro da Igreja que se desenvolvem e se mostram paulatinamente. Por isso, é verdade que além do momento indicado na visão, fala-se, vê-se, a necessidade de uma paixão da Igreja, que naturalmente se reflete na pessoa do Papa; mas o Papa está para a Igreja e, assim, são sofrimentos da Igreja que se anunciam. O Senhor nos disse que a Igreja seria sempre sofredora, de diversos modos, até o fim do mundo. O importante é que a mensagem, a resposta de Fátima, não vai substancialmente na direção de devoções particulares, mas precisamente na resposta fundamental, ou seja, a conversão permanente, a penitência, a oração, e as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Deste modo, vemos que a resposta verdadeira e fundamental que a Igreja deve dar, que nós, cada pessoa, devemos dar nesta situação. A novidade que podemos descobrir hoje, nesta mensagem, reside também no fato que os ataques ao Papa e à Igreja vêm não só de fora, mas que os sofrimentos da Igreja vêm justamente do interior da Igreja, do pecado que existe na Igreja. Também isso sempre foi sabido, mas hoje o vemos de um modo realmente terrificante: que a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja, e que a Igreja, portanto, tem uma profunda necessidade de re-aprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender por um lado o perdão, mas também a necessidade de justiça. O perdão não substitui a justiça”
Entrevista com os jornalistas durante o voo para Portugal, 11 de maio
![Bento XVI durante a Viagem Apostólica a Portugal <BR>[© Osservatore Romano]](/upload/articoli_immagini_interne/1279548304243.jpg)
Bento XVI durante a Viagem Apostólica a Portugal
[© Osservatore Romano]
“’A Igreja’ – escrevia o Papa Paulo VI – ‘deve entrar em diálogo com o mundo em que vive. A Igreja faz-se palavra, a Igreja torna-se mensagem, a Igreja faz-se diálogo’ (Enc. Ecclesiam suam, 67). […] Foi para ‘pôr o mundo moderno em contacto com as energias vivificadoras e perenes do Evangelho’ (João XXIII, Const. Ap. Humanae salutis, 3) que se fez o Concílio Vaticano II, no qual a Igreja, a partir de uma renovada consciência da tradição católica, assume e discerne, transfigura e transcende as críticas que estão na base das forças que caracterizaram a modernidade, ou seja, a Reforma e o Iluminismo. Assim a Igreja acolhia e recriava por si mesma, o melhor das instâncias da modernidade, por um lado, superando-as e, por outro, evitando os seus erros e becos sem saída”
Encontro com o mundo da cultura, Lisboa, 12 de maio
Muitas vezes preocupamos-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe
“Muitas vezes preocupamos-nos afanosamente com as consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por suposto que a fé existe, o que é cada vez menos realista. Colocou-se uma confiança talvez excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais, na distribuição de poderes e funções; mas que acontece se o sal se tornar insípido?”
Homilia na Santa Missa, Lisboa, 11 de maio
![Bento XVI durante a Viagem Apostólica a Portugal [© Osservatore Romano]](/upload/articoli_immagini_interne/1279548267431.jpg)
Bento XVI durante a Viagem Apostólica a Portugal [© Osservatore Romano]
“Queridos Irmãos e jovens amigos, Cristo está sempre conosco e caminha sempre com a sua Igreja, acompanha-a e guarda-a, como Ele nos disse: ‘Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos’ (Mt 28, 20). Nunca duvideis da sua presença! Procurai sempre o Senhor Jesus, crescei na amizade com Ele, comungai-O. Aprendei a ouvir e a conhecer a sua palavra e também a reconhecê-Lo nos pobres. Vivei a vossa vida com alegria e entusiasmo, certos da sua presença e da sua amizade gratuita, generosa, fiel até à morte de cruz. Testemunhai a alegria desta sua presença forte e suave a todos, a começar pelos vossos coetâneos. Dizei-lhes que é belo ser amigo de Jesus e que vale a pena segui-Lo. Com o vosso entusiasmo, mostrai que, entre tantos modos de viver que hoje o mundo parece oferecer-nos – todos aparentemente do mesmo nível –, só seguindo Jesus é que se encontra o verdadeiro sentido da vida e, consequentemente, a alegria verdadeira e duradoura. Buscai diariamente a proteção de Maria, a Mãe do Senhor e espelho de toda a santidade. Ela, a Toda Santa, ajudar-vos-á a ser fiéis discípulos do seu Filho Jesus Cristo”
Homilia na Santa Missa, Lisboa, 11 de maio
agrave; ressurreição”
Homilia na Santa Missa, Porto, 14 de maio