Angelus de 29 de agosto
do Papa Bento XVI
![Papa Bento XVI [© Osservatore Romano]](/upload/articoli_immagini_interne/1291131009465.jpg)
Papa Bento XVI [© Osservatore Romano]
No Evangelho deste domingo (cf. Lc 14, 1.7-14), encontramos Jesus hóspede na casa de um chefe dos fariseus. Observando que os convidados escolhiam os primeiros lugares à mesa, Ele contou uma parábola, ambientada num banquete nupcial. “Quando fores convidado para um banquete nupcial, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais digno do que tu, e venha o que vos convidou, a ti e ao outro, e te diga: ‘Cede a este o teu lugar’... Quando fores convidado, vai-te sentar no último lugar” ( Lc 14, 8-10). O Senhor não pretende dar uma lição sobre boas maneiras, nem sobre a hierarquia entre as diversas autoridades. Mas ele insiste sobre um ponto decisivo, que é o da humildade: “Todo aquele que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado” (Lc 14, 11). Esta parábola, num significado mais profundo, faz pensar também na posição do homem em relação a Deus. O “último lugar” pode representar de facto a condição da humanidade degradada pelo pecado, condição da qual só a encarnação do Filho Unigénito a pode elevar. Por isto o próprio Cristo “ocupou o último lugar no mundo – a cruz – e, precisamente com esta humildade radical, nos redimiu e ajuda sem cessar” (Encíclica Deus caritas est, 35).
No final da parábola Jesus sugere ao chefe dos fariseus que convide à sua mesa não os amigos, os parentes ou os vizinhos ricos, mas as pessoas mais pobres e marginalizadas, que não têm modo de retribuir (cf. Lc 14, 13-14), para que o dom seja gratuito. De facto, a verdadeira recompensa, no final, dá-la-á Deus “quem governa o mundo... Nós prestamos-lhe apenas o nosso serviço por quanto podemos e até onde nos dá a força” ( Encíclica Deus caritas est, 35). Por conseguinte, mais uma vez olhamos para Cristo como modelo de humildade e de gratuidade: d’Ele aprendemos a paciência nas tentações, a mansidão nas ofensas, a obediência a Deus nos padecimentos, na expectativa que Aquele que nos convidou nos diga: “sobe mais para cima” (Lc 14, 10); de facto, o verdadeiro bem é estar próximo d’Ele. São Luís IX, rei da França, cuja memória foi celebrada na quarta-feira passada, pôs em prática quanto está escrito no Livro de Ben Sira: “Quanto maior fores, mais te deverás humilhar, acharás misericórdia diante do Senhor” (3, 18). Assim escrevia ele no seu “Testamento espiritual ao filho”: “Se o Senhor te der alguma prosperidade, não só lhe deverás agradecer com humildade, mas presta bem atenção a não te tornares pior por vanglória ou por outra forma qualquer, isto é, preocupa-te por não entrar em contraste com Deus ou ofendê-lo com os seus próprios dons” ( Acta Sanctorum Augusti, 5 [1868], 546).
Queridos amigos, recordamos hoje também o martírio de São João Baptista, o maior dos profetas de Cristo, que soube renegar-se a si mesmo para dar espaço ao Salvador, e sofreu e morreu pela verdade. Peçamos a ele e à Virgem Maria que nos guiem pelo caminho da humildade, para nos tornarmos dignos da recompensa divina.
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