História das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Santa Sé
Introdução de Giulio Andreotti

Em julho de 1963, quando o presidente John Kennedy veio fazer uma visita oficial a Roma, pude perguntar-lhe, em uma ocasião mais íntima no Palácio Taverna, as razões da não conclusão do estabelecimento de relações diplomáticas entre eles e o Vaticano. Respondeu-me sem equívocos que poderia propor o problema se fosse reeleito. E que devia tomar cuidado para não criar uma “questão católica”. Infelizmente, o novo quadriênio não foi seu. Quatro meses depois do nosso encontro aqui em Roma foi assassinado em Dallas. Deveria passar ainda muitos anos antes que o Congresso e o governo chegassem à elevação do representante pessoal a um verdadeiro e próprio embaixador. Bill Wilson, amigo pessoal do presidente Reagan, realizou um eficiente trabalho preenchendo um vazio que tinha se tornado cada vez mais evidente, aumentando a rede diplomática da e com a Santa Sé. Ao lado do enviado oficial os Estados Unidos continuaram a ter, com as suas freqüentes visitas ao Vaticano, uma relação oficiosa através do general Vernon Walters, que, nas suas várias atribuições, constituiu sempre um ponto de referência e uma autêntica fonte de recíproca informação, com suas freqüentes visitas romanas.
Durante a Segunda Guerra Mundial os diplomatas dos países que se tornaram inimigos da Itália tiveram que ficar detidos dentro do Vaticano. O fato de que o representante pessoal da presidência americana não fosse acreditado formalmente não era levado em conta pela maioria, enquanto que para os especialistas parecia um fato bastante anômalo. Mas – recordo uma observação análoga ouvida a propósito disso – na Sociedade das Nações em Genebra, idealizada pelo presidente Wilson, os Estados Unidos não participavam, pois assim decidira o Senado. Por outro lado, sabia-se que, além da representação para-diplomática, havia um papel de ligação por nada marginal realizado pelo cardeal arcebispo de Nova York, Francis Spellman, coadjuvado pelo conde Enrico Pietro Galeazzi, contando também com o apoio da estrutura dos Cavaleiros de Colombo. Spellman, que tinha trabalhado na Secretaria de Estado e conhecia muito bem Roma, foi, mais tarde, muito útil para nós italianos no trabalho de recuperação de uma amizade conatural com os americanos, que Mussolini tinha prejudicado e a declaração de guerra tinha rompido.
No decorrer do conflito houve um momento delicado entre Washington e a Santa Sé. O representante pessoal transmitira o pedido de uma declaração substancialmente de simpatia ou até mesmo de apoio para os Aliados, que combatiam contra Hitler, acérrimo inimigo da cristandade. Mas fora-lhe respondido que a Igreja, zelosa portadora de paz, jamais toma partido no decorrer de uma guerra (Bento XV fora criticado severamente por ter definido “inútil tragédia” o primeiro conflito mundial). A esta chamada à tradição acrescenta-se a previsão de Pio XII de que se os Aliados tivessem vencido na Europa não teriam dominado os anglo-americanos, mas Stalin. Neste ponto, interpretando-o capciosamente como um juízo dos nazistas como “mal menor”, depois se teria construído o que até hoje se insinua como uma injusta campanha contra Pio XII, que chegou a ser definido por um ensaísta americano até mesmo como o “Papa de Hitler”.
O trabalho atento e perspicaz do embaixador Nicholson foi particularmente útil no decorrer da crise iraquiana para evitar que a posição do Papa, contrária ideologicamente às guerras, criasse uma marcada diferenciação da forte iniciativa política do presidente justo.
O embaixador Nicholson revelou-se o homem certo no lugar certo.