POLÔNIA. Os eclesiásticos arregimentados pelos serviços secretos do Leste
De um país distante, para espionar de perto
O Instituto Polonês da Memória Nacional, que está examinando os arquivos da polícia secreta do ex-regime comunista, afirma que, para controlar a Igreja na Polônia, mas não apenas lá, milhares de religiosos e sacerdotes foram arregimentados como informantes. Entrevista com Jan Zaryn, historiador
de Giovanni Cubeddu

Os cardeais poloneses Stefan Wyszynski e Karol Wojtyla em sua chegada a Roma por ocasião do funeral do papa Paulo VI, em agosto de 1978
Sendo assim, pedimos ao IPN que nos falasse das pesquisas realizadas no momento e que nos explicasse por que suscitaram tanto clamor. Quem nos respondeu, em nome do Instituto, foi Jan Zaryn, docente universitário e historiador que publicou treze livros e mais de cem artigos científicos, quase todos dedicados à história da Igreja na Polônia.
Em que documentos se baseia o trabalho de seu Instituto a propósito da atividade dos serviços secretos do Leste Europeu contra a Igreja Católica e o Vaticano?
JAN ZARYN: Os documentos conservados na Polônia a respeito da “atividade da polícia secreta”, postos em fila, somam cerca de 90 quilômetros. Eles foram redigidos de 1944 a 1990 pelos funcionários da polícia secreta polonesa, a “SB”, como foi chamada a partir de 1956 (de 1944 a 1956, seu nome era “UB”). Como se sabe, de 1944 a 1989, na Polônia, mais de 90% da população era católica, e de 1947 a 1990 a polícia secreta procurou informações sobre a Igreja Católica e sobre os bispos poloneses. É por isso que a documentação presente hoje no IPN a respeito da política do regime comunista polonês contra a Igreja Católica é vastíssima, enorme.
Que documentos são?
ZARYN: Atos administrativos, instruções, ordens dos dirigentes do Ministério, documentos dos funcionários da polícia secreta que estavam em contato com os informantes e relatórios preparados pelos próprios informantes. Mas também documentos pessoais redigidos pelo organismo responsável pela emissão de passaportes, outros de proveniência das próprias entidades sob observação, etc.
Por exemplo, o informante com o pseudônimo Zigmunt foi um sacerdote da Igreja Católica que exerceu a atividade de informante de 1949 até meados da década de 1960. Zigmunt foi membro de comissões episcopais polonesas muito importantes e fez um balanço das reuniões dessas comissões para o serviço secreto. Temos também dossiês sobre as dioceses e as paróquias, sobre todos os mosteiros masculinos e femininos, sobre os seminários, sobre a KUL, a Universidade Católica de Lublin (que na Polônia era definida como “a única universidade católica entre Berlim e Vladivostok”...). A polícia secreta investigou todos os conventos poloneses, dominicanos, jesuítas, franciscanos, mas sobretudo os dominicanos e jesuítas, pois eram os mais ativos no trabalho com os jovens.
A partir de 1962, os funcionários da polícia secreta pertencentes ao 4º Departamento do Ministério do Interior “personalizaram” suas informações. Todos os sacerdotes - mas também os alunos do seminário - foram individualmente, até 1990, objeto de um fascículo de informações detalhadas (denominado Teok; para os bispos, o código era Teob; para as paróquias, Teop). Nessa documentação, além disso, há muitas informações sobre os sacerdotes provenientes dos outros departamentos, como o 3º, que lidava com a dissidência política.
Quais foram os meios mais usados pelos serviços secretos do Leste Europeu para obter informações sobre a Igreja Católica e o Solidarnosc na Polônia?
ZARYN: O primeiro sistema foi o dos informantes. De 13 de julho de 1949 até a década de 1970, por exemplo, foram redigidas no Ministério do Interior uma série de “instruções” visando a formar os funcionários, ensinando-lhes como trabalhar com os informantes. De 1962 a 1990, a formação dos futuros informantes foi o objetivo primário do 4º departamento. Seu objetivo secundário era ter o maior número possível de informantes nas altas instituições da Igreja, por exemplo na Cúria Episcopal. Era interessante que um funcionário mantivesse contato com um jovem sacerdote, pois, num intervalo de cinco a dez anos, este seguramente se tornaria bispo, ou seja, um informante de primeira qualidade.
Qual era a segunda forma de obter informações?
ZARYN: Infiltrar-se com grampos telefônicos e fotos tiradas em segredo, ou violando a correspondência. Até mesmo a correspondência enviada pelo Secretariado Episcopal polonês ao Vaticano era lida pelo serviço secreto, pela seção “W”, enquanto a seção “T” tratava das escutas telefônicas. A seção “W” lia as cartas, tirava fotocópias ou as copiava à mão e as repunha cuidadosamente nos envelopes para depois reenviá-las ao destinatário indicado.
Segundo a imprensa internacional, o IPN possui centenas de páginas de relatórios sobre o caso de padre Hejmo.
ZARYN: A documentação encontrada e existente no Instituto sobre padre Konrad Hejmo tem cerca de setecentas páginas. Nosso relatório, redigido por três historiadores (Andrzej Grajewski, Pawel Machcewicz e eu), possui mais ou menos setenta páginas. O dossiê tem três partes. A primeira é relativa substancialmente aos diálogos entre o funcionário da polícia secreta Waclaw Glowacki e o padre Hejmo, que, naquele período, em 1975, era responsável pela revista mensal dominicana W drodze, “Em marcha”. Em Roma, depois, padre Hejmo encontrava às vezes um funcionário (o secretário, “Pedro”) da embaixada da Polônia comunista, que era também funcionário do 1º departamento da SB, e “Lacar”, agente da SB mas também da BND, os serviços secretos federais alemães (e não é possível conhecer seu verdadeiro papel sem conhecer os documentos alemães). Ler essa documentação é extremamente interessante. Hejmo falou muito, até demais.
Foi recebida com incredulidade a notícia, também veiculada por seu Instituto, de que a “colaboração” com os serviços secretos, em determinado momento, contou com 2.600 sacerdotes, ou seja, 15% do clero polonês. Como é que isso foi possível?
ZARYN: É necessário dizer, para sermos mais precisos, que a cifra de 2.600 sacerdotes, correspondentes a cerca de 15% do clero polonês, faz parte de uma estatística baseada nos dados de 1977. Num livro meu sobre esse tema, tentei contar quantos sacerdotes colaboraram com a SB, e tomei o ano de 1977 como exemplo, pois tinha ótimas possibilidades de comparar as cifras do escritório de estatísticas da polícia secreta (escritório “C”) com as cifras da Igreja polonesa. Além disso, é importante, a meu ver, lembrar como o ano de 1977 foi também o início da grande oposição democrática.

Aqui, acima, o religioso polonês Konrad Stanislaw Hejmo olha as manchetes dos jornais sobre o estado de saúde do papa Wojtyla, na banca ao lado das colunas da praça de São Pedro
ZARYN: Significa que, a partir de 1977, os grupos de oposição aumentaram em número. Em 1980 e em 1981, quando Solidarnosc se tornou legal, mobilizaram-se cerca de dez milhões de pessoas. Portanto, a polícia secreta precisou de muito mais informantes, e o estado de guerra declarado no país desde 13 de dezembro de 1981 deu-lhe a possibilidade de recrutar novos: em 1984, havia mais de 84 mil. Desde então, houve mais sacerdotes informantes e, portanto, a SB teve uma possibilidade muito maior de obter informações também entre os católicos. Assim, 15% do clero foi denominado “informante” pela SB também na década de 1980. A meu ver, trata-se de uma cifra importante. Mas deveríamos, ainda, verificar a identidade e a eficácia de cada um dos informantes.
Até que ponto os serviços secretos conseguiram penetrar na hierarquia católica? E a Igreja Católica: não suspeitava que existissem sacerdotes colaboradores?
ZARYN: É uma pergunta muito séria. Posso dizer que não conheço nenhum bispo ou membro do episcopado polonês que tenha sido informante. Até agora, nunca encontrei bispos poloneses que tenham colaborado com os comunistas. Até agora. Como você sabe, são mais de 90 quilômetros de documentos.
Tenho em mente muitos documentos a respeito do primaz polonês, Stefan Wyszynski, e um documento datado de 1970 preparado pelos funcionários do 4º departamento graças a informantes muito próximos do primaz, que trabalhavam mesmo em sua secretaria. Mas é difícil dar uma resposta precisa: poderia ser o secretário pessoal do primaz, alguém muito próximo dele ou um operário ou engenheiro que tivesse tido muitos contatos com o Secretariado, visto que o edifício havia sido reformado... Em todo caso, são situações realmente delicadas. E eu conheço apenas o pseudônimo desses informantes, não seus nomes. Sei que o pseudônimo Sibismunt era encarregado da editora do episcopado polonês, e que um sacerdote conventual forneceu o resumo dos encontros dessa comissão do episcopado polonês. Creio que houvesse outros informantes. Por exemplo, um historiador polonês de Rzeszow, no sul da Polônia, recebeu documentos a respeito da Cúria da diocese de Przemysl, justamente onde trabalhava o bispo Tokarczuk, um herói polonês, inimigo do comunismo. O historiador verificou que na década de 1970 havia oito informantes dentro de sua Cúria. Da mesma forma, um historiador de Cracóvia encontrou documentos a propósito de informantes muito próximos da Cúria de Cracóvia. Por exemplo, Tadeuz Novak, que trabalhou em Cracóvia tanto na redação de Tygodnik Powszechny quanto como mordomo na Cúria Metropolitana de Cracóvia. Mas creio na existência de outros informantes, bem posicionados nas altas esferas clericais polonesas.
A Igreja Católica imaginava que existissem colaboradores.
ZARYN: Sim, o primaz Wyszynski e os outros bispos ficaram sabendo que os funcionários da SB os espiavam, liam suas cartas, etc. Mesmo quando o primaz era prisioneiro, as duas pessoas mais próximas dele deram informações ao 11º departamento. Mas o primaz não tinha nada a esconder. Sempre disse as mesmas coisas sobre o poder, tanto oficialmente quanto em segredo.
E o governo também sabia que alguns sacerdotes informantes eram desmascarados pela Igreja...
ZARYN: Os bispos tinham experiência de contatos com a polícia secreta, tanto a UB quanto a SB. Havia instruções precisas do episcopado polonês, pelas quais os bispos proibiam aos sacerdotes que se encontrassem com funcionários da SB. Todavia, é possível imaginar que houvesse padres cúmplices de funcionários da SB que fizessem relatórios também a seus bispos: ou seja, eram agentes duplos. Sei de alguns exemplos, só com relação às décadas de 1940 e 1950. Um sacerdote, que se chamava Emmanuel Grim, da paróquia de Izdebna, na Polônia meridional, era informante da UB (depois SB), mas isso era um tormento para ele. Informou seu bispo, Stanislaw Adamski, que havia sido obrigado a dar informações contra a Igreja. Alguns meses depois, morreu. Talvez sua morte tenha sido conseqüência da situação crítica em que se encontrava...
Uma outra história?
ZARYN: Na década de 1950, temos o sacerdote Joseph Bak, informante com o pseudônimo Prosty, ou seja, o “Simples”. Era um membro da grande entidade católica Cáritas e, em 23 de janeiro de 1950, ajudou o poder comunista a infiltrar-se nas instituições católicas. Depois, o bispo Adamski falou claramente com ele, e ouviu-o responder que “o poder comunista me pediu para fazê-lo para eles, e pensei que fosse um bem para a Igreja...”. O bispo lhe deu a absolvição.
E o senhor, o que deduziu disso?
ZARYN: São exemplos. Talvez muitos sacerdotes pensassem que seus contatos com os funcionários da SB não fossem secretos ou maus para a Igreja. E os funcionários da SB não sabiam se os padres informantes, depois dos encontros, falavam ou não com seus bispos. A resposta à pergunta que a Igreja se fazia muitas vezes na época, ou seja, se o sacerdote “tal” era realmente informante da SB polonesa, era muito difícil. É por isso que eu quis começar explicando que aqueles 15% de informantes de 1977 consiste numa estimativa da SB e não da Igreja.
Investigando o atentado a João Paulo II, os juízes italianos lançaram a hipótese da existência de cúmplices na própria Cidade do Vaticano. O que sua documentação diz a respeito das fontes secretas dos comunistas no interior do Vaticano?
ZARYN: Infelizmente, não tenho essa resposta. Como o senhor sabe, temos a documentação do sacerdote Hejmo, na qual pode ser encontrado um certo número de informações sobre o Vaticano na década de 1980. São sobretudo informações que falam das relações entre João Paulo II e o episcopado polonês.
Os informantes que estavam no Vaticano assinalaram que o Vaticano dava à questão política na Polônia uma grande importância.
Temos também informações sobre outros agentes que espionavam o Vaticano, mas por ora não posso revelar seus nomes.
Quanto tempo durava a colaboração com os serviços secretos?
ZARYN: Depende. Padre Hejmo começou a encontrar agentes da SB em 1975, e o fez até 1988; a partir de 1981, esteve em Roma. Até 1981, foi protegido por um funcionário do 4º departamento do Ministério do Interior e depois se encarregou do 1º departamento. Posso até contar-lhe a história de um padre de um convento que começou seu trabalho contra a Igreja em 1949 e parou em 1968, quando morreu. E alguns anos depois de sua morte os funcionários da SB desapareceram com todos os documentos e o material que estava em seu “dossiê de trabalho”. Por sorte, os relatórios feitos por esse padre foram encontrados mais tarde, dentro de outros fascículos.
O senhor se lembra de outra colaboração prolongada?
ZARYN: Padre Wladyslaw Kulczycki, que trabalhou em Cracóvia de 1948 até sua morte, em 1967. Colaborou sob os pseudônimos Torano e Zagielowski, dando muitas informações à SB sobretudo sobre o bispo Karol Wojtyla e seu ambiente, os jovens católicos com os quais se encontrava em Cracóvia durante a década de 1960.
Já muitos outros padres foram informantes por pouquíssimo tempo; dois ou três encontros com o funcionário da SB e depois pediam o passaporte para pôr-se a salvo, fora da Polônia.
Ainda sobre o atentado ao Papa. Com base em sua experiência, que juízo o senhor fez da chamada “pista búlgara”?
ZARYN: Creio que não se possam fornecer argumentos autênticos e sólidos para provar a responsabilidade da SB na tentativa de assassinar o Papa em 13 de maio de 1981. Infelizmente, ou por sorte, julgue o senhor, não encontrei documentos que dêem uma informação desse tipo.
Sabemos que funcionários do 4º departamento participaram de uma reunião em Moscou com funcionários da KGB a propósito de um projeto sobre a Igreja, mas os resultados desse encontro são desconhecidos. E sabemos também que existia seguramente uma relação entre o serviço secreto polonês e o soviético, em 1981. Mas não existem documentos a esse respeito.
Concordo com aquele jornalista alemão que encontrou um documento da Stasi datado de 1981 pelo qual se deduz que ela tentou desinformar a opinião pública e os ocidentais, dizendo que os búlgaros não tinham nada a ver com o atentado ao papa João Paulo II, e que só os procuradores italianos deram essa informação. Sabemos também que Ali Agca mudou muitas vezes sua versão e que teria querido falar antes. Mas, depois de pouco tempo, mudou a versão, seguramente vítima de pressões e ameaças por parte da Stasi, dizendo: “Eu queria sozinho matar o Papa”. São “migalhas” de informações.
O que não elimina o fato de que na Polônia e para os poloneses, posso dizê-lo como historiador tanto quanto como polonês que estava em Varsóvia em 13 de maio de 1981, o culpado se chamava Moscou.
O senhor compartilhou os resultados de suas pesquisas com a Conferência Episcopal Polonesa? Entre vocês, nasceu uma colaboração positiva?
ZARYN: Tenho contatos com os bispos e com o primaz, que me autorizaram a ter acesso aos arquivos do primaz da Polônia de 1944 a 1989. São documentos extremamente importantes para a história. Não sei exatamente quando acabarei, mas estou preparando a publicação dos documentos em polonês que recolhi no Conselho do Episcopado (Rada Glowna). Colaboro muitas vezes com os bispos e tenho relações muito cordiais. Publiquei também alguns livros sobre as relações entre o Estado e a Igreja Católica depois da Segunda Guerra Mundial. Livros que, ao lado de outros produzidos por meus colegas, são lidos por bispos e sacerdotes, e também por seminaristas, como leitura obrigatória. Ainda que, por exemplo, eu tenha escrito muitas vezes sobre padre Hejmo textos que não são muito bem vistos pelos homens de Igreja... Mas não sou o historiador da corte dos bispos, como se diz na Polônia: durante o período comunista, havia historiadores da corte... Como sob Luís XIV...
O senhor nunca encontrou evidências de conflitos na Polônia entre os serviços secretos do Leste Europeu e os serviços secretos ocidentais?
ZARYN: O tema é muito amplo, mas posso dizer alguma coisa. Pessoalmente, conheço melhor os documentos do 3º departamento entre as décadas de 1940 e 1950. Na época, havia muitos poloneses emigrados políticos, ligados à CIA ou ao MI6 britânico e aos serviços secretos alemães (ou seja, à organização do general nazista Gahlen, que se rendeu aos Estados Unidos em 1945, e que por anos, com sua rede composta de milhares de ex-nazistas, espionou ininterruptamente contra a União Soviética, ndr.]. Muitos poloneses ligados ao governo em exílio trabalharam contra os comunistas na Polônia. Espionavam a Polônia soviética, não os poloneses. Eram guiados pelo governo em exílio ou pelo general Wladyslaw Anders, também exilado. E os comunistas costuraram grandes operações contra esses poloneses espiões, como a operação César (1948-1952, ndr.].
Na realidade, era um jogo, um grande jogo! Mas é possível descobrir a existência de toda uma outra história...
O que o marcou depois de ter estudado tão aprofundadamente os arquivos do período da batalha ideológica contra a Igreja Católica e contra a religião em geral na Polônia?
ZARYN: Posso dizer que durante todo esse tempo a polícia secreta conduziu a batalha contra a Igreja Católica, ou seja, contra as instituições e os indivíduos. A SB teve muitos instrumentos à disposição - o homicídio, a prisão, a infâmia - e os usou contra seu inimigo. Só entre 1944 e 1956, os comunistas prenderam quase mil sacerdotes, isolaram alguns bispos - não apenas o cardeal Wyszynski -, desmantelaram a Igreja greco-católica, deportaram à Sibéria muitos padres que viviam em território polonês, a leste da linha Ribbentrop-Molotov. A polícia secreta foi criada pelo Nkwd soviético [o Comissariado do Povo para as Questões Internas, que depois se tornou a KGB, ndr.] e continuou seu trabalho nos territórios conquistados depois da Segunda Guerra Mundial.
Mas é preciso dizer também que a polícia secreta não era uma instituição soberana, era dirigida pelo Partido Comunista no poder. Os comunistas apoiaram a batalha contra a Igreja e assumiram a responsabilidade pelos efeitos de sua política. E depois conduziram a batalha contra a Igreja usando também outros instrumentos: políticos, como a propaganda ateísta e o marxismo como ideologia obrigatória, também na escola; econômicos, como a aquisição das propriedades da Igreja, por exemplo na ex-URSS e na Hungria; jurídicos, como as normas que proibiam o desenvolvimento da cultura católica, das associações católicas, a presença do catolicismo na vida pública, e assim por diante.
É preciso lembrar que na Polônia, em 1945, o povo era 90% católico, como em 1989. É preciso dizer também que desde 1978 a Igreja Católica foi dirigida pelo Papa da Polônia.
Esses também são resultados da política religiosa estabelecida pelo poder: Felix culpa.