Uma Igreja ainda dividida
O patriarca de Constantinopla, Fócio, louva o respeito dos papas Leão IV e Bento III pela tradição oriental

O nicho dos Pálios, na Basílica de São Pedro
Mas, sendo que alguns depois deles, simulando respeito, com palavras malvadas e falsas (de fato, não ousavam contrariar abertamente suas ótimas e piíssimas decisões), quiseram, com a aparentemente bem fundamentada motivação de que aquele símbolo de fé não deveria ser difundido pela boca de todos, erradicar das Igrejas e interromper aquela obra piíssima e utilíssima que lembrei (e não tenho a intenção de dar maior prosseguimento a esses atos sacrílegos indicando o nome de seus autores), esses conhecerão, ou melhor, já conhecem e antecipam, com dureza e infelicidade, as penas por sua enganosa temeridade. Portanto, esses (sendo que também ficam em silêncio, ainda que contra a vontade) sejam repelidos para o lugar do silêncio e aí permaneçam.
Leão, porém, voz de Deus, não apenas manifestou aquela solicitude operosa, boa e inspirada por Deus, ao fazer o que antes dissemos, mas fez também outra coisa: sendo que, no tesouro dos príncipes dos apóstolos Pedro e Paulo, entre essas sacras relíquias, se encontravam conservados desde os tempos mais antigos, quando ainda era viva a piedade, dois escudos ou tábuas que, com letras e palavras gregas, mostravam a mais de uma vez recordada sacra exposição de nossa fé, ele ordenou que fossem lidas em público diante do povo romano e fossem expostas à vista de todos, e muitos daqueles que então viram e leram essas coisas ainda estão entre os vivos.
Fócio, De Spiritus Sancti mystagogia (PG 102, 378-379)