Rubriche
Extraído do número03 - 2004


Ecumenismo

Kasper e o realismo da esperança


O cardeal Walter Kasper

O cardeal Walter Kasper

Unidade entre católicos e ortodoxos: este foi o tema de uma longa entrevista que o cardeal Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, concedeu ao jornal Il Tempo de 12 de março. Na pergunta sobre quanto era otimista quanto à possibilidade de uma reconciliação entre as duas Igrejas, o cardeal alemão respondeu: “Não sou otimista no sentido superficial do termo. Cultivo o realismo da esperança. A unidade da Igreja não pode ser decidida matematicamente, é obra do Espírito Santo. É ele que opera e que nos abrirá novos horizontes no futuro. Não somos os mestres do tempo e da história. Há um Outro”.




Congressos

As relíquias de São Timóteo em Termoli


Paulo e Timóteo no Códice  barberiniano latino 587, Biblioteca Apostólica do Vaticano

Paulo e Timóteo no Códice barberiniano latino 587, Biblioteca Apostólica do Vaticano

Dias 14-15 de dezembro de 2003 foi realizado na cidade de Termoli, Molise (Itália), um congresso ítalo-croata promovido pela administração municipal por ocasião do VIII centenário do Tratado Comercial, de amizade e de recíproca cidadania entre a República de Ragusa (Dubrovnik) e a cidade de Termoli. As relações referem-se a vários aspectos dos relacionamentos entre o Oriente e o Ocidente, particularmente quanto ao desenvolvimento da IV Cruzada e do conseqüente saque de Constantinopla de 1204, durante o qual foram também roubadas as relíquias de Timóteo, discípulo de Paulo, que foram redescobertas pouco tempo depois em Termoli, talvez vindas através de Ragusa, e ainda hoje custodiadas na cidade italiana. Sobre as relíquias e sobre a história da translação, ainda hoje estão sendo feitos acertamentos científicos por parte do Instituto de Tecnologias Aplicadas aos Bens Culturais de Roma.




ZAPATERO

O avô morto pelos fascistas e o perdão


Um  combatente republicano morto, em uma foto símbolo da guerra civil espanhola

Um combatente republicano morto, em uma foto símbolo da guerra civil espanhola

“Para José Luis Rodríguez Zapatero o caminho do poder foi marcado pelos últimos desejos do seu avô, um capitão espanhol justiçado pelas forças fascistas do general Francisco Franco quase 70 anos atrás durante a guerra civil espanhola. Enquanto o capitão se preparava para enfrentar o pelotão de execução, escreveu uma carta para pedir aos seus familiares para que não odiassem os seus assassinos. “Ele morre ino­cente e perdoa”, escreve sobre si... “e pede também à sua esposa e filhos para perdoarem”. Zapatero, que tem 43 anos, tinha 11 ou 12 anos quando leu pela primeira vez aquela carta e isso marcou-lhe profundamente [...]. As palavras de ordem de Zapatero são “ouvir” e “diálogo” e estas acompanham-se pela sua clara convicção de procurar consenso [...]. Preparou-se como um líder calmo, capaz de construir consenso, tocado pela humildade”. Texto publicado no Los Angeles Times de 17 de março passado sobre o novo líder espanhol Zapatero.





PAPA
O Pontificado de João Paulo II supera o de Leão XIII

No dia 14 de março o pontificado de João Paulo II ultrapassou em extensão o de Leão XIII, papa de 1878 a 1903. Para superar o pontificado mais longo da história, o de Pio IX, que durou 31 anos e sete meses, Papa Wojtyla deveria “reinar” até 10 de junho de 2010.


Colégio dos Cardeais/1
Os 80 anos dos cardeais Tomko e Alexandre dos Santos. O falecimento de König

No dia 11 de março o cardeal eslovaco, Jozef Tomko, por muitos anos prefeito de Propaganda Fide, completou 80 anos. No dia 18 foi a vez do cardeal franciscano Alexandre José Maria dos Santos, arcebispo emérito de Maputo, em Moçambique.
Depois, no dia 13 de março, com quase 99 anos, faleceu o cardeal Franz König, de 1956 a 1985 arcebispo de Viena, protagonista do Concílio Vaticano II, grande eleitor de Karol Wojtyla no segundo conclave de 1978. Era o último purpurado do Sagrado Colégio criado por João XXIII.
Portanto, no final de março o número de cardeais diminuiu para 191, dos quais 125 eleitores. A grande maioria é representada pelos nomeados por João Paulo II (174, dos quais 121 eleitores); dezessete (dos quais quatro eleitores) foram nomeados por Paulo VI. Deve-se notar que entre os eleitores não há mais nenhum eslovaco. E que a ordem dos Franciscanos, mesmo diminuindo para cinco, permanece como a ordem religiosa mais representada entre os cardeais eleitores (os jesuítas atualmente são três).


Colégio dos Cardeais/2
As demissões de Gulbinowicz

No dia 3 de abril foram aceitas as demissões do cardeal Roman Henryk Gulbinowicz da guia da arquidiocese de Wroclaw, na Polônia. Para ocupar o seu lugar foi promovido Marian Golebiewski, 67 anos, desde 1996 bispo de Koszalin-Kolobrzeg. Segundo o Anuário Pontifício, Gulbinowicz completou 75 anos em 17 de outubro do ano passado. Contudo, em um artigo publicado no jornal Il Messaggero de 4 de abril, o vaticanista Orazio Petrosillo afirmou que na realidade o cardeal teria nascido em 1923 e, portanto, já teria mais de 80 anos.


Colégio dos Cardeais/3
Novo livro do cardeal Saraiva Martins

A Libreria Editrice Vaticana publicou recentemente o último trabalho do cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. Trata-se do livro La Chiesa. Mistero, santità, missione, no qual estão reunidos alguns artigos do cardeal publicados no L’Osservatore Romano comentando a carta apostólica Novo millennio ineunte.


Colégio dos Cardeais/4
Arinze aplaude o canto gregoriano

No dia 2 de abril na Sala de Imprensa Vaticana foi apresentado o livro Spiritus et Sponsa. Atas da jornada comemorativa do 40° aniversário da Sacrosanctum Concilium, celebrado no Vaticano em 4 de dezembro passado. A apresentação à imprensa contou com a presença do cardeal prefeito da Congregação para o Culto Divino, Francis Arinze, do arcebispo-secretário, Domenico Sorrentino, do maestro da Capela Musical Pontifícia, Giuseppe Liberto, e do diretor do Pontifício Instituto Litúrgico de Santo Anselmo, padre Juan Javier Flores Arcas. Também estavam presentes dois oficiais do dicastério: padre Corrado Maggioni e dom Gérard Njen. No decorrer da apresentação o decano dos vaticanistas, Arcangelo Paglialunga, depois de ter dado um testemunho sobre a acolhida da promulgação do primeiro documento conciliar por parte dos jornalistas, realizou uma fervorosa peroração em favor do uso do canto gregoriano durante as celebrações litúrgicas. No final do apaixonado discurso houve um aplauso ao qual participou também, único entre os apresentadores do livro, o cardeal Arinze.


Colégio dos Cardeais/5
Declaração de Husar sobre a visita de Kasper em Moscou

Com uma declaração assinada no dia 1º de março passado “em nome do sínodo dos Bispos da metropolia de Kiev e de Halyc”, o cardeal Lubomyr Husar, arcebispo-mor da Igreja greco-católica ucraniana, interveio em mérito à recente visita do cardeal Walter Kasper à Rússia (cf. 30Dias 2/2004). Por ocasião dessa visita, a cúpula do patriarcado de Moscou reforçara ao presidente do Pontifício Conse­lho para a Unidade dos Cristãos a sua oposição ao reconhecimento do patriarcado greco-católico ucraniano por parte de Roma. Segundo o cardeal Husar, “o fato de que a discussão sobre o futuro e o desenvolvimento interno da nossa Igreja não tenha sido realizada nem em Kiev, nem em Lviv e nem mesmo em Roma, mas em Moscou, e essencialmente, sem a nossa participação, perturbou e de algum modo indignou muitos greco-católicos”. O chefe da Igreja greco-católica ucraniana interpreta o envio a Moscou do cardeal Kasper como “um gesto de cortesia por parte do Papa”. Com relação à questão da concessão do patriarcado aos greco-católicos ucranianos, deve-se considerar que no dia 23 de março o cardeal Ignace Moussa Daoud, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, no decorrer de uma entrevista coletiva no Vaticano, disse que há “razões de oportunidade” que atualmente sobrepõem-se à criação do patriarcado em questão.


Nomeações/1
Tardelli bispo em San Miniato, Careggio em Ventimiglia, Ligorio em Matera, Orofino em Tricarico, Tanasini em Chiavari, Mandara auxiliar em Roma

No dia 6 de março Fausto Tardelli, 53 anos, foi nomeado bispo de San Miniato, na Toscana. Tardelli, ex-aluno do Colégio Caprânica, é sacerdote desde 1974, e desde 2001 pró-vigário da arquidiocese de Lucca.
No dia 20 de março Alberto Maria Careggio, 67 anos, nascido em Turim, desde 1995 bispo de Chiavari, foi transferido para a diocese de Ventimiglia-San Remo. Na mesma data em Chiavari foi nomeado Alberto Tanasini, 59 anos, desde 1996 auxiliar em Gênova. Ainda no dia 20 de março, Salvatore Ligorio, 56 anos, nascido em Taranto, desde 1997 bispo de Tricarico, foi promovido a arcebispo de Matera-Irsina. Para Tricarico foi nomeado Vincenzo Carmine Orofino, 51 anos, ex-aluno do Colégio Caprânica, desde 1997 vigário geral da diocese de Tursi-Lagonegro.
No dia 2 de abril Ernesto Mandara, 52 anos, nascido em Salerno, foi nomeado bispo auxiliar de Roma para o setor centro. Há dois anos era diretor do Departamento de construções e culto e secretário da Opera Romana para a preservação da fé e a provisão de novas igrejas do Vicariato. Encargo, este último, que será mantido pelo novo bispo.


Nomeações/2
Padre Ghirlanda reitor da Gregoriana

No dia 1º de abril foi anunciada a nomeação do novo reitor da Univesidade Gregoriana. Trata-se de padre Gianfranco Ghirlanda, 62 anos, na Companhia de Jesus desde 1966, sacerdote desde 1973, até agora decano da Faculdade de Direito Canônico. Assume o lugar do padre Franco Imoda, reitor desde 1998.
Padre Ghirlanda é consultor de cinco Congregações: para a Doutrina da Fé, para os Bispos, para a Evangelização dos Povos, para o Clero, para os Religiosos. Também é consultor do Pontifício Conselho para os Leigos e o dos Textos Legislativos. Além disso, é prelado referendário no Supremo Tribunal da Signatura Apostólica e juiz da Corte de Apelo dos Tribunais do Estado da Cidade do Vaticano. O novo reitor é um profundo conhecedor dos Exercícios de Santo Inácio de Loyola, que prega regularmente aos jovens, estudantes ou adultos que queiram aprofundar a própria vida de fé à luz da espiritualidade de Santo Inácio. Assumirá o cargo em 1º de setembro próximo.


Vaticano mais feminino
Duas mulheres na Comissão Teológica Internacional. Uma mulher presidente na Academia de Ciências Sociais

No dia 6 de março foram anunciados na Sala de Imprensa Vaticana os nomes dos novos membros da Comissão Teológica Internacional (embora já tivessem sido publicados no Anuário de 2004). Pela primeira vez desde a sua fundação, ocorrida em 1969, o organismo ligado à Congregação para a Doutrina da Fé conta com duas mu­lheres: a teóloga alemã Barbara Hallensleben, professora na Universidade de Genebra e consultora do Pontifício Conselho para a Promoção da unidade dos cristãos; e a irmã Sara Butler, estadunidense, professora em Chicago, famosa na década de Setenta como defensora do sacerdócio feminino; hoje é a favor da tradicional doutrina católica que reserva o sacerdócio apenas aos homens.
No dia 9 de março a professora americana Mary Ann Glendon, 66 anos, foi nomeada presidente da Pontifícia Academia de Ciências Sociais. É a primeira vez que uma representante do sexo feminino é colocada na presidência de uma Academia pontifícia.


PolÊmicas
Neoconservadores americanos contra liberais ingleses

Pungente polêmica do padre John Neuhaus, expoente entre os neoconservadores dos Estados Unidos e diretor da revista First Things, contra John Wilkins, diretor do semanário católico inglês liberal The Tablet. Na edição de março da sua revista, Neuhaus ironiza sobre o fato da entrega a Wilkins de uma condecoração pontifícia, evidenciando como o Tablet no decorrer dos anos “tenha sido incansável no seu apoio à contracepção, à ordenação das mu­lheres, à aceitação moral da homossexualidade e a outros desvios do ensinamento católico”. E a ironia não poupa os dois eclesiásticos presentes na entrega do prêmio da Ordem de Papa São Silvestre I: o núncio na Grã-Bretanha, o arcebispo Pablo Puente (“réu” por ter descrito o Tablet como um “laboratório vivo da maravi­lhosa realidade que é a missão profética do laicato na Igreja”) e o cardeal de Westminster Murphy O’Connnor (“culpado” por ter elogiado a “lealdade” crítica de Wilkins).


EUA
Citações bíblicas entre Bush e Kerry

Discussão entre o presidente americano George Bush e o seu concorrente à Casa Branca, senador John Kerry. No centro do debate um versículo da carta de São Tiago. Kerry: “As Sagradas Escrituras dizem: ‘A que te serve, irmão, a fé sem as obras?’. Olho para os Estados Unidos de hoje e pergunto-me: onde está a compaixão?”. Bush: “É triste ver a Bíblia ser usada em propaganda política”. A singular discussão foi publicada no Corriere della Sera de 30 de março.


Espanha
A vitória dos socialistas entre Estados Unidos e Europa

No La Repubblica de 17 de março foi publicada uma interessante análise sobre um possível cenário internacional consequente à vitória socialista na Espanha, escrita pelo jornalista Vittorio Zucconi. Publicamos uma passagem: “Um socialista contra a guerra como Zapatero que se aproximasse a Bush (e vice-versa) com caminhos paralelos de compromisso recíproco seria infinitamente mais precioso do que um conservador serviçal à causa americana”. Um compromisso, continua o jornalista, que seria útil tanto para a Europa como para os Estados Unidos: com efeito, caso a virada espanhola conseguisse “recompactar a Europa com a França e a Alemanha, e se Washington abandonasse a retórica dos ‘fanáticos pela guerra preventiva’ e voltasse ao pragmatismo dos velhos conservadores à moda de Bush pai, todas as partes poderiam cantar vitória. Os Estados Unidos poderiam dizer que reconduziram a Europa inteira, não pedaços ou trapos de ‘velhos’ ou ‘novos’ aliados, ao próprio lado, talvez em um solene summit de reconciliação, e a Europa poderia vangloriar-se de ter obtido, com uma séria resolução ONU e a bandeira azul sobre as tropas, a volta do ‘cavaleiro solitário’ para dentro do recinto jurídico e civil do Ocidente”.


Cuba
Visita de Caridad Diego no Vaticano

De 25 de fevereiro a 1º de março Caridad Diego, diretora do Departamento para Relações Religiosas do Partido Comunista cubano, na Itália por compromissos políticos, prolongou a sua permanência no país para uma série de encontros no Vaticano, no contexto de uma perdurante crise nas relações entre autoridades civis e hierarquias da Igreja Católica cubana. Durante a visita ao Vaticano, organizada no último momento, Caridad Diego encontrou o novo “Ministro do Exterior” Vaticano, o arcebispo Giovanni Lajolo, e visitou o substituto, o arcebispo Leonardo Sandri, e o cardeal Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos. A responsável cubana pelas relações com a Igreja, teve a possibilidade de encontrar também os cardeais Jean-Louis Tauran, Roger Etchegaray e Paul Poupard, assim como alguns superiores de congregações religiosas já presentes em Cuba, como o Geral dos jesuítas, Peter Hans Kolvenbach, e o dos dominicanos, Carlos Alfonso Azpiroz Costa. Nos encontros na Secretaria de Estado, o representante do Vaticano repetiu a necessidade de normas precisas que permitam – sem favoritismos suspeitos ou vetos arbitrários – um fluxo regular de sacerdotes e de religiosas necessários à vida da Igreja cubana.


Grécia
Karamanlis: “Um novo início”

“Para mim é um novo início”. São as palavras de Costas Karamanlis, líder da Nea Domocratia, o partido de centro-direita que recentemente venceu as eleições políticas na Grécia. As palavras de Karamanlis foram publicadas no La Stampa de 8 de março. No mesmo dia o Corriere della Sera publicava uma longa entrevista com o novo primeiro-ministro grego, na qual ele explicava que o seu modelo político era “Adenauer e a economia de mercado social”.


ItÁlia
O PIB, a compaixão e os jogos das crianças

“O PIB (Produto interno bruto) calcula e contém muito, mas não calcula e não contém os jogos das crianças, os serviços de assistência aos idosos, a coragem, a compaixão, a devoção; o PIB mede tudo a não ser o que torna a vida valer a pena ser vivida”. Frase de Bob Kennedy citada pelo ministro da economia Giulio Tremonti durante um congresso realizado junto à Universidade Católica de Milão.


Diplomacia/1
Morandini núncio na Síria, Bonazzi em Cuba

No dia 6 de março o arcebispo Giovanni Battista Morandini foi nomeado núncio na Síria. Morandini, 67 anos, nascido em Brescia, desde 1997 era núncio na Coréia do Sul e Mongólia. Precedentemente trabalhara nas nunciaturas da Bolívia, Quênia, Bélgica, Brasil e na Secretaria de Estado; enfim em 1983 foi promovido a arcebispo e núncio em Ruanda e em 1990 nomeado núncio na Guatemala.
No dia 30 de março o arcebispo Luigi Bonazzi foi nomeado núncio em Cuba. Nascido em Bergamo, 56 anos, Bonazzi desde 1999 é arcebispo e núncio no Haiti. No serviço diplomático desde 1980, Bonazzi precedentemente realizara sua missão nas representações pontifícias de Camarões, Trinidad e Tobago, Malta, Moçambique, Espanha, Estados Unidos, Itália e Canadá.


Diplomacia/2
Novos embaixadores da Nicarágua e Líbano

No dia 13 de março o novo embaixador da Nicarágua junto à Santa Sé apresentou as suas cartas credenciais. Trata-se de Armando Luna Silva, 75 anos, diplomata de carreira, ex-embaixador na Espanha (1975-1979), nos últimos dois anos chefe do Protocolo. No texto do seu discurso ao novo embaixador o Papa, entre outras coisas, disse: “Que a justiça e a solidariedade, o respeito do direito e o amor pela verdade estejam sempre presentes na vida dos nicaragüenses”.
No dia 2 de abril foi a vez do novo representante do Líbano: Naji Abi Assi, 57 anos, diplomata de carreira, ex-embaixador na França de 1994 a 1999, quando se tornou diretor das relações políticas junto ao Ministério do Exterior de Beirute. No texto do seu discurso ao novo representante do Líbano o Papa disse, entre outras coisas: “Diante da recrudescência injustificável e preocupante do terrorismo, a Organização das Nações Unidas deve fortalecer os seus meios de decisão e de ação, a fim de diminuir os focos de tensão e de garantir a paz”. E acrescentou: “... a comunidade internacional não deve evitar as suas responsabilidades sob o pretexto de outras urgências, mas deve assumi-las corajosamente, convidando todas as partes em causa, e em primeiro lugar os israelenses e os palestinos, a restabelecer imediatamente o diálogo, para pôr fim ao ciclo infernal das violências recíprocas. Eis o preâmbulo necessário para um regulamento global do conflito que deverá associar o conjunto dos países da região”.


Condecorações
O presidente da Costa Rica em audiência com o Papa e condecorado com a Ordem Constantiniana de São Jorge

No dia 5 de abril o presidente da Costa Rica, Abel Pacheco de la Espriella, foi recebido em audiência pelo Papa. Alguns dias antes, na noite de 1º de abril, o chefe do Estado costarriquenho foi recebido no Palácio da Chancelaria pelo cardeal Mario Francesco Pompedda, prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica e Grão-Prior da Sagrada Ordem militar constantiniana de São Jorge. Na ocasião, o príncipe Dom Carlos de Bourbon e das Duas-Sicílias, Duque da Calábria, Grão-Prefeito da Ordem Constantiniana, procedeu à condecoração do presidente da Costa Rica como Cavaleiro da Grão-Cruz com Placa de Ouro da Ordem.








Terrorismo

Os fundamentalistas islâmicos filhos da civilização ocidental


11 de março de 2004. Atentado nas estações ferroviárias de Madrid

11 de março de 2004. Atentado nas estações ferroviárias de Madrid

No jornal La Repubblica de 31 de março, Pietro Citati sugere uma interessante análise relacionada ao terrorismo islâmico, voltado a destruir tanto a civilização ocidental quanto a do islã. Em uma passagem do artigo observa que os terroristas não têm nada em comum com os poderosos da grande tradição árabe: os califas de Bagdá e de Córdoba, Saladino, os soberanos de Delhi, os soberanos da Pérsia, os imperadores Moghol da Índia, os sultãos otomanos, com todo o aparato de generosidade e opulência genial. E nem mesmo dos últimos chefes de Estado do pós-guerra, Nasser e Boumedienne. Os de hoje são filhos do Ocidente: filhos dos niilistas e de Hitler, de Lenin e de Stálin, e da imundícia ideológica que, no último século, a Europa propagou pelo universo. Não sei onde moram: se no Afeganistão ou no Paquistão, ou no Iraque, ou na rua principal de Milão, ou Place de la Concorde, ou no hotel Plaza, em Manhattan, nas casas mais elegantes e nos mais luxuosos hotéis europeus onde são de casa. Mas sei o que fazem. Riem de nós”.


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