Curtas de 30Dias
Santa Ana de Stazzema e o nazismo satanista

Imagem de um fuzilamento por parte de nazistas em Santa Ana de Stazzema
Paulo VI
O rosário: o doce balbuciar de criança cura grandes males

Paulo VI
ECUMENISMO/1
Doada cruz peitoral bispo luterano
“O Papa, e isso me toou profundamente, não só me doou suas palavras, mas me fez um verdadeiro dom: uma cruz peitoral, realizada por ocasião do seu XXV ano de pontificado, que levarei para Berlim. Creio que este seja um sinal visível, reconhecido implicitamente, do profundo significado do ministério episcopal no seio da Igreja Evangélica: eu entendi assim este gesto”. São as palavras de agradecimento expressas no dia 25 de agosto na Rádio Vaticano pelo doutor Wolfgang Huber, bispo presidente do Conselho da Igreja Evangélica da Alemanha, recebido em audiência por João Paulo II no dia anterior.
ECUMENISMO/2
11 de setembro: morre em acidente aéreo o Patriarca Ortodoxo de Alexandria
O patriarca ortodoxo de Alexandria do Egito e de toda a África, Petros II, morreu em um acidente aéreo acontecido em 11 de setembro, enquanto o prelado, em visita à Grécia, dirigia-se em helicóptero de Atenas para o Monte Athos. Junto com o prelado faleceram os cinco membros da tripulação e onze pessoas que viajavam no cortejo do Patriarca, entre os quais o seu próprio irmão e três bispos do patriarcado. Petros Papapetrou nasceu em Chipre em 1949: foi ordenado sacerdote em 1978 e designado bispo da Babilônia em 1983 e, depois de ter exercido o cargo de metropolita junto a várias sedes africanas, em 1997 foi eleito patriarca ortodoxo de Alexandria do Egito. Segundo indiscrições publicadas em dois populares jornais russos, e retomadas por jornais italianos, o helicóptero usado teria sido destinado para transportar o presidente russo Vladimir Putin no decorrer de uma visita à Grécia prevista dois dias antes do trágico acidente e cancelada devido a tragédia de Beslan.
ÁUSTRIA
Fechado o seminário de Sankt Pölten
“Uma hora dolorosa para a diocese de Sankt Pölten e para a Igreja de toda a Áustria”. Com estas palavras, o visitador apostólico Klaus Küng, bispo de Feldkirch, no dia 12 de agosto comunicou a decisão de fechar “com efeito imediato” o seminário da diocese de Sankt Pölten guiada por Kurt Krenn, que foi alvo de um escândalo sexual. Anotícia foi dada pela Rádio Vaticano no dia 13 de agosto. O enviado do Papa, nomeado em 20 de julho passado, confirmou que para o seminário “é necessário um início completamente novo”.
COLÉGIO DOS CARDEAIS
A morte do cardeal González Martín. Os 80 anos de Fernandes de Araújo
No dia 25 de agosto faleceu o cardeal espanhol Marcelo González Martín, 86 anos, arcebispo de Toledo de 1971 a 1995, criado cardeal pelo Papa Paulo VI em 1973. No dia 13 de agosto completou 80 anos o cardeal brasileiro Serafim Fernandes de Araújo, arcebispo de Belo Horizonte de 1986 a 2003, criado cardeal por João Paulo II em 1998.
Portanto, no final de agosto o Sagrado Colégio dos Cardeais resulta composto por 189 cardeais, dos quais 123 eleitores em um eventual conclave. Dos nomeados por Paulo VI permanecem 15, dos quais 4 eleitores. O número de cardeais brasileiros “votantes” desceu para 5, menos da metade dos americanos (11) e menos do que os alemães e espanhóis (6 cada um).
CÚRIA
O bispo Mauro Piacenza presidente da Comissão de Arqueologia Sacra
No dia 28 de agosto o bispo Mauro Piacenza, genovês, 60 anos, desde outubro de 2003 presidente da Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja, foi nomeado também presidente da Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra. Assume o lugar do cardeal Francesco Marchisano, 75 anos completados em 25 de junho passado, o qual mantém os cargos de arcipreste da Basílica Vaticana, de vigário do Papa para a Cidade do Vaticano, de presidente da Fábrica de São Pedro e da Comissão Permanente para a tutela dos monumentos históricos e artísticos da Santa Sé.
ITÁLIA
Atzei arcebispo de Sassari
No dai 14 de setembro Paolo Mario Virgilio Atzei, franciscano conventual, 62 anos, foi promovido a arcebispo de Sassari. Nascido em Mantova, sacerdote desde 1966, Atzei era desde 1993 bispo de Tempio-Ampurias. O prelado é muito conhecido nos ambientes tradicionalistas por ter-se sempre recusado a aplicar na própria diocese o indulto para a celebração da missa chamada de São Pio V.
TERRORISMO/1
Beslan e os “novos nazistas”
Depois da tragédia da Beslan, a coluna on line da revista L’Espresso, escrita por Sandro Magister, comentou a manchete que os jornais católicos deram ao evento. “L’Osservatore Romano, jornal da Santa Sé, dirigido por Mario Agnes, na sua edição de 5 de setembro, limitou-se a colocar em evidência a foto de uma pequena mão ensangüentada que aperta uma cruz, com o título A inocência crucificada e publicando ao lado o único pronunciamento oficial do Vaticano sobre o fato até aquela data: um telegrama de rotina do Secretário de Estado, cardeal Angelo Sodano, que transmite ‘a dor do Santo Padre’ ao ‘povo russo’, através do núncio apostólico em Moscou, Antonio Mennini. Na segunda página, onde estava a crônica dos acontecimentos, o título era: Dos 300 mortos na blitz a maioria eram crianças. E a matéria começava assim: A blitz das forças especiais russas em uma escola de Beslan na Ossétia do Norte marcou o trágico epílogo do seqüestro de mais de 1000 pessoas por parte de um comando terrorista, provocou bem mais de 300 mortos sendo a grande maioria crianças’. No dia anterior, a linha do jornal vaticano tinha sido a mesma, dando a responsabilidade pelo “cruel epílogo” em primeiro lugar aos autores da “blitz”, ou seja, as forças especiais russas e seus comandos, subindo até chegar ao presidente Vladimir Putin. Isso ocorreu no L’Osservatore Romano. Mas o Avvenire – jornal dirigido por Dino Boffo, de propriedade da Conferência Episcopal Italiana presidida pelo vigário do Papa, o cardeal Camilo Ruini – acentuou ainda mais o fato. Dois editoriais dos quatro e duas manchetes da edição de domingo, 5 de setembro, nas primeiras três páginas, concentraram o alarme sobre Putin como se fosse ele o perigo número um”. No mesmo artigo, o cronista do Espresso anota com alívio o manifesto de condenação do terrorismo assinado por dezenas de expoentes muçulmanos residentes na Itália, entre os quais o imã do Centro Cultural Islâmico de Colle Val d’Elsa, em Sena, Feras Jabareen, que definiu os terroristas como “novos nazistas”.
TERRORISMO/2
O terrorismo é um nazismo místico
“Este sanguinário fanatismo religioso assemelha a uma espécie de nazismo místico”. Palavras do escritor judeu romeno Norman Manea, em uma entrevista ao jornal Il Messaggero de 8 de setembro.
TERRORISMO/3
Ao império global o terrorismo agora é útil
“O altruísmo não faz parte da natureza dos americanos. Interessamo-nos apenas por nós mesmos, pela nossa prosperidade e a forma que escolhemos para obtê-la é o império global. Antigamente declarávamos que combatíamos o comunismo mesmo em países que nunca tinham ouvido falar disso. Agora falamos de luta contra o terrorismo, e se ele não existisse, nós o inventaríamos, para depois empenharmo-nos naquela que chamamos guerra, mas não é”. É uma consideração de Gore Vidal, citada por Enzo Biagi em um artigo publicado na primeira página do Corriere della Sera de domingo 12 de setembro.
MARCELLO PERA
É guerra de agressão contra todo o Ocidente?
“Com poucas exceções louváveis e respeitáveis, como a do cardeal Ratzinger, do patriarca Scola, de monsenhor Caffarra, que justamente insistem, certamente não na guerra, mas na chamada para deter a crise da Europa, uma grande parte do clero, ou cala, ou manifesta pela paz como se não fosse problema seu defender a civilização européia cristã. Mas não é assim, o problema é de todo o Ocidente porque a guerra é contra todo o Ocidente. E trata-se de uma guerra agressiva, não de reação. Por que não se tem coragem de dizer, ou é deixada só ou se ironiza sobre Oriana Fallaci e poucos outros que a advertem há tempos? E são muitos os que pensam que se trate de uma guerra agressiva à qual é preciso reagir, como demonstra o grande número de leitores de Oriana Fallaci, os quais, somente na Itália, formam um partido político”. Palavras do presidente do Senado italiano Marcello Pera em uma entrevista ao jornal La Repubblica de 30 de agosto.
AMOS LUZZATTO
Choque de civilizações: expressão que causa horror
Sobre o choque de civilizações, o presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas, Amos Luzzatto, em uma entrevista ao jornal L’Unità de 8 de setembro, afirmou: “Temos que nos opor a essas interpretações, organizar a opinião pública para que diga não, nós estamos horrorizados. A expressão ‘choque de civilizações’ deveria ser abolida do nosso vocabulário. Não se trata de um tributo verbal, mas de uma contribuição educativa fundamental para que não se desenvolva a raiz da violência: uma civilização que se choca e uma outra que nega a si mesma não é uma civilização. Toda civilização exclui a morte do outro”.
MEETING
Figurantes do mal
Causou muitas controvérsias a presença no Meeting de Rímini das ex-terroristas Francesca Mambro e Nadia Mantovani. Em particular, Massimo Gramellini, no La Stampa de 24 de agosto, na sua coluna diária escreveu com o título: Figurantes do mal: “Os debates políticos não são obras de arte. São reveladores de notoriedade. Convidar senhoras como Mambro e não as filhas e as viúvas dos mortos pelo terrorismo significa enviar aos jovens um sinal ambíguo: que para conseguir o respeito e a atenção do mundo é mais útil ter sido carnífice do que vítimas”.
DESCRISTIANIZAÇÃO
As aulas de religião em Milão
Aulas de religião, a grande fuga é em Milão: este é o título de um artigo publicado no La Stampa de 8 de setembro dedicado ao encontro, realizado na Basílica de Santo Ambrósio, de 1800 professores de religião milaneses [Na Itália, a aula de religião é opcional, ndr]. Segundo a matéria: “Em 182 salas de aula das escolas públicas de segundo grau, o número de alunos que escolhe a aula de religião é igual a zero: inteiras classes sem nem mesmo um aluno interessado em religião. E o número dos que abandonaram este ensino já chegou a 60 mil. Praticamente uma apostasia em massa”.
BALCÃS
Ministro do Exterior da Sérvia recebido pelo Papa e no Vaticano pelo Kossovo
No dia 9 de setembro o Papa recebeu em audiência Vuk Draskovic, Ministro do Exterior da Sérvia e Montenegro. Na ocasião, o líder da diplomacia de Belgrado doou ao Pontífice o livro Crucified Kosovo (Kossovo crucificado) no qual estão reunidos os testemunhos fotográficos das numerosas igrejas ortodoxas sérvias destruídas ou danificadas na região autônoma de maioria albanesa. Em seguida, Draskovic foi recebido no Vaticano pelo Ministro do Exterior da Santa Sé, o arcebispo Giovanni Lajolo, e pelo seu vice, D. Pietro Parolin. Também nesta ocasião o assunto principal foi a dramática situação em Kossovo. Draskovic manifestou a insatisfação de Belgrado pelas condições da minoria sérvia na região.
DIPLOMACIA/1
Novos núncios na África, Suíça e Belarus
No dia 31 de julho, o espanhol Andrés Carrascosa Coso, 49 anos, foi nomeado arcebispo e núncio apostólico no Congo. Sacerdote desde 1980, entrou na diplomacia pontifícia em 1985, Carrascosa já prestou serviços na Libéria, Dinamarca, na segunda seção da Secretaria de Estado, na sede da ONU em Genebra, no Brasil e, por último no Canadá. No dia 26 de agosto, Carrascosa foi também nomeado núncio em Gabão.
Na mesma data, o arcebispo italiano Mario Roberto Cassari, 61 anos, foi nomeado núncio na Costa do Marfim e Burquina Faso. Desde 1999 era núncio no Congo e Gabão. No dia 8 de setembro, Cassari foi nomeado também núncio em Níger.
Em 8 de setembro o arcebispo Francesco Canalini, 68 anos, desde 1998 núncio na Austrália, foi nomeado núncio apostólico na Suíça e Lieschtenstein. Precedentemente Canalini fora núncio no Equador e Indonésia.
Em 15 de setembro, o croata Martin Vidovic, 51 anos, desde 1994 na primeira seção da Secretaria de Estado, foi nomeado arcebispo e núncio apostólico em Belarus. De 1983 a 1994 foi redator no programa croata da Rádio Vaticano. A partir de 1994 foi secretário da nunciatura na Bósnia e a partir de 2001 membro da Consulta Pastoral da Perigrinatio ad Petri Sedem.
DIPLOMACIA/2
Novos embaixadores da Guatemala, Canadá e Irlanda junto à Santa Sé
No dia 2 de setembro o novo embaixador da Guatemala junto à Santa Sé apresentou as suas cartas credenciais. Trata-se de Juan Gavarrete Soberón, 62 anos, advogado e tabelião, empresário no setor legal e bancário. No texto do discurso ao novo embaixador, o Papa entre outras coisas afirmou: “Apraz-me constatar que a defesa da vida humana, desde a sua concepção até o seu fim natural, é constitucionalmente reconhecida na sua Nação, o que constitui um sinal de honra para a Guatemala”. Por sua vez, o embaixador sublinhou sua antiga amizade com o cardeal da Guatemala, Rodolfo Quezada Toruño, “pessoa extraordinária”, conhecido no meu país como “bispo da paz”.
No dia 5 de setembro foi a vez do novo representante do Canadá junto à Santa Sé. Trata-se de Donald Smith, 59 anos, diplomata de carreira, ex-embaixador em Zagreb e nos últimos quatro anos chefe de departamento no Ministério do Exterior. No texto do seu discurso, o Papa, entre outras coisas afirmou: “Diante do sofrimento e das divisões que, com muita freqüência, afligem a família humana, a necessidade de soluções definitivas para os conflitos humanos torna-se ainda mais evidente”. Por sua vez, o novo embaixador lembrou que neste ano comemoram-se 35 anos do estabelecimento das plenas relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Canadá, assinadas por Paulo VI e o primeiro ministro canadense Pierre Elliot Trudeau. Também, Smith definiu-se “protestante com uma profunda admiração e respeito pelo Santo Padre e pela Igreja Católica”.
Também, no dia 5 de setembro foi a vez do novo embaixador da Irlanda. Trata-se de Philip McDonagh, 52 anos, diplomata de carreira, de 1994 a 1999 conselheiro da embaixada em Londres e desde 1999 embaixador na Índia. No texto do seu discurso, o Papa, entre outras coisas afirmou: “A Irlanda sente-se, justamente, orgulhosa pela sua antiga herança de hospitalidade calorosa e de assistência generosa para com as pessoas que se encontram em necessidade. Fundamentadas no amor cristão pelo próximo e alimentadas numa vida familiar estável, tais virtudes formaram a ‘alma’ da Irlanda e continuam a constituir um dos seus recursos mais preciosos”. Por sua vez, o novo embaixador, que em 1977-1978 foi primeiro secretário na embaixada da Irlanda junto ao Estado italiano, usou algumas expressões em italiano. Particularmente recordou que estava na Praça de São Pedro no momento em que , anunciava-se com a fumaça branca a eleição de João Paulo II. Neste ano comemoram-se 75 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre Dublin e a Santa Sé.
Doada cruz peitoral bispo luterano
“O Papa, e isso me toou profundamente, não só me doou suas palavras, mas me fez um verdadeiro dom: uma cruz peitoral, realizada por ocasião do seu XXV ano de pontificado, que levarei para Berlim. Creio que este seja um sinal visível, reconhecido implicitamente, do profundo significado do ministério episcopal no seio da Igreja Evangélica: eu entendi assim este gesto”. São as palavras de agradecimento expressas no dia 25 de agosto na Rádio Vaticano pelo doutor Wolfgang Huber, bispo presidente do Conselho da Igreja Evangélica da Alemanha, recebido em audiência por João Paulo II no dia anterior.
ECUMENISMO/2
11 de setembro: morre em acidente aéreo o Patriarca Ortodoxo de Alexandria
O patriarca ortodoxo de Alexandria do Egito e de toda a África, Petros II, morreu em um acidente aéreo acontecido em 11 de setembro, enquanto o prelado, em visita à Grécia, dirigia-se em helicóptero de Atenas para o Monte Athos. Junto com o prelado faleceram os cinco membros da tripulação e onze pessoas que viajavam no cortejo do Patriarca, entre os quais o seu próprio irmão e três bispos do patriarcado. Petros Papapetrou nasceu em Chipre em 1949: foi ordenado sacerdote em 1978 e designado bispo da Babilônia em 1983 e, depois de ter exercido o cargo de metropolita junto a várias sedes africanas, em 1997 foi eleito patriarca ortodoxo de Alexandria do Egito. Segundo indiscrições publicadas em dois populares jornais russos, e retomadas por jornais italianos, o helicóptero usado teria sido destinado para transportar o presidente russo Vladimir Putin no decorrer de uma visita à Grécia prevista dois dias antes do trágico acidente e cancelada devido a tragédia de Beslan.
ÁUSTRIA
Fechado o seminário de Sankt Pölten
“Uma hora dolorosa para a diocese de Sankt Pölten e para a Igreja de toda a Áustria”. Com estas palavras, o visitador apostólico Klaus Küng, bispo de Feldkirch, no dia 12 de agosto comunicou a decisão de fechar “com efeito imediato” o seminário da diocese de Sankt Pölten guiada por Kurt Krenn, que foi alvo de um escândalo sexual. Anotícia foi dada pela Rádio Vaticano no dia 13 de agosto. O enviado do Papa, nomeado em 20 de julho passado, confirmou que para o seminário “é necessário um início completamente novo”.
COLÉGIO DOS CARDEAIS
A morte do cardeal González Martín. Os 80 anos de Fernandes de Araújo
No dia 25 de agosto faleceu o cardeal espanhol Marcelo González Martín, 86 anos, arcebispo de Toledo de 1971 a 1995, criado cardeal pelo Papa Paulo VI em 1973. No dia 13 de agosto completou 80 anos o cardeal brasileiro Serafim Fernandes de Araújo, arcebispo de Belo Horizonte de 1986 a 2003, criado cardeal por João Paulo II em 1998.
Portanto, no final de agosto o Sagrado Colégio dos Cardeais resulta composto por 189 cardeais, dos quais 123 eleitores em um eventual conclave. Dos nomeados por Paulo VI permanecem 15, dos quais 4 eleitores. O número de cardeais brasileiros “votantes” desceu para 5, menos da metade dos americanos (11) e menos do que os alemães e espanhóis (6 cada um).
CÚRIA
O bispo Mauro Piacenza presidente da Comissão de Arqueologia Sacra
No dia 28 de agosto o bispo Mauro Piacenza, genovês, 60 anos, desde outubro de 2003 presidente da Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja, foi nomeado também presidente da Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra. Assume o lugar do cardeal Francesco Marchisano, 75 anos completados em 25 de junho passado, o qual mantém os cargos de arcipreste da Basílica Vaticana, de vigário do Papa para a Cidade do Vaticano, de presidente da Fábrica de São Pedro e da Comissão Permanente para a tutela dos monumentos históricos e artísticos da Santa Sé.
ITÁLIA
Atzei arcebispo de Sassari
No dai 14 de setembro Paolo Mario Virgilio Atzei, franciscano conventual, 62 anos, foi promovido a arcebispo de Sassari. Nascido em Mantova, sacerdote desde 1966, Atzei era desde 1993 bispo de Tempio-Ampurias. O prelado é muito conhecido nos ambientes tradicionalistas por ter-se sempre recusado a aplicar na própria diocese o indulto para a celebração da missa chamada de São Pio V.
TERRORISMO/1
Beslan e os “novos nazistas”
Depois da tragédia da Beslan, a coluna on line da revista L’Espresso, escrita por Sandro Magister, comentou a manchete que os jornais católicos deram ao evento. “L’Osservatore Romano, jornal da Santa Sé, dirigido por Mario Agnes, na sua edição de 5 de setembro, limitou-se a colocar em evidência a foto de uma pequena mão ensangüentada que aperta uma cruz, com o título A inocência crucificada e publicando ao lado o único pronunciamento oficial do Vaticano sobre o fato até aquela data: um telegrama de rotina do Secretário de Estado, cardeal Angelo Sodano, que transmite ‘a dor do Santo Padre’ ao ‘povo russo’, através do núncio apostólico em Moscou, Antonio Mennini. Na segunda página, onde estava a crônica dos acontecimentos, o título era: Dos 300 mortos na blitz a maioria eram crianças. E a matéria começava assim: A blitz das forças especiais russas em uma escola de Beslan na Ossétia do Norte marcou o trágico epílogo do seqüestro de mais de 1000 pessoas por parte de um comando terrorista, provocou bem mais de 300 mortos sendo a grande maioria crianças’. No dia anterior, a linha do jornal vaticano tinha sido a mesma, dando a responsabilidade pelo “cruel epílogo” em primeiro lugar aos autores da “blitz”, ou seja, as forças especiais russas e seus comandos, subindo até chegar ao presidente Vladimir Putin. Isso ocorreu no L’Osservatore Romano. Mas o Avvenire – jornal dirigido por Dino Boffo, de propriedade da Conferência Episcopal Italiana presidida pelo vigário do Papa, o cardeal Camilo Ruini – acentuou ainda mais o fato. Dois editoriais dos quatro e duas manchetes da edição de domingo, 5 de setembro, nas primeiras três páginas, concentraram o alarme sobre Putin como se fosse ele o perigo número um”. No mesmo artigo, o cronista do Espresso anota com alívio o manifesto de condenação do terrorismo assinado por dezenas de expoentes muçulmanos residentes na Itália, entre os quais o imã do Centro Cultural Islâmico de Colle Val d’Elsa, em Sena, Feras Jabareen, que definiu os terroristas como “novos nazistas”.
TERRORISMO/2
O terrorismo é um nazismo místico
“Este sanguinário fanatismo religioso assemelha a uma espécie de nazismo místico”. Palavras do escritor judeu romeno Norman Manea, em uma entrevista ao jornal Il Messaggero de 8 de setembro.
TERRORISMO/3
Ao império global o terrorismo agora é útil
“O altruísmo não faz parte da natureza dos americanos. Interessamo-nos apenas por nós mesmos, pela nossa prosperidade e a forma que escolhemos para obtê-la é o império global. Antigamente declarávamos que combatíamos o comunismo mesmo em países que nunca tinham ouvido falar disso. Agora falamos de luta contra o terrorismo, e se ele não existisse, nós o inventaríamos, para depois empenharmo-nos naquela que chamamos guerra, mas não é”. É uma consideração de Gore Vidal, citada por Enzo Biagi em um artigo publicado na primeira página do Corriere della Sera de domingo 12 de setembro.
MARCELLO PERA
É guerra de agressão contra todo o Ocidente?
“Com poucas exceções louváveis e respeitáveis, como a do cardeal Ratzinger, do patriarca Scola, de monsenhor Caffarra, que justamente insistem, certamente não na guerra, mas na chamada para deter a crise da Europa, uma grande parte do clero, ou cala, ou manifesta pela paz como se não fosse problema seu defender a civilização européia cristã. Mas não é assim, o problema é de todo o Ocidente porque a guerra é contra todo o Ocidente. E trata-se de uma guerra agressiva, não de reação. Por que não se tem coragem de dizer, ou é deixada só ou se ironiza sobre Oriana Fallaci e poucos outros que a advertem há tempos? E são muitos os que pensam que se trate de uma guerra agressiva à qual é preciso reagir, como demonstra o grande número de leitores de Oriana Fallaci, os quais, somente na Itália, formam um partido político”. Palavras do presidente do Senado italiano Marcello Pera em uma entrevista ao jornal La Repubblica de 30 de agosto.
AMOS LUZZATTO
Choque de civilizações: expressão que causa horror
Sobre o choque de civilizações, o presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas, Amos Luzzatto, em uma entrevista ao jornal L’Unità de 8 de setembro, afirmou: “Temos que nos opor a essas interpretações, organizar a opinião pública para que diga não, nós estamos horrorizados. A expressão ‘choque de civilizações’ deveria ser abolida do nosso vocabulário. Não se trata de um tributo verbal, mas de uma contribuição educativa fundamental para que não se desenvolva a raiz da violência: uma civilização que se choca e uma outra que nega a si mesma não é uma civilização. Toda civilização exclui a morte do outro”.
MEETING
Figurantes do mal
Causou muitas controvérsias a presença no Meeting de Rímini das ex-terroristas Francesca Mambro e Nadia Mantovani. Em particular, Massimo Gramellini, no La Stampa de 24 de agosto, na sua coluna diária escreveu com o título: Figurantes do mal: “Os debates políticos não são obras de arte. São reveladores de notoriedade. Convidar senhoras como Mambro e não as filhas e as viúvas dos mortos pelo terrorismo significa enviar aos jovens um sinal ambíguo: que para conseguir o respeito e a atenção do mundo é mais útil ter sido carnífice do que vítimas”.
DESCRISTIANIZAÇÃO
As aulas de religião em Milão
Aulas de religião, a grande fuga é em Milão: este é o título de um artigo publicado no La Stampa de 8 de setembro dedicado ao encontro, realizado na Basílica de Santo Ambrósio, de 1800 professores de religião milaneses [Na Itália, a aula de religião é opcional, ndr]. Segundo a matéria: “Em 182 salas de aula das escolas públicas de segundo grau, o número de alunos que escolhe a aula de religião é igual a zero: inteiras classes sem nem mesmo um aluno interessado em religião. E o número dos que abandonaram este ensino já chegou a 60 mil. Praticamente uma apostasia em massa”.
BALCÃS
Ministro do Exterior da Sérvia recebido pelo Papa e no Vaticano pelo Kossovo
No dia 9 de setembro o Papa recebeu em audiência Vuk Draskovic, Ministro do Exterior da Sérvia e Montenegro. Na ocasião, o líder da diplomacia de Belgrado doou ao Pontífice o livro Crucified Kosovo (Kossovo crucificado) no qual estão reunidos os testemunhos fotográficos das numerosas igrejas ortodoxas sérvias destruídas ou danificadas na região autônoma de maioria albanesa. Em seguida, Draskovic foi recebido no Vaticano pelo Ministro do Exterior da Santa Sé, o arcebispo Giovanni Lajolo, e pelo seu vice, D. Pietro Parolin. Também nesta ocasião o assunto principal foi a dramática situação em Kossovo. Draskovic manifestou a insatisfação de Belgrado pelas condições da minoria sérvia na região.
DIPLOMACIA/1
Novos núncios na África, Suíça e Belarus
No dia 31 de julho, o espanhol Andrés Carrascosa Coso, 49 anos, foi nomeado arcebispo e núncio apostólico no Congo. Sacerdote desde 1980, entrou na diplomacia pontifícia em 1985, Carrascosa já prestou serviços na Libéria, Dinamarca, na segunda seção da Secretaria de Estado, na sede da ONU em Genebra, no Brasil e, por último no Canadá. No dia 26 de agosto, Carrascosa foi também nomeado núncio em Gabão.
Na mesma data, o arcebispo italiano Mario Roberto Cassari, 61 anos, foi nomeado núncio na Costa do Marfim e Burquina Faso. Desde 1999 era núncio no Congo e Gabão. No dia 8 de setembro, Cassari foi nomeado também núncio em Níger.
Em 8 de setembro o arcebispo Francesco Canalini, 68 anos, desde 1998 núncio na Austrália, foi nomeado núncio apostólico na Suíça e Lieschtenstein. Precedentemente Canalini fora núncio no Equador e Indonésia.
Em 15 de setembro, o croata Martin Vidovic, 51 anos, desde 1994 na primeira seção da Secretaria de Estado, foi nomeado arcebispo e núncio apostólico em Belarus. De 1983 a 1994 foi redator no programa croata da Rádio Vaticano. A partir de 1994 foi secretário da nunciatura na Bósnia e a partir de 2001 membro da Consulta Pastoral da Perigrinatio ad Petri Sedem.
DIPLOMACIA/2
Novos embaixadores da Guatemala, Canadá e Irlanda junto à Santa Sé
No dia 2 de setembro o novo embaixador da Guatemala junto à Santa Sé apresentou as suas cartas credenciais. Trata-se de Juan Gavarrete Soberón, 62 anos, advogado e tabelião, empresário no setor legal e bancário. No texto do discurso ao novo embaixador, o Papa entre outras coisas afirmou: “Apraz-me constatar que a defesa da vida humana, desde a sua concepção até o seu fim natural, é constitucionalmente reconhecida na sua Nação, o que constitui um sinal de honra para a Guatemala”. Por sua vez, o embaixador sublinhou sua antiga amizade com o cardeal da Guatemala, Rodolfo Quezada Toruño, “pessoa extraordinária”, conhecido no meu país como “bispo da paz”.
No dia 5 de setembro foi a vez do novo representante do Canadá junto à Santa Sé. Trata-se de Donald Smith, 59 anos, diplomata de carreira, ex-embaixador em Zagreb e nos últimos quatro anos chefe de departamento no Ministério do Exterior. No texto do seu discurso, o Papa, entre outras coisas afirmou: “Diante do sofrimento e das divisões que, com muita freqüência, afligem a família humana, a necessidade de soluções definitivas para os conflitos humanos torna-se ainda mais evidente”. Por sua vez, o novo embaixador lembrou que neste ano comemoram-se 35 anos do estabelecimento das plenas relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Canadá, assinadas por Paulo VI e o primeiro ministro canadense Pierre Elliot Trudeau. Também, Smith definiu-se “protestante com uma profunda admiração e respeito pelo Santo Padre e pela Igreja Católica”.
Também, no dia 5 de setembro foi a vez do novo embaixador da Irlanda. Trata-se de Philip McDonagh, 52 anos, diplomata de carreira, de 1994 a 1999 conselheiro da embaixada em Londres e desde 1999 embaixador na Índia. No texto do seu discurso, o Papa, entre outras coisas afirmou: “A Irlanda sente-se, justamente, orgulhosa pela sua antiga herança de hospitalidade calorosa e de assistência generosa para com as pessoas que se encontram em necessidade. Fundamentadas no amor cristão pelo próximo e alimentadas numa vida familiar estável, tais virtudes formaram a ‘alma’ da Irlanda e continuam a constituir um dos seus recursos mais preciosos”. Por sua vez, o novo embaixador, que em 1977-1978 foi primeiro secretário na embaixada da Irlanda junto ao Estado italiano, usou algumas expressões em italiano. Particularmente recordou que estava na Praça de São Pedro no momento em que , anunciava-se com a fumaça branca a eleição de João Paulo II. Neste ano comemoram-se 75 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre Dublin e a Santa Sé.